quinta-feira, 28 de dezembro de 2023

Travessuras da menina má - Mario Vargas Llosa


Miraflores, Peru!

As duas falsas chilenitas: Lily e Lucy, de 14 e 13 anos.  Ricardo Samocurcio declara-se 3 vezes à menina má, Lily, que simpatizava muito com ele, mas nunca cedeu ao rapaz que estava apaixonado como um bezerro.

A 30 de março, são desmascaradas pela tia chilena de Marirosa, na festa de anos desta. 

Ricardo faz 15 anos nesse verão. É órfão: os pais morreram num acidente de carro. Vive com a tia Alberta.

II

PARIS: Jean Paúl o gordo recrutador de jovens peruanos que recebem bolsas da China para fazer a revolução e transformar o Peru na segunda Cuba. 

Ricardo procura emprego. Reconhece em Arlette, uma das aspirantes a revolucionária, a menina má. Passa uma semana com ela, faz amor come ela no sexto dia: ela continua aparentemente indiferente à paixão dele, mas percebe-se que gosta dele, apesar de ter outros objetivo: um deles é evitar regressar a Cuba e escapar ao MIR, que a recrutou. Ricardo pede a Paúl, mas este diz-lhe que não pode fazer nada e Arlette parte para o Peru.

Ricardo é contratado como tradutor para a empresa do espanhol Charnés, a trabalhar para a Unesco. Ao fim de seis meses, Paúl diz-lhe que Arlette é amante do comandante da revolução, Chacón.

Paúl informa Ricardo que vai deixar de ser embaixador do MIR em Paris e no mundo e vai para o Peru, participar na revolução. A mulher e o filho já partiram e ele irá em breve.

Ricardo tem um breve caso com a cantora espanhola Carmencita, mas desiste quando a vê nos braços de outro homem.

A tia Alberta morre e deixa a herança a Ricardo: a vida em Paris vai passar a ser mais fácil, porque ele vai poder comprar um pequeno apartamento. Compra uma viagem de ida e volta para Lima e vai à Unesco informar o chefe: encontra, na escadaria, Arlette, que se apresenta como esposa do diplomata francês Robert Arnoux.

Combina encontrar-se com Ricardo, no dia seguinte, em Les Deux Magots. Encontram-se e ela pergunta-lhe se ele ainda gosta dela e se percebe que poderia estar casado com ela se não a tivesse deixado ir para o Peru. Ele sabe que um simples tradutor não serviria os objetivos dela. Ela nega ter sido amante do comandante Chacón. Ele diz-lhe que sabe que o casamento é um expediente que lhe serviu para sair do Peru. Ela diz que quer ver se em dois anos ganha a nacionalidade francesa. Despedem-se com um beijo e combinam encontrar-se quando ele regressar do Peru. (Ver página 60)

LIMA Março de 1965, pouco antes de completar 30 anos.

O MIR quer acabar com a exploração dos trabalhadores e com o governo  eleito democraticamente de Belaunde Terry, mas subordinado ao imperialismo americano. O doutor Ataúlfo Lamiel prevê que a única coisa que o MIR vai conseguir é provocar um golpe de estado e surgir uma ditadura militar para defender Peru do comunismo (como virá a acontecer).

PARIS Assim que regressa telefona a Madame Arnoux e pede-lhe que o ajude a procurar um apartamento. Passa uma das semanas mais felizes da sua vida: ela promete-lhe que o estrearão quando se mudar para lá. Fazem amor pela segunda vez. (Página 66).

Nesse mesmo dia conhece o marido dela. Acha-o feio e velho, apesar de culto. Passam depois menos tempo juntos, vão ao cinema e passeiam.

Só voltam a fazer amor um mês depois quando ela volta de uma viagem à Suíça com o marido.

Ela viaja muito com o marido. Este não é rico, mas misteriosamente ela anda sempre com jóias e com vestidos caros.

Um dia ela alegre diz a Ricardo que terão um fim de semana só para eles porque o marido irá viajar à Polónia. Mas a alegria é atenuada pela notícia da morte dos revolucionários no Peru, onde estaria Paúl, o amigo de Ricardo. E ela diz-lhe que eles não resultariam porque ele é um acomodado e ela quer sempre mais.

E de facto ela abandona o marido diplomata e desaparece de Paris. Este conta a Ricardo que ela fugiu com todo o ginjeira que tinha, numa conta conjunta na Suíça e que estava muito desiludido e magoado porque tinha corrido muitos riscos para a tirar do Peru.

Onde estará ela agora? Dela só tem a escova de dentes Guerlain.

3 de outubro de 1968: golpe de estado no Peru: início de uma ditadura que vai durar 12 anos.

III

LONDRES substitui Paris: o movimento hippie e as drogas, os Beatles e os Rolling Stones; Ricardo frequenta Londres e a vida e o amor livre.

O amigo hippie Juan Barreto conhece a viúva Mrs. Stubard e esta protege-o. Um sobrinho dela apresenta-o ao mundo rico dos cavalos e ele torna-se retratista de cavalos, em Newmarket, ganha bastante dinheiro e compra um pequeno pied-à-tierre em Earl’s Court, onde Ricardo fica quando vem a Londres.

A menina má é agora Mrs. Richardson: o marido é rico e ciumento.

Durante 2 felizes anos Ricardo e ela encontram-se no Russell Hotel, em Londres. Ela chega a dar a entender que o quer muito (página 133).

Juan Barreto morre com sida, doença ainda desconhecida.

A menina má viaja muito para o oriente e desaparece algum tempo. Quando reaparece, o marido terá descoberto que ela já tinha sido casada, está a divorciar-se e receia ficar sem nada e até ir para a prisão. Ricardo promete protegê-la.

IV

SALOMON TOLEDANO, o intérprete turco talentoso que se torna o amigo de Ricardo até 1979 e de que pouca gente gosta. Acusa os tradutores e os intérpretes de não deixarem obra.

1974 A menina má telefona a Ricardo a dizer que vai desaparecer porque se divorciou e ficou sem nada e receia que o primeiro marido a denuncie.

1979 Toledano parte para Tóquio: vai ser intérprete da Mitsubichi.

1980 Acaba a ditadura no Peru: Fernando Belaunde Terry é reeleito. O tio Ataúlfo vem a Paris. Ricardo tem 45 anos.

Começa a rebelião Maoista do Sendero Luminoso (PC do Peru) que vai durar 10 anos e sessenta mil mortos e desaparecidos.

Toledano escreve de Tóquio e envia cumprimentos da menina má (ver final da primeira temporada da série televisiva).

Ricardo consegue ir à Tóquio, depois de um trabalho em Seul, e de receber um telefonema dela. Toledano e a amada Mitsuko ajudam-no a encontrar-se com Kuriko, a menina má, agora companheira de um rico negociante japonês, o senhor Fukuda.

Encontram-se: ela conta que viveu num quarto exíguo, dois anos, como amante e “mula” de Fukuda (principalmente de pó afrodisíaco de corno de rinoceronte) e que agora vive com ele. Ele usa-a, não a ama, e ela sente-se viciada naquela perigosa e excitante.

Vai com Ricardo ao Château Meguru, uma casa de encontros secretos, em Tóquio, para o alegrar. Ele chora de emoção. Ela anima-o e exige sexo oral, como sempre.

Mitsuko telefona a Ricardo para se encontrarem. 

Kuriko telefona logo a seguir a dizer que contou a Fukuda que estava um amigo peruano em Tóquio e ele autoriza Kuriko a servir de guia turístico a Ricardo e quer que vá jantar com eles e ao teatro. 

Depois do teatro, ela leva-o para o quarto. Pela primeira vez, ela chupa Ricardo: nesse momento, Ricardo vê Fukuda na penumbra do quarto a observá-los. Ricardo diz a Kuriko e ela diz-lhe para se acalmar e continuar o que estão a fazer. Ricardo percebe que se mostrou apaixonada por ele para satisfazer Fukuda e queixa-se. Ela fica furiosa e insulta-o, diz que o odeia e chama-lhe cobarde e borra-botas. Fukuda já tinha saído. Ricardo foge, magoado e humilhado. No dia seguinte não atende uma chamada dela. Regressa a Paris. Recomeça a trabalhar sem parar para atenuar a dor. Recebe uma carta de Mitsuko: Salomon suicidou-se depois de ela lhe ter dito que não queria casar com ele.

V

Dois vizinhos novos: Simon e Elena Gravoski e o filho adotivo, Yilal, mudo.

A menina má liga 3 vezes e ele não atende. Continua magoado. Vai para a cama apenas duas vezes com uma tradutora, Astrid, em Viena.

Ricardo tem 47 anos.

Finalmente atende uma chamada dela e reencontram-se: ela esteve presa em Lagos, foi violada pela polícia e proibida de entrar no Japão, por Fukuda. Apanhou úlceras infecciosas e esteve quase a morrer. Parece muito mais velha e descuidada. Vive em Paris.

Elena consegue interná-la e é operada a uma úlcera na vagina. Ricardo paga uma clínica de repouso para ela recuperar. Ela recupera bastante mas continua com medos e fragilidades. O médico diz a Ricardo que ela não foi violada nem presa: foi escrava sexual de Fukuda e conseguiu escapar milagrosamente. Ricardo não lhe diz que sabe a verdade.

Simon e Elena partem para New Jersey, com Yilal, que recuperou a fala graças à menina má.

Posta a hipótese de se casarem para ela obter a nacionalidade francesa, ela desaparece e reaparece, depois de Ricardo quase se ter atirado ao rio. Ele bate-lhe e revela que sabe que ela foi escrava sexual de Fukuda, e ela diz que é assim que o quer, e que nunca será dele, mesmo casando.

VI

1984 março:  meses do fim do governo de Belaunde Terry, o Peru segue violento, corrupto e pobre.

Ricardo, casado com a menina má, vai sozinho ao Peru. Conhece Arquímedes, adivinhador do local onde construir esporões no mar, o provável pai da menina má, Otilia, afinal. A irmã Lucy não era irmã, mas filha de uma patroa.

Ricardo regressa a Paris e a Menina má está ainda à sua espera, como uma esposa feliz. Até quando?

