sexta-feira, 30 de junho de 2023

O jovem Törless - Robert Musil

 

O jovem Torless - Robert Musil

O jovem Torless vai para longe dos pais, para um internato, onde os seus melhores momentos são a escrita diária de cartas à mãe, com saudades.
Torna-se o melhor amigo de um príncipe meio efeminado, rejeitado por todos.
Rompem, por Torless ter zombado de forma racional contra a religiosidade do príncipe. Este abandona o internato. T faz amizades: Beineberg, Reiting, Moté e Hofmeier.
T aprecia criticamente o corpo e as mãos de Beineberg e no final sente repulsa.
T seria forçado a perceber muitas vezes factos, pessoas e até a si mesmo, como se neles houvesse simultaneamente um enigma insolúvel é uma inexplicável coerência. Mais tarde esse estranho paradoxo ocuparia uma longa fase da sua evolução espiritual (p28).
Ao domingo à noite, vão visitar Bozena, a prostituta aldeã: T oscila entre a satisfação do desejo e a repulsa pelo ato.
No regresso ao internato, Reiting diz a T e a B que apanhou o ladrão de armários. A seguir vão os três a um esconderijo por acima e por trás do palco. Reiting é impiedoso e venceu B várias vezes.
O ladrão é Basini. T quer que seja expulso, mas B e R preferem mantê-lo como lacaio e vigiá-lo. Basini vai ter um papel preponderante na vida de T.
B descobre que R pagou a dívida de Basini e que andam os dois envolvidos sexualmente. B conversa com T sobre o q fazer. B quer torturar Basini.
T R e B batem em Basini, uma noite, no sótão, e obrigam-no a dizer que é um ladrão.
T vai visitar o professor de matemática: a constatação da aprendizagem fá-lo sentir como a mulher que pela primeira vez sente os movimentos do filho na barriga (p88).
T fica sozinho no internato no fim de semana com Basini, descobre que ele “serve” R e B. Basini vai ter com T à cama e este “serve-se” também dele, apesar de afirmar não ser ele, T, que o faz, mas um outro e pensa que na manhã seguinte voltará a ser T.

O seu único interesse verdadeiro é a evolução espiritual da alma, ou como quer que a chamemos, algo que de vez em quando se põe a crescer dentro de nós, a partir de um pensamento contido nas frases de um livro, ou que brota dos lábios cerrados de uma fotografia; essa coisa acorda uma ou outra vez, quando passa por nós uma rara melodia solitária e - distanciando-se - puxa com estranhos movimentos o fino fio rubro do nosso sangue, arrastando-o atrás de si. (P125)

No futuro, T jamais veio a arrepender-se do que acontecera.

R e B quiseram hipnotizar Basini e violentaram-no. T rebelou-se contra a perversidade deles e eles ameaçam-no por saberem o que se passou entre ele e Basini…
Exigem que ele vá com eles violentar Basini:


sábado, 24 de junho de 2023

Cotovia - Deszo Koaztolányi


SOBRE O AMOR DOS PAIS PELA FILHA E DA FILHA PELOS PAIS OU A OBRIGAÇÃO DE ALTERAR A VIDA POR CAUSA DOS FILHOS

PRIMEIRO

Dois velhos e uma filha. Ela, Cotovia, vai passar uma semana a casa do tio Bozso Béla, em Tarko.

SEGUNDO

Moram em Sárszeg. O pai chama-se Vajkay Ákos. Sabia que Cotovia não era linda e perdera a esperança de a casar. O nome real dela é Szánta Pacsirta. E é agora uma solteirona. Levam-na ao comboio e choram na despedida. Choram muitas vezes, aqueles pais. Ela vai num compartimento com um jovem e um padre. Chorou convulsivamente durante grande parte da viagem. Chegou e acompanhou o tio Béla.

