segunda-feira, 13 de abril de 2026

Pés de Barro - Nuno Duarte


Um retrato poderoso e simbólico do fim de um regime, uma história de dificuldades e esperança que bem podia ter acontecido… 

Estamos em 1962, num país orgulhosamente só, e vem aí a construção da primeira ponte suspensa sobre o Tejo, para a qual vão ser precisos cerca de três mil homens. A obra irá mudar para sempre a paisagem da capital, muito especialmente para quem vive em Alcântara, como é agora o caso de Victor Tirapicos, instalado na casa dos tios depois de ter envergonhado o pai com dois anos de cadeia só por ter roubado pão e batatas para fintar a miséria. 

É, de resto, pelos olhos deste serralheiro de vinte e dois anos que veremos a ponte erguer-se um pouco mais todos os dias e, ali mesmo ao lado, partirem os navios cheios de rapazes para a guerra do Ultramar, donde muitos acabarão por voltar estropiados, endoidecidos ou mortos. 

Porém, apesar de a modernidade parecer estar a matar a vida e os costumes do pátio operário onde convivem (amigavelmente ou nem tanto) uma série de figuras inesquecíveis – entre elas o mestre sapateiro que faz as chuteiras para o Atlético Clube de Portugal e um velho culto que aprende a desler –, Victor Tirapicos encontra o amor de uma rapariga que é muda mas consegue escutar o planeta, pressentindo a derrocada da estação do Cais do Sodré e outra catástrofe ainda maior, que se calhar tem pés de barro e só acontece neste romance, mas bem podia ter acontecido. 

«UM RETRATO MUITO DINÂMICO E VIVO DO PORTUGAL DOS ANOS 1960.» 

Manuel Alegre, Presidente do Júri

sábado, 14 de março de 2026

Desvio - Ana Pessoa


A principal mensagem de "Desvio", escrita por Ana Pessoa e ilustrada por Bernardo P. Carvalho, centra-se na crise de identidade e na transição incerta para a vida adulta.

A obra não oferece respostas fáceis, mas foca-se na beleza e na angústia de "estar perdido" antes de se encontrar um caminho. 

"Desvio" é, em última análise, um abraço à hesitação. É um lembrete de que, às vezes, é preciso sair da estrada principal para perceber quem é que está realmente a conduzir.

Aqui estão os pontos fundamentais dessa mensagem:

1. O Direito ao "Não Saber"

Numa sociedade que exige decisões rápidas e percursos retilíneos, a narrativa defende o desvio como uma etapa legítima. O protagonista, Miguel, vive aquele limbo pós-secundário onde a pressão para "ser alguém" confronta o desejo de simplesmente "estar". A mensagem central é que desviar-se do caminho esperado não é um fracasso, mas uma parte necessária da autodescoberta.

2. A Construção da Identidade

A novela gráfica explora como a nossa identidade é uma colagem de memórias, influências e pequenos momentos banais. A mensagem sugere que:

• Não somos apenas as nossas notas ou a nossa futura profissão.

• Somos feitos das músicas que ouvimos, das conversas de café e dos silêncios partilhados.

3. A Observação do Quotidiano

Ana Pessoa utiliza o desvio do protagonista para validar a pausa. A obra convida o leitor a olhar para os detalhes do dia a dia que normalmente ignoramos quando estamos com pressa de chegar a algum lado. Há uma exaltação do momento presente, mesmo que esse presente pareça estagnado.

terça-feira, 10 de março de 2026

Vergonha - Salman Rushdie

 Vergonha - Salman Rushdie



I FUGA DA MÃE-PÁTRIA

1 O MONTA-CARGAS

O velho Shakil morre e deixa apenas a propriedade, nos limites do Bazaar e do Cannt, às 3 filhas (Chhunny, Munnee e Bunny). Elas têm um filho comum: Omar Khayyam. Isolam-se e o único acesso é um elevador monta-cargas. 20 anos depois nasce também Babar Shakil.

2 UM COLAR DE SAPATOS

Aos 12 anos Omar exige às mães que o deixem ir à escola. O professor Rodrigues apresenta-lhe Farah a rapariga que Omar já tinha desejado por um telescópio. Os colegas de Omar chamam-lhe demónio ou filho do diabo.

3 GELO EM FUSÃO 

Omar era gordo e gozado pelos colegas, mas não pareceu importar-se: isolou-se, como sempre viveu, e tornou-se voyeur! Procurou o pai entre os brancos, mas inutilmente. Dedicou a sua atenção ao professor Rodrigues. Este quis que ele fosse médico!

As mães quiseram saber por ele como era a vida no exterior. E decidiram repetir a fecundação de um filho! 

Omar pede namoro a Farah e ela diz que não, que ele é feio! Ele pergunta-lhe se ela gostaria de ser hipnotizada! Ela diz que sim e ele provavelmente engravida-a! 

II OS CONTENDORES

4 ATRÁS DO ECRà

A história de Mahmoud-Mulher, assim chamado por a sua esposa ter morrido e ele ter sido mãe de Bilquis, a quem nada deixou, porque o seu Império (sala de cinema) explodiu por ele passar filmes que desagradavam a algumas pessoas. E ela tanto queria ser rainha!

