quinta-feira, 28 de dezembro de 2023

Travessuras da menina má - Mario Vargas Llosa


Miraflores, Peru!

As duas falsas chilenitas: Lily e Lucy, de 14 e 13 anos.  Ricardo Samocurcio declara-se 3 vezes à menina má, Lily, que simpatizava muito com ele, mas nunca cedeu ao rapaz que estava apaixonado como um bezerro.

A 30 de março, são desmascaradas pela tia chilena de Marirosa, na festa de anos desta. 

Ricardo faz 15 anos nesse verão. É órfão: os pais morreram num acidente de carro. Vive com a tia Alberta.

II

PARIS: Jean Paúl o gordo recrutador de jovens peruanos que recebem bolsas da China para fazer a revolução e transformar o Peru na segunda Cuba. 

Ricardo procura emprego. Reconhece em Arlette, uma das aspirantes a revolucionária, a menina má. Passa uma semana com ela, faz amor come ela no sexto dia: ela continua aparentemente indiferente à paixão dele, mas percebe-se que gosta dele, apesar de ter outros objetivo: um deles é evitar regressar a Cuba e escapar ao MIR, que a recrutou. Ricardo pede a Paúl, mas este diz-lhe que não pode fazer nada e Arlette parte para o Peru.

Ricardo é contratado como tradutor para a empresa do espanhol Charnés, a trabalhar para a Unesco. Ao fim de seis meses, Paúl diz-lhe que Arlette é amante do comandante da revolução, Chacón.

Paúl informa Ricardo que vai deixar de ser embaixador do MIR em Paris e no mundo e vai para o Peru, participar na revolução. A mulher e o filho já partiram e ele irá em breve.

Ricardo tem um breve caso com a cantora espanhola Carmencita, mas desiste quando a vê nos braços de outro homem.

A tia Alberta morre e deixa a herança a Ricardo: a vida em Paris vai passar a ser mais fácil, porque ele vai poder comprar um pequeno apartamento. Compra uma viagem de ida e volta para Lima e vai à Unesco informar o chefe: encontra, na escadaria, Arlette, que se apresenta como esposa do diplomata francês Robert Arnoux.

Combina encontrar-se com Ricardo, no dia seguinte, em Les Deux Magots. Encontram-se e ela pergunta-lhe se ele ainda gosta dela e se percebe que poderia estar casado com ela se não a tivesse deixado ir para o Peru. Ele sabe que um simples tradutor não serviria os objetivos dela. Ela nega ter sido amante do comandante Chacón. Ele diz-lhe que sabe que o casamento é um expediente que lhe serviu para sair do Peru. Ela diz que quer ver se em dois anos ganha a nacionalidade francesa. Despedem-se com um beijo e combinam encontrar-se quando ele regressar do Peru. (Ver página 60)

LIMA Março de 1965, pouco antes de completar 30 anos.

O MIR quer acabar com a exploração dos trabalhadores e com o governo  eleito democraticamente de Belaunde Terry, mas subordinado ao imperialismo americano. O doutor Ataúlfo Lamiel prevê que a única coisa que o MIR vai conseguir é provocar um golpe de estado e surgir uma ditadura militar para defender Peru do comunismo (como virá a acontecer).

PARIS Assim que regressa telefona a Madame Arnoux e pede-lhe que o ajude a procurar um apartamento. Passa uma das semanas mais felizes da sua vida: ela promete-lhe que o estrearão quando se mudar para lá. Fazem amor pela segunda vez. (Página 66).

Nesse mesmo dia conhece o marido dela. Acha-o feio e velho, apesar de culto. Passam depois menos tempo juntos, vão ao cinema e passeiam.

Só voltam a fazer amor um mês depois quando ela volta de uma viagem à Suíça com o marido.

Ela viaja muito com o marido. Este não é rico, mas misteriosamente ela anda sempre com jóias e com vestidos caros.

Um dia ela alegre diz a Ricardo que terão um fim de semana só para eles porque o marido irá viajar à Polónia. Mas a alegria é atenuada pela notícia da morte dos revolucionários no Peru, onde estaria Paúl, o amigo de Ricardo. E ela diz-lhe que eles não resultariam porque ele é um acomodado e ela quer sempre mais.

E de facto ela abandona o marido diplomata e desaparece de Paris. Este conta a Ricardo que ela fugiu com todo o ginjeira que tinha, numa conta conjunta na Suíça e que estava muito desiludido e magoado porque tinha corrido muitos riscos para a tirar do Peru.

Onde estará ela agora? Dela só tem a escova de dentes Guerlain.

3 de outubro de 1968: golpe de estado no Peru: início de uma ditadura que vai durar 12 anos.

III

LONDRES substitui Paris: o movimento hippie e as drogas, os Beatles e os Rolling Stones; Ricardo frequenta Londres e a vida e o amor livre.