TERCEIRO

Ainda na estação, Vajkay Akos e Antonia sentem falta da filha. Tentam evitar o chefe da estação, Cifra Géza, que há 10 anos esteve pensado para casar com a filha, mas afastou-se quando a aldeia começou a falar no assunto.

Vajkay é reformado. Gosta de estudar agenealogia.

QUARTO

Akos e a mulher vão jantar ao restaurante Magyar Király, onde veem ilustres personagens de Sárszeg: Ijas Miklos, redator do Boletim de Sárszeg; Fuzes Feri que vai ser convidado para um duelo; Kornyey Balint, terrivelmente corpulento, comandante dos bombeiros, presidente do grupo Panteras, amigo de juventude de Akos; o Senhor Weiss e Companhia, que anda sempre sozinho; Malyvady, professor de Matemática; Szunyogh, professor de Latim; Szolyvay, o celebrado cómico; o galã Zányi Imre.

QUINTO

Akos come. O casal não foi à missa. Voltam a comer no restaurante. Kornyey Balint convida-os para a mesa dos panteras. Lá a mulher de Akos conhece o galã Zanyi Imre.

SEXTO

Aracsi, o diretor de teatro, surge e convida Akos e a mulher para irem ver as “Gueixas”. Zányi Imre está apaixonado por Orosz Olga, a grande diva, mas ela vai casar com Kárazs Dani.

SÉTIMO

Akos vai almoçar com o governador. A mulher não: foi almoçar a casa da Sra. Zahoczky, viúva presidente da Associação de Mulheres Católicas. Às seis juntou-se à mulher e foram à praça Széchenyi onde entre outros encontraram o jovem Ijas Miklas, poeta e redator do Boletim de Sárszeg que os acompanhou a casa: parece gostar de Cotovia.

OITAVO

Uma carta de Cotovia. Está bem em casa dos tios, no campo. Chegaram 4 visitas, os Thurzó: duas raparigas e os pais. Uma delas tem 16 anos e passa o tempo todo com o primo de Cotovia. 

Akos sente ódio pela devassa Orosz Olga.

NONO

A jantarada dos machos: os homens vão jantar sem as mulheres. Akos, joga, ganha e embebeda-se. Encontra Cifra Géza, na noite, numa esplanada, e apetece-lhe bater-lhe, mas não o faz. Passa pela porta de Orosz Olga: debaixo da janela Kárasz Dani, o filho, canta-lhe uma serenata.

DÉCIMO

Chega bêbedo, às 3 da manhã, a casa: diz à mulher, pela primeira vez, que lamenta muito, mas a sua filha é muito feia.

DÉCIMO PRIMEIRO

Vão esperar por Cotovia, mas o comboio está duas horas atrasado.

Os panteras aparecem na estação: faz-se o resumo do que aconteceu aos bêbedos na noite anterior. Muitos deitaram-se às 9h da manhã.

DÉCIMO SEGUNDO

Akos e a mulher sozinhos de novo já estação à espera de Cotovia. Está chega: traz uma gaiola com uma pomba. Vão a pé para casa. Ijas Miklas vê-os passar, escondido, e escreve: “os Vaklay passeiam com a pobre Cotovia…”. Ijas tem uma ligação a uma comediante, Lator Margit, amante de titi Féher, o banqueiro do Crédito Agrícola de Sárszeg.

DÉCIMO TERCEIRO



domingo, 11 de junho de 2023

A Ilha - Sándor Márai


Rodeado pela azáfama das muitas famílias de alemães e outras em férias no Hotel Argentina, em Dubrovnik, Viktor Henrik Askenasi, respeitado professor de grego e de línguas da Ásia Menor no Instituto de Estudos Orientais de Paris, suporta com dificuldade o calor sufocante do verão na costa da Dalmácia. 

Apanha um escaldão e sente muitas dores.

Ao sair do hotel e apanhar o barco vai com a sensação de ter perdido algo. Viaja sozinho.