Bilquis casou com Raza Hyder: nasceu Sufiya Zinobia, que se casou muito nova com o médico gorducho Omar Khayyan Shakil, e gostava de mudar os móveis de sítio, por traquinice.

5 O FALSO MILAGRE

Bilquis casada com Raza, vive na casa da família numerosa dele. Os 40 homens visitam as esposas de noite no escuro, no quarto onde elas dormem todas juntas, cada uma na sua cama. Raza dorme no quartel provisório. Rani dúvida que, no escuro, todas as mulheres se unam aos maridos certos!

Rani engravida e Reza entusiasmado conquista o Aansu-Ki-Wadi, o lendário Vale de Lágrimas (monte gelado que Iskander Harappa comprou para converter em futura estância turística e pista de gelo para os estrangeiros) e ganha o título de general.

Rani Humayun, de 20 anos, amiga de Bilquis, casa com Iskander, de 25 anos, gigante, que tem como amigo Omar, o médico gordo, de 30 anos. 

Omar tem fama de excelente médico, mas de péssimo ser humano, sem vergonha, e que nem um cavalo lhe aguenta com o peso.

Mataram o primeiro-ministro.

Bilquis perde o bebé e é expulsa do quarto conjunto da família. Rani tem uma menina. E a Bilquis nasce Sufyia!

6 QUESTÕES DE HONRA

Raza Hyder vai para o Vale da Agulha proteger campos de petróleo que os indígenas não querem que o Estado explore (violaram e mataram os primeiros técnicos que para lá foram). No comboio vai uma equipa de cinema. Um dos atores dirige-se sedutor a Bilquis. Sufyia tem 3 meses.

Rani Harappa está na casa do marido, em Mohenjo, desolada por o marido estar ausente, com Omar Shakil. As criadas parecem não a respeitar. Fala com Bilquis ao telefone. Mir, primo de Iskander aparece furioso e saqueia a casa em vingança por ele lhe ter roubado a mulher mais bela que ele tinha. Bilquis diz a Rani que Iskander passa o tempo na cidade envolvido com mulheres.

Raza

Sufyia teve de ser medicada e a medicação provocou-lhe um atraso mental. Bilquis sente-se culpada.

Bilquis arranja um amante: o diretor de cinema Sindbad, que Raza esquartejou.

Bilquis tem outra filha: Boas Novas.

III VERGONHA, BOAS NOVAS E A VIRGEM

7 RUBOR

Iskander Harappa decide deixar de ser acompanhado por Omar. 

Arjumand Harappa, filha dele, tem 13 anos e tenta impedir que se note que está a ficar mulher: quer ter os privilégios de ser um homem e não uma mulher.

Omar é o principal médico do hospital, um imunologista célebre que participou em congressos nas USA, mas também um quarentão gordo, feio, lúbrico e libertino. Usa uma bengala-espada que Isky lhe ofereceu. Dorme 2 horas e meia por noite. Continua a seduzir mulheres brancas, com os seus dons hipnóticos.

Omar nunca voltou a Nishapur, a casa das 3 mães: volta agora porque lhe morreu o irmão Babar, com 22 anos, morto a tiro por… 

Babar contou nos seus cadernos que viveu 20 anos confinado e obrigado  pelas mães a venerar o irmão, que sustentava a casa. Fugiu e juntou-se aos separatistas nas Montanhas Impossíveis . Foi morto com 18 balas pelos soldados de Raza Hyder e por este. E, segundo as mães, transformou-se em anjo.

Omar sentiu vergonha por ter sido rejeitado por Iskander. Mas 2 dias depois apaixonou-se.

Rósea decidiu fazer criação de perus num terreno (alagado 2 dias por ano) ao lado da casa de Bilquis e de Raza (seu ex-amante). Sufyia durante a noite, talvez sonâmbula, foi lá e matou-os todos (218). Bilquis cortou-lhe o cabelo curto. Com 12 anos, ficou ainda mais atrasada mental, doente e cheia de chagas e foi levada para o hospital. E Omar apaixonou-se por ela.

8 A BELA E O MONSTRO

7 anos depois: Raza já não está no governo, foi despromovido. Iskander é presidente de um partido que poderá vir a subir ao poder. A filha de Raza, Boas Novas, irmã de Sufyia vai casar, com 17 anos, com Harun, filho de Mirinho Harappa, sobrinho de Iskander. Mas a prima, Arjumand, agora com 20 anos, ainda maria-rapaz, gosta dele, por ele ser muito parecido como pai dela, Iskander.

Haveed “Boas Novas” apaixona-se por Talvar, um cavaleiro do polo indiano, recusa casar com Harun e é um escândalo, mas acaba por casar com Talvar. Sufyia morde o pescoço de Talvar e este deixa de jogar polo equestre.

Iskander é eleito primeiro-ministro, elege Talvar como chefe da polícia e Raza Hyder como general comandante do exército.

Omar casa com Sufyia.

IV NO SÉCULO XV

9 ALEXANDRE O GRANDE

Em 6 anos, Iskander vai da glória à desgraça e é morto e enforcado a seguir. A mulher Rani e a filha Arjumand ficam vigiadas em casa por Ijazz. Arjumand provoca os seus soldados e a ele. Rani bordou 18 xailes de lã e em cada um deles narra as atrocidades cometidas por Iskander.

