Se não sentires a poesia, se não sentires a beleza de uma obra, se uma história não faz com que queiras saber o que acontece a seguir, então o autor não escreveu o livro para ti.
segunda-feira, 30 de agosto de 2021
As cores do assassino - Sarah J. Harris
terça-feira, 17 de agosto de 2021
Uma Abelha na Chuva - Carlos de Oliveira
UMA ABELHA NA CHUVA- Carlos de Oliveira
1953
O filme vale por alguns planos, especialmente os da chuva e do lago. E pelas personagens sinistras dos assassinos, o cego Mestre António, pai de Clara, e o Marcelo. Mas não transmite bem o que é fulcral no romance: os desejos e os sonhos de Maria dos Prazeres (com o cocheiro Jacinto e com o cunhado ausente, Leopoldino) e a extensa culpa social e moral de Álvaro Silvestre.
UMA ABELHA NA CHUVA Carlos de Oliveira 1953
“Ergueu-se de repente, afastando o xaile e a manta de viagem. Lavrava o incêndio dentro dela. Arrancou o chicote das mãos do ruivo e uma vez, duas vezes, uma dúzia, malhou no lombo da égua até poder; então, senhora, então, senhora; o chicote descia da treva, silvo furioso que a luz da lanterna transformava em golpe e dor visível, a égua afocinhava mas lá ia puxando, trôpega e dorida; Álvaro Silvestre emergiu do seu meio sono, esfregou os olhos para ver se era verdade ou mentira aquilo, e a meio da charrete, com as lágrimas em baga pela cara, os cabelos soltos, manchada do oiro baço da luz, de facto era ela, bela, quase terrível:
− Acaba, acaba, acaba, acaba...”
“Por hábito, lançou os olhos às colmeias, que lhe ficavam mesmo em frente, dez ou doze metros, se tanto, e viu uma abelha voar da Cidade Verde. Baptizava as colmeias conforme a cor de que as pintara, Cidade Verde, Cidade Azul, Cidade Roxa. A abelha foi apanhada pela chuva: vergastadas, impulsos, fios do aguaceiro a enredá-la, golpes de vento a ferirem-lhe o voo. Deu com as asas em terra e uma bátega mais forte espezinhou-a. Arrastou-se no saibro, debateu-se ainda, mas a voragem acabou por levá-la com as folhas mortas.”
PDF e apreciações críticas do livro no seguinte link:
https://www.cm-cantanhede.pt/mcsite/media/biblioteca/UmaAbelhaNAChuva_CarlosDeOliveira.pdf
Filme:
segunda-feira, 16 de agosto de 2021
Tempos Duros - Mario Vargas Llosa
2 - Enrique e o dominicano conversam sobre os seus planos, na Direção Geral de Segurança, e decidem ir beber um copo ao bordel.
3 - O coronel Jacobo Arbenz Guzmán (1951-1954) saiu vitorioso nas eleições gerais de 1950, apoiado por uma coalizão de partidos de esquerda tendo deixado de beber. Tinha sido ministro da Defesa de Arévalo. Casado com a salvadorenha Maria Cristina Vilanova, com quem tinha 3 filhos. Foi acusado de mandar matar o conspirador Francisco Javier Arana por Castillo Armas.
4 - Enrique e o dominicano conspiram e falam das segundas damas: a Dona Marta Borrero (a amante) e a Palomo (mulher de Castillo Armas)
5 - Castillo Armas conspira com os americanos para pôr fim à pretensa ameaça comunista do governo de Arbenz Gusman. O golpe de estado será a 18 de junho de 1954. A United Fruit e o relações públicas Bernard tiveram sucesso a espalhar a mentira da ameaça comunista, primeiro com Arévalo e agora com Arbenz Gusman.
6 - Enrique e o dominicano parecem ser verdugos que torturam prisioneiros políticos para os fazer falar.
7 - Trujillo, o generalíssimo da República dominicana, e Johnny Abbes Garcia, o ex-jornalista e verdugo dominicano que o serve para o trabalho sujo. Trujillo está indignado porque ajudou Castillo Armas e o exército liberacionista a libertar a Guatemala do comunismo de Arbenz e ele não quis celebrar a vitória com ele, no Estádio Nacional da Guatemala por ser “impróprio”. Além disso, Castillo Armas falou mal do seu filho Ramfis, o general: Trujillo quer garantir que o general Miguel Ydígoras Fuentes suba ao poder na Guatemala. Castillo Armas não cumpriu nenhuma das 3 coisas que há 2 anos prometeu a Trujillo: prender o General Miguel Ángel Ramírez Alcántara, que dirigiu a Legião das Caraíbas, criada por Arbenz; restabelecer as relações diplomáticas entre a Guatemala e a República Dominicana e celebrar com ele publicamente a vitória;
8 - Enrique e o dominicano.