ANALEPSE

Perto dos 50 anos, o professor iniciou uma viagem solitária pelo Mediterrâneo, levado por uma preocupação que sempre o agitou, e que o levou, alguns meses antes, a fazer uma mudança radical na sua vida. 

Aos 47 anos achara que amava uma bailarina que conhecera há um ano. Os amigos e a família tentaram demovê-lo, mas sentia-se rejuvenescido e por vezes feliz. Viveu com a bailarina, ensinava, trabalhava.. mas foi expulso da universidade por viver em subversão das normas sociais. Eliz era a bailarina. Conheceram-se na rua. Ele ajudou-a e acompanhou-a a uma pensão. Regressou a casa de manhã e Anna, a esposa, esperava-o silenciosamente. Anna deitou-se e ele com ela: e consumou o ato, mas não havia mistério ali, conheciam-se demasiado bem. E continuou com a amante bailarina. Mas a nova felicidade era complexa: Anna ficava cada vez mais desconhecida e Eliz cada vez mais familiar e menos misteriosa. E sabia que não poderia nunca voltar para Anna.

Apesar de ter encontrado um paraíso de liberdade e de estar disposto a aceitar as consequências das suas ações como um passo inevitável no caminho da realização, Viktor descobre que esta liberdade tem uma outra face imprevista que o desconcerta.

Surpreendeu-o o carácter complexo da felicidade. Mas já tinha abandonado o lar, agora havia que passar pela fase da felicidade e, depois, assim pensou, iria chegar a algum lugar.

Pediu uns tempos de licença sabática. Com Eliz sentia que também a satisfação não era completa, mas era mais domais com Anna. Com Eliz viveu em grande anarquia social e económica, de conversas e conhecimentos. Mas continuava sem respostas para as suas perguntas. Apenas o corpo de Elis lhe dava respostas. E um dia abandonou-a também. Ela, ao contrário de Anna, fez uma cena de humilhação e ameaçou-o de que ele nunca seria feliz com outra.

Viveu sozinho durante uns tempos. Sem pensar em Eliz, nem em Anna.

Askenasi deixa de ouvir grego e de relembrar Anna. Mas lembra-se de Eriz. Consulta o médico e este diz-lhe para descansar. Anna visita-o para o perdoar mas ele repudia-a. Viaja então!

P. 108 - FIM DA ANALEPSE

Continua a tentar encontrar a reposta à pergunta "Porque não encontra satisfação?".
E, atormentado pela dúvida, num impulso, no hotel, bate à porta do quarto da desconhecida com quem acabou de se cruzar na receção, sem saber se do outro lado da porta o espera a escuridão da loucura ou a luz da verdade.


A Ideia torna-se visível quando nos isolamos na Ilha e alinhamos um a um os objetos que vamos reunindo na memória. Muitas vezes, estamos dentro da Ideia, a vivê-la, e não a vemos, não nos apercebemos dela e julgamos não a ter percebido ou atingido.






O gato que salvava livros - Sosuke Natsukawa

 


O GATO QUE SALVAVA LIVROS
Como tudo começou 
O primeiro labirinto: o encarcerador de livros
O segundo labirinto: o mutilador de livros
O terceiro labirinto: o vendedor de livros
O labirinto final 
Como tudo terminou

Por mais poderosos que sejam, os livros são regularmente trancados, cortados, vendidos ao desbarato.
Não sejas um daqueles curiosos que se queixa, de que nada muda nunca.
Os pensamentos por si só não podem mudar o mundo.
Trata-se de sentirmos orgulho de quem somos. Falemos dos nossos ideais literários.
Não fiquemos sentados a olhar para o mundo sem fazermos nada. Falemos do prazer e do poder dos livros, mas dos bons livros, não dos que nada acrescentam.