10 A MULHER VELADA

O cognome de Sufyia é Vergonha. Tem 21 anos, corpo normal de mulher, mas mente de 7 anos. A sua mãe Bilquis também era meio louca. Raza o pai gosta dela e exige ao agora marido Omar que não a retire de casa dos pais sem autorização.

O general Raza Hyder, quando foi nomeado pelo primeiro-ministro Iskander, tinha como o major Shuja como ajudante de campo. O seu exército era derrotado em todos os desportos, porque segundo Shuja os soldados queriam o exército no poder, em vez dos políticos. E Raza como político lutou com mais de 100 soldados e perdeu de propõem todos eles, para eles recuperarem o orgulho.

Omar foi impedido pela ayah Shahbanou de dormir com Sufyia e deitava-se ela todas as noites com ele. Sufyia não compreende porquê e para quê tem um marido! E sente-se um monstro a crescer dentro dela!

Shahbanou engravida e é expulsa de casa e aborta. Sufyia não percebe porque o marido pôs o bebé dentro da ayah e não dentro dela. Vestida de burka sai de noite e é possuída por 4 adolescentes. Aparecem 4 adolescentes decepados. Sufyia fez-lhes o mesmo que fez aos perus. 

11 MONÓLOGO DE UM ENFORCADO

O golpe de estado que depôs Iskander e levou Raza ao poder e instituiu o ódio entre as famílias. Iskander é condenado e insulta Shuja tão violentamente que este o mata com um tiro. E a seguir enforca-o. Mas Reza ouve depois a voz do enforcado e injuriá-lo.

Raza foi informar Omar dos crimes de Sufyia. Prendem-na no sótão sótão, sedada, acorrentada, depois de ela quase ter matado Omar. Mas ela foge, dois anos passados. Sufyia continua ser a personificação da vergonha dos dirigentes políticos paquistaneses, a que arranca a cabeça aos homens paquistaneses.

12 ESTABILIDADE

Iskander (Ali Bhutto, presidente do Paquistão) é comparada a Danton e Reza ao radical do Terror, Robespierre. Danton foi sacrificado pelo até então parceiro Robespierre. Raza (General Zia-ul-Haq, que sucedeu a Bhutto) punia os criminosos cortando-lhes os dedos e proibiu o álcool.

Sufyia reapareceu e cometeu 1001 atrocidades!!

Está a chegar o fim de Raza!

V O DIA DO JUÍZO

Raza, Bilquis e Omar fogem do país e refugiam-se em casa das 3 mães de Omar: chegou a hora da vingança contra Raza, por ele ter ordenado a morte de Babar, irmão de Omar? Mas são as 3 mães que matam Raza e Bilquis. E Omar é julgado e Talvar mata-o com um tiro.


Benazir Bhutto é Arjumand, que sucede a Raza!!










quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Fúria - Salman Rushdie

 


Fúria - Salman Rushdie

O professor Malik Solanka, aposentado de História das Ideias e bonecreiro, conhece uma jovem loura excitante, num dos seus muitos passeios pela cidade. 

Há 15 anos, apaixonou-se pela voz de Eleanor Masters, viveu com ela e tiveram um filho, há 3 anos: Asmaan Solanka. Estão separados, mas Eleanor não quer o divórcio. Ela é imaculada, amante solícita, boa mãe. Eles ficaram abastados graças à popularidade mundial de uma boneca criada por Solanka, a Craniozinho.

No final dos anos 80, Solanka desistiu da vida catedrática e foi de Cambridge para Londres e dedicou-se à televisão: As Aventuras da Craniozinho, numa série de entrevistas imaginárias a filósofos históricos.

Fora amigo de Krysztof Waterford-Wadja, um polémico intelectual voltairiano mais conhecido por Dâblio-Dâblio. Perry Pinkus era a amante ninfo de WW. Este tentou suicidar-se várias vezes e morreu de AVC.

O primeiro livro de Solanka: “Aquilo de que precisamos”.

Decidiu ir para a América, Solanka, tentar espalhar lá o sucesso da Craniozinho.

Vive em Upper West Side, deixou o país, duas mulheres e o filho. As mulheres apaixonavam-se por ele, mas ele acabava sempre por sair das relações. A primeira mulher chamava-se Sara Lear. Viverá talvez também em NY, a ter sucesso no mercado publicitário, depois de ter desistido dos seus talentos artísticos e intelectuais. A segunda mulher, Eleanor, disse-lhe que ele era um estupor insensível.

Um amigo, Jack Rhinehart, poeta, também abandonou a família e fugiu para NY. 

Têm em comum a fúria que andam constantemente a sentir.

Solanka encontra Mila, a jovem loura inicial, no centro cultural.

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Euro 2000, ano da Holanda com Rijkard, Gullit, Van Basten. Jack Rhinehart convida Solanka para verem o jogo dos quartos de final contra a Jugoslávia. Rhinehart está a divorciar-se de Bronislawa. Ele é negro de sucesso entre os brancos e tem várias amantes. Uma delas, indiana rica, Neela, belíssima. Solanka fica embeiçado. Sai de repente porque vê no jornal um título: “O ASSASSINO DO BETÃO VOLTA A ATACAR”.

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Solanka confessa a Rhinehart que a fúria nele é constante e está a apossar-se dele!