O amigo hippie Juan Barreto conhece a viúva Mrs. Stubard e esta protege-o. Um sobrinho dela apresenta-o ao mundo rico dos cavalos e ele torna-se retratista de cavalos, em Newmarket, ganha bastante dinheiro e compra um pequeno pied-à-tierre em Earl’s Court, onde Ricardo fica quando vem a Londres.

A menina má é agora Mrs. Richardson: o marido é rico e ciumento.

Durante 2 felizes anos Ricardo e ela encontram-se no Russell Hotel, em Londres. Ela chega a dar a entender que o quer muito (página 133).

Juan Barreto morre com sida, doença ainda desconhecida.

A menina má viaja muito para o oriente e desaparece algum tempo. Quando reaparece, o marido terá descoberto que ela já tinha sido casada, está a divorciar-se e receia ficar sem nada e até ir para a prisão. Ricardo promete protegê-la.

IV

SALOMON TOLEDANO, o intérprete turco talentoso que se torna o amigo de Ricardo até 1979 e de que pouca gente gosta. Acusa os tradutores e os intérpretes de não deixarem obra.

1974 A menina má telefona a Ricardo a dizer que vai desaparecer porque se divorciou e ficou sem nada e receia que o primeiro marido a denuncie.

1979 Toledano parte para Tóquio: vai ser intérprete da Mitsubichi.

1980 Acaba a ditadura no Peru: Fernando Belaunde Terry é reeleito. O tio Ataúlfo vem a Paris. Ricardo tem 45 anos.

Começa a rebelião Maoista do Sendero Luminoso (PC do Peru) que vai durar 10 anos e sessenta mil mortos e desaparecidos.

Toledano escreve de Tóquio e envia cumprimentos da menina má (ver final da primeira temporada da série televisiva).

Ricardo consegue ir à Tóquio, depois de um trabalho em Seul, e de receber um telefonema dela. Toledano e a amada Mitsuko ajudam-no a encontrar-se com Kuriko, a menina má, agora companheira de um rico negociante japonês, o senhor Fukuda.

Encontram-se: ela conta que viveu num quarto exíguo, dois anos, como amante e “mula” de Fukuda (principalmente de pó afrodisíaco de corno de rinoceronte) e que agora vive com ele. Ele usa-a, não a ama, e ela sente-se viciada naquela perigosa e excitante.

Vai com Ricardo ao Château Meguru, uma casa de encontros secretos, em Tóquio, para o alegrar. Ele chora de emoção. Ela anima-o e exige sexo oral, como sempre.

Mitsuko telefona a Ricardo para se encontrarem. 

Kuriko telefona logo a seguir a dizer que contou a Fukuda que estava um amigo peruano em Tóquio e ele autoriza Kuriko a servir de guia turístico a Ricardo e quer que vá jantar com eles e ao teatro. 

Depois do teatro, ela leva-o para o quarto. Pela primeira vez, ela chupa Ricardo: nesse momento, Ricardo vê Fukuda na penumbra do quarto a observá-los. Ricardo diz a Kuriko e ela diz-lhe para se acalmar e continuar o que estão a fazer. Ricardo percebe que se mostrou apaixonada por ele para satisfazer Fukuda e queixa-se. Ela fica furiosa e insulta-o, diz que o odeia e chama-lhe cobarde e borra-botas. Fukuda já tinha saído. Ricardo foge, magoado e humilhado. No dia seguinte não atende uma chamada dela. Regressa a Paris. Recomeça a trabalhar sem parar para atenuar a dor. Recebe uma carta de Mitsuko: Salomon suicidou-se depois de ela lhe ter dito que não queria casar com ele.

V

Dois vizinhos novos: Simon e Elena Gravoski e o filho adotivo, Yilal, mudo.

A menina má liga 3 vezes e ele não atende. Continua magoado. Vai para a cama apenas duas vezes com uma tradutora, Astrid, em Viena.

Ricardo tem 47 anos.

Finalmente atende uma chamada dela e reencontram-se: ela esteve presa em Lagos, foi violada pela polícia e proibida de entrar no Japão, por Fukuda. Apanhou úlceras infecciosas e esteve quase a morrer. Parece muito mais velha e descuidada. Vive em Paris.

Elena consegue interná-la e é operada a uma úlcera na vagina. Ricardo paga uma clínica de repouso para ela recuperar. Ela recupera bastante mas continua com medos e fragilidades. O médico diz a Ricardo que ela não foi violada nem presa: foi escrava sexual de Fukuda e conseguiu escapar milagrosamente. Ricardo não lhe diz que sabe a verdade.

Simon e Elena partem para New Jersey, com Yilal, que recuperou a fala graças à menina má.