- Mas este livro é realmente terrível, não achas?
Enquanto falava, Sayo mostrou um livro grosso de capa dura que retirou da pasta que trazia a tiracolo.
- Não o compreendo de todo.
Rintaro fez um esgar. Era a obra “Cem anos de solidão”, de Gabriel García Márquez. Ele tinha começado por recomendar Jane Austen, seguida por Stendhal, Gide, Flaubert - todas histórias de amor, pensando que seriam leituras agradáveis para ela, mas ainda na semana passada Sayo anunciara que estava pronta para experimentar outros géneros. Rintaro sugerira García Márquez.
- Diz-me lá a verdade, tu leste mesmo este livro de fio a pavio? - Perguntou-lhe ela.
- Claro que sim. Mas já foi há algum tempo.
- Sim, és estranho. Não consigo entender uma palavra. É demasiado difícil.
- Isso é bom.
Rintaro riu-se enquanto atacava o pó da estante mais próxima. Sayo olhou para ele com uma expressão confusa no rosto.
- Porque é que é bom?
- Se o achas difícil, é porque contém algo que é novo para ti. Cada livro difícil oferece-nos um desafio novinho em folha.
- De que é que estás a falar? 
Sayo não parecia muito convencida.
- Se achares que um livro é de fácil leitura, isso significa que não tem nada para te ensinar - prosseguiu ele. - É por isso que é fácil. Se o achares de leitura difícil, então isso é a prova de que tens algo para aprender.
[…]
- Cada livro difícil oferece-nos um novo desafio, hã? - constatou Sayo, olhando para o seu exemplar de “Cem anos de solidão”. - Mas se não me conseguir prender, vou responsabilizar-te.
- Foi Gabriel García Márquez que o escreveu, não eu.
- Mas foste tu quem mo recomendou, não Gabriel García Márquez.




quinta-feira, 8 de junho de 2023

Trilogia - Jon Fosse




I

Na primeira novela, Asle e Alida vagueiam exaustos no frio, na chuva e na escuridão do fim de Outono pelas ruas de Bjørgvin em busca de um abrigo. Apesar de Alida estar grávida, ou justamente por isso, todas as portas se fecham. 

O início de Trilogia ganha contornos de uma parábola bíblica, ressoando a história de Maria e José, não fosse os contornos macabros indiciados gradualmente, pois na sua fuga ao passado em Dylgja e na chegada a uma nova morada Asle deixa um rasto de morte.


Asle e Alida vagueavam pelas ruas de Bjorgvin. Alida está prestes a dar à luz e ninguém lhes dá guarida. Vêm de Dylgja.

É filha de Herdis do Penhasco e de Aslak. Este desapareceu quando ela tinha 3 anos. Tem uma irmã, Oline, 2 anos mais velha.

Asle é filho de Silja e de Sigvald: este desapareceu no mar e a mãe morreu há um ano, tinha Asle 16 anos.

Asle ficou com o violino do pai. Depois Alida foi viver com ele na casa do Ancoradouro, que tinha sido emprestada ao pai, que era pescador. Mas o dono volta e expulsa-os. Vão a casa de Herdis, mas acabam por fugir para Bjorgvin: não se sabe se Asle roubou o barco ao dono da casa do Ancoradouro e se agrediu ou matou Herdis, para sair com as notas que Alida tinha tirado do frasco oculto da mãe.

Conheceram-se num baile onde Asle e o pai foram tocar violino.

Em Bjorgvin não arranjam onde dormir e chega a noite e a chuva. E entram para a casa de uma velha: não se sabe o que fez Asle à velha. Aquecem-se ao lume e dormem.

II

Na segunda novela, Asle e Alida chamam-se agora Olav e Åsta Vik. Apesar do sonho de refazer a sua vida neste novo lugar, o passado persegue Olav, na figura do Velho, que promete manter o segredo em troca de uma cerveja.