Mais 3 universitárias jovens loiras (Sky, Ren e Bindy), assassinadas pelo Assassino do Betão. As 3 tinham chegado a casa de madrugada, sem entrarem com os namorados e saíram a seguir: apareceram mortas em diferentes ruas da cidade. Tinham sido rondadas, segundo os namorados, por um desconhecido de panamá!

Solanka separara-se de Eleanor e viajara para NY, tal como vira fazer ao Sr Venkat, na sua infância: ele abandonou a família e os bens materiais para se tornar um sanyasi e alcançar a paz espiritual. 

Solanka terá tido uma faca nas mãos (com uma lâmina Sabatier) e terá estado prestes a pensar matar Eleanor e o filho. E é nesse momento que decide mudar de vida e procurar um seu eu de paz e de retorno a si próprio.

Contudo, agora, com 3 falhas de memória, 3 mulheres mortas? Mas não é ele o único homem que usa panamá…

Eleanor envia-lhe uma mensagem, mais uma vez, a pedir-lhe que regresse, que se esqueça da fúria que ele receia que o domine.

A mulher da limpeza, Wislawa, foi despedida por Solanka, num dos momentos de que não se lembra.

Mila, a jovem loura do início, encontra Solanka à porta da casa dele e pergunta-lhe se não é ele o criador da boneca filósofa Craniozinho. Ele sente a cólera a apoderar-se dele, mas controla-se e convida Mila para entrar, porque lhe quer contar uma história.

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Solanka conta a Mila que odeia a Craniozinho, que criou há 10 anos, que lhe dá muito dinheiro de direitos de autor, mas que não é controlada por ele, mas pelas televisões e pelo marketing. E conta que tudo começou quando vivia ainda com Eleanor e o filho Asmaan: retirou a Craniozinho de casa, escondeu-a no escritório, e Asmaan chorou de saudades e Eleanor zangou-se com Solanka e ele bebeu as 3 garrafas do jantar e deixou queimar o borrego e viu a sua loucura quando se viu com uma faca na mão no quarto onde dormia a mulher e o filho e fugiu e foi esfaquear e destruir a boneca.

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Mila diz a Solanka que a fúria dele não é nada comparando-a com a que matou o pai dela: um ex-jugoslavo que, depois de a mãe dela morrer de cancro de mama, foi com ela viver para a América, tinha muito sucesso com as mulheres, é um dia regressou à Sérvia e a fúria sérvia matou-o.

Mila começou a visitar Solanka a toda a hora para o animar e para conversar intelectualmente, porque não o podia fazer com o namorado.

Diz ela: “Conserto pessoas. Há quem renove casas. Eu restauro pessoas.”

Eddie é o namorado de Mila: filho de Judy e de Tobe, sobrinho de Ray, veterano de guerra que vivia na floresta, protegido por Carole Hatty é apaixonado por ela. Mas Tobe disse-lhe no jantar de ação de graças que Carole era comida por todos os rapazes na aldeia desde os 15 anos e Ray ficou furioso e saiu. Depois, Ray apareceu morto por um tiro e Carole foi também assassinada por Tobe. Eddie tornou-se jogador de futebol americano para tentar acalmar a fúria familiar que acha que teria herdado também. Mila consertou-o de vez.

Solanka tenta não considerar Mila a encarnação de Craniozinho, a original e não a criada pelos media, que ele odeia. Mas a intimidade daquele par, supostamente como uma relação de pai e filha, vai-se tornando cada vez maior. Redundará em erotismo?

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O filho Asmaan liga de Londres, às 5h de NY, a perguntar, tal como Eleanor, quando é que ele volta. Eleanor quer perceber a fuga calada dele, e questiona se ele tem alguém para começar a odiá-lo.

Grande evolução: afinal Mila parece ver em Solanka o”papi” que perdeu e avançam num tom gradativo de sedução que culmina, por agora, parece, em ela se sentar ao colo dele, com uma almofada por baixo,… até se retirar a almofada. E ela instiga-o a libertar a fúria nela e a voltar a construir bonecas.

Rhinehart divorciou-se finalmente. 

A ex-mulher de Solanka, Sara, já vive com um velho milionário a quem acusa de traição (com uma jovem de 23 anos, que se suspeita que ela terá contratado para se envolver com ele). 

Neela, a bela atual namorada de Rhinehart, liga a Solanka para se encontrar com ele para desabafar sobre Rhinehart.

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Afinal, Neela já não anda com Rhinehart: este converteu-se às ideias de extrema-direita e anda envolvido em escândalos sexuais de abuso de menores? Neela descobriu no guarda-roupa de Rhinehart os 3 fatos de Carnaval vistos nas imediações dos 3 últimos crimes. Rhinehart disse que os 3 namorados, que fazem parte do seu clube sexual, lhe pediram para ele lhos esconder, mas que nem ele nem os 3 namorados eram o assassino do betão. As jovens mortas foram escalpelizadas!

Neela sente-se bem com Solanka e ao fim de 3 copos diz-lhe que gostaria que ele falasse do filho e de Eleanor e da família na Índia.

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Reviravolta: Neela e Solanka dormem juntos num hotel. Mila apercebe-se da mudança de Solanka e rejeita mais intimidade: convida-o para almoçar (ele tem um ataque de fúria nesse café e parte um copo na mão fechada) e para a deixar apadrinhar, com os amigos, um projeto online de divulgação da obra de ficção científica que ele anda a criar, (estimulado por Neela).