Posta a hipótese de se casarem para ela obter a nacionalidade francesa, ela desaparece e reaparece, depois de Ricardo quase se ter atirado ao rio. Ele bate-lhe e revela que sabe que ela foi escrava sexual de Fukuda, e ela diz que é assim que o quer, e que nunca será dele, mesmo casando.

VI

1984 março:  meses do fim do governo de Belaunde Terry, o Peru segue violento, corrupto e pobre.

Ricardo, casado com a menina má, vai sozinho ao Peru. Conhece Arquímedes, adivinhador do local onde construir esporões no mar, o provável pai da menina má, Otilia, afinal. A irmã Lucy não era irmã, mas filha de uma patroa.

Ricardo regressa a Paris e a Menina má está ainda à sua espera, como uma esposa feliz. Até quando?

VII

1987 Ricardo, com 52 anos, vai morar com Marcella para Lavapiés. Conheceu-a há 3 anos, viveram um ano em Paris e estão a morar há 2 em Madrid. Era italiana, 20 anos mais nova do que ele.

A menina má (terá 50 anos) tinha-o deixado para viver com o marido de Martine, a patroa dela (no capítulo anterior, ela arranjara emprego na empresa de Martine, de organização de eventos).

Marcella era cenarista, acabou por ter sucesso com a peça Metamorfose e enamorou-se de Victor Almeda, o encenador.

A menina má reaparece em Madrid, muito magra…








terça-feira, 26 de dezembro de 2023

Jesus Cristo bebia cerveja - Afonso Cruz


Rosa e a avó Antónia que mija no chão.

O cabo da guarda e o sargento Oliveira.

O Gago, o avô de Rosa que se matou num poço por ser acusado de assassino em série e o capitão lhe ter partido uma perna.

O capitão que se matou quando descobriu que a assassina era a esposa, para se sentir desejada por ele.

João Lucas Marcos Mateus, o pai de Rosa era um bruto agricultor.

Isabel, a mãe, era arqueóloga. Queria um homem que a fodesse “como uma vara de porcos a passar por cima de um canteiro de lírios”.

Um casamento improvável. Com a rotina veio o asco. Isabel deixara de trabalhar e bebia. Nasce Rosa e é o pai que a mima. Isabel recebe outros homens brutos. Um dia parte com um e Rosa reza tanto que a mãe volta substituída pela Virgem Maria. E ia à missa e penteava e acariciava Rosa. Mas pouco a pouco voltou a beber e a ser fria com Rosa e voltou a fugir com um homem e viveu a partir daí como uma puta.

O professor Borja seu insucesso literário: escreveu Apologia das Minhocas e Jesus Cristo Bebia Cerveja. Pinta versos no muro branco da casa de Mrs. Wittemore, guardada pelo caseiro Rato, casado com a Guilhermina Cara de Boi. Não admite que é ele o culpado, apesar de já ter sido espancado pelo Sargento Oliveira.

A muito e propositadamente lenta, mas obediente, Ana Maria, a criada de Mrs. Wittemore. Está é dona da aldeia, dorme numa cama dentro de uma ossada de cachalote e encomendou habitantes cultos e incultos .

Ari, o amigo pastor de Rosa, 6 anos mais velho que ela, lanterninha no cinema. A avó de Rosa aparece desmaiada.

A avó de Rosa não morreu. Foi ao hospital e volta com Rosa na ambulância onde o bombeiro Faia tenta abusar de Rosa.

A avó está muito debilitada. É Rosa que cuida da casa. Têm duas galinhas e comem caldos apenas.

O padre Teves, o pretenso profeta, visita Rosa e a avó para saber como estão. Será amante das nádegas de Rosa?

60 Em casa de Miss Wittemore, o professor Borja e o hindu discutem se existe o Eu superior e se não é apenas o ADN ou o que está dentro da nossa cabeça, como afirma Berkeley. Falam também do barco de Teseu.

Rosa trabalha com Matilde como criadas na casa de Santos & Santos. A senhora da casa critica-a muito. Dormem no mesmo cubículo.

O Sr. Santos & Santos vem ter à cama de Matilde durante a noite. A mulher dele ouve tudo.

Rosa passa os fins de semana no monte a cuidar da avó. Ari o pastor é seu amigo e amante.

Como Amélia não lhe trata da avó convenientemente, Rosa decide despedir-se. Mas Matilde mentiu e disse à patroa que Rosa é que era a amante do patrão e Rosa é despedida.

O professor Borja atropela e mata um javali. O padre elogia as nádegas dela. O professor conhece Rosa e vai ao monte oferecer-lhe bolos.

Como Antónia, a avó de Rosa, quer ir à Jerusalém, Borja propõe transformar a aldeia da Miss Wittemore em Jerusalém.

Ari, o pastor, tem ciúmes do professor Borja.