VII

1987 Ricardo, com 52 anos, vai morar com Marcella para Lavapiés. Conheceu-a há 3 anos, viveram um ano em Paris e estão a morar há 2 em Madrid. Era italiana, 20 anos mais nova do que ele.

A menina má (terá 50 anos) tinha-o deixado para viver com o marido de Martine, a patroa dela (no capítulo anterior, ela arranjara emprego na empresa de Martine, de organização de eventos).

Marcella era cenarista, acabou por ter sucesso com a peça Metamorfose e enamorou-se de Victor Almeda, o encenador.

A menina má reaparece em Madrid, muito magra…








terça-feira, 26 de dezembro de 2023

Jesus Cristo bebia cerveja - Afonso Cruz


Rosa e a avó Antónia que mija no chão.

O cabo da guarda e o sargento Oliveira.

O Gago, o avô de Rosa que se matou num poço por ser acusado de assassino em série e o capitão lhe ter partido uma perna.

O capitão que se matou quando descobriu que a assassina era a esposa, para se sentir desejada por ele.

João Lucas Marcos Mateus, o pai de Rosa era um bruto agricultor.

Isabel, a mãe, era arqueóloga. Queria um homem que a fodesse “como uma vara de porcos a passar por cima de um canteiro de lírios”.

Um casamento improvável. Com a rotina veio o asco. Isabel deixara de trabalhar e bebia. Nasce Rosa e é o pai que a mima. Isabel recebe outros homens brutos. Um dia parte com um e Rosa reza tanto que a mãe volta substituída pela Virgem Maria. E ia à missa e penteava e acariciava Rosa. Mas pouco a pouco voltou a beber e a ser fria com Rosa e voltou a fugir com um homem e viveu a partir daí como uma puta.

O professor Borja seu insucesso literário: escreveu Apologia das Minhocas e Jesus Cristo Bebia Cerveja. Pinta versos no muro branco da casa de Mrs. Wittemore, guardada pelo caseiro Rato, casado com a Guilhermina Cara de Boi. Não admite que é ele o culpado, apesar de já ter sido espancado pelo Sargento Oliveira.

A muito e propositadamente lenta, mas obediente, Ana Maria, a criada de Mrs. Wittemore. Está é dona da aldeia, dorme numa cama dentro de uma ossada de cachalote e encomendou habitantes cultos e incultos .

Ari, o amigo pastor de Rosa, 6 anos mais velho que ela, lanterninha no cinema. A avó de Rosa aparece desmaiada.

A avó de Rosa não morreu. Foi ao hospital e volta com Rosa na ambulância onde o bombeiro Faia tenta abusar de Rosa.

A avó está muito debilitada. É Rosa que cuida da casa. Têm duas galinhas e comem caldos apenas.

O padre Teves, o pretenso profeta, visita Rosa e a avó para saber como estão. Será amante das nádegas de Rosa?

60 Em casa de Miss Wittemore, o professor Borja e o hindu discutem se existe o Eu superior e se não é apenas o ADN ou o que está dentro da nossa cabeça, como afirma Berkeley. Falam também do barco de Teseu.

Rosa trabalha com Matilde como criadas na casa de Santos & Santos. A senhora da casa critica-a muito. Dormem no mesmo cubículo.

O Sr. Santos & Santos vem ter à cama de Matilde durante a noite. A mulher dele ouve tudo.

Rosa passa os fins de semana no monte a cuidar da avó. Ari o pastor é seu amigo e amante.

Como Amélia não lhe trata da avó convenientemente, Rosa decide despedir-se. Mas Matilde mentiu e disse à patroa que Rosa é que era a amante do patrão e Rosa é despedida.

O professor Borja atropela e mata um javali. O padre elogia as nádegas dela. O professor conhece Rosa e vai ao monte oferecer-lhe bolos.

Como Antónia, a avó de Rosa, quer ir à Jerusalém, Borja propõe transformar a aldeia da Miss Wittemore em Jerusalém.

Ari, o pastor, tem ciúmes do professor Borja.

O Avião, o bordel, será o avião a a fingir. As pessoas disfarçar-se-ão de árabes e judeus.

Borja foi casado com Celeste, que trabalhava na faculdade, apesar de antes ter desejado uma aluna, Rebeca. Tiveram uma filha: Margarida. Está morre aos 5 anos por ter engolido barbitúricos da mãe, do armário da casa de banho. Celeste nada suportou o Nada e matou-se do mesmo modo. O paralelo Borja ficou só.

Rosa desculpa Ari pelos ciúmes.

Borja recruta alunos da escola da cidade para irem ser soldados de uma ordem recitando poemas em esperanto para enganar a avó de Rosa.

O padre está com Miss Stela que o fustiga nas nádegas até fazer sangue. Ela diz-lhe que a aldeia se vai transformar em Jerusalém. Ele fica atónito!

Ari diz que ama Rosa. Ela não sabe como reagir.

Rosa pede colaboração ao Três Metros, o presidente da junta, mas este recusa. Sai e parte uma montra com uma pedra, irritada, e foge e torce um pé.

Borja diz-lhe que na última ceia se vai beber cerveja e não vinho.

Borja oferece um anel a Rosa e ela entrega-se-lhe, deixando de dar importância a Ari. Ari com ciúmes bate em Borja.

Rosa está grávida!

Acontece a viagem e o jantar e apesar de Borja insistir que deviam substituir o vinho pela cerveja, é vinho que bebem até cair!

No dia seguinte Borja e Rosa passeiam Antónia por Jerusalém: ele fala dos dois gémeos árabe e judeu, da pulga que ficou por séculos com o sangue de Cristo e da fonte que diz ter dado aos homens a capacidade de ver o que não acontece no futuro.

A dormirem em casa de Miss Wittemore, Rosa não entende como se deixou encantar com Borja. Acha que ele é um fraco. Preferia que ele a matasse para ficar famoso por isso.

Borja sai para pintar o muro deixando Alípio disfarçado de si no quarto. Ari entra para o matar mas encontra Alípio e desiste.

O Capitão espera por Borja junto ao muro.

Mas Borja decidiu outra coisa: adormeceu Miss Wittemore e cai pintar no quarto dela as suas frases revolucionárias. Rosa diz-lhe para escrever tamanho uma frase escolhida do seu livro preferido. Ele entra no quarto da Miss e Rosa entra atrás dele com uma faca.

Influenciada pela frase do seu livro preferido, Rosa mata a Miss na cama e depois mata o professor e diz ao Capitão que foi o professor que matou a velha Miss e esmagou a seguir.

A avó de Rosa num momento de lucidez sabe que não está em Jerusalém mas finge que está para não entristecer a neta.

Rosa aborta com uma infusão de arruda e decide ir para Lisboa. Deixa a avó e parte. Torna-se uma prostituta decadente e sem dignidade nenhuma. Morre aos 42 anos, na miséria: antes de morrer imagina-se a correr para os braços de Ari.

LIVRO: A morte não ouve o pianista

FRASE: Morro por amor, sem isso não vale a pena estar vivo. A minha vida foi feita para se entranhar na tua, como uma faca espetada no coração.

O pistoleiro Harold Estefânia mata Rose Grant e mata-se a seguir com um tiro na têmpora.”

 

O Diário de Anne Frank


Holanda, para onde a família fugiu da Alemanha, em 1933.

1942, junho: Anne faz anos, convive com as amigas Lies Goose, Sanne Hortman e Jopie Van der Hall. Gosta de Peter Wessel.

Os judeus só podem sair das 15h às 18h e têm muitas limitações sociais: não podem andar de carro elétrico, só podem frequentar estabelecimentos de judeus.

O professor Kepler acha Anne muito tagarela.

O jovem Harry Goldberg de 16 anos ofereceu-se para acompanhar Anne de bicicleta até à escola.

Harry declarou-se a Anne. A família dela acha-o simpático. Ele andava com a Fanny mas achava-a enfadonha.

9 de julho: Chegou uma convocatória das SS para Margot, a irmã de Anne, com 16 anos, se apresentar. Assim a família teve de sair da casa e fugir para “mergulhar”, 9 dias antes do previsto.

O ANEXO

Refugiaram-se no terceiro andar por cima da casa comercial ou armazém onde o pai trabalhava, em Prinsengracht. Tinham levado para lá as suas posses. 

Ao lado da entrada do armazém há uma porta que tem a seguir umas escadas que levam ao escritório onde trabalham a Miep, a Elli (a dactilógrafa) e o Sr Koophuis. Aí há uma passagem para as traseiras onde fica o escritório do Kraler e do Sr. Van Daan. Todos eram empregados do pai de Anne e iam protegê-los no esconderijo, usando os talões de racionamento para lhes comprar e trazer comida e bens de primeira necessidade.

Depois há uma série de passagens que levam a um anexo com as divisões onde os Frank vão “mergulhar”. Mais acima chega-se a um espaço também com cozinha sala, quartos e WC que vai esconder os Van Daan. O Peter dorme num quartinho que serve de passagem para o sótão.

Os quartinhos, a cozinha e os WC estavam cheios de móveis e roupas. A família Van Daan “mergulhou” com eles. O filho, Peter, de 16 anos, era muito aborrecido e preguiçoso. A Sra. Van Dann era forreta: tentava que usassem as coisas dos Frank e guardava as dela para as poupar (lençóis, toalhas,…).

A Sra. Van Dann e a família dormem em cima. Ela critica muito a Anne e a educação que os pais lhe dão. A Anne já não a suporta.

Passam os dias com medo de ser descobertos.

Anne lamenta o desprezo e o desagrado com que a mãe a trata e o facto de Margot ser melhor tratada do que ela. Confessa também o seu amor pelo pai. Gostaria de ter mais sucesso nas relações familiares. Mas esforça-se sempre.

Na rádio anunciam que a Argélia, Casablanca e outras cidades e países do Norte de África foram recuperadas pelos ingleses. Também Estalinegrado resiste. A esperança de que seja o princípio do fim. Otimista, Anne conta depois como recolheram os alimentos para o inverno: legumes secos e feijão em sacos.

Um novo “mergulhador”: o dentista Albert Dussel. Ele acha o esconderijo muito bem organizado, até tem regulamentos.