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Manifestação violenta em NY, comandada por Baber e apoiada por Neela.

Jack Rhinehart suicidou-se com um tiro na cabeça e uma confissão na mão.

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Afinal Jack não se suicidou: foi morto pelos 3 namorados suspeitos e agora considerados culpados.

Neela acalma cada vez mais a fúria de Solanka. Este telefona ao filho e descobre que Eleanor terá um caso com o amigo Morgen, casado com Lin.

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Malik Solanka conta a Neela que o padrasto abusava dele sexualmente até aos 10 anos (vestia-o de rapariga e obrigava-o a chupá-lo). Foi Balasubramanyan Venkattaraghavan, pai do seu amigo Chandra, que conseguiu que o padrasto parasse. Vem daí o facto de gostar de bonecas.

Numa manhã em que acordou em sua casa ao lado de Neela, entram Eddie, para o matar com uma faca, seguido de Mila (que Solanka apresenta a Neela como vítima sexual repetida do pai) e depois de Eleanor, com Morgen: as 3 fúrias acusam-no em simultâneo!!!

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Solanka tem 55 anos e agora está rico. Parte para Blefuscu, para reencontrar Neela, que foi ter com Baber, o dirigente revoltoso desta ilha país cujos guerreiros vestem as máscaras, armas e fantasias criadas por Solanka para a série ferida por Mila online e que tanto dinheiro lhes deu.

Revolta contra Barber, que está a ficar ofuscado pelo poder (quer que todos afirmem que a terra é plana e que o sol anda à sua volta). Neela sacrifica a sua fuga para libertar Solanka e Blefuscu, mesmo sabendo que a irá devolver aos tiranos anteriores.

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De volta a NY, sai da casa arrendada e vive no Claridge (hotel?). O livro termina com ele em Londres a observar Asmaan, sem ser visto, com Morgen e a mãe. Termina com a dor de o seu papel de pai ter sido substituído por Morgen.








sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Frankenstein - Mary Shelley



PRIMEIRO VOLUME

PRIMEIRA CARTA de R. Walton para a irmã, Margarett Saville, em  Sampetersburgo. Herdou a fortuna do primo e vai alugar um barco para chegar ao Pólo Norte.

SEGUNDA CARTA 3 meses depois, em março. O imediato que contratou abdicou de se casar por a mulher que lhe escolheram amar outro homem: enquanto o pai não consentiu que ela se casasse, não voltou à cidade.

QUARTA CARTA agosto: Walton diz à irmã que no dia 31 de julho viu no meio das planícies de gelo um trenó conduzido por um homem enorme, sentado a conduzir os cães. Duas horas depois chega ao barco um outro homem, debilitado, que aceitou subir a bordo, depois de ter sido informado de que Walton pretendia chegar ao Pólo Norte. Este homem perseguia o gigante que tinham visto anteriormente.


O homem conta a Walton as suas desventuras!!

CAPÍTULO PRIMEIRO

O pai de Victor casou com a filha de um amigo, Caroline Beaufort, que morreu na miséria. Viajou com ela por França, Alemanha e Itália. Victor era filho único e adotaram Elisabeth Valenza, órfã de mãe alemã e pai revolucionário italiano. Elisabeth tornou-se a mulher da vida de Victor.

CAPÍTULO SEGUNDO

Educados em Genebra, Victor torna-s estampem amigo de Clerval. Desejoso de conhecer os segredos da ciência, da vida e da morte, abandona o estudo de Cornelio Agripalma, Paracelso e Alberto Magno para se dedicar à matemáticas e à eletricidade num dia em que vê um raio cair e despedaçar uma árvore.

CAPÍTULO TERCEIRO

Morre a mãe de Victor por ter tratado da escarlatina de Elisabeth. Victor vai para a Universidade de Ingolstádio onde é influenciado pelo professor Waldman.

QUARTO CAPÍTULO

Descobre o segredo de animar a matéria (dar vida à matéria morte) mas não o conta ao capitão por ser perigosos alguém saber o que ele descobriu.

Decidiu criar um ser de 2 metros e meio de altura, a partir de partes de cadáveres.

Há mais de dois anos que não visita a família em Genebra.

QUINTO CAPÍTULO

Criado o ser, levanta-se e horroriza o criador, que foge espavorido. Quando regressa, o monstro tinha desaparecido. Henry Clerval surge e cuida de Victor que convalesce durante meses até à Primavera, doente com a ideia do monstro que criara.

SEXTO CAPÍTULO

Carta de Elisabeth a requerer o regresso de Victor a Genebra e a falar de Justine, uma menina adotada pela família, muito dotada). Recuperação de Victor, na companhia de Clerval, em Ingolstádio, durante um ano. Perspetiva de regresso de Victor a Genebra.

SÉTIMO CAPÍTULO 

Alphonse Frankenstein, pai de Victor, escreve-lhe a informar da tragédia do assassinato de William, o filho mais novo, talvez para lhe roubarem uma miniatura valiosa da mãe, que Elisabeth lhe emprestara e a requerer que regresse rapidamente para a consolar porque ela se sente culpada.

