quarta-feira, 19 de agosto de 2026

A fúria - Alex Michaelides


Leo ouviu tiros e correu. Chegámos todos ao mesmo tempo ao local onde estava o corpo.

PRIMEIRO ATO

2 Lana Farrar, atriz com mais de 40 anos, depois de enviuvar do produtor Otto Krantz, deixou LA e foi com o filho Leo para Londres, onde se apaixonou por um empresário mais novo chamado Jason Miller. Por causa de uma conversa que teve com Leo decide convidar Kate e Elliot para irem para uma ilha grega, que Otto lhe tinha oferecido.

3 Kate Crosby, a melhor amiga de Lana, com mais de 40 anos, atriz a treinar contrariada para representar Clitemnestra, da peça Agamémnon, de Ésquilo, aceita o convite de Lana para irem passar a Páscoa à ilha grega.

4 A ilha tem só duas casas e um antigo anfiteatro em ruínas. A casa principal era de Lana e Otto. A outra era do caseiro Nikos, jovem viúvo, o único habitante de Mikonos (a 20 minutos de barco) que aceitou viver sozinho naquela ilha, chamada Aura, por Otto. O narrador desta história é Elliot, também convidado por Lana para esta estadia.

5 Elliot foi vítima, em criança, de violência doméstica, da mãe e do pai alcoólico. Casou com uma romancista, Bárbara West, bastante mais velha do que ele. Pôs em cena na Brodway uma peça de teatro, com imenso sucesso, em que expunha o quão ridícula era Bárbara.

6 Elliot vai no mesmo voo, por coincidência, com Kate e está, contrariada aceita ir sentada com ele. 

7 Já na ilha, depois de passarem por Babis, o fornecedor da cozinha, a pedido de Agathi, a governanta da casa da ilha.

Jason, Lana e Leo já lá estavam.

Kate foi rapidamente para o seu quarto e começou a snifar cocaína.

8 Agathi foi contratada por Lana e Otto: era empregada de mesa do restaurante de Babis. Passou de criada de Lana, em LA, para governanta e confidente. Tem agora cerca de 45 anos.

9 Nikos é um solitário que está há mais de 20 anos na ilha. A única pessoa de que gosta é Lana. Observa Jason (que ele despreza) a mergulhar na piscina e a conversar com Kate, já noite. Depois percebe que mais alguém os observou também!

10 Elliot é amigo de Lana e Jason não o suporta. Jason tenta convencer Lana a assinar um documento suspeito, mas ela não assina e diz para o mostrar ao seu advogado. Jason irá tentar mais tarde, depois do jantar.

11 Leo tem quase 18 anos. O último jantar alegre do grupo, animado com charros, antes do homicídio.

12 a 16 Cresce a tensão. Jason caça pombos. Vão à praia fazer um piquenique. Kate encontra-se com Jason e beijam-se: ela diz que acha que Lana sabe de tudo. Jason queixa-se de ter perdido dinheiro de investidores e que se Lana não lhe resolver o problema, vai para a prisão.

17 Para impedir que Jason matasse mais aves, Leo esconde-lhe as espingardas num baú. Elliot vê tudo.

18 Foram jantar ao Yalos, a Mikonos. Kate estava bêbeda e com um humor de cão. O vento começara a ficar furioso.

19 Regressam à ilha. Elliot vai para a varanda fumar um charro e Leo pede-lhe para dar uma passa. A seguir afasta-se para a escuridão da noite.

20 Leo foi para a praia e quando uma nuvem tapou o luar viu um ser parecido com um diabo. Quando a nuvem passou, percebeu que eram ramos de árvores empilhados.

21 A LANA FOI MORTA COM 3 TIROS!!

SEGUNDO ATO

1 e 2 Elliot confessa que foi ele que arruinou a vida de Lana e a sua. Revela que Lana, após decidir vir para a ilha, não telefonou logo a Kate e aos outros: demorou 24 horas!!

3 a 7 Agathi encontrou um brinco na lavandaria preso ao colarinho de uma camisa de Jason e entregou-o a Lana. Mas o brinco era de Kate e Lana descobriu que eram amantes.

8 Não confrontou Jason e foi beber um copo com Elliot.

9 Elliot propôs que Lana convidasse todos para a ilha e abrisse o jogo lá.

10 a 13 Lana, na ilha, ignora Elliot. Depois vê Jason e Kate a beijarem-se na praia. Elliot assiste a tudo.

14 e 15 Lana, depois do jantar no Yalos confronta Jason e diz-lhe, à frente de Kate, que ele tinha de se decidir por uma ou por outra. Jason ataca Elliot, em vez de responder a Lana.

16 Nikos sonha com Lana. Ela aparece à porta dele, de repente, e pede-lhe ajuda.

17 e 18 Kate acusa Elliot de querer ficar com Lana. Nikos exige que Lana o beije para fazer o que ela lhe pede. Depois, quando Lana está sozinha, ouvem-se 3 tiros: Lana cai morta no chão.