9 - Arbenz aprendeu com María Cristina Vilanova que só a Reforma Agrária, a distribuição de terras pelo povo, tornaria a Guatemala num país democrata e sem desigualdades sociais, como os USA. Contudo, o que vingou foi a desinformação de que na Guatemala iria vigorar um regime prõ-soviético. Um novo embaixador americano chega para o impedir: John Emil Peurifoy.
10 - Enrique e o dominicano entram no Palácio Nacional para matar o presidente?
11 - Martita Borrero Parra, filha de Arturo Borrero Lamas, mulher de Éfren García Ardiles, foge de casa e rejeitada pelo pai, vai ao Palácio Nacional falar com o Presidente Castillo Armas. Tornar-se-á a sua amante
12 - Enrique, no Palácio Nacional, mata um soldadito e fica com o caminho livre.
13 - 1854 - Golpe de Estado de Castillo Armas contra Arbenz. 1855: Éfren foi visitado pelos soldados de Castillo Armas para lhe confiscarem livros e documentos. Martita, mãe do seu filho de 5 anos, é há 8 meses amante do presidente. Éfren não entende o elogio e a proteção dos USA a Castillo Armas, que tão mal tratou Arbenz e perseguiu e matou milhares de pretensos guatemaltecos comunistas.
14 - Enrique e o dominicano matam o Presidente? E quem é a Dona que Enrique diz ao dominicano para a levar no prazo de uma hora porque a vai mandar prender?
15 - Enrique Trinidad Oliva, tenente-coronel encarregado de todos os organismos de ordem pública e da salvaguarda do regime, a sentir-se injustamente preterido no governo de Castillo Armas, preso no tempo de Arbenz, por conspirar contra o regime democrático. O dominicano é Johnny Abbes García, verdugo ao serviço de Trujillo, para derrubar Castillo Armas. Abbes Garcia cai nas boas graças de Martita, Miss Guatemala, amante e influenciadora de Castillo Armas. Conhece o homem da CIA na Guatemala, Mike Laporta e apresenta-o a Marta.
16 - Enrique, o dominicano Abbes e Mike Laporta combinam os passos seguintes, depois do assassinato de Castillo Armas. Marta terá de ser evacuada, antes que a prendam.
17 - Marta e Castillo fizeram amor. Marta pensa na curiosidade que sente relativamente ao gordo e nada atraente Abbes García. Castillo fala-lhe das suspeitas de que os seus protegidos o andam a enganar. Castillo tinha divorciado Marta de Éfren. A sua rival era Odilia Palomo, a esposa de Castillo. A política continuava a interessar-lhe muito. A pedido de Abbes, arranja-lhe um encontro com Castillo Armas, na manhã seguinte: Abbes diz a Castillo que Arévalo e Arbenz conspiram com a URSS para o matar e oferece a ajuda de Trujillo para os matar. Castillo prefere mantê-los vivos.
18 - Castillo foi morto com dois tiros. O soldado morto é acusado de se ter suicidado depois de o matar. Enrique Trinidad Oliva mande prender Marta. Estamos a 26 de julho de 1957.
19 - Marta é levada por Gacel para um hotel em El Salvador, onde Abbes García a esperava para a violar.
V20 - Enrique é acusado pelo Coronel Castañino Gamarra de ter participado no magnicídio. Irá cumprir uma pena de dois anos de prisão.
21 - Versão da morte, por Castillo Armas.
22 - Enrique está preso 5 anos. Quando sai, miserável, pede ajuda ao turco Kurony que o contrata como chefe de segurança dos seus casinos. Miguel Ydígoras Fuentes é, de 23 de março de 1958 a 1963, o presidente da Guatemala, depois de 4 presidente interinos.
23 - Marta, amante agora de Abbes, trabalha como jornalista de opinião na rádio La Voz Dominicana, contra os comunistas sul-americanos e contra a junta que sucedeu a Castillo Armas. Foi convidada para jantar com o Presidente irmão do Generalíssimo Trujillo. Ele propõe-lhe pagar-lhe para ela ser a sua puta. Ela morde-lhe uma orelha, é presa e libertada pelo Generalíssimo. Terá de fugir, porque o Negro Trujillo, irmão do Generalíssimo, a mandará matar certamente. Mike irá ajudá-la.
24 - Enrique sobe como capanga do turco, dono dos casinos e traficante de cocaína colombiana.