O Avião, o bordel, será o avião a a fingir. As pessoas disfarçar-se-ão de árabes e judeus.

Borja foi casado com Celeste, que trabalhava na faculdade, apesar de antes ter desejado uma aluna, Rebeca. Tiveram uma filha: Margarida. Está morre aos 5 anos por ter engolido barbitúricos da mãe, do armário da casa de banho. Celeste nada suportou o Nada e matou-se do mesmo modo. O paralelo Borja ficou só.

Rosa desculpa Ari pelos ciúmes.

Borja recruta alunos da escola da cidade para irem ser soldados de uma ordem recitando poemas em esperanto para enganar a avó de Rosa.

O padre está com Miss Stela que o fustiga nas nádegas até fazer sangue. Ela diz-lhe que a aldeia se vai transformar em Jerusalém. Ele fica atónito!

Ari diz que ama Rosa. Ela não sabe como reagir.

Rosa pede colaboração ao Três Metros, o presidente da junta, mas este recusa. Sai e parte uma montra com uma pedra, irritada, e foge e torce um pé.

Borja diz-lhe que na última ceia se vai beber cerveja e não vinho.

Borja oferece um anel a Rosa e ela entrega-se-lhe, deixando de dar importância a Ari. Ari com ciúmes bate em Borja.

Rosa está grávida!

Acontece a viagem e o jantar e apesar de Borja insistir que deviam substituir o vinho pela cerveja, é vinho que bebem até cair!

No dia seguinte Borja e Rosa passeiam Antónia por Jerusalém: ele fala dos dois gémeos árabe e judeu, da pulga que ficou por séculos com o sangue de Cristo e da fonte que diz ter dado aos homens a capacidade de ver o que não acontece no futuro.

A dormirem em casa de Miss Wittemore, Rosa não entende como se deixou encantar com Borja. Acha que ele é um fraco. Preferia que ele a matasse para ficar famoso por isso.

Borja sai para pintar o muro deixando Alípio disfarçado de si no quarto. Ari entra para o matar mas encontra Alípio e desiste.

O Capitão espera por Borja junto ao muro.

Mas Borja decidiu outra coisa: adormeceu Miss Wittemore e cai pintar no quarto dela as suas frases revolucionárias. Rosa diz-lhe para escrever tamanho uma frase escolhida do seu livro preferido. Ele entra no quarto da Miss e Rosa entra atrás dele com uma faca.

Influenciada pela frase do seu livro preferido, Rosa mata a Miss na cama e depois mata o professor e diz ao Capitão que foi o professor que matou a velha Miss e esmagou a seguir.

A avó de Rosa num momento de lucidez sabe que não está em Jerusalém mas finge que está para não entristecer a neta.

Rosa aborta com uma infusão de arruda e decide ir para Lisboa. Deixa a avó e parte. Torna-se uma prostituta decadente e sem dignidade nenhuma. Morre aos 42 anos, na miséria: antes de morrer imagina-se a correr para os braços de Ari.

LIVRO: A morte não ouve o pianista

FRASE: Morro por amor, sem isso não vale a pena estar vivo. A minha vida foi feita para se entranhar na tua, como uma faca espetada no coração.

O pistoleiro Harold Estefânia mata Rose Grant e mata-se a seguir com um tiro na têmpora.”

 

O Diário de Anne Frank


Holanda, para onde a família fugiu da Alemanha, em 1933.

1942, junho: Anne faz anos, convive com as amigas Lies Goose, Sanne Hortman e Jopie Van der Hall. Gosta de Peter Wessel.

Os judeus só podem sair das 15h às 18h e têm muitas limitações sociais: não podem andar de carro elétrico, só podem frequentar estabelecimentos de judeus.

O professor Kepler acha Anne muito tagarela.

O jovem Harry Goldberg de 16 anos ofereceu-se para acompanhar Anne de bicicleta até à escola.

Harry declarou-se a Anne. A família dela acha-o simpático. Ele andava com a Fanny mas achava-a enfadonha.

9 de julho: Chegou uma convocatória das SS para Margot, a irmã de Anne, com 16 anos, se apresentar. Assim a família teve de sair da casa e fugir para “mergulhar”, 9 dias antes do previsto.

O ANEXO

Refugiaram-se no terceiro andar por cima da casa comercial ou armazém onde o pai trabalhava, em Prinsengracht. Tinham levado para lá as suas posses. 

Ao lado da entrada do armazém há uma porta que tem a seguir umas escadas que levam ao escritório onde trabalham a Miep, a Elli (a dactilógrafa) e o Sr Koophuis. Aí há uma passagem para as traseiras onde fica o escritório do Kraler e do Sr. Van Daan. Todos eram empregados do pai de Anne e iam protegê-los no esconderijo, usando os talões de racionamento para lhes comprar e trazer comida e bens de primeira necessidade.