Dormem dormem e dormem. Alida acorda e sente as dores do parto a aproximar-se. Asle vai procurar uma parteira. Encontra um homem que lhe diz para ir com ele. Dirige-se à casa da Parteira-Nova, a casa onde Alida e Asle dormiram. Como ela não está, o homem diz a Asle que tem de ir a casa da Parteira-Velha, em Stukevika. Está vem e como encontra a Parteira-Nova, faz ela o parto. Nasce Sigvald.

OS SONHOS DE OLAV

Asle é agora Olav e Alida é Asta e vivem em Bargen. E Olav vai a Bjorgvin comprar anéis e é seguido por um velho, o homem que andava na rua. Este acusa Olav de ter morto 4 pessoas: o pescador da casa do Ancoradouro, a mãe e a irmã de Asle e a Parteira-Nova. Asle nega.

Na Casa dos Petiscos o velho diz a Olav que sabe que ele é o Asle mas se ele lhe pagar uma cerveja não diz nada a ninguém. Olav nega.  

Conhece também Asgaut que lhe mostra uma pulseira que comprou. Saem todos. Agora Olav já quer ir comprar uma pulseira e não os anéis, para Asle. Caminha e uma rapariga pergunta-lhe se não a conhece (ele e Alida tinham batido à porta dela e ela tinha negado entrada a Alida). Ela quer que Asle vá com ela. Ele rejeita-a. 

Reencontra Asgaut e vai comprar a pulseira. A seguir volta à Casa dos Petiscos com Asgaut e reencontra o velho que o ameaça de novo. Sai e procura um sítio para dormir. Uma velha parada na rua oferece-lhe dormida. Ele vai com ela e em casa dela está a rapariga que o quis. E que o quer. E a velha pede dinheiro a Olav e ele diz que não tem. E a velha e a filha discutem sobre quem será o pai dela. E a velha expulsa a filha. E entra o velho, o que diz que sabe o que fez Olav. E diz à velha para ir chamar a Lei. Dois homens da lei vêm e levam Olav. Passam pela rapariga, que exibe a pulseira que roubou a Olav. E levam-no para uma cave e o velho é o Carrasco e Olav é enforcado, enquanto relembra todas as pessoas.

Na terceira novela, cabe a Ales, filha de Alida, revelar-nos um pouco do que sucedeu, depois do final da segunda novela, e assim encerrar o ciclo, ao mesmo tempo que parece ser visitada pela alma da mãe.  

FADIGA

O que aconteceu depois de Olav ser enforcado?


Apesar dos anos de intervalo entre as narrativas, subjaz-lhes uma unidade lógica, acompanhando as mesmas personagens em momentos distintos da sua vida, particularmente críticos nas duas primeiras histórias. Nessa unidade conflui ainda a linguagem, simples e lírica, numa prosa que se extravasa ao sabor do fluxo da consciência. As frases distendem-se infindamente, com pausas formais ditadas pelo diálogo das personagens, e a recorrência e a repetição contribuem para um ritmo circular. O próprio tempo esbate-se, entre constantes analepses, sonhos, alucinações e visões de futuro. 

quinta-feira, 1 de junho de 2023

Muerte de Sevilla em Madrid - Alfredo Brice Echenique

Uma companhia de aviação instala-se em Lima e faz um sorteio: uma viagem para um peruano que tenha nome de cidade espanhola.

Sevilha é um peruano que trabalha num escritório, quase anónimo, e vive com a tia. Não teve posses para estudar na universidade.

No colégio Santa María, na adolescência, foi feliz com o amigo Salvador Escalante, nomeadamente na viagem a Huancayo. Mas Salvador morreu, de acidente: adormeceu a conduzir, de madrugada.


O gerente escolhido pela companhia de aviação era um conde, da Avenida, o águia imperial. Aos 50 anos, vivia numa penthouse e sentia-se importante nas festas sociais. Foi ele que organizou o sorteio para a inauguração da companhia de aviação.

Sevilla foi escolhido. Não queria viajar, a pedido da velha tia. Mas o RP Cucho Santisteban anunciou-o…

E o conde viu à sua frente um homem feio e insignificante.