Dussel conta a Anne os acontecimentos recentes, as perseguições dos alemães aos judeus, às amigas e a famílias inteiras que são capturadas. Algumas escapam graças aos resgates que pagam.

Anne sofre pelos outros mas também porque se sente só.

Além disso, toda a gente ralha com ela, incluindo o Dussel, que dorme no quarto dela.

Festejam o Chanuca e o S Nicolau e trocam prendas (na Holanda festejam mais o S Nicolau do que o Natal.

O Sr Van Daan faz salsichas e o Dussel trata na primeira consulta dos dentes da Sra Van Daan.

Anna lamenta a fome, o frio e as privações que passam os judeus que não estão escondidos: muitos perdem as famílias, as crianças pedem pão nas ruas, as casas são geladas e as ruas húmidas e ventosas. A Holanda é sobrevoada por aviões aliados que levam bombas para largar sobre a Alemanha. Os cristãos holandeses também sofrem: os jovens têm de ir lutar pelos alemães. Anne pensa na sorte que tem por estar escondida e em segurança.

Anne lamenta a forma como a mãe e todos a tratam no esconderijo: sente-se desprezada e muito injustiçada.

Conta as piadas que a Sra Van Dann diz e alguns outros episódios cómicos, como o do Peter e o “pivete”.

A casa foi vendida: os novos proprietários vieram vê-la, mas o Sr Koophuis não abriu a porta que dá para os aposentos onde Anne e os outros estão escondidos. Anne tem fé de que os ingleses (Churchill) invada a Holanda para a libertar dos alemães.

Curto-circuito, ruído dos canhões de defesa e dos avião e das bombas que vêm libertar os holandeses dos alemães. Episódio das ratazanas: uma mordeu Peter num braço.

Pareceu que entraram ladrões no armazém e que a porta estaria aberta. Tremem todos de medo e dormem muito mal.

Rauters, um dos alemães mais influentes na Holanda, discursa e afirma que os judeus têm de desaparecer até 1 de julho dos países germânicos.

Anne diz à mãe que não quer rezar com ela e a mãe chora. A verdade é que Anne já não consegue gostar dele. O pai recrimina Anne com o olhar.

As bombas caem. Os aviões ingleses atacam e destroem casas e ruas.

As duas famílias cada vez passam mais provações: roupas gastas e curtas, tudo velho e roto, até o pincel da barba do pai de Anne. Anne lavou o cabelo à mãe com sabão amarelo e pegajoso…

Passou um ano: Anne faz anos: 13 de junho de 1943.

Coloca-se a hipótese de Anne sair para ir ao médico da vista… ela fica com medo e depois entusiasmo. Mas não acredita que saia.

Aos sábados, a Miep chega com os livros da biblioteca. Quem está em liberdade não imagina a importância dos livros para quem está preso.

Pedi ao Sr Dussel que me cedesse a mesa do quarto duas tardes por semana e ele, muito contrariado, acabou por ceder.

Desta vez os ladrões vieram mesmo ao armazém e roubaram dinheiro e senhas de 150 kg de açúcar.

19 de julho de 1943. O norte de Amesterdão foi bombardeado. Morreu muita gente.

Todos contam o que gostariam de fazer no primeiro dia de liberdade: Margot era um banho quente de banheira e Anne ir à escola.

26 de julho: os aviões ingleses lançam bombas sobre o Porto de Amesterdão. A Itália de Mussolini foi derrotada. O rei de Itália expulsou os alemães.

Anne enraivece-se contra o Dussel e a Sra. Van Daan. Ele aconselhou-lhe um livro para adultos e enfureceu-se por ela não ter gostado. A Sra. Van Daan é uma manienta cheia de defeitos.

3 de agosto: na Itália proibiram o Partido Fascista. As pulgas atacam.

Os jantares: o Sr Van Daan serve-se sempre primeiro e impinge as suas opiniões sem admitir outras; a Sra Van Daan fica com os melhores bocados e nunca se cala.

Anne conversa no seu cérebro consigo própria para não ter de aturar a conversa dos outros.

Cortam batatas. A Sra. Van Daan discute com o marido.

A Itália rendeu-se aos ingleses. O Sr. Koophuis vai ser operado ao estômago.

16 de setembro de 1943. Um tal M. empregado de armazém desconfiou que algo se passa no anexo. A Elli conseguiu iludi-lo e ele foi-se embora.

29 de setembro. A Sra. Van Daan faz anos.

17 de outubro. Os Van Daan estão sem dinheiro e tentam vender roupas e coisas.

Anne tem momentos de angústia: quer sair dali… sente-se como um pássaro a quem cortaram as asas.

A Elli apanhou difteria e durante 6 meses vai haver dificuldade de receberem comida. O Sr. Koophuis também continua de cama.

Anne sente remorsos por estar viva e a amiga Lies poder estar morta.

Anne teve gripe, mas já está bem.

Dia de Natal de 1943. Anne teve um bolo a dizer “Paz 1943”.

A relação não amor incondicional entre Anne e a mãe.

A raiva por a mãe e a irmã se rirem dela quando ela chora.

A puberdade e o desejo de Anne ter uma amiga.

A Anne diz que não está apaixonada pelo Peter Wessel, mas sonha com ele.

A Elli voltou a trazer os víveres.

Anne fala com Peter Van Daan sobre o sexo do gato Boschi.

Anne inventa os seus próprios penteados.

1944, janeiro - Já não há novidades entre os 8 “mergulhados”: todos conhecem as histórias de todos.

1944, fevereiro - esperam pela invasão dos ingleses para se libertarem. Os alemães dizem que se os ingleses atacarem, inundam a Holanda.

Anne tem saudades de ser livre.

Anne sente que o Peter olha para ela de uma maneira especial.

Conversa com ele e começa a sentir que ele é como se fosse seu BFF.

Ela entusiasma-se com o olhar dele para ela.

O Peter tem um complexo de inferioridade.

A mãe de Anne não gosta que ela passe tanto tempo com o Peter.

Do sótão, com Peter, Anne sente a beleza do céu e da vista sobre Amesterdão e agradece o facto de estar viva. Ele racha lenha enquanto ela pensa nisto.

Anne sente-se a apaixonar pelo Peter, que lhe parece a soma do Peter Van Adan com o Peter Wessel, por quem steve apaixonada antes de “mergulhar”.

O armazém (Kolen & Co.) foi assaltado.

Anne acha que os adultos não compreendem os jovens.

19 de março de 1944: o dia mais feliz com Peter: ele diz que Anne o está constantemente a ajudar com a sua alegria.

Anne descobre que Margot também gosta do Peter. A irmã explica-lhe que se sente triste é por não ter encontrado ninguém com quem tenha a intimidade que Anne e Peter têm.

Discute-se por causa da política. O Sr. Van Daan tem muita confiança nos ingleses e em Winston Churchill.

A situação na Holanda começa a degradar-se… as famílias não têm comida nem carvão e o inverno em rigoroso.

A vontade do primeiro beijo de Peter.

A comida é muito repetitiva e agora tem por base legumes secos, batatas e feijão. Um pouco de fois gras ou de compota é um luxo.

Anne quer ser jornalista e escreve contos (O sonho de Eva).

Gosta da genealogia das casas reais e de História e de mitologia grega e romana. Não gosta de matemática.

Ladrões assaltam o armazém. Os homens vão ver e quase são apanhados pela polícia que entretanto tinha chegado. O medo de serem descobertos e entregues à Gestapo é imenso. Mas tudo correu bem.

16 de abril: abraços com Peter e o primeiro beijo.









Sem medida - Vânia Tavares


A solidariedade com quem sofre pela ausência dos que ama, o medo sentido ao observarmos a fascinação e a ingenuidade de quem não desconfia que os predadores humanos se disfarçam muitas vezes de bons samaritanos, o suspense por querermos saber se os inocentes se salvam, a irritação provocada pela baixa autoestima de muitos adolescentes ou pela inércia de quem se subjuga, por amor, à violência e à humilhação. 

Haverá saída feliz desta teia simultaneamente terna e venenosa que atrai as 🪰 🪰 🪰 e em que as 🕷️ 🕷️ 🕷️ se escondem?


Sabrina e o pai, Guilherme.

Sabrina e a mãe ausente?

P17 - l5

Jacinta a aparentemente boa exagerada samaritana. Aborda Guilherme e Sabrina e ele fica encantado.

P19 - l13

Guilherme e Sabrina vão jantar a casa de Jacinta, o marido Jacob e o filho, Júlio. Sabrina oscila entre a apatia e a sobre-excitação. Em casa agride-se e gosta. Sabrina passa a ir 2 vezes por semana a casa de Jacinta. E depois todos os dias e as férias. Guilherme está absolutamente convencido de que a filha está em boas mãos. Jacinta até a vai buscar à escola. Há outras crianças de vez em quando na casa de Jacinta. Sabrina tem 12 anos já. A mãe só vem 4 vezes por ano, no início das estações.

Benedita e Soraia, colegas de turma: Benedita convida Soraia a ir lá a casa. Diz que lhe vai confessar uma coisa. Que convida encontros com pessoas da turma à sexta para que a mãe dela não esteja em casa, porque receia que os colegas vão lá para admirar a beleza da mãe. Soraia diz-lhe que os pais dela não são boas pessoas e que ela pode contar com a sua mãe.

Débora envolve-se com um fotógrafo que admira e vai para casa dele. Ele diz-lhe que detesta candidatas a fotógrafas sem talento, que tira, fotos a grávidas e a casais que fingem ser felizes e com a mania de mudar constantemente de cor de cabelo (como ela).

Pp41a42 o melhor texto: Benedita confessa-se prostituta de palavras: faz tudo por um bom elogio. Já não distingue prazer de abuso.

Hugo, o fotógrafo com quem ela já vive, deixa Débora sozinha durante 3 horas. Regressa 3 horas depois. Ainda ninguém jantou.

Soraia rega as plantas com sangue menstrual diluído em água. Ela e a mãe têm no frigorífico os calendários menstruais. Assinalam com batom ou uma fita vermelha os dias em que estão menstruadas.

P51 Benedita reflexões (gostei)

Algo se passa com Débora!