Depois há uma série de passagens que levam a um anexo com as divisões onde os Frank vão “mergulhar”. Mais acima chega-se a um espaço também com cozinha sala, quartos e WC que vai esconder os Van Daan. O Peter dorme num quartinho que serve de passagem para o sótão.

Os quartinhos, a cozinha e os WC estavam cheios de móveis e roupas. A família Van Daan “mergulhou” com eles. O filho, Peter, de 16 anos, era muito aborrecido e preguiçoso. A Sra. Van Dann era forreta: tentava que usassem as coisas dos Frank e guardava as dela para as poupar (lençóis, toalhas,…).

A Sra. Van Dann e a família dormem em cima. Ela critica muito a Anne e a educação que os pais lhe dão. A Anne já não a suporta.

Passam os dias com medo de ser descobertos.

Anne lamenta o desprezo e o desagrado com que a mãe a trata e o facto de Margot ser melhor tratada do que ela. Confessa também o seu amor pelo pai. Gostaria de ter mais sucesso nas relações familiares. Mas esforça-se sempre.

Na rádio anunciam que a Argélia, Casablanca e outras cidades e países do Norte de África foram recuperadas pelos ingleses. Também Estalinegrado resiste. A esperança de que seja o princípio do fim. Otimista, Anne conta depois como recolheram os alimentos para o inverno: legumes secos e feijão em sacos.

Um novo “mergulhador”: o dentista Albert Dussel. Ele acha o esconderijo muito bem organizado, até tem regulamentos.

Dussel conta a Anne os acontecimentos recentes, as perseguições dos alemães aos judeus, às amigas e a famílias inteiras que são capturadas. Algumas escapam graças aos resgates que pagam.

Anne sofre pelos outros mas também porque se sente só.

Além disso, toda a gente ralha com ela, incluindo o Dussel, que dorme no quarto dela.

Festejam o Chanuca e o S Nicolau e trocam prendas (na Holanda festejam mais o S Nicolau do que o Natal.

O Sr Van Daan faz salsichas e o Dussel trata na primeira consulta dos dentes da Sra Van Daan.

Anna lamenta a fome, o frio e as privações que passam os judeus que não estão escondidos: muitos perdem as famílias, as crianças pedem pão nas ruas, as casas são geladas e as ruas húmidas e ventosas. A Holanda é sobrevoada por aviões aliados que levam bombas para largar sobre a Alemanha. Os cristãos holandeses também sofrem: os jovens têm de ir lutar pelos alemães. Anne pensa na sorte que tem por estar escondida e em segurança.

Anne lamenta a forma como a mãe e todos a tratam no esconderijo: sente-se desprezada e muito injustiçada.

Conta as piadas que a Sra Van Dann diz e alguns outros episódios cómicos, como o do Peter e o “pivete”.

A casa foi vendida: os novos proprietários vieram vê-la, mas o Sr Koophuis não abriu a porta que dá para os aposentos onde Anne e os outros estão escondidos. Anne tem fé de que os ingleses (Churchill) invada a Holanda para a libertar dos alemães.

Curto-circuito, ruído dos canhões de defesa e dos avião e das bombas que vêm libertar os holandeses dos alemães. Episódio das ratazanas: uma mordeu Peter num braço.

Pareceu que entraram ladrões no armazém e que a porta estaria aberta. Tremem todos de medo e dormem muito mal.

Rauters, um dos alemães mais influentes na Holanda, discursa e afirma que os judeus têm de desaparecer até 1 de julho dos países germânicos.

Anne diz à mãe que não quer rezar com ela e a mãe chora. A verdade é que Anne já não consegue gostar dele. O pai recrimina Anne com o olhar.

As bombas caem. Os aviões ingleses atacam e destroem casas e ruas.

As duas famílias cada vez passam mais provações: roupas gastas e curtas, tudo velho e roto, até o pincel da barba do pai de Anne. Anne lavou o cabelo à mãe com sabão amarelo e pegajoso…

Passou um ano: Anne faz anos: 13 de junho de 1943.

Coloca-se a hipótese de Anne sair para ir ao médico da vista… ela fica com medo e depois entusiasmo. Mas não acredita que saia.

Aos sábados, a Miep chega com os livros da biblioteca. Quem está em liberdade não imagina a importância dos livros para quem está preso.

Pedi ao Sr Dussel que me cedesse a mesa do quarto duas tardes por semana e ele, muito contrariado, acabou por ceder.

Desta vez os ladrões vieram mesmo ao armazém e roubaram dinheiro e senhas de 150 kg de açúcar.

19 de julho de 1943. O norte de Amesterdão foi bombardeado. Morreu muita gente.

Todos contam o que gostariam de fazer no primeiro dia de liberdade: Margot era um banho quente de banheira e Anne ir à escola.