19 Quem matou Lana?

TERCEIRO ATO

1 a 13 Elliot teve uma infância de sofrimento: foi vítima violenta de Bullying, desprezado pelo pai, fugiu para Londres aos 17 anos, para ser ator, mas ficou sem dinheiro, dormiu num cemitério e entregou-se a Bárbara West. Em criança apaixonou-se pela atriz Lana e conheceu-a em adulto, em casa de Bárbara. Tornaram-se amigos e ele começou a desejar um dia casar com ela. No dia em que a ia pedir em casamento, Lana conheceu Jason, que namorava com Kate. Casaram e Elliot descobriu alguns anos depois que Jason tinha um caso com Kate. Tentou por vários meios fazer com que Lana descobrisse e como não conseguiu, recorreu ao estratagema do brinco!

14 Na ilha de novo: Elliot e Agathi ficam sozinhas com o corpo de Lana. E Lana começa a mexer-se: afinal não morreu, foi uma encenação dela e de Elliot? Agathi fica chocada e foge dali. Jason, Léo e Kate tinham ido ver das armas!

QUARTO ATO

1 Foi tudo encenado e combinado entre Elliot, Lana e Leo, para que Kate e Jason se revelassem quando este fosse acusado do crime!

2 Lana vê Jason indiferente à sua morte e decide acabar com a encenação. Elliot confessa-lhe que a ama e que se quer casar com ela. Ela dá um gargalhada e Elliot vai-se embora.

3 a 6 Elliot diz a Kate que Jason matou Lana e Nikos para o incriminar. E que Jason tinha criado várias empresas falsas e que tinha usado o nome de Lana para tentar resolver os seus problemas financeiros. A seguir, Elliot deu um revólver a Kate e esta foi à procura de Jason.

7…


quarta-feira, 12 de agosto de 2026

O estrangeiro - Albert Camus


 A principal mensagem de O Estrangeiro, de Albert Camus, é a confrontação do ser humano com o absurdo da existência: a vida não tem necessariamente um sentido ou uma finalidade que possamos descobrir, apesar de procurarmos constantemente esse sentido.


Meursault é a personagem através da qual Camus explora essa ideia.


1. Meursault não aceita fingir


Meursault é estranho sobretudo porque recusa as convenções emocionais e sociais. Não finge sentir aquilo que a sociedade espera que ele sinta.


O exemplo mais evidente é o funeral da mãe: preocupa-se com o calor, o cansaço, o sono, o cigarro, o café — mas não demonstra o sofrimento que os outros considerariam “adequado”.


E é significativo que, no julgamento, o seu comportamento no funeral pareça quase tão condenável como o próprio crime. A sociedade não o julga apenas pelo que fez, mas por não corresponder às expectativas sobre como uma pessoa “normal” deve sentir-se.


2. O absurdo


Para Camus, existe um conflito fundamental:


Nós queremos que a vida tenha sentido, mas o universo não nos oferece uma resposta.


É esse conflito que constitui o absurdo.


Meursault acaba por perceber isso de forma radical quando enfrenta a morte. Compreende que todos estamos condenados à morte, independentemente de termos vivido uma vida boa, má, longa ou curta.


3. O final é essencial


No final, Meursault deixa de procurar uma explicação para a existência. Aceita que o mundo é indiferente aos desejos humanos.


E essa aceitação produz uma espécie de libertação.


Ele percebe que não precisa de inventar uma finalidade para a sua vida nem de acreditar numa ordem superior que justifique tudo. Pode simplesmente aceitar a existência tal como ela é.


4. A grande ironia do livro


Meursault é considerado um “estrangeiro” porque parece estranho à sociedade. Mas Camus sugere uma questão mais profunda:


será Meursault realmente mais estranho do que os outros, ou será apenas mais honesto acerca da condição humana?


Os outros personagens procuram sentido, moralidade, explicações, sentimentos socialmente aceitáveis. Meursault, pelo contrário, confronta a realidade sem essas ilusões.


Por isso, eu resumiria a mensagem do livro assim:


A existência humana não tem necessariamente um sentido pré-estabelecido. Perante esse absurdo, a única resposta verdadeiramente livre é aceitar a realidade, a morte e a própria condição humana sem ilusões.


E é precisamente aí que o livro deixa de ser apenas a história de um homem indiferente e passa a ser uma reflexão filosófica sobre como devemos viver quando descobrimos que o universo é indiferente a nós.

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Mentiras de mulher - Ludmila Ulitskaya

Maio: Génia e o filho Sachka, de 3 anos, numa casa grande de férias, pertencente a Dora Surénovna.

Génia passa os inícios de noite no terraço da ruiva inglesa Irene Leary, mãe de Donald, de 5 anos, e filha da velha Susie. Conversam e bebem portwein! Irene gosta de ler as cartas!

Numa noite, Irene conta que teve dois filhos que morreram: o primeiro bebé com o cordão umbilical; a segunda menina, Diana, com cerca de 5 anos, com febre, quando a própria Irene adoeceu, durante meses.

Noutra noite, conta que depois casou com o professor de música Gueorgui e teve 2 gémeos, Alexander e Iákov: morreram os 3 num acidente, abalroados por um camião, quando iam a caminho do hospital, porque Irene estava com as suas enormes crises de alergias. Viviam em Moscovo.