Soraia e as paredes cor de rosa. 

Débora recusa 3 trabalhos fotográficos.

Benedita e as vontades opostas.

Onde está a máquina fotográfica de Débora?

Quando o primeiro e o segundo dia da menstruação da Soraia calhavam em dias da semana, ela faltava à escola. Era como se esses dois dias fossem duas noites.

Débora fascinada com a sabedoria de Hugo!

Estar com Soraia motiva Benedita.

Uma amiga de Débora parece insinuar que ela se subjuga à vontade de Hugo, com quem vive.

Débora parece ter uma péssima autoestima junto de Hugo. Ama-o mas afirma ter medo dele e da sua supremacia. Enquanto ele não chega, ela sente-se mal. Quando ele chega, ela sente-se mal. Ele maltrata-a e parece querer confundi-la. Há alguns momentos que a satisfazem, mas na maior parte do tempo ela é submissa a um homem violento psicologicamente.

Hoje atreveu-se a sair de casa. As vizinhas parecem saber o que se passa com ela e Hugo.

O Hugo era certinho: uma semana de paraíso, duas de inferno.

Finalmente, Débora deixa Hugo e refugia-se em casa da Soraia.

A narradora final, Letícia, diz que é a mistura de Sabrina, Benedita e Débora.

As histórias entrelaçam-se. A história deste livro é como aquele exercício de fazer um desenho sem levantar o lápis.





domingo, 24 de dezembro de 2023

A estalagem do dragão voador - Le Fanu




 Le Fanu


1815 

O narrador herda muito dinheiro e decide ir de Bruxelas a Paris. Conhece uma bela mulher numa carruagem avariada e depois numa estalagem, mas não se falam.

Ele fica hospedado no quarto por cima do dela e do velho que a acompanha (marido ou pai?).

O protagonista conhece o marquês Droqville q o confunde com outro Beckett, político com segredos, e q o convida para o visitar em Paris. Encontra tb no jardim à noite um ameaçador oficial francês.  Continua encantado com a hipótese de estar com a formosa dama.

O coronel francês ameaça o casal e Beckett agride-o para os defender. Vão todos para Paris. 

Vai haver um baile de máscaras no Palácio de Versalhes. Ao lado fica a Estalagem do Dragão Voador. Num quarto assombrado, fica Becquet, com esperança de se encontrar com a dama de Saint-Alyre, no solar de Craque ali ao lado também.

sábado, 9 de dezembro de 2023

O Arranca-Corações - Boris Vian

Jaimemorto, psiquiatra de profissão, chega a uma aldeia aparente normal para ajudar a dar à luz três crianças gémeas, três rapazes: Noël, Joël e Citroën. A mãe, Clementina, aceitou mal a gravidez, ameaça o marido, Ângelo, com um revólver e deixa de o conseguir suportar.

Jaimemorto continua a viver lá em casa, fazendo visitas regulares à aldeia, contactando com as suas peculiaridades, e ao mesmo tempo procurando realizar o seu desejo nesta visita: psicanalisar as pessoas e assimilar os seus sentimentos para tentar preencher o vazio que sente dentro de si.
Na primeira visita à aldeia, assiste a uma feira onde se vendem velhos. É esmurrado quando se queixa da forma como os velhos são tratados. Vai a uma carpintaria encomendar camas para os recém-nascidos. Apanha outro murro quando se revolta com a forma como o carpinteiro trata a criança aprendiz.
No dia seguinte foram buscar as camas, deram boleia a uma cabra e a um porco e, no regresso, a pedido do carpinteiro, atiraram ao rio um caixote com o corpo morto do aprendiz. 

A aldeia é talvez o lugar mais peculiar encontrado numa ficção que, apesar de metafórica, pretende ser bastante crítica e realista, mesmo incisiva, face à sociedade que discrimina e promove a desigualdade: Quem diz que os existencialistas só pensavam no seu lugar no mundo e nas suas dúvidas filosóficas? 

Nesta aldeia há um rio vermelho onde um homem - que todos chamam "A Glóira" - pesca com a boca todo o lixo que é atirado ao rio (e por lixo entenda-se tudo o que se quer apagar da memória e que provoque remorsos). Herda o cargo quem tiver mais vergonha do que ele do mal que os homens fazem.

Há também uma igreja onde Jaimemorto vai para pedir ao padre que batize os três bebés. Este obriga-o a ir à missa. 
Vão com Cubranco e inicia o sexo com ela, à beira do caminho, com ela de gatas.
Os fiéis querem que chova e, como o padre recusa e diz que Deus não quer saber dos problemas deles, eles apedrejam o púlpito e o padre cai. Então diz que vai chover, sim, e começa a chover. Nesse mesmo dia, os 3 bebés são batizados.
J analisa um gato e adquire alguns hábitos felinos.
Cubranco recusa sexo noutra posição e recusa falar para ser analisada. 
J vê Clementina nua em cima de uma mesa, sozinha, a gemer de prazer.
Os bebés são ferrados pelo ferrador, porque estão a começar a andar.
Clementina visita escarpas. Trata J com alguma curiosidade.
Ângelo conclui a construção de um barco em que irá embora, para o mar, e abandonar os filhos e a mulher.
J vai “analisar” Pencavermelha, a criada do ferrador, e descobre que este tem um andróide igual a Clementina, com a mesma roupa, e que a despe e vai para a cama com ela.
Ângelo parte e com ele o último obstáculo à felicidade maternal de Clementina.

TERCEIRA PARTE
Jaimemorto vive ali há 4 anos. Revela temperamento ameno. Nada o incomoda demasiado, nada o satisfaz demasiado. 
Apenas as primeiras visitas à aldeia o deixam um pouco abalado ao ver a falta de consideração das pessoas umas pelas outras, o que nas visitas seguintes acaba por já lhe soar habitual. Evita-as, mas passa por todas estas situações sem nada fazer, rendendo-se às evidências e tornando-se também parte delas.

Mas Jaimemorto nem precisa de sair de casa para experienciar toda esta falta de humanidade e de consciência perante o outro ou, melhor dizendo, esta pouco aparente mas efectiva ausência de coração em tudo o que se faz. Todo este absurdo, portanto. 
Clementina diz amar os seus três filhos com todo o seu coração, protegendo-os de todas as formas possíveis e imaginárias dos perigos da vida. Só pensa em tudo o que lhes pode acontecer se "isto" e se "aquilo", acabando por não os deixar viver, de todo, uma vida normal.
J está há 6 anos ali. Passaram meses sem ver Clementina, que passa o tempo no quarto e a tentar evitar que os filhos sofram algo.
J psicanalisar a Glóira e começa a sentir influências.
Clementina decide lamber os filhos para os lavar.
Os três comem pedras azuis que fazem com que voem e desaparecem. A mãe chama por eles. A seguir exige que venham homens cortar as árvores do jardim, porque são muito perigosas para os filhos. Os homens deitada abaixo as árvores queixosas. Jaimemorto, revoltado, foge para as ravinas.
Jaimemorto substitui a Glóira, que morreu.
Clementina para proteger os três filhos mantém-nos encerrados em três gaiolas.

 Clementina acaba por transformar o amor pelos filhos num ódio premente contra a inevitabilidade da vida.

quarta-feira, 1 de novembro de 2023

Tres Dror Mishani



Un elegante e inteligente thriller en la esteña de Hitchcock y Highsmith Escrito por uno de los maestros de la novela negra actual, Tres es un sorprendente thriller sobre tres mujeres cuyas vidas aparentemente normales se entrecruzan en un engañoso rompecabezas emocional. Orna, maestra en Tel Aviv y madre divorciada, se ha decidido a olvidar su fracasado matrimonio y empezar una vida nueva; Emilia, una cuidadora recién llegada a Israel desde Letonia, necesita a partes iguales un trabajo y un amparo espiritual que la mantengan a flote; Ella, por su parte, acude cada mañana a un café para terminar su tesis doctoral, pero, sobre todo, para huir de su monótona vida familiar. El destino de estas tres mujeres dará un giro trágico el día que aparezca en sus vidas Guil, un hombre que pronto dejará claro que no es quien dice ser. Aunque quizá ellas tampoco...Dror Mishani irrumpió en escena con Expediente de desaparición, la primera de una serie de novelas protagonizadas por el inspector Abraham Abraham. En Tres, el autor abandona a su detective para construir, en la estela de grandes maestros del suspense como Alfred Hitchcock y Patricia Highsmith, una delicada intriga psicológica protagonizada por mujeres que pocas veces tienen la oportunidad de hacerse oír. Mishani nos conduce hasta los márgenes olvidados de Tel Aviv para hablarnos de la responsabilidad de observar la vida de aquellos que nos rodean y de nuestro posicionamiento ante los vivos y ante los muertos, que, de un modo u otro, permanecen siempre entre nosotros.Con una elegancia y una empatía inusuales, Dror Mishani ha creado su mejor novela hasta la fecha. La crítica ya se ha rendido a sus pies. 

quarta-feira, 30 de agosto de 2023

Mundo belo, onde estás - Sally Rooney

 

As falhas de comunicação, que aparecem como um tema transversal na sua obra, obrigam as personagens a procurar o autoconhecimento. Desta forma, mesmo que nem sempre se tornem pessoas melhores, são mais conscientes das influências que têm nas interações sociais.

Sally Rooney articula melhor do que ninguém as dificuldades e experiências inerentes ao século em que vivemos. Desde a escrita marxista à desumanização dos escritores, dá voz, através das suas personagens, a temas desconcertantes com os quais se debate constantemente e nem sempre são retratados na literatura contemporânea. Alice e Eileen procuram insaciavelmente pela beleza do mundo dentro do estado caótico em que este se encontra.