Muerte de Sevilla en Madrid”, también compilado en su antológico libro Cuentos, es la triste historia de un cándido tontorrón y su diarreica y desalmada desventura. Mediante el contraste de varios tiempos y situaciones paralelas que oscilan entre el pasado y el presente, Alfredo Bryce Echenique esboza, sobre todo, la secuencia y el trasfondo que inducen el súbito y sorpresivo suicidio de Sevilla, el protagonista.
      Además de zonzo y bufónico, Sevilla es un engendro ridículo y repulsivo: feo, pobretón, solitario, mórbidamente católico y repleto de atavismos, complejos y fobias. Empleado en un oscuro escritorio de la Municipalidad de Lima (una especie de Bartleby limeño), subsiste en una roída casucha del pequeño Miraflores, acompañado y sometido a su tía Angélica, una viejecita de 80 años, ciega y religiosa en exceso. El desvarío recurrente de Sevilla, como quien una y otra vez voluptuosamente frota el rosario, es evocar los felices episodios, quizá sólo fantasiosos, que vivió con y alrededor de Salvador Escalante, un ex condiscípulo del Colegio Santa María, varios años mayor que él, que resulta su antípoda: rubio, galán, buen futbolista, con auto de lujo, y heredero de los bienes y tierras de una de las familias adineradas de Lima. Uno de sus juegos, que incluso sigue practicando después de que Salvador Escalante muere en un accidente de carretera, es deambular por las calles limeñas en busca de la mujer hermosa que debería ser la rubia fémina del gran futbolista.
      Así, luego de que Sevilla, por su apellido de ciudad española, recibe la noticia de que ha ganado el viaje (premio que no buscó) con el cual inaugura sus actividades una compañía de aviación recién establecida en el Perú (un vuelo Lima-Madrid, ida y vuelta, con todo pagado), su frecuente evocación es un viaje a Huancayo (el único viaje de su vida anterior a éste) donde se celebró un Congreso Eucarístico, que hizo cuando aún era escuincle y alumno del Colegio Santa María, y cuyos notables y dichosos momentos los disfrutó al lado de su inasible y glorificado ídolo Salvador Escalante.
    En Madrid se instala, junto con los otros cuatro ganadores (un ecuatoriano, un venezolano, un gringo y un japonés) en el Hotel Residencia Capitol. De allí parten, día a día, a los puntos que constituyen el tour, precedidos por un Cucho Santisteban español, encargado de las relaciones públicas de la compañía de aviación.
     Si en el Perú la vida de Sevilla era una borrosa comunión fecal, en España su proclividad escatológica se agudiza e induce a batirse y ahogarse literalmente en sus propias heces. Días antes de partir, un angustioso desasosiego estomacal empezó a minarlo. Esto, si bien en Europa se traduce en una diarrea y nota bufa que signa su estancia y recorrido, no deja de ser, junto con toda la andanada de nimiedades y anécdotas absurdas e hilarantes que subrayan su condición de apestado por la vida y por sus propias entrañas, uno de los elementos que lo incitan a lanzarse por la ventana de la habitación del hotel, cuya vista y seducción le recordaba la sierra del Perú, precisamente Huancayo, el sitio donde con Salvador vivió “el instante más feliz de su vida”, al cual pareció arrojarse y revivir en un relámpago.
      Casi sobra decir que en esta narración de Alfredo Bryce Echenique abundan los rasgos y datos que translucen el hecho de que Sevilla no estaba bien de la cabeza; pero además su demencia contrasta con la insania de varios de los personajes: el conde de la Avenida, el español recién nombrado gerente de la compañía de aviación, quien ante la presencia de Sevilla sufre un trastorno que trastoca sus planes de conquista y del cual no se recupera; la tía Angélica, resignada en su ceguera y declive pseudorreligioso; mister Alford, el delirante alcohólico hundido en sus nostálgicos fracasos; Achikawa, el nipón cuya ansiedad, angustia y nerviosismo lo instigan a carcajearse una y otra vez y a la menor provocación, quien escoge a Sevilla como blanco de sus risotadas y de su insistente polaroid, cuyas mil y una fotos del peruano constituyen un testimonio visual de los últimos capítulos de su perra y excrementicia vida. Así, si no faltan las instantáneas donde Sevilla, de espaldas, sale corriendo rumbo al excusado (en el Museo del Prado o durante un almuerzo), o “una cara impregnada a fondo de retortijones” y luego otra donde se alivia; también, por su obsesión fotográfica, al irrumpir en la habitación de su modelo, le toca captar el momento exacto en que se arroja por la ventana.