25 - A renúncia de Arbenz, em 1954, e o seu discurso a negar o pretenso comunismo, apregoado por Castillo Armas, pelos americanos e pelo embaixador John Emil Peurifoy.
https://www.historiagt.org/transcripciones/item/107-discursoarbenz
26 - Enrique, oculto sob o nome Esteban Ramos, refugia-se no México, convencido de que o andam a seguir, apesar de o Turco Kurony o negar.
27 - Após o discurso de Arbenz, Peurifoy, o embaixador americano, conseguiu elevar Castillo Armas a presidente. Alguns países condenaram os Estados Unidos por organizaram o golpe de estado. Peurifoy morreu com os filho num acidente contra um camião, um ano depois, na Tailândia, onde era agora embaixador. Deixou viúva.
28 - No dia em que ia partir de avião para o México, o carro de Enrique explode com ele: março de 1963, pouco antes do golpe que depôs Miguel Ydígoras Fuentes e levou Enrique Peralta Azurdia para o governo.
29 - Éfren visita Arturo que está de cama com cancro terminal. Troncito tem 11 anos. Arturo não o reconhece como neto.
30 - Atentado na República Dominicana: Trujillo é morto. Ramfis, o filho, fica chefe militar e Joaquín Balaguer o presidente. Abbes García é obrigado a exilar-se como embaixador (sem pasta) em Tóquio.
31 - O mártir Crispin Carraspiña cadete da Academia Militar herói na luta contra os liberacionistas de Castillo Armas.
32 - Os Tonton Macoute de Papa Doc executam Abbes, a mulher Zita e as duas filhas, os cães e as galinhas e queimam a casa (em Port au Prince) por Abbes ter conspirado contra ele, a pedido da irmã mais velha de Baby Doc.
33 - Vargas Llosa conversa com Marta Borrero Parra / Glória Bolaño Pons com 80 e tal anos em sua casa em Langley, perto de Washington DC. Uma das dúvidas que ela instala é se Abbes García não viverá ainda, também nos USA e se a sua morte no Haiti não terá sido encenada pelos americanos.
domingo, 15 de agosto de 2021
Os homens que amaram Evelyn Cotton - Frank Ronan
quarta-feira, 11 de agosto de 2021
Nada - Carmen Laforet
Numa Espanha franquista dos primeiros anos do pós-guerra, ancorada na tradição e agressivamente suspeitosa a qualquer novidade «ideológica» surge o romance de estreia de uma jovem autora desconhecida que revolucionará a literatura e agita a sociedade da época.
Nada é a história de Andrea, rapariga estranha e de conduta insólita.
Chegada a Barcelona para começar uma nova vida, como estudante universitária de Letras, Andrea penetra no submundo da Rua Aribau, onde a sua família pobre e enlouquecida vive os anos cruéis da ocupação franquista da cidade. Ao longo de um ano Andrea vive a sua «educação sentimental», no meio de personagens ambíguas e conturbadas, empurrada por um desejo de liberdade que repele as normas da conduta correcta, ao mesmo tempo que descobre a cidade e o seu próprio caminho para a vida adulta.
PRIMEIRA PARTE
Família de Andrea, na casa da Rua de Aribau: a avó anciã; os tios Juan e Ramón; a tia Angustias; Gloria, a mulher de Juan, que tem um filho pequeno; Antonia, uma criada feia e sinistra.
A tia Angustias exige obediência. Considera Gloria uma mulher nada conveniente.
Ramon tem um cão é um papagaio. Trata com desprezo a cunhada Glória e com superioridade o irmão Juan. Gloria diz que Juan é muito bom homem. Serve-lhe de modelo: ele é um pintor medíocre.
Andrea veio da aldeia, onde vivia com uma prima, Isabel. Fumava para a escandalizar e para ela a deixar vir para Barcelona.
IV - A avó conta que teve 6 filhos. Juan e Ramón eram os mais novos. Juan esteve muitos anos no exército no Tércio, em África. Ramón teve um caso com a cunhada Gloria?
Roman era um espião nacionalista infiltrado nos comunistas. Induziu Juan a tornar-se nacionalista também. A família começou a não querer que Juan se casasse com Gloria, mesmo depois de ter o filho.
V - Andrea começa a estudar na universidade e conhece Ena e Pons. Ena diz que conhece o tio de Andrea, Román, o violinista famoso (Andrea fica surpreendida, mas não quer os dois mundos misturados.
VI - Andrea oferece um lenço a Ena. Ramón diz a Angustias que foi Gloria que o roubou. Andrea fica deprimida com esta família.
VII - Angustias, que trabalha(va) para Don Jerónimo, foi fazer uma viagem. Andrea mudou-se para o quarto dela. Ramón perturba Andrea repulsivamente. Ena telefona-lhe.