Alice e Félix encontram-se num café, vão a casa dela e despedem-se sem consumar o encontro amoroso. Conheceram-se no Tinder. Ela é escritora. Ele é armazenista, temporariamente.
Alice escreve à amiga Eileen, que vive na “chata” Dublin a dizer-lhe como está só, em Paris. Está a escrever consciente da exploração do terceiro mundo pela sociedade consumista atual.
Uma mulher, Eileen Lydon, trabalha num escritório de uma revista: é revisora de texto. 
Vai almoçar e encontra-se com Simon um colega de trabalho e antigo conhecido, com quem namorou ou se envolveu sentimentalmente. Lola a irmã dela vai casar-se com Mathew.
Eileen conheceu Alice Kelleher na universidade, aos 18 anos. Eileen envolveu-se de facto com Simon mas nunca namoraram.
Depois de se licenciar, Eileen iniciou o mestrado em Literatura Irlandesa.
Eileen namorou com Aidan. Separou-se dele no dia em que Simon ligou a dizer que Alice tinha regressado a Dublin e que tinha dado entrada num hospital psiquiátrico.
5 Eileen conta a Alice que reencontrou Aidan na rua e que sofre mais do que antes.
6 Alice encontra Félix e este convida-a para uma festa em casa dele. Ela vai. Conheceram-se pelo Tinder, mas no primeiro encontro nada aconteceu. Ele descobre que ela tem dinheiro e alguma fama. Ela conta que já teve um esgotamento e ele confessa que também esteve muito em baixo quando a mãe morreu. Ela convida-o para ir a Roma à publicação do seu mais recente livro.
7 Eileen numa sessão de leitura d epopeia da revista para que trabalha, com a colega lésbica Paula.
Eileen telefona a Simon e conta-lhe que Alice vai a Roma. A seguir fazem um telefonema erótico, com a promessa de que se esquecerão dele e que quando se reencontrarem será como se nada se tivesse passado.
8 Eileen escreve a Alice: conta que Simon namora com uma jovem mais nova que ela e pergunta quem é Félix.
9 Em Roma, Alice diz a Félix dos amigos Eileen, muito bela, muito popular na escola, ao contrário dela, e Simon, também muito belo, que trabalha como assessor político num pequeno grupo parlamentar de esquerda e religioso. Félix e Alice revelam que são bissexuais.
10 Alice escreve a Eileen a contar que não tem relação amorosa com Félix e reflete acerca do que é escrever um romance.
11 Eileen sai mais cedo da festa de anos do amigo Karach e vai a casa de Simon, dorme com ele e na manhã seguinte vão à missa.
12 Eileen conta a Alice o que se passou com Simon, a quem conhece há 15 anos.
13 No hotel, finalmente Alice e Félix fazem sexo.
14 Alice conta a Eileen que esteve com Félix e que está apanhada por ele apesar de ter medo de voltar a sofrer.
15 Simon chama Eileen para casa dele: fazem amor e ele revela que se, para arranjar namorada, tiver de abdicar da amizade de Eileen, não o fará.
17 Alice e Félix, em Dublin, de novo. Ele visita-a e fazem amor, depois de uns dias sem ele responder as mensagens dela, por não lhe apetecerem compromissos.
18 Alice escreve a Eileen de Paris depois de chegar de Londres, onde apresentou o seu mais recente livro.
19 Eileen descobre que Simon tem uma namorada, mais nova, Caroline. Terá partido do princípio de que Eileen apenas queria ser amiga dele. 
20 Eileen escreve a Alice, desabafando sobre o seu pessimismo relativamente às relações amorosas e ao seu papel no mundo, sobre o seu ceticismo relativamente à beleza e informando que Alice deve providenciar dois quartos para ela e para Simon, e não um!
21 Félix sai com os amigos e vai bêbedo ter com Alice. Fodem e ela diz que o ama. Ele questiona se ela tem muito dinheiro, se não tem amigos e diz-lhe que não a ama, mas que a deseja e que sabe que apesar disso tem consciência de que ela não se deixa dominar.
23 Casamento de Lola: Simon diz a Eileen que estará à sua espera para falarem.
24 Eileen e Simon vão num comboio a caminho de Ballina.
25 Eileen e Simon visitam Alice. Félix chega a casa desta. Passam alguns dias junto. Simon terminou tudo com Caroline e dorme com Eileen: ficarão amigos ou namorados?
27 Eileen e Simon, cada um por sua vez, confessam a Félix que depois de dormirem juntos ela disse que preferia que continuassem amigos. Estão tristes. 
Festa de anos de Danielle, amiga de Félix. Damian, irmão dele, confronta-o por ele não querer assinar a venda que herdaram da mãe. Félix não quer ficar sem a casa.
28 Eileen queixa-se de Alice ter voltado a Dublin e ter estado meses sem lho dizer. Alice diz que estava psicologicamente incapaz e esgotada e pediu a Simon para não a informar. Eileen queixa-se de a ter visitado todos os dias no hospital e quando ela saiu refugiou-se em Ballina e esteve meses sem querer que ela a visitasse; e ainda por cima quer ficar a viver ali para sempre. Alice desculpa-se com a depressão e agride verbalmente Eileen. Esta sai da cozinha e bate com a porta. Simon recrimina Alice e vai atrás de Eileen.
Félix diz a Alice que a ama e que vai ficar tudo bem entre ela e Eileen. Alice diz que ainda toma Prozac e que julgava que já estava melhor do descontrolo psiquiátrico, mas não está. Félix diz-lhe que acha que se odeia a si própria e que escolheu isolar-se e que o escolheu porque se queria mutilar.
Eileen chora no quarto e queixa-se de que ninguém a ama. Simon diz-lhe que a ama. 
Eileen desce e encontra Alice: abraçam-se.
29  os dois casais acabam bem!









segunda-feira, 21 de agosto de 2023

Um amor - Sara Mesa



Nat aluga uma casa de campo isolada, em La Escapa, perto do monte El Glauco e da aldeia de Petacas. Ali perto vive a velha Roberta e o marido e Píter, um hippie que faz vitrais, o proprietário da casa, de quem se torna amiga, sem atração sexual. Há ainda uma família de ciganos.

Abandonou o emprego de tradutora depois de ter sido apanhada a roubar um objeto de uma colega. Fica com um cão, o Cascudo, muito arisco. Traduz um livro de pequenos contos.

Aos fins de semana, numa casa perto, o Chaletito, há um casal com dois filhos pequenos. Às vezes dão festas e vêm pessoas da cidade. O marido parece exibir-se para Nat. 

Há também um alemão que lhe oferece frutas e legumes e se oferece para lhe arranjar o telhado que deixa entrar água quando chove.

Como ela não tem dinheiro ele propõe que em troca ela o deixe “entrar nela um bocado”. Ela recusa. 


Mas porque chove durante vários dias, acaba por aceitar. 

Ele depois conserta-lhe o telhado. Friamente. 

Ela, interroga-se: moralmente o que fez?

Como se ele lhe tivesse inoculado um veneno, visita-o de novo e fazem sexo, dias e dias, sem palavras e despedem-se como se aquilo fosse proibido. Ela adora. Ele também. 

Ela foi vítima de abusos em criança por um homem de 50 anos que se esfregava nela. Em que medida isso a tinha condicionado no futuro?

O alemão, Andreas, diz-lhe que não reparara nela antes e que se ela não tivesse vindo a casa dele as coisas não teriam acontecido. Ela sente-se mal por tanto acaso, que poderia fazer com que outra qualquer poderia estar ali, no seu lugar. Ele diz-lhe que isso não interessa: o que interessa é que agora estão ali, ele e ela.

Toda La Escapa sabe do envolvimento de Nat com Andreas. E os vizinhos não a convidam para a festa do fim de semana seguinte.

Devido ao silêncio e à aparente frieza de Andreas, refugiado curdo trazido pela mãe ainda bebé, Nat começa a ficar obsessivamente insegura e ciumenta.

Andreas acba por romper com ela e ela sofre.


Consciente de que perdeu Andreas, Nat sofre. Duas semanas depois, Cascudo morde e desfigura um pouco a cara da filha da vizinha grávida. Os vizinhos acusam Nat e procuram o cão para o abaterem. O cão aparece-lhe de noite e ela telefona a Píter para ele o levar para longe Píter recusa dizendo que é uma questão de justiça e de segurança.

A polícia aparece e leva o cão.





O Senhor Ventura - Miguel Torga

Diz Miguel Torga: “toda a história do meu herói é-me conhecida já, e eu conto-à aula mim próprio nas horas de melancolia. Em cada paragem não faço mais do que tentar uma pequena meditação sobre um destino que é mais coletivo do que individual.”

Escrito em 1943.
“O Senhor Ventura sai do seu Alentejo natal para se lençol a uma vida de aventuras pela China, que o levará ao desempenho das mais diversas atividades, nem sempre legais. A viagem serve-lhe também como descobrimento da amizade e do amor.”

I O narrador lembra-se das aventuras do Senhor Ventura nas sete partidas do mundo e sente-se feliz.

II Partiu do Penedono, Alentejo, para Lisboa, para ser militar.

III No quartel era o 158 e era o mais desenrascado.

IV Numa taberna é esfaqueado é morto um desconhecido. Terá sido o Senhor Ventura? 

VI Talvez por punição, apesar de absolvido, é enviado para Macau. 

VI Lá envolveu-se com a chinesita Loo e apaixonou-se pela filha do secretário do Governador, Júlia. Proibido de a ver, parte.

VII Torna-se desertor (ver excelente texto).

VII Vai para marinheiro de um barco de tráfico de ópio. 

VIII Mata um fiscal do governo. 

IX Fica melancólico, toca viola e uma semana depois era empregado numa garagem da casa Ford, em Pequim.

X Ventura conhece o Pereira, abre um restaurante com ele, batem em americanos, vão levar camiões à Mongólia, vendem armas aos chineses e o Pereira morre nos seus braços. Fica sozinho, sem terem cumprido o desejo: voltar a Portugal.


O Senhor Ventura envolve-se com Tatiana. Casam, mas Tatiana é uma libertina e nãos gosta da vida do lar. No meio de várias discussões, nas-lhes um filho: Sérgio.

Tentou enriquecer: instalou máquinas de jogo em vários locais noturnos da cidade. Tenta aprender a ler.

Mal suporta Tatiana, mas o nascimento do filho encheu-o de satisfação. Quis enriquecer mais: montou uma agência de táxis.

Morre-lhe o pai.

Vende os carros, incendeia a garagem dos táxis, recebe o dinheiro do seguro e monta uma fábrica de heroína. 

Mas é denunciado e é obrigado a partir para Portugal.