26 de julho: os aviões ingleses lançam bombas sobre o Porto de Amesterdão. A Itália de Mussolini foi derrotada. O rei de Itália expulsou os alemães.

Anne enraivece-se contra o Dussel e a Sra. Van Daan. Ele aconselhou-lhe um livro para adultos e enfureceu-se por ela não ter gostado. A Sra. Van Daan é uma manienta cheia de defeitos.

3 de agosto: na Itália proibiram o Partido Fascista. As pulgas atacam.

Os jantares: o Sr Van Daan serve-se sempre primeiro e impinge as suas opiniões sem admitir outras; a Sra Van Daan fica com os melhores bocados e nunca se cala.

Anne conversa no seu cérebro consigo própria para não ter de aturar a conversa dos outros.

Cortam batatas. A Sra. Van Daan discute com o marido.

A Itália rendeu-se aos ingleses. O Sr. Koophuis vai ser operado ao estômago.

16 de setembro de 1943. Um tal M. empregado de armazém desconfiou que algo se passa no anexo. A Elli conseguiu iludi-lo e ele foi-se embora.

29 de setembro. A Sra. Van Daan faz anos.

17 de outubro. Os Van Daan estão sem dinheiro e tentam vender roupas e coisas.

Anne tem momentos de angústia: quer sair dali… sente-se como um pássaro a quem cortaram as asas.

A Elli apanhou difteria e durante 6 meses vai haver dificuldade de receberem comida. O Sr. Koophuis também continua de cama.

Anne sente remorsos por estar viva e a amiga Lies poder estar morta.

Anne teve gripe, mas já está bem.

Dia de Natal de 1943. Anne teve um bolo a dizer “Paz 1943”.

A relação não amor incondicional entre Anne e a mãe.

A raiva por a mãe e a irmã se rirem dela quando ela chora.

A puberdade e o desejo de Anne ter uma amiga.

A Anne diz que não está apaixonada pelo Peter Wessel, mas sonha com ele.

A Elli voltou a trazer os víveres.

Anne fala com Peter Van Daan sobre o sexo do gato Boschi.

Anne inventa os seus próprios penteados.

1944, janeiro - Já não há novidades entre os 8 “mergulhados”: todos conhecem as histórias de todos.

1944, fevereiro - esperam pela invasão dos ingleses para se libertarem. Os alemães dizem que se os ingleses atacarem, inundam a Holanda.

Anne tem saudades de ser livre.

Anne sente que o Peter olha para ela de uma maneira especial.

Conversa com ele e começa a sentir que ele é como se fosse seu BFF.

Ela entusiasma-se com o olhar dele para ela.

O Peter tem um complexo de inferioridade.

A mãe de Anne não gosta que ela passe tanto tempo com o Peter.

Do sótão, com Peter, Anne sente a beleza do céu e da vista sobre Amesterdão e agradece o facto de estar viva. Ele racha lenha enquanto ela pensa nisto.

Anne sente-se a apaixonar pelo Peter, que lhe parece a soma do Peter Van Adan com o Peter Wessel, por quem steve apaixonada antes de “mergulhar”.

O armazém (Kolen & Co.) foi assaltado.

Anne acha que os adultos não compreendem os jovens.

19 de março de 1944: o dia mais feliz com Peter: ele diz que Anne o está constantemente a ajudar com a sua alegria.

Anne descobre que Margot também gosta do Peter. A irmã explica-lhe que se sente triste é por não ter encontrado ninguém com quem tenha a intimidade que Anne e Peter têm.

Discute-se por causa da política. O Sr. Van Daan tem muita confiança nos ingleses e em Winston Churchill.

A situação na Holanda começa a degradar-se… as famílias não têm comida nem carvão e o inverno em rigoroso.

A vontade do primeiro beijo de Peter.

A comida é muito repetitiva e agora tem por base legumes secos, batatas e feijão. Um pouco de fois gras ou de compota é um luxo.

Anne quer ser jornalista e escreve contos (O sonho de Eva).

Gosta da genealogia das casas reais e de História e de mitologia grega e romana. Não gosta de matemática.

Ladrões assaltam o armazém. Os homens vão ver e quase são apanhados pela polícia que entretanto tinha chegado. O medo de serem descobertos e entregues à Gestapo é imenso. Mas tudo correu bem.

16 de abril: abraços com Peter e o primeiro beijo.









Sem medida - Vânia Tavares


A solidariedade com quem sofre pela ausência dos que ama, o medo sentido ao observarmos a fascinação e a ingenuidade de quem não desconfia que os predadores humanos se disfarçam muitas vezes de bons samaritanos, o suspense por querermos saber se os inocentes se salvam, a irritação provocada pela baixa autoestima de muitos adolescentes ou pela inércia de quem se subjuga, por amor, à violência e à humilhação. 

