segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Um Deus passeando pela brisa da tarde - Mário de Carvalho

 Um Deus passeando pela brisa da tarde - Mário de Carvalho



I

Lúcio, o narrador, um senhor da terra, romano, observa Mara, a esposa de há muitos anos, a ralhar com as escravas. Lê a Tyrrenika, um livro (perdido) do imperador Cláudio sobre a civilização etrusca.

Houve um ataque dos mouros à região é só agora o narrador e Mara e os seus escravos voltaram às suas propriedades, depois de o inimigo ter sido expulso pela VII Legião Gémina (A legião nasceu em 10 de junho de 68 d.C., na província da Hispânia Tarraconense).

Lúcio recebe a visita da comitiva de Proserpino.

Proserpino acaba por não revelar ao que vem e Lúcio agradece que ele não tenha feito qualquer alusão ao que aconteceu no passado em Tarcisis, onde Lúcio foi magistrado, nem a Iunia Cantaber.

II

Lúcio conta o que aconteceu em Tarcisis!

Era imperador Marco Aurélio Antonino (161-180 d. C.), e Lúcio regia em duúnviro com Gaio Cecílio Trifeno, que morreu a ouvir Proserpino, durante as leituras públicas. 

Airhan, informador de Lúcio, avisa-o do perigo de um peregrino recém-chegado, Mélquion.

Convoca Pôncio e os principais homens-bons para se proceder à substituição de Trifeno e eles decidem que Lúcio Valério ficará sozinho a governar nos 6 meses que faltam para acabar o mandato. Pôncio parece dominar o grupo, mais do que o próprio Lúcio.

III

Lúcio numa sessão de leituras e debate cultural com Aulo, Calpurnio e Cornélio Lúculo. No final, Airhan avisa que os bárbaros do Sul atravessaram o estreito e dirigem-se ao sul da Lusitânia.

IV

Lúcio passeia à noite pela cidade com o escravo Lucidomo e percebe que o padeiro Rufo Glicínio Cardílio se quer candidatar ao cargo de edil.  Pareceu a Lúcio que o próprio amigo Proserpino estava entre a multidão que aplaudia Rufo.

Antes de regressar a casa, Lúcio constata ainda que as muralhas não estão em muito bom estado e que dificilmente resistirão aos ataques dos invasores mouros do Sul.

V

Lúcio tenta resolver o problema das muralhas frágeis, mas só encontra empreiteiros corruptos. Encontra também o poeta Cornélio Lúculo, que lhe pede desculpa por ter assistido ao comício de Rufo.

Pôncio não aceita que a sua casa seja destruída para ser integrada na muralha e acusa Lúcio de perseguição tirânica.

O senador Calpurnio, nas termas, fica escandalizado com a decisão de Lúcio.

Iunia Cantaber chega a Tarcisis, fugido com a família.

VI

Rufo vem a casa de Lúcio Valério apresentar a sua candidatura a edil (os 2 que  exercem estão no fim do mandato e são inaptos).

Pôncio suicida-se quando lhe começam a destruir a casa. Rufo acusa Lúcio de ser o causador da morte.

Aulo agride Rufo na sua taberna e Lúcio ralha com ele por ter agido sem a sua autorização!

Aulo sai com os seus homens da cidade. Aonde irá?

VII

Lúcio recebe uma carta anónima acusar Máximo Cantaber de práticas libidinosas e sacrifícios de animais e de crianças. A seguir um grupo de judeus vem fazer a mesma queixa contra Máximo.

Aula capturou o bandoleiro Arsenna.

Lúcio recebe um lúcio (um peixe é o símbolo dos cristãos, mal-vistos pelos judeus e pelos romanos)!  O peixe é o símbolo histórico do Cristianismo primitivo (o Ichthys).

VIII

Lúcio visita Máximo Cantaber. Descobre que ele não participa nos rituais cristãos de batismo. Quem o faz é a filha Iunia . A outra filha, Clélia, provoca Lúcio. 

IX

Lúcio recompensa com 100 sestércios alguns homens que capturaram um mouro, Arsenna, e o seu bando. Rufo recompensa-os com 400 sestércios e critica Lúcio por ter dado tão pouco.

Milquion e os cristãos são perseguidos por Rufo.

Bandos de mouros estão a aproximar-se de Tarcisis. Felizmente, as muralhas estão já arranjadas. Lúcio convoca á força os decênviros para os preparar para a defesa da cidade. 

Mataram todos os cães de Máximo Cantaber.