Deixou Tatiana e o filho e partiu no transiberiano.


A mãe morrera há uns meses. Arrendou o terreno do Farrobo para o semear. Durante 5 anos teve prejuízos. 

Ao quinto ano, Tatiana, que entretanto tinha tido amantes, ficou-lhe com a fortuna e enviou Sérgio para Lisboa, com 8 anos. 

Ventura matriculou-o num colégio interno em Lisboa e, com o dinheiro dos lucros da colheita de trigo no quinto ano, partiu de Penedono para Pequim. A revolta contra Tatiana moviam-no. Ninguém sabia dela e ele procurou-a.

Encontrou-a finalmente em Xunquim. Ou encontrou-o ela, num hospital onde ele apodrecia com um cancro no fígado. Ela sabia que ele a procurava e quando o soube moribundo visitou-o. Ventura morre ali na sua presença e ela sente a expiação.

O Colégio despachou Sérgio para Penedono. Tornou-se pastor como o pai.


quarta-feira, 16 de agosto de 2023

O meu pé de laranja lima - José Mauro de Vasconcelos

Zezé, irmão de Totoca, aprende com ele a atravessar a estrada Rio-São Paulo. Dindinha, a avó, o tio Edmundo, Jandira, todos ficam surpreendidos porque Zezé já sabe ler, aos 5 anos.

Zezé toma conta do irmão mais novo, Luís. Imaginam que o galinheiro é o jardim zoológico e que o arame da roupa, onde põem botões a deslizar, é o funicular.

Vão ver a casa nova: aí Zezé conhece Minguinho, o seu pé de laranja lima, que fala com ele.

Zezé receia que Luciano, o seu amigo morcego, não descubra a casa nova para onde se vai mudar. O tio Edmundo diz-lhe que não se preocupe porque os morcegos têm um bom senso de orientação.

Chega a noite de Natal: o pai está desempregado, ninguém recebe presentes e Zezé queixa-se disso e o pai ouve. Zezé com remorsos vai engraxar sapatos, recebe algum dinheiro, compra cigarros ao pai e oferece-lhos. Choram ambos!

Casa nova. Meia preta a fingir de cobra assusta a vizinha grávida de seis meses e Zezé é castigado. O tio Emundo diz a Zezé que o passarinho que canta dentro dele ê o pensamento. A escola. Zezé precisa de um uniforme e pede à mãe. A professora D. Cecília Paim não tem flores na mesa e Zezé leva-lhe uma. Zezé conta tudo a Minguinho, o seu pé de laranja lima. 

A professora adora Zezé, apesar de ter descoberto que ele roubava a flor que lhe levava frequentemente. 

Zezé falta às aulas à terça-feira e faz dupla de cantor com Ariovaldo, nas ruas.

Zezé tenta apanhar o carro do português, mas este apanha-o e puxa-lhe as orelhas.

Zezé está de castigo no jardim com o Minguinho. Tenta roubar mangas do jardim da vizinha e espeta um vidro no pé. Larga tanto sangue que tem de pedir ajuda a Glória. No dia seguinte, sem ninguém da família descobrir que está ferido, vai aos para a escola. O Português passa, tem pena dele, leva-o à farmácia e suturam-no e põem-lhe um penso. O Português passa a ser a sua pessoa preferida.

Zezé continua a fazer travessuras, mas o Portuga continua a gostar dele.

Zezé apanha uma surra da irmã mais velha e de Totoca (chamou-lhe puta por ela ter rasgado o papel de seda que tanto lhe tinha custado arranjar para fazer um balão) e outra do pai, que o deixou quase morto.

A mãe consola-o. Durante vários dias não vai à escola.

O portuga leva Zezé a pescar debaixo de uma árvore, a rainha Carlota, consola-o e promete que o vai proteger como um filho.

Mas o comboio Mangaratiba matou o Portuga.

E Zezé convalesceu.

E o pai de Zezé arranjou emprego noutra cidade, longe de Minguinho, o pé de laranja lima.

quinta-feira, 10 de agosto de 2023

2666 - Roberto Bolaño

 


2666 - Roberto Bolaño

A PARTE DOS CRÍTICOS

Jean-Claude Pelletier leitor e primeiro tradutor de Benno von Archimboldi,  para francês, aos 23 anos. Catedrático de alemão em Paris, em 1986.

Piero Morini, traduziu Archimboldi, para italiano, em 1988. Já havia algumas traduções em Itália, de outros. Morini dava aula de alemão na Universidade de Turim, em 1991, quando a esclerose múltipla o confinou a uma cadeira de rodas.

Espinoza forma-se em filologia espanhola e em filologia alemã. Nunca traduziu Archimboldi, mas a sua tese de doutoramento foi sobre ele.

Liz Norton leu Archimboldi em 1988 em Berlim e 5 meses depois leu outro já em Inglaterra. Dá aulas de literatura alemã numa Universidade de Londres.

P, M, E e N encontraram-se em 1944 num congresso de literatura alemã em Bremen.


Regressados a casa, P e E estão apaixonados por N.

Em 1995, reencontram-se em Amsterdam. Conheceram um escritor suavo que lhes contou a visita de Archimboldi, com 29 anos, à aldeia onde exerceu as funções de promotor cultural e onde entre outros escritores o recebeu e num jantar ouviu com ele a narração de uma senhora de uma viagem a Buenos Aires, onde uns gaúchos de um local turístico fingiram perder 2 corridas de cavalos com o marido dela e ela não entendia porque o fizeram e Archimboldi resolveu o enigma: foi por piedade.

P e E vão visitar a Hamburgo o editor de A, chamado Schnell, mas ele não se encontrou nunca com A e diz que se limita a enviar o dinheiro dos livros para algumas moradas bancárias, na Suíça e noutros países. Uma chefe de imprensa diz que um dia o viu e que ele era muito alto. São recebidos pela Sra. Bubis, viúva do dono da editora, que conheceu A, mas que não consegue ajudá-los a encontrá-lo, atualmente. 

P visita N em Londres com alguma frequência: jantam e acabam na casa dela, na cama. No dia seguinte ele regressa a Paris.

E convida N para ir a Madrid. Ela aceita e envolvem-se também. Ela conta que é amiga/amante de P e que é divorciada e que tem alguns amigos (amantes??) mais.

E volta a convidar N. Está vai de novo a Madrid e conta que P esteve em Londres e que ela lhe contou sobre ela e E.

Morini foi o único deles convidado para um congresso em Salónica.

Em Salzburgo, os 4 conversam sobre a possibilidade de Archimboldi ser o próprio Suavo e ter sido amante da senhora que foi a Buenos Aires.

Norton contou a Morini que se envolveu com P e E.

Morini admira a jornalista mexicana que revelou as mais de 100 mulheres mortas de Sonora, ao longo dos anos.

Morini visita N em Londres. Passeia pelo Hyde Park. Ela conta-lhe a história de um jovem pintor, Edwin Johns, que começou a carreira ali perto.

Referência: um sérvio pública um artigo sobre o Marquês de Sade, que teria existido, de facto. Por associação. Refere-se que a última vez que Archimboldi foi visto foi em Palermo, a apanhar um avião para Rabat. Mas podia não ter sido ele.

Norton, em 1997, deseja ter férias diferentes: sem P nem E: eles vão ambos a Londres e ela informa-os dessa decisão.

Será La Cabeza o último livro de A?

P e E visitam N 3 meses depois. Ela está em casa com um jovem: Alex Pritchard. E eles quiseram saber o que sentia ela por Pritchard. E no táxi em que seguiam sentiram que o paquistanês taxista era misógino e agrediram-no e pontapearam-no. E N disse que era melhor passarem algum tempo sem se verem. E cada um regressou a suas casa.

E passou o tempo e dedicaram-se às putas. P conheceu a puta Vanessa, casada com um marroquino. E foi com várias.

O tempo passou e esqueceram o paquistanês. Ligaram a N e foram visitá-la. Contaram-lhe que tinham ido com Morini a um manicómio suíço visitar Edwin Johns e que este tinha contado a Morini por que razão tinha cortado a mão e usava agora uma de plástico e depois Morini desapareceu uns dias sem contar o que Edwin Johns tinha revelado. E N confessa-lhes que Morini tinha estado em Londres, quando eles achavam que ele estava desaparecido e que tinha contado a N que Edwin Johns tinha cortado a mão por dinheiro.

Conhecem o jovem Alatorre protegido do mexicano El Cerdo que se encontrou com A no México: este com 80 anos ia ver Sonora?

Dieter Hallfeld diz que A vive na Grécia… ou então A é a própria Senhora Bubis.

A é de novo candidato ao Nobel (p. 149)


MÉXICO

Todos querem conhecer A. Viajaram até Sonora, sem Morini. El Cerdo apresentou-lhes o catedrático Amalfitano, especialista em A.

A teria ficado num hotel sob o nome de Hans Reuter.

N depois de falar ao telefone com M vai ao quarto de P e ao de E e leva-os aos dois para a cama.

Depois Amalfitano é muitas vezes acompanhado por um jovem, filho de Guerra, numa relação socrática. 

Visitam um circo para tentar saber de A junto de um ilusionista chamado Doktor Koenig que na realidade se chama Andy López, que não conheceu A.

No dia seguinte, N diz que vai regressar a Londres. Nenhum deles teve vontade de fazer amor, depois da ménage à trois. P e E ficam em Santa Teresa.

E visita Rebeca, uma rapariga vendedora de tapetes que ele tinha conhecido e com quem conversara muito. Está nitidamente interessado nela. N escreveu duas cartas iguais a P e a E a explicar porque se foi embora: em Santa Teresa refletiu muito sobre si e a sua existência, relembrou a infância e sentiu-se deprimida e foi. Em Londres descobriu uma exposição de Edwin Jones, o pintor sem mão, que a encantou, e descobriu que ele tinha morrido. P passava os dias no hotel, a ler A.

E a narrativa tripla vai-se alternando!! E vai para a cama com Rebeca. P lê. N visita Morini e acaba por dormir com ele. Em Santa Teresa, P e E têm a certeza de que não vão encontrar A.