Haverá saída feliz desta teia simultaneamente terna e venenosa que atrai as 🪰 🪰 🪰 e em que as 🕷️ 🕷️ 🕷️ se escondem?


Sabrina e o pai, Guilherme.

Sabrina e a mãe ausente?

P17 - l5

Jacinta a aparentemente boa exagerada samaritana. Aborda Guilherme e Sabrina e ele fica encantado.

P19 - l13

Guilherme e Sabrina vão jantar a casa de Jacinta, o marido Jacob e o filho, Júlio. Sabrina oscila entre a apatia e a sobre-excitação. Em casa agride-se e gosta. Sabrina passa a ir 2 vezes por semana a casa de Jacinta. E depois todos os dias e as férias. Guilherme está absolutamente convencido de que a filha está em boas mãos. Jacinta até a vai buscar à escola. Há outras crianças de vez em quando na casa de Jacinta. Sabrina tem 12 anos já. A mãe só vem 4 vezes por ano, no início das estações.

Benedita e Soraia, colegas de turma: Benedita convida Soraia a ir lá a casa. Diz que lhe vai confessar uma coisa. Que convida encontros com pessoas da turma à sexta para que a mãe dela não esteja em casa, porque receia que os colegas vão lá para admirar a beleza da mãe. Soraia diz-lhe que os pais dela não são boas pessoas e que ela pode contar com a sua mãe.

Débora envolve-se com um fotógrafo que admira e vai para casa dele. Ele diz-lhe que detesta candidatas a fotógrafas sem talento, que tira, fotos a grávidas e a casais que fingem ser felizes e com a mania de mudar constantemente de cor de cabelo (como ela).

Pp41a42 o melhor texto: Benedita confessa-se prostituta de palavras: faz tudo por um bom elogio. Já não distingue prazer de abuso.

Hugo, o fotógrafo com quem ela já vive, deixa Débora sozinha durante 3 horas. Regressa 3 horas depois. Ainda ninguém jantou.

Soraia rega as plantas com sangue menstrual diluído em água. Ela e a mãe têm no frigorífico os calendários menstruais. Assinalam com batom ou uma fita vermelha os dias em que estão menstruadas.

P51 Benedita reflexões (gostei)

Algo se passa com Débora!

Soraia e as paredes cor de rosa. 

Débora recusa 3 trabalhos fotográficos.

Benedita e as vontades opostas.

Onde está a máquina fotográfica de Débora?

Quando o primeiro e o segundo dia da menstruação da Soraia calhavam em dias da semana, ela faltava à escola. Era como se esses dois dias fossem duas noites.

Débora fascinada com a sabedoria de Hugo!

Estar com Soraia motiva Benedita.

Uma amiga de Débora parece insinuar que ela se subjuga à vontade de Hugo, com quem vive.

Débora parece ter uma péssima autoestima junto de Hugo. Ama-o mas afirma ter medo dele e da sua supremacia. Enquanto ele não chega, ela sente-se mal. Quando ele chega, ela sente-se mal. Ele maltrata-a e parece querer confundi-la. Há alguns momentos que a satisfazem, mas na maior parte do tempo ela é submissa a um homem violento psicologicamente.

Hoje atreveu-se a sair de casa. As vizinhas parecem saber o que se passa com ela e Hugo.

O Hugo era certinho: uma semana de paraíso, duas de inferno.

Finalmente, Débora deixa Hugo e refugia-se em casa da Soraia.

A narradora final, Letícia, diz que é a mistura de Sabrina, Benedita e Débora.

As histórias entrelaçam-se. A história deste livro é como aquele exercício de fazer um desenho sem levantar o lápis.





domingo, 24 de dezembro de 2023

A estalagem do dragão voador - Le Fanu




 Le Fanu


1815 

O narrador herda muito dinheiro e decide ir de Bruxelas a Paris. Conhece uma bela mulher numa carruagem avariada e depois numa estalagem, mas não se falam.

Ele fica hospedado no quarto por cima do dela e do velho que a acompanha (marido ou pai?).

O protagonista conhece o marquês Droqville q o confunde com outro Beckett, político com segredos, e q o convida para o visitar em Paris. Encontra tb no jardim à noite um ameaçador oficial francês.  Continua encantado com a hipótese de estar com a formosa dama.

O coronel francês ameaça o casal e Beckett agride-o para os defender. Vão todos para Paris. 

Vai haver um baile de máscaras no Palácio de Versalhes. Ao lado fica a Estalagem do Dragão Voador. Num quarto assombrado, fica Becquet, com esperança de se encontrar com a dama de Saint-Alyre, no solar de Craque ali ao lado também.

sábado, 9 de dezembro de 2023

O Arranca-Corações - Boris Vian

Jaimemorto, psiquiatra de profissão, chega a uma aldeia aparente normal para ajudar a dar à luz três crianças gémeas, três rapazes: Noël, Joël e Citroën. A mãe, Clementina, aceitou mal a gravidez, ameaça o marido, Ângelo, com um revólver e deixa de o conseguir suportar.