VIII - Angustias regressa. Informa Andrea que vai ingressar num convento e que ela vai ficar com o quarto dela e a receber ela própria a sua pensão (penso que Andrea é órfã).
IX - Angustias parte. Ramón tem pena de ir deixar de ler as cartas de amor de Don Jerónimo e o diário dela. Juan acusa-a de nações ter casado com Don Jerónimo e de depois ter sido seu amante, sendo ele casado, e agora não aceitar ficar com ele e decidir ir para o convento. Andrea antevê uma vida de liberdade, que Angustias não lhe dava.
SEGUNDA PARTE
X - Jantar em casa de Ena e da família dela. Um passeio noturno, interrompido por um jovem que estava no jantar: Gerardo. Regresso a casa e constatação de que não teria tanta liberdade em casa e no quarto como antevira.
XI - A coça de Juan a Gloria.
XII - Os passeios de Andrea com Ena e Jaime. As pequenas zangas com Ena. O passeio com Gerardo e o primeiro e desagradável beijo. A visita de Ena a casa de Andrea: Ena a ouvir Román a tocar violino.
XIII - Andrea conhece os amigos de Pons, irmão de Ena. Entre eles o pintor Guíxols.
XIV - A reconciliação de Ena com Andrea.
XV - O filho de Juan e Gloria está doente. Juan vai trabalhar e regressa. Gloria não está. Juan persegue-a pelas ruas de Barcelona, seguido por Andrea. Barrio Chino, depois de andar à bulha com uns fulanos, descobre Gloria: ela joga cartas na tasca da irmã para ganhar o dinheiro que Juan não consegue com os seus quadros: ele parece perdoar-lhe e voltam os três para casa.
XVI - Jaime dá um recado a Andrea para Ena. Itudiarga, um amigo do grupo do pintor Guíxols, diz que se apaixonou por uma eslava que estava num cabaré, com um acompanhante estranho. Era Ena com Román.
XVII - Pons está apaixonado por Andrea. Ela gostaria de se sentir assim por ele. Andrea ouve Gloria eRomán a conversar exaltados: ele quer que ela vá para a cama com ele e diz-lhe que Ena não o satisfaz. Andrea deseja convencer Ena a evitar Román. Este está há 3 dias fechado no quarto, a compor música e tão deprimido que mordeu na orelha de Trueno, o seu cão.
XVIII - Andrea foi ao baile a casa do rico Pons, mas a sua história de Cinderela não correu bem: ele e a família tiveram vergonha dela por estar tão pobremente vestida. Quando regressou a casa, a mãe de Ena estava à espera dela.
XIX - A mãe de Ena confessa a Andrea que esteve apaixonada doentiamente por Román. Que ele a desprezou por ela lhe obedecer como um cão. Pede ajuda a Andrea para libertar Ena do domínio de Román.
XX - Nova briga entre Juan e Gloria: Juan está cada vez mais deprimido e agressivo. Ena está no quarto de Román. Andrea escuta-os: eles discutem, ela entra, Ena parece feliz por a ver. Andrea vê Román com um ar tão tresloucado que decide fugir dali.
XXI - Ena segue Andrea e confessa que gosta muito dela e de Jaime. E que só está com Román para o provocar e para o enlouquecer, para se vingar do mal que ele fez à sua mãe.
XXII - Andrea fica sozinha: Ena e Jaime saem de Barcelona. Román suicida-se, degolado.
XXIII - Andrea dorme dois dias. Chegam duas tias abutres e vão embora depois do luto.
XXIV - O ambiente na casa deteriora-se. Gloria quer encerrar Juan num manicómio. Andrea recebe uma carta de Ena.
XXV - Andrea parte para Madrid, para viver na casa de Ena e trabalhar para o pau dela. Ena irá certamente casar-se com Jaime.
segunda-feira, 2 de agosto de 2021
A Mancha Humana - Philip Roth
Faunia trabalha numa ordenha. Ela e Coleman estarão mortos daqui a 4 meses.
A Nossa Casa é Onde Está o Coração - Tony Morrison
SINOPSE
Frank Money regressa da guerra da Coreia em luta com os seus fantasmas. É um homem perturbado por um profundo sentimento de culpa pelas atrocidades que se viu obrigado a cometer e pela relutância em voltar à sua cidade natal na Georgia, onde deixou dolorosas memórias de infância e a pessoa que lhe é mais querida, a irmã.
Mas quando recebe uma carta avisando-o de que Cee corre risco de vida, Frank regressa, atravessando uma América dividida pela segregação. Através desta viagem, e da viagem interior que o protagonista vai fazendo, a autora dá-nos a definição do que é o lar, o lugar onde estão os nossos afetos, numa combinação entre a realidade física e social e a subtileza psicológica e emocional.