Alfredo Bryce Echenique, Muerte de Sevilla en Madrid. Colección Alianza Cien, Alianza Editorial/CONACULTA. México, 1994. 64 pp.

Leandro, Rei da Helíria



Leandro, Bobo, Hortênsia, Amarílis, Violeta, Felizardo, Reginaldo, Simplício, Pastor

ATO I


CENA l

Rei Leandro teve um sonho. O bobo diz-lhe que os sonhos são recados dos deuses. O rei diz que às vezes gostava de estar no lugar do bobo. Ele ironiza. 

O rei conta que a coroa, o manto, o cetro estavam no chão cada vez mais longe e o rei corria mas não saía do mesmo sítio.

CENA ll

Entram Hortênsia e Amarílis, as princesas, e as aias.

Conversam e o bobo, que é desvalorizado por todos, descai-se e confessa que Hortênsia lhe pediu que criasse umas trovas a gozar com Amarílis, a chamar-lhe galinha, jumenta, sonsa.

CENA III

Violeta não quer que a considerem criança. É a princesa mais nova e quer casar com o Príncipe Reginaldo que diz que quer casar com ela.

As irmãs dizem que ela não pode deixar o rei sozinho e que Reginaldo não tem qualidades e é tresloucado.

CENA IV

O príncipe Felizardo, noivo de Amarílis, e o príncipe Simplício, noivo de Hortênsia. O Felizardo gaba-se dos 32 dragões que matou em ação e 365 a dormir,…

Perguntam ao rei quando podem marcar a boda e o rei diz que é quando quiserem, apesar de se sentir triste por se ir separar das filhas.

E diz que durante a festa pode haver uma grande surpresa!

CENA V

Violeta e Reginaldo. Este quer saber se o rei já autorizou que se casassem, mas Violeta diz que o pai anda perturbado e que não é o momento certo para o incomodar com o casamento deles. Além disso teve um sonho: havia muito barulho, luta, espadas e a voz do rei a chamar pelas filhas. Amarílis e Hortênsia riam-se e o rei não via Violeta, que lhe estendia a mão.

Decidem adiar o pedido de casamento para depois dos festejos dos casamentos das irmãs.

CENA VI

Coros dos criados e das criadas explorados.

CENA VII

Reginaldo, Felizardo e Simplício discutem o que é mais valioso: 256 bois e 256 vacas e muitas posses e ouro ou, como afirma Reginaldo, o amor e a gratidão?

CENA VIII

Hortênsia e Amarílis entram. Felizardo diz que conversavam sobre qual das duas ia ficar mais rica. Reginaldo diz que Violeta será certamente a que vai ficar mais amada.

CENA IX

Entra Violeta. Amarílis diz a Hortênsia que os maridos se fizeram para terem sempre as bolsas abertas e as bocas fechadas.

CENA X

Rei conta o sonho: viu o manto levado pelo vento, a coroa arrastada pela fúria das águas, o cetro arrancado por forças invisíveis. Os sonhos são recados que os deuses nos mandam. O rei acha que os deuses querem que deixe de reinar. Há momentos em que quer ser como um habitante vulgar a gozar a vida. E acha que já merece descansar.