Jaimemorto continua a viver lá em casa, fazendo visitas regulares à aldeia, contactando com as suas peculiaridades, e ao mesmo tempo procurando realizar o seu desejo nesta visita: psicanalisar as pessoas e assimilar os seus sentimentos para tentar preencher o vazio que sente dentro de si.
Na primeira visita à aldeia, assiste a uma feira onde se vendem velhos. É esmurrado quando se queixa da forma como os velhos são tratados. Vai a uma carpintaria encomendar camas para os recém-nascidos. Apanha outro murro quando se revolta com a forma como o carpinteiro trata a criança aprendiz.
No dia seguinte foram buscar as camas, deram boleia a uma cabra e a um porco e, no regresso, a pedido do carpinteiro, atiraram ao rio um caixote com o corpo morto do aprendiz. 

A aldeia é talvez o lugar mais peculiar encontrado numa ficção que, apesar de metafórica, pretende ser bastante crítica e realista, mesmo incisiva, face à sociedade que discrimina e promove a desigualdade: Quem diz que os existencialistas só pensavam no seu lugar no mundo e nas suas dúvidas filosóficas? 

Nesta aldeia há um rio vermelho onde um homem - que todos chamam "A Glóira" - pesca com a boca todo o lixo que é atirado ao rio (e por lixo entenda-se tudo o que se quer apagar da memória e que provoque remorsos). Herda o cargo quem tiver mais vergonha do que ele do mal que os homens fazem.

Há também uma igreja onde Jaimemorto vai para pedir ao padre que batize os três bebés. Este obriga-o a ir à missa. 
Vão com Cubranco e inicia o sexo com ela, à beira do caminho, com ela de gatas.
Os fiéis querem que chova e, como o padre recusa e diz que Deus não quer saber dos problemas deles, eles apedrejam o púlpito e o padre cai. Então diz que vai chover, sim, e começa a chover. Nesse mesmo dia, os 3 bebés são batizados.
J analisa um gato e adquire alguns hábitos felinos.
Cubranco recusa sexo noutra posição e recusa falar para ser analisada. 
J vê Clementina nua em cima de uma mesa, sozinha, a gemer de prazer.
Os bebés são ferrados pelo ferrador, porque estão a começar a andar.
Clementina visita escarpas. Trata J com alguma curiosidade.
Ângelo conclui a construção de um barco em que irá embora, para o mar, e abandonar os filhos e a mulher.
J vai “analisar” Pencavermelha, a criada do ferrador, e descobre que este tem um andróide igual a Clementina, com a mesma roupa, e que a despe e vai para a cama com ela.
Ângelo parte e com ele o último obstáculo à felicidade maternal de Clementina.

TERCEIRA PARTE
Jaimemorto vive ali há 4 anos. Revela temperamento ameno. Nada o incomoda demasiado, nada o satisfaz demasiado. 
Apenas as primeiras visitas à aldeia o deixam um pouco abalado ao ver a falta de consideração das pessoas umas pelas outras, o que nas visitas seguintes acaba por já lhe soar habitual. Evita-as, mas passa por todas estas situações sem nada fazer, rendendo-se às evidências e tornando-se também parte delas.

Mas Jaimemorto nem precisa de sair de casa para experienciar toda esta falta de humanidade e de consciência perante o outro ou, melhor dizendo, esta pouco aparente mas efectiva ausência de coração em tudo o que se faz. Todo este absurdo, portanto. 
Clementina diz amar os seus três filhos com todo o seu coração, protegendo-os de todas as formas possíveis e imaginárias dos perigos da vida. Só pensa em tudo o que lhes pode acontecer se "isto" e se "aquilo", acabando por não os deixar viver, de todo, uma vida normal.
J está há 6 anos ali. Passaram meses sem ver Clementina, que passa o tempo no quarto e a tentar evitar que os filhos sofram algo.
J psicanalisar a Glóira e começa a sentir influências.
Clementina decide lamber os filhos para os lavar.
Os três comem pedras azuis que fazem com que voem e desaparecem. A mãe chama por eles. A seguir exige que venham homens cortar as árvores do jardim, porque são muito perigosas para os filhos. Os homens deitada abaixo as árvores queixosas. Jaimemorto, revoltado, foge para as ravinas.
Jaimemorto substitui a Glóira, que morreu.
Clementina para proteger os três filhos mantém-nos encerrados em três gaiolas.

 Clementina acaba por transformar o amor pelos filhos num ódio premente contra a inevitabilidade da vida.