A PARTE DE ÓSCAR AMALFITANO

Amalfitano é chileno, tem 50 anos, e vive há uma semana em Santa Teresa com a filha Rosa, espanhola, de 17 anos. Um ano depois de Rosa nascer, a mãe, Lola, abandonou-os. Foi para San Sebastian com uma amiga lésbica, Inma, para ir ter com um poeta que estava no manicómio de Mondragon, que tinha conhecido e amado numa festa selvagem antes de conhecer Amalfitano. Ai conhecera também o jovem de 18 anos, Jordi, homossexual.

Em Mondragon, o poeta não a reconheceu. Ela ficou nas redondezas, enquanto Inma foi a Madrid, recolher dinheiro. Lola ficou numa pensão e acabou por ser expulsa de lá. Foi viver para um cemitério, onde tinha feito sexo com um camionista, Larrazábal, que gostava de fazer sexo com mulheres em cemitérios. A loucura é contagiosa, pensa Amalfitano. Depois esteve 5 anos sem saber nada de Lola. Depois escreveu-lhe de Paris: tinha tido um filho, Benoit, e era empregada de limpeza de escritórios. Dois anos depois apareceu sozinha em Barcelona e procurou Amalfitano. Este dava aulas e Filosofia na Universidade Autónoma de Barcelona. Lola tinha sida, viu a filha e voltou para França, para morrer junto do filhote, Benoit. 

Foi a professora Silvia Pérez que o convenceu a sair de Barcelona, depois de o contrato terminar, e vir para Santa Teresa. Não simpatizou com o decano da U, Augusto Guerra. Mas o filho deste, de 25 anos, Marco António, simpatizou com Amalfitano e levou-o duas vezes a beber mescal. (p300)

Marco António costuma ir à noite para os bares mais rascas de Santa Teresa fingir-se rojo (gay) em busca de (madrizas) pancadaria!


A PARTE DE FATE

Edna Miller, mãe de Quincy Williams, morre. A vizinha tem um ataque cardíaco e vai pôr um pace maker.

É conhecido no trabalho por Óscar Fate. É negro e é um repórter na revista El amanecer oscuro e vai investigar o negro Barry Seaman.

O repórter Jimmy Lowell foi morto nos arredores de Chicago, talvez pelo marido da amante.

Fate vive em Nova Iorque e vai investigar em Detroit. No avião ouve a história do náufrago de um bote de pesca que foi salvo por helicópteros que vieram tentar salvar os sobreviventes de um avião que entretanto caiu na água.

Em Detroit, é recebido por Seaman: este é um autor de receitas caído em desgraça, antigo boxeador, amigo de Marius Newell, e conferencista. Fate vai assistir a uma conferência dele, numa igreja de gospel.

Fala sobre: PELIGRO: ele e Marius formaram os Panteras Negras e contribuíram muito para os direitos dos negros; talvez por isso, Marius foi morto; DINERO: cuja necessidade é muito relativa; COMIDA; ESTRELLAS;

UTILIDAD.

Depois lembra-se do negro da sua primeira crónica: um comunista chamado Antonio Jones.

A seguir foi convocado para ir ao México cobrir um combate de boxe, entre o mexicano Merolino Fernandez e o americano Count Pickett.

Em ST conhece vários jornalistas, em particular Chucho Flores que lhe apresenta Rosa Flores. Conhece também Omar Abdul, agente de Merolino. Propõe ao chefe de redação da sua revista, ficar mais uns dias, para fazer uma reportagem sobre os 200 assassinatos, mas não é autorizado.

Guadalupe Roncal, jovem jornalista mexicana contratada para investigar as 200 mortes de mulheres em Santa Teresa convida Fate para ir com ela entrevistar o principal suspeito: um americano que está preso. Fate pensa não ir.

Na Arena onde vai acontecer o combate de boxe, entre Chucho Flores, Rosa Méndez, Charly Cruz e os jornalistas desportivos, conhece Rosa Amalfitano.

Count Pickett ganha rapidamente o combate.

Fate está encantado com Rosa Amalfitano: na última noite no México vai jantar ao El Rey del Taco, com todos e ela.

Depois vão para casa de Chucho Flores e Fate acaba por resgatá-la e levá-la para o seu motel. Ela conta que anda com Chucho e que de vez em quando snifa coca. O pai dela não gosta de Chucho. Como Chucho era muito ciumento, Rosa decidiu acabar a relação com ele.

Depois Óscar Amalfitano pede a Fate que leve Rosa para os USA para que ela vá para Barcelona. Antes disso, vão com Guadalupe Roncal à prisão onde está o principal suspeito das 200 mortes: é um gigante alemão…


A PARTE DOS CRIMES

1993 Esperanza Gómez Saldaña, a primeira morta.

Muitas outras se seguiram.

O Penitente cometeu também muitos crimes contra igrejas e algumas mortes, possivelmente acidentais.

Sergio González e Juan de Dios Martinez investigaram os crimes.

A diretora do manicómio, Elvira Campos, de onde se suspeitou que fosse o Penitente, diz a Martínez que ele sofre de sacrofobia.

Elvira e Martínez envolvem-se sexualmente. Ela é 15 anos mais velha.

Pedro Negrete, chefe da polícia, contrata o jovem Epifanio para contratar Lalo Cura (Olegario Cura Expósito) para proteger a mulher de Pedro Rengifo, seu compadre, um narcotraficante.

1993: aparecem mais mulheres mortas.

Dois pistoleiros tentam matar a mulher de Pedro Rengifo e Lalo mata-os. Fica ferido num ombro. Depois é contratado para a polícia. Não sabia que Rengifo era traficante.

1994: mais mulheres mortas; em julho não morreu nenhuma, mas um tal Harry Magaña aparece a perguntar a uma puta, Elsa, onde está Miguel Montes.

Descobre onde ele mora e atira-se a ele…

Morrem mais mulheres…

A vidente Florida Almada vê as mortas e os eventos que viveram…

O jornalista Sergio González continua atento e graças à puta jovem com quem dorme, repara que muitas mulheres mortas são putas, mas quase todas são operárias.

Epifanio continua a investigar amortecedor de Estrella Ruiz Sandoval. Esta, uma semana antes de morrer frequentou uma casa de computadores gerida por uma homem muito alto, Klaus Haas, onde trabalha também um adolescente. 

1995: Epifanio prende klaus. Apesar de não haver provas contra ele, só suspeitas. Este parece enlouquecer na prisão e fala de um gigante que há de castigar todos. Mas acaba por ser líder dos prisioneiros, mesmo os mais carniceiros. Está numa cela com dois presos que são amantes: Farfán e e Gómez! Haas não entendia como se podiam sentir atraídos um pelo outro dois homens tão feios: violar mulheres e matá-las parecia-lhe mais atraente! Apetece-lhe matar os seus companheiros de cela, apesar de os sentir como miniaturas réplicas suas. 

Haas parece controlar todos os presos e toda a prisão.

Na conferência de imprensa negou tudo e acusou a polícia de ter forçado a confissão mas que nunca confessou nada nem assume nada. A advogada de Haas entrega um papel com um número de telefone a Sergio González. Este liga e atende Haas: este diz que os presos sabem que não foi ele que cometeu os crimes, que alguém na prisão lhes deu a certeza disso.

Enrique Hernández, narco que controla a entrada da droga no México, parece ter influenciado a conferência de imprensa com Haas.

Mais mortes. Um dos assassinos, Chimal, que pertencia a um gangue dos Caciques, foi preso com dois amigos por terem matado Linda Vázquez. Haas viu Ayala, um preso novo cruel, capar e enfiar pus no cu de Chimal e de um dos Caciques.

Mais mortes. Em janeiro de 1997, a polícia prende vários jovens do gangue los Bisontes, nomeadamente um irmão de um preso amigo de Haas, El Tequila, acusados de várias mortes de mulheres: José Refugio de las Heras, presidente municipal declara encerrado o caso do assassino em série, atribuído a Haas. A partir de agora os crimes que ocorram serão considerados normais.

Em 1972, Mike e Clarissa Epstein fizeram o primeiro snuff filme, na Argentina.

PP724 a 740: genealogia de Lalo, filho, neto, bisneto,… de María Exposito, sucessivamente violadas.

Morre Michele Sanchez García. A mãe dela diz a Sérgio González que a vidente Florita Almada sabe quem anda a matar: viu-lhes as caras.

Sergio entrevista Haas.

Haas é visitado pelo alcaide e pelo narcotraficante Enriquito Hernández: este diz que está a tratar de tudo.

Yolanda Palacio é a chefe do Departamento de Delitos Sexuais de Santa Teresa. Apesar dos milhares de violações de melhores, trabalha sozinha.

Sergio procura Florita Almada  nos estúdios do Canal 7 de Hermosillo, do programa de Reinaldo. Mas ela nada parece saber, afinal.

Em julho de 1997, o presidente municipal José Refugio de las Heras, convida um antigo FBI para ajudar a investigação.

Haas faz uma conferência de imprensa e diz o nome do assassino: Antonio Uribe e o primo Daniel Iturbe (que ninguém conhece), filhos de proprietários de camiões de transporte.

A deputada Azucena Esquivel Plata procura Sergio González e leva-o a casa dela: pergunta-lhe se conhece Kelly Roberta Parker, ou Luz Maria, filha do Arquiteto Ribera. Kelly desapareceu no aeroporto de Santa Teresa depois de organizar uma festa para o banqueiro Salazar, conhecido por lavar dinheiro de o cartel da droga de Santa Teresa e Sonora.

A jornalista Mary-Sue Bravo investiga em Sonoita o desaparecimento de Hernandez Mercado, o único jornalista de La Raza que publicou uma notícia sobre a declaração de Haas sobre os Uribe.

O investigador Loya, que conhecia Kelly, disse a Azucena que as festas que Kelly organizava eram de alta prostituição, para Salazar e para um tal Conrado Padilla. Depois passou a contratar só putitas mexicanas, mais baratas, para as festas de Salazar, Estanislao Campuzano, Muñoz Otero, Fabio Izquierdo.

Mais mortes de raparigas.