Dará o seu reino à filha que demonstrar ter maior amor por ele.

Amarílis diz que o ama mais do que ao sol, à luz dos seus próprios olhos e a Felizardo.

Hortênsia diz que morreria por ele e que o seu amor é maior do que a imensidão das águas e dos céus.

Violeta diz que como o que não tem fim não se pode medir, não sabe definir o amor que sente pelo pai, mas acaba por dizer que precisa dele como a comida precisa do sal.

O rei fica desiludido com a resposta e diz que nunca mais a quer ver.

XI

O escrivão escreve que Violeta será banida do reino e da memória do povo. E que nem mais uma violeta seja plantada nos jardins do reino. Reginaldo diz ao rei que irá com Violeta e irá casar-se com ela.

O rei diz que ela agora é uma plebeia e que não quer saber.

O rei afirma que Amarílis e Hortênsia são agora as rainhas do Norte e do Sul do reino. O rei viverá seis meses em cada reino, apenas na companhia do bobo. 

No final do ato, as duas irmãs discutem qual das duas irá aturar primeiro o “velho”!



ATO II

I

Passados muitos anos, o rei e o bobo caminham pela estrada. Vestem farrapos. O rei foi escorraçado pelas filhas e anda a pedir esmola e abrigo. Abrigam-se numa gruta.

II

O bobo conta ao pastor, na gruta, como tudo se passou: o pastor diz que a sua Briolanja conta que “Grande vai o mal na casa onde não há sal!”.

III

FLASHBACK: Amarílis e Hortênsia discutem: nenhuma delas quis continuar a receber o pai, depois de ele passar 6 meses no reino de cada uma: ambas detestaram tê-lo no seu reino (ambas argumentaram mesquinhamente para justificar o desprezo pelo rei).

IV

O bobo conta o que aconteceu, ao pastor. E este pergunta por Violeta. O rei dorme. Está cego. O bobo acha que não é possível reencontrar Violeta. O pastor diz “Havias de gostar do meu reino!”

V

O pastor afinal chama-se Godofredo Segismundo e é súbdito de Violeta e Reginaldo e diz a Violeta o que se passou na gruta e que tem a certeza de que o rei e o bobo vêm aí porque lhe disse “Havias de gostar do meu reino!”

VI

FLASHBACK: O pastor explica, na gruta, onde fica o seu reino,onde todos são livres e felizes. O rei murmura que em toda a parte há tristeza e miséria e injustiças.

VII

Violeta diz a Reginaldo que vai receber o pai, apesar de o marido lhe pedir para não o fazer. Combina com o pastor fazerem o que estava há tantos anos pensado: receber o rei sem “revelar a identidade dela”.

VIII

O rei e o bobo chegam ao reino de Violeta e de Reginaldo sem saber que eles são os reis. O rei está cego mas reconhece o cheiro agradável de um reino onde se vive bem.

IX

O rei não se lembra do pastor e da gruta e afirma que não tem filhas (ou porque está velho e a ficar sem memória, ou porque prefere ignorar que algum dia as teve). O pastor recebe-os. O rei diz que cheira a… Entram Violeta e Reginaldo.

X

Cheira a violetas! O rei pensa que as vozes de Violeta e Reginaldo não lhe são estranhas. Continua a afirmar que é o rei da Helíria. Reginaldo diz ao rei que a Helíria já não existe: foi dividida em dois reinos e as duas irmãs expulsaram o pai e agora estão em guerra uma com a outra. O bobo acusa o pastor de ter contado tudo ao rei Reginaldo.

XI

O banquete de receção aos dois convidados começa. O rei recusa todos os pratos (javali, borrego, truta, …) que lhe trazem. Acha a comida intragável. Violeta revela que isso acontece porque a comida não tem sal. O rei ouve vozes antigas: “Quero-vos como a comida quer ao sal” e “Fora do meu reino, filha maldita!

E percebe tudo…