X

Lúcio visita Iunia para a tentar perceber melhor! Quando regressa, vai visitar o senador e escultor Calpúrnio, à casa sumptuosa deste!

XI

10 anos antes, Lúcio e uma delegação de homens de Tarcisis haviam ficado hospedados em casa de Calpúrnio em Roma, quando lá foram agradecer ao imperador Marco Aurélio, um donativo. Assistiram também aos jogos de gladiadores no circo máximo. Depois o imperador chamou Lúcio e criticou-o por não ter apostado e por manifestar desagrado pelo que tanto agrada ao povo: as lutas e o sangue.

XII

Na visita ao velho Calpúrnio, este acusa Lúcio de ser um mau duúnviro, por não querer saber dos gostos e das ideias do povo ignorante e bruto (como o faz Rufo), e de proteger os cristãos e estar enfeitiçado por Iunia.

Airhan, o espião de Lúcio, trabalha agora para Calpúrnio.

Cornélio Lúculo, o poeta bêbedo e frequentador de prostitutas, aparece morto, caiu do aqueduto, depois de sair da taberna de Rufo. Entre as roupas tinha um peixe morto. 

Aparece Iunia em casa de Lúcio a pedir autorização para visitar o preso salteador Arsenna.

No tribunal, Rufo e Proserpino apresentam uma acusação contra Máximo Cantaber, Iunia e os cristãos por práticas não romanas.

XIII

Lúcio suspende todos os julgamentos, a fim de concentrarem esforços na defesa da cidade de Tarcisis contra a invasão prevista dos mouros.

Clélia saiu às escondidas da cidade com o jovem amigo Vispásio e foi raptada por um grupo de mouros. Quando foi à procura dela, ao templete onde ela desapareceu, Lúcio subiu a um monte e viu milhares de mouros num descampado. À noite, um grupo de mouros a cavalo atirou uma pedra com o véu de Clélia para dentro das muralhas de Tarcisis.

XIV

Os milhares de mouros, esfomeados e sujos, atacaram Tarcisis, mas foram rechaçados por Rufo, Aulo e pelos soldados defensores. Calpúrnio recompensou Rufo como o grande herói. Um cristão, Squila, foi surpreendido por Lúcio a participar na defesa da cidade, por se recusar a aceitar que a invasão dos mouros era uma decisão de Deus. Clélia morreu queimada e o pai, Máximo, foi também morto pelos mouros.

XV

Para proteger Iunia e os cristãos da fúria dos habitantes de Tarcisis, instigados por Rufo, Lúcio ordenou que os prendessem no ergástulo do pretório, para serem julgados, quando estivesse resolvida a situação com os mouros.

Mara parece perceber a atração de Lúcio por Iunia.

XVI

A casa de Máximo Cantaber é incendiada.

Lúcio sente ciúmes da cumplicidade, nas masmorras, entre Iunia e o salteador e prisioneiro Arsenna.

Os milhares de mouros partiram, sem assaltarem a cidade, talvez porque algum tempo depois chegaram os militares da VII Legião e acamparam no mesmo local onde tinham estado os mouros.

Iunia e os cristãos mantiveram-se nas masmorras, apesar de Lúcio ter ordenado que os libertassem.

XVII

Aulo passa para os serviços de Calpúrnio. Mara informa Lúcio de que o poeta Cornélio escrevia poemas de amor a Galla, mulher de Calpúrnio.

XVIII

Lúcio é obrigado a avançar com o julgamento dos cristãos.

XIX

Os mouros foram expulsos para África pela Legião.

O julgamento dos cristãos avança! Estão presentes, Glauco, o chefe da Legião, Proserpino, o advogado de acusação, Calpúrnio, Aulo, Rufo. 

Todas os 15 cristãos escravos, incluindo o estrangeiro Mílquion são libertados. Os 3 juízes, incluindo Lúcio p, condenam Iunia à morte. Roma deverá confirmar esta condenação.

XX

Iunia é levada para Roma onde irá ser morta.

Rufo é adotado por Calpúrnio. 

Lúcio abdica e refugia-se com Mara na sua villa a alguma distância de Tarcisis. Calpúrnio morre e Rufo é nomeado duúnviro: organiza jogos e num deles Arsenna é esquartejado por mastins. 

A religião cristã desapareceu de moda e nunca mais se ouviu falar dela. De vez em quando, aparece um peixe desenhado por um ou outro jovem, nas paredes, que certamente não sabe o que simboliza: um Deus passeando pela brisa da tarde.