Quase a chegar a casa, Victor depara-se com o monstro que se oculta e desaparece entre as escarpas dos montes. Conclui que terá sido ele o assassino. Ao chegar a casa, em Genebra, a família diz-lhe que o assassino é Justine, que foi encontrada com a miniatura valiosa com o retrato da mãe de Victor. Este não acredita que seja ela a assassina.

OITAVO CAPÍTULO

Justine é morta no cadafalso, condenada pelo assassinato cometido, sabe-o Victor, pelo monstro Frankenstein.


SEGUNDO VOLUME

CAPÍTULO PRIMEIRO

A família e Victor sofrem. Mudaram-se de Genebra para Bellerive. Este, em agosto, parte para os Alpes, para Chamonix, na base do Monte Branco.

CAPÍTULO SEGUNDO

Victor sobe ao Montanvert e encontra o monstro. Este pede-lhe que ouça a sua história. Victor, apesar de revoltado, acompanha-o até à gruta onde ele vive e escuta-o, aquecidos pelo fogo que o monstro acendeu para a longa conversa.

CAPÍTULO TERCEIRO

Conta que a primeira coisa que admirou depois de ganhar consciência deu eu existia foi a lua. Aprendeu o que podia comer e que o fogo era bom. Depois foi perseguido pelos habitantes de uma aldeia. Refugiou-se num cubículo de onde, por uma fenda, observava e ouvia um velho e um jovem casal que vivia ao lado.

CAPÍTULO QUARTO 

Conta que Agatha e Félix eram irmãos e que o pai era cego e que eram belos e meigos, mas tristes porque eram muito pobres e às vezes passavam fome. E que começou a arranjar-lhes lenha. E a aprender as palavras que eles usavam. É uma vez viu a sua imagem num lago e achou-se horrível e percebeu porque o temiam.

CAPÍTULO QUINTO

Chegou um cavaleiro que deixou Safie, uma jovem árabe, com a família. Como ela começou a aprender a língua e os factos do conhecimento, da cultura e da vida, o monstro conta que aprendeu também. Arrependeu-se de ter aprendido tanto: agora questionava e lamentava a sua existência horrenda e of acto de nunca se poder apresentar aos seus queridos vizinhos.

CAPÍTULO SEXTO

Conta que Félix e a família eram uma família francesa de classe alta e que Félix tinha tentado libertar da injustiça condenação o pai de Safie. Conseguiu fazer com que ele fugisse, com a filha e com Félix, mas a polícia descobriu a tramóia e prendeu Agatha e o pai, o velho cego. Félix entregou-se e foram julgados: forma condenados ao exílio e refugiaram-se na aldeia onde o monstro os encontrou. O turco pai de Safie teve de fugir e Safie, em vez de ir ter com o pai à Turquia, onde a esperaria a infelicidade, descobriu onde vivia Félix e veio viver com a família dele.

CAPÍTULO SÉTIMO

Conta que leu Werther e Plutarco e começou a sentir-se mais como um Adão do que um satã e desejou uma Eva para não se sentir tão só. E Eli o diário de Victor, que encontrou no casaco que vestiu quando fugiu de Victor, na primeira vez em que acordou.

E decidiu apresentar-se àquela família que tanto adorava: visitou o velho cego e pediu clemência e ajuda, mas Félix entrou e horrorizado com a sua figura bateu-lhe com um pau e o monstro fugiu para o seu refúgio na cabana ao lado.

CAPÍTULO OITAVO

Conta que Félix e a família partiram e furioso queimou a casa. E partiu para Genebra, para encontrar Victor, o criador. Pelo caminho salvou uma jovem de morrer afogada e um homem lenhador viu-o com ela desmaiada nos braços e deu-lhe um tiro. O monstro fugiu e curou-se durante uns meses e já perto de Genebra, encontro um menino (William) que pensou raptar para ser seu amigo, mas o menino disse que ele era um ogre e que o pai, Frankenstein, o apanharia e castigaria, e apertou-lhe o pescoço para o calar e matou-o. E tirou-lhe a miniatura e encontrou uma mulher a dormir (Justine) e escondeu numa prega do vestido a miniatura com o retrato da mãe de Victor, para que ela fosse condenada pelo crime.

E pede a Victor que lhe crie uma companheira…

CAPÍTULO NONO

O monstro exige uma companheira, necessita de amor, e promete que desaparecerá para sempre. Ameaça Victor, caso ele não concorde. Victor aceita, reticente.


TERCEIRO VOLUME

CAPÍTULO PRIMEIRO

O pai de Victor sugere que ele se case com Elisabeth. Victor decide só o fazer depois de passar um ano em Inglaterra e criar a mulher do monstro, para que ele desapareça e assim possa casar com Elisabeth.

Viagem de Victor e o amigo Henry Clerval, de Estrasburgo, de barco pelo Reno, até Roterdão, e depois para Londres.


CAPÍTULO SEGUNDO

Com Clerval passa meses em Londres, Oxford, Escócia e instala-se sozinho numa ilha das Órcades, com 5 habitantes, para levar a cabo a criação da companheira do monstro. 

CAPÍTULO TERCEIRO

Mas aparece o monstro à porta da cabana e Victor decide destruir a criatura feminina que estava a construir. O monstro ameaça-o de grandes males, que incluem matar-lhe os amigos, a família e Elisabeth. E desaparece. Victor decide atirar ao mar os restos da criatura feminina que tinha destruído. No mar perde-se no meio da tempestade e vai parar a uma terra irlandesa: é interrogado por um juiz por causa de um crime que tinha ocorrido!