A PARTE DE ARCHIMBOLDI

Hans Reiter, filho de uma vesga e de um coxo. Passou os anos da guerra com Hugo Halder, sobrinho rico de um barão, numa mansão onde a mãe de Hans trabalhava como empregada de limpeza. Ajudava-o a roubar pequenos valores da mansão para pagar dívidas de jogo. Hugo convenceu-o a ler o Parsifal. De vez em quando até ia a filha do barão com amigos para fazer festas.

Em 1936, Hans foi para Berlim e começou a trabalhar como vigilante numa fábrica de armas. 

Em 1939, entrou para o regimento hipomóvel de infantaria. Media 1,90m.

Esteve na Polónia e na Roménia, onde encontrou a filha do barão, a prima de Hugo, como baronesa Von Zumpe a ser possuída por Entrescu, um General romeno da SS, no castelo do drácula.

Volta a casa duas vezes, a sua irmã Lotte tem 10 anos. Vai a Berlim mas uma rapariga, Ingeborg Bauer, de uma família que vive na casa de Hugo, acaba por lhe dizer que este estará a viver em Paris.

Em 1941, a Alemanha avança para a URSS. Hans decide enfrentar o perigo, decidido a que uma bala ponha fim ao absurdo da guerra. Depois de ter sobrevivido duas vezes, é atingido: uma bala atravessa-lhe a garganta e fica mudo. Enviam-no para uma aldeia vazia, Kostekino, com outros alemães. Vive na casa de um antigo judeu, Boris Abramovitch Anski e descobre os escritos deste.

Anski foi amigo de Ivanov. Este escreveu livros de ficção científica de sucesso mas depois foi morto por desconfiarem ser trotskista.

Em 1945, Hans está prisioneiro de guerra num campo de americanos. Sammer, um alemão prisioneiro também conta-lhe o que fez a 500 judeus que lhe enviaram por engano para a sua comarca.

Hans vai para Colónia. Trabalha como porteiro de um bar. Faz sexo com algumas raparigas. Reencontra Ingeborg Bauer e leva-a para casa (vivia numa casa abandonada do tempo da guerra): tornam-se um casal.

Hans conta que estrangulou Sammer quando ele lhe contou o que fez aos judeus.

Hans é Bonno von Archimboldi! 

O senhor Bubis, que recolheu a Senhora Gottlieb, e casou com a baronesa von Zumpe, decide publicar Ludicke, o primeiro livro de A.A baronesa vai para a cama com A. e este conta-lhe que a observou na cama com Entrescu e que viu este general a ser queimado na guerra.

Bubis publicou também A Rosa Ilimitada e A Máscara de Couro e Rios da Europa. Os livros de A venderam-se muito pouco, mas Bubis fez a baronesa prometer que protegeria sempre A.

O quinto livro intitulou-se Bifurcata bifurcata.

Ingeborg fica doente e morre em Itália. Quatro anos depois, A envia a Bubis o livro A Herança. Estará em Veneza onde diz que viveu como jardineiro. Bubis envia-lhe dinheiro. A baronesa vai a Veneza e dorme come A e dá-lhe dinheiro e ele conta que reviu a família.

Bubis, antes de morrer, quatro anos depois, publica ainda São Tomás, A Cega, O Mar Negro, Letea e O vendedor de Lotarias. De Veneza, A vai para a ilha grega de Icária. Vive em várias outras ilhas e quando Bubis morre, regressa a Veneza. Com o dinheiro que a baronesa lhe leva, dos seus livros, nomeadamente do último, O Regresso, vive e compra anos depois um portátil para substituir a máquina de escrever que Bubis lhe tinha oferecido.

Depois desaparece e reaparece aqui e ali quando é visitado pela baronesa. 

Esta continuou sempre a editá-lo, mesmo sem ler os livros dele, por serem complexos. Ele foi ganhando consistência como escritor e falou-se da possibilidades nomeação para o Nobel.

Quem herdará a rica editora Bubis?

Chegamos a Lotte! Depois de o pai, o coxo, morrer a mãe casa-se com um mecânico mais novo que ela é Lotte conheceu um empregado, um tal Werner Haas. Gostava dele, mas ele pediu-a em casamento e ela disse que tinha de pensar, depois envolveu-se com um homem casado, Heinrich. Mas acabou por casar com Werner Haas. E tiveram um filho: Klaus Haas. Estão bem na vida, ficam com a oficina e investem e viajam. O filho cresce normalmente e aos 18 anos emigra para a América, onde desaparece. Werner morre e Lotte continua a garantia bastante dinheiro a viajar.

Em 1995, Lotte recebe um telegrama a informar que Klaus está preso em Santa Teresa. Contrata Ingrid, uma intérprete, e vão para o México. Visita o filho na prisão. Não acredita que ele seja o assassino das mulheres. Volta à Alemanha. Sonha e uma voz no sonho diz-lhe que é possível que Klaus seja o assassino. Volta em 1996 ao México, com Ingrid. Fala com Klaus e regressa à Alemanha. Volta em 1997, sozinha. Klaus tinha sido julgado e considerado culpado de 4 assassinatos. Em 1998, o julgamento é considerado nulo e reiniciado. Lotte percebe que a advogada Victoria Santolaya ama Klaus e está confessa que sim e que dorme com ele nas visitas da prisão.

Em 2001, já muito idosa e com problemas de saúde, volta ao México e em Hamburgo, no aeroporto, por acaso, compra o livro O Rei da Selva de um tal Benno von Archimboldi, que conta a hóstia sua infância. No México mostra o livro a Klaus que lhe diz que o quer ler. No hotel, Lotte telefona para o número da editora do livro, a Bubis, e diz que é a irmã de A. Quem falou com ela foi a muito idosa baronesa von Zumpe.

3 meses depois, A aparece a Lotte, em Paderborn, na Alemanha.


El asado / O cozinheiro

O advogado 


sábado, 22 de julho de 2023

O Primeiro Amor - Samuel Beckett



“Naquela altura eu não percebia as mulheres. Aliás agora também não. Nem os homens. Nem os animais. O que percebo melhor, e não é dizer muito, são as minhas dores.”

O PRIMEIRO AMOR: A novela começa num cemitério e termina com um parto. Há espaços que se percorrem: uma casa, um banco de jardim, um estábulo, outra casa. Uma voz, sem nome, fala e consegue contar uma história, a sua. Deprimente, escatológica, lírica, divertida. Mais ou menos uma história de amor. Podia ser outra, diferente mas parecida. 

O PRIMEIRO AMOR faz parte de um conjunto de quatro novelas, os primeiros textos de ficção que Beckett escreveu em francês, no pós-guerra, antes de À ESPERA DE GODOT. As outras chamam-se O EXPULSO, O CALMANTE e O FIM, monólogos de vagabundos e inadaptados, com o crânio numa lástima, atravessadas por temas, lugares, objectos e expressões comuns. Ainda se contam histórias, ainda há uma espécie de personagens. Depois, só bocados e vozes, interrupções do silêncio. 

segunda-feira, 10 de julho de 2023

Timbuktu - Paul Auster

J

Mr. Bones, o cão com pensamentos quase humanos!

1
O vagabundo Willy veio de Washington a Baltimore para entregar o cão, Mr. Bones, a Bea Swanson, sua antiga professora, agora com mais de 70 anos.
Mr Bones foi escolhido por Willy para o proteger das agressões de que era constantemente alvo nas ruas. Um dia partiram para as ruas abandonando Brooklin até ao inverno seguinte. Voltavam então a casa da mãe de Willy, Mrs. Gurevitch. Esta lamentava que o filho fosse meio chanfrado da cabeça, mas antes meio filho, que nenhum filho. Ela era tão tagarela como o filho.
Durante anos viajaram pelo país, conheceram mulheres e cadelas. Willy escrevia muito mais os seus poemas na reclusão do inverno. Tem os textos guardados num cacifo e tem uma chave para entregar a Bea.
Agora estava, de novo na Glenwood avenue porque Mrs. Gurevitch tinha morrido. 
Chegam à North Amity Street e descobrem a casa onde viveu Edgar Allan Poe, de 1832 a 1835. Começa a chuviscar, Willy está exausto e deita-se contra a parede da casa: parece decidido a terminar ali!
2
Mr Bones pensa em Timbuktu, o outro mundo: as fronteiras de Timbuktu começam onde acabam as fronteiras deste mundo.
Afinal Willy começou a tossir: continua vivo e decidido a chegar a casa de Bea Swanson.
Dois polícias apanham Willy e levam-no para o Hospital. Mr. Bones imagina-se mosca a acompanhar a ambulância e vê que el pede que contactem Bea e que ela assiste à morte do dono. No final, constata que imaginou aquilo e o capítulo termina com Mr. Bones a fugir para não ser apanhado e a ambulância a ir para o hospital.
Willy morre. 
Mr. Bones deambula por Baltimore e é adotado por um miúdo chinês, Henry Chow, cujo pai o proíbe de ter animais. Durante dias esconde-o numa caixa num beco e diz aos pais que passa lá muito tempo porque tem uma horta de rabanetes. Quando o pai descobre, Mr. Bones tem de fugir para não ser convertido em carne do restaurante chinês do pai do miúdo (pensa ele!).
Corre até Maryland e num estado deplorável consegue ser adotado. Agora tinha três pessoas a quem amar.  o miúdo Tiger (que era perito em corridas e saltos), Alice (perita em palavras e encontros com espíritos), a mãe, a bela Polly (que desabafa com ele as agruras do casamento: casou-se com 18 anos com Dick, 8 anos mais velho, por ter engravidado, e teve de deixar a universidade; Polly adora a casa, mas não ama Dick) e o pai, Dick, piloto de aviões, bastante ausente. 
Polly deixa Mr. Bones entrar em casa quando Dick está ausente. Mr. Bones passou a chamar-se Sparky.

Um dia, vão todos de férias e Mr. Bones fica num canil, o Dog Haven, durante 15 dias. Considerou aquilo uma patifaria. Passou tão mal a primeira noite, vomitou, teve pesadelos com um Willy mau. Quando o estavam a levar ao veterinário, fugiu, demasiado fraco e frágil, já.
E assim, decidiu atirar-se para a frente de um carro para chegar rapidamente a Timbuktu. Com alguma sorte, estaria com Willy antes que escurecesse.