Chegaram de Moscovo ao hotel Vera com Valentin, a ex-mulher deste, com o filho mais velho. Com Vera vinham o filho dela com Valentin e outra criança, mais velha, filha do seu primeiro marido.

E, num passeio, Vera, que foi sempre vizinha de Irene, conta a Génia que Irene teve muitos amantes, mas que nunca teve qualquer filho.

Génia, atordoada pelas mentiras de Irene, agarra em Sascha e partem para outra casa de férias, em Nóvi Svet.

Em Novi Svet, Génia toma conta de 4 crianças, incluindo o filho. Uma delas é Nádia, de 10 anos, que parece inventar que tem um irmão, Iura, que descobriu quem era um criminoso através do retrato robô, e que viu um disco voador que queimou um bocado de terreno, atrás da horta.

A mãe de Nádia, Anna Nikitichna, revela que não existe nenhum Iura, mas que é verdade que Nádia desmascarou o criminoso. Quanto ao disco voador…

O fim do argumento

Génia está com os dois filhos, Sachka e Grichka, e escreve. Tem 35 anos. Está na Rua Povarskaia,em Moscovo. Expulsou há muito tempo o segundo marido de casa, porque se apaixonou por um encenador inacessível. Meados dos ano 1980.

Uma das suas sobrinhas, Liália, de 13 anos, filha de Stella e de Konstantin Mikháilovitch, apaixonou-se pelo tio pintor, primo de Génia. Visita-o quando Mila, a mulher dele, ginecologista, está a trabalhar e Dacha vai para a escola. E Liália falta à escola para se encontrar com o tio e por vezes para vir desabafar com Génia.

Génia confrontou Arkádi, o pintor, e este confessou que tinha uma amante, mas que não era Liália, nem tão nova…

Génia confronta Liália com a verdade e ela desaparece durante vários anos.

Um fenómeno da natureza

A jovem Macha conhece a velha professora Anna Veniamínovna. ESta convence-a de que também escreveu poemas e lê-lhos). Macha, depois da morte de Anna, graças a Génia, descobre que aqueles poemas pertencem a poetas famosos.

Um caso feliz

Génia foi à Suíça entrevistar prostitutas russas para que o seu amigo Michel fizesse um documentário: Tamar, Lada,… todas contavam a mesma história, menos Liúda! No final, Michel acabou por morrer sem nunca fazer o documentário.

A arte de viver

Desde a infância que Génia detestava a farmacêutica Lília Apothekmann. Viviam na mesma praceta. Agora Lília tinha um AVC e Génia tomava conta dela, porque ela tinha encontrado um medicamento que ajudara a aliviar a doença da mãe de Génia, há uns anos. E depois Lília nunca mais a largou nem à mãe, que entretanto foi levada pelo cancro.

Havvah farta-se de pedir dinheiro a Génia e nunca o devolve.

Génia já tem mais de 50 anos. Vive com Kirill, o segundo marido, de quem esteve separada duas vezes, e com os 2 filhos, Sachka e Michka.

Génia tem um acidente e…



sexta-feira, 7 de agosto de 2026

A Paixão Segundo G. H. - Clarice Lispector

A principal mensagem de A Paixão Segundo G. H., de Clarice Lispector, é a confrontação do ser humano com aquilo que existe de mais primitivo e essencial em si mesmo, quando todas as suas certezas — identidade, valores, estatuto social e racionalidade — começam a desmoronar.

G. H., uma mulher de classe alta, entra no quarto da empregada e encontra uma barata. O encontro, aparentemente banal, transforma-se numa experiência quase existencial: ao observar e finalmente entrar em contacto com a barata, G. H. é obrigada a confrontar uma forma de vida que lhe provoca repulsa, mas que também lhe revela algo sobre a sua própria natureza.

O que a barata representa?

A barata simboliza uma existência anterior às distinções humanas: não é bonita nem feia, não é moral nem imoral, simplesmente existe. G. H. percebe que também ela é, no fundo, matéria, vida, corpo — e que a identidade sofisticada que construiu para si mesma é apenas uma camada superficial.

Por isso, a experiência é tão perturbadora: para se encontrar, G. H. precisa primeiro de perder a imagem que tinha de si própria.

E o sentido da "paixão"?

O título remete para a Paixão de Cristo: há uma espécie de morte e sofrimento, mas também uma transformação. G. H. passa por uma experiência de "morte" simbólica do seu antigo eu e aproxima-se de uma espécie de renascimento.

Mas Clarice subverte a ideia tradicional de transcendência: G. H. não encontra Deus simplesmente "acima" dela. O absoluto está justamente na matéria, no corpo, na vida mais elementar.

Em resumo

Eu diria que a mensagem fundamental é:

Para descobrir quem somos verdadeiramente, talvez tenhamos de abandonar a identidade que construímos e aceitar aquilo que em nós é mais primitivo, corporal e inexplicável.

E é precisamente isso que torna o livro tão desconfortável: G. H. não vence a barata; ao aproximar-se dela, descobre que aquilo que rejeitava como "inferior" também faz parte dela.