CAPÍTULO QUARTO

O morto é Henry Clerval e Victor é acusado de o ter morto. Entra em paranóia durante dois meses. É visitado pelo pai, na prisão. Acaba por ser ilibado e volta a Genebra, de barco.

CAPÍTULO QUINTO

Victor aceita a sugestão do pai e combina-se o casamento e a ida a seguir para Lavenza, perto do lago de Como, para a mansão que pertencia a Elisabeth. Victor espera enfrentar o monstro e matá-lo, sem grande esperança de sucesso.

CAPÍTULO SEXTO

O monstro tinha dito a Victor que lhe iria aparecer na noite de núpcias. E assim foi. Enquanto Victor o esperava fora do quarto, o monstro entrou pela janela e estrangulou Elisabeth. A seguir desapareceu de novo. O pai de Victor não aguentou de desgosto e morreu dias depois. Victor jurou vingança.

CAPÍTULO SÉTIMO

No cemitério onde jazem Elisabeth, William e o pai de Victor, este jura vingança. Surge o monstro e diz que está satisfeito por Victor ter decidido viver e persegui-lo. E foge para pelo Ródano até ao Mediterrâneo e em direção ao Mar Negro. Victor persegue-o

O monstro deixa lebres mortas para Victor se alimentar, nas estepes russas, e uma mensagem: “Segue-me, vou para os gelos eternos do Norte. Aí sofrerás e eu não, que suporto bem o frio!”.

Victor persegue-o e quase a apanhá-lo o gelo quebra e o monstro desaparece.

Victor é resgatado da morte certa pelo navio de Walton… e pede-lhe que apanhe o monstro, por ele, por Elisabeth, por William,…


O gelo liberta o barco e os marinheiros exigem a Walton que ordene o regresso (cobarde) e não a continuação da aventura que poderia levá-los à glória de atravessarem o Polo.

Walton conta que Victor morreu numa camarata e que ouviu um gemido e descobriu lá o monstro a lamentar a morte do criador e a dizer que iria morrer também agora, ele que viveu os últimos anos consumido pelo remorso e pela falta de amor e pelo desejo de vingança. E saltou para o gelo e desapareceu no escuro.








quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

O mistério da cripta assombrada - Eduardo Mendoza


UMA VISITA INESPERADA O narrador, um paciente do sanatório/manicómio, recebe a visita do Comissário Flores, acompanhado por uma freira. Precisam dele para os ajudar a resolver um caso.
O QUE CONTOU O COMISSÁRIO Que desapareceu do dormitório das freiras do Colégio de São Gervásio numa manhã uma menina de 14 e que reapareceu no dia seguinte, tendo sido recusado aos pais dela a sua readmissão e que como no dia seguinte de manhã desapareceu outra menina, o nosso narrador foi levado para se encarregar de tentar descobrir o que se estava a passar.
UM REENCONTRO, UM ENCONTRO, UMA VIAGEM Reencontro com Cândida, a irmã anã prostituta do narrador, que não via há 5 anos, num café, onde chega um cliente marinheiro aparentemente sueco, mas que falava catalão. Ida para o colégio, de metro, depois de furtar um relógio e umas canetas a uns estudantes.
O INVENTÁRIO DO SUECO Aluga um quarto, a troco do relógio e das canetas, perto das Ramblas. O sueco que estava com Cândida aparece com uma pistola, não diz nada, e morre no quarto do narrador, que salta pela janela…
DUAS FUGAS CONSECUTIVAS O cadáver do sueco aparece de novo na casa T0 de Cândida e surge a polícia. O narrador foge e foge depois também do Comissário Flores que o quer obrigar a internar-se de novo.
O PÉRFIDO JARDINEIRO De volta ao Colégio, o narrador droga o jardineiro e manda-o fugir: a polícia aparece e persegue-o, disparando.
O MORIGERADO JARDINEIRO O narrador visita o antigo jardineiro, dispensado há 5 anos e descobre que nesse ano houve uma menina Isabelinha Peraplana, do 5.° ano, que desapareceu uns dias e depois voltou. Teria sido influenciada por uma amiga diabinho, Mercedes Negrer. Nenhuma delas aparece na revista do colégio no 6.° ano.
INTRUSÃO PRÉ-NUPCIAL A casa dos Peraplana. Isabelinha, a preparar-se para o seu casamento, não se lembra de ter desaparecido no Colégio.
UMA EXCURSÃO AO CAMPO Vai a Pobla de L’Escorpi onde Mercedes dá aulas, contratada por Peraplana, dono da empresa leiteira Mamasa. Mercedes está afastada da mãe.
A HISTÓRIA DA PROFESSORA HOMICIDA Mercedes conta que Isabelinha arranjou um namorado e numa noite fugiu para ir ter com ele e Mercedes seguiu-a e achou que ela estava em perigo e matou o atacante?
A CRIPTA ASSOMBRADA Afinal, a verdade é que quem matou o jovem na cripta secreta foi a Isabelinha que é rica e a Mercedes teve de assumir a culpa e agora está ali exilada como professora em Pobla de L’Escorpi.
INTERLÚDIO INTIMISTA O Colégio pertenceu aos Peraplana entre 1958 e 1971 e depois foi vendido às freiras lazaristas. Haveria um túnel a uni-lo a outra casa, por onde o Peraplana pai se deslocava para fazer sabe-se lá o quê!
UM ACIDENTE Mercedes confrontou Isabelinha e esta suicidou-se.
O DENTISTA MISTERIOSO



quinta-feira, 13 de novembro de 2025

O animal moribundo - Philip Roth

 

O animal moribundo - Philip Roth (2001)

História contada pelo professor David Kepesh, a uma pessoa sentada perto dele.

Até aos 62 anos fazia sempre uma festa com os seus 22 a 25 alunos de Crítica Prática (literária), no final dos exames, em sua casa, para evitar acusações de assédio: acaba normalmente por dormir com uma aluna. A primeira referida foi Miranda, que se escondeu até que todos os outros alunos saíssem.

Agora o professor está com Consuela Castillo, uma cubana de 24 anos, recatada e clássica, culta e interessada pelo saber, com quem ele foi pela primeira vez para a cama há 8 anos. E depois disso ele foi sempre fraqueza e preocupação, porque ela dizia sempre “Adoro-te”, mas nunca “Excitas-me!”.

Na primeira noite, apesar de recatada, ela virou-lhe as costas a ler um livro e ele não resistiu e apalpou-lhe as nádegas. Ela disse que nunca poderiam ser namorados porque os seus mundos são diferentes, e que seria aquela a sua única noite juntos. E nasceu aí o ciúme de Kepesh!

Ela um dia mordeu-lhe o pénis para o castigar por ele a ter imobilizado e se ter vindo na boca dela. Ela gostar dele era resultado da família tradicional e de poder ter a sensação de conquistar alguém tão ilustre e de o manter sob rédeas. E ele tinha ciúmes de todos os jovens que poderiam a qualquer momento roubar-lha.

Até que aconteceu algo desastroso: quando Kepesh começou a ir para a cama com Consuela, tinha um caso com Carolyn Lyons, uma antiga aluna. Ela e Janie Watts, foram as Raparigas da Valeta, que nos anos 60 revolucionaram a sexualidade e fizeram-na livre na universidade. Se hoje as Miranda e as Consuela são livres sexualmente é graças a essas suas antecessoras que conquistaram e impuseram esse direito.

Páginas 55 a 64: apartes para falar sobre Morton e Milton, dois antipuritanistas. Thomas Morton em Merry Mount, um antro de comércio de peles com os índios, perto de Plymouth, instalou na América a liberdade sexual, no início do século XVII: os Puritanos tinham medo de que as filhas adolescentes lhes fugissem para se entregaram a Morton. 

Henry Miller foi uma espécie de Merry Mount.

O narrador divorciou-se, 8 anos depois, do primeiro e único casamento por a mulher o encontrar com as Raparigas da Valeta. Desde o casamento, em 1956, era um tradicional e consciencioso marido e pai, até começar a ver-se rodeado de mulheres e ter começado a foder quantas pôde. Tem um filho de 42 anos que o detesta.

A sida devolveu poder ao preservativo. Mas que homem pode dizer que goza mais com ele do que sem ele?

O sexo é a vingança contra a morte!

Carolyn Lyons: vivia uma relação de saciedade com ela, agora uma executiva comercial que se encontrava com ele quando regressava de viagens. Um dia encontrou um tampão (de Consuela) no caixote do lixo e confrontou Kepesh: ele disse que era de um amigo casado a quem emprestava a casa para os seus encontros adúlteros. Ela acreditou.

Páginas 68 a 80: O filho de 42 anos começou, no ano passado, a ser infiel à mulher (com uma empregada de 26 anos, da sua pequena empresa de restauração de obras de arte danificadas) e visita-o desesperado por não conseguir resistir à traição. O filho acusa-o de ter sido um pai ausente e lúbrico, mas tem uma amante. O filho, Kenny, que tem 3 ou 4 filhos. 

Kepesh diz que a sua relação com Consuela durou um ano e meio e quando terminaram, ele andou deprimido durante 3 anos. Sobreviveu graças ao amigo George O’Hearn e ao piano onde se distraía a tocar dezenas de sonatas e adágios de Mozart e Bach e Beethoven. Ela terminou com ele porque ele não foi à sua festa de licenciatura. Isso aconteceu há 6 anos e meio.

“Consome o meu coração/ doente de desejo/ e preso a um animal moribundo / que ele não sabe o que é!” Yeats

Ao fim de algum tempo, já nem sequer sei pelo que desespero. Pelas suas mamas? Pela sua alma? Pela sua juventude? Pela sua mentalidade simples? Talvez seja pior do que isso, talvez agora que me aproximo da morte também eu anseie secretamente por não ser livre.

O amigo George morreu de AVC. 6 meses depois, na passagem de ano do milénio, Consuela ligou a Kepesh! Estava com um cancro de mama e veio visitá-lo para ele se despedir das suas mamas e tirar-lhes fotografias. Não houve sexo. Ela disse-lhe que teve outros homens mas que nenhum amou o seu corpo como Kepesh. Agora ele espera que ela lhe diga como foi a operação de remoção da metástase.

Kepesh tem 70 anos e ela 32.

E ela telefona a dizer que vai ser operada e que lhe vão tirar o seio todo e quer…