Miraflores, Peru!
As duas falsas chilenitas: Lily e Lucy, de 14 e 13 anos. Ricardo Samocurcio declara-se 3 vezes à menina má, Lily, que simpatizava muito com ele, mas nunca cedeu ao rapaz que estava apaixonado como um bezerro.
A 30 de março, são desmascaradas pela tia chilena de Marirosa, na festa de anos desta.
Ricardo faz 15 anos nesse verão. É órfão: os pais morreram num acidente de carro. Vive com a tia Alberta.
II
PARIS: Jean Paúl o gordo recrutador de jovens peruanos que recebem bolsas da China para fazer a revolução e transformar o Peru na segunda Cuba.
Ricardo procura emprego. Reconhece em Arlette, uma das aspirantes a revolucionária, a menina má. Passa uma semana com ela, faz amor come ela no sexto dia: ela continua aparentemente indiferente à paixão dele, mas percebe-se que gosta dele, apesar de ter outros objetivo: um deles é evitar regressar a Cuba e escapar ao MIR, que a recrutou. Ricardo pede a Paúl, mas este diz-lhe que não pode fazer nada e Arlette parte para o Peru.
Ricardo é contratado como tradutor para a empresa do espanhol Charnés, a trabalhar para a Unesco. Ao fim de seis meses, Paúl diz-lhe que Arlette é amante do comandante da revolução, Chacón.
Paúl informa Ricardo que vai deixar de ser embaixador do MIR em Paris e no mundo e vai para o Peru, participar na revolução. A mulher e o filho já partiram e ele irá em breve.
Ricardo tem um breve caso com a cantora espanhola Carmencita, mas desiste quando a vê nos braços de outro homem.
A tia Alberta morre e deixa a herança a Ricardo: a vida em Paris vai passar a ser mais fácil, porque ele vai poder comprar um pequeno apartamento. Compra uma viagem de ida e volta para Lima e vai à Unesco informar o chefe: encontra, na escadaria, Arlette, que se apresenta como esposa do diplomata francês Robert Arnoux.
Combina encontrar-se com Ricardo, no dia seguinte, em Les Deux Magots. Encontram-se e ela pergunta-lhe se ele ainda gosta dela e se percebe que poderia estar casado com ela se não a tivesse deixado ir para o Peru. Ele sabe que um simples tradutor não serviria os objetivos dela. Ela nega ter sido amante do comandante Chacón. Ele diz-lhe que sabe que o casamento é um expediente que lhe serviu para sair do Peru. Ela diz que quer ver se em dois anos ganha a nacionalidade francesa. Despedem-se com um beijo e combinam encontrar-se quando ele regressar do Peru. (Ver página 60)
LIMA Março de 1965, pouco antes de completar 30 anos.
O MIR quer acabar com a exploração dos trabalhadores e com o governo eleito democraticamente de Belaunde Terry, mas subordinado ao imperialismo americano. O doutor Ataúlfo Lamiel prevê que a única coisa que o MIR vai conseguir é provocar um golpe de estado e surgir uma ditadura militar para defender Peru do comunismo (como virá a acontecer).
PARIS Assim que regressa telefona a Madame Arnoux e pede-lhe que o ajude a procurar um apartamento. Passa uma das semanas mais felizes da sua vida: ela promete-lhe que o estrearão quando se mudar para lá. Fazem amor pela segunda vez. (Página 66).
Nesse mesmo dia conhece o marido dela. Acha-o feio e velho, apesar de culto. Passam depois menos tempo juntos, vão ao cinema e passeiam.
Só voltam a fazer amor um mês depois quando ela volta de uma viagem à Suíça com o marido.
Ela viaja muito com o marido. Este não é rico, mas misteriosamente ela anda sempre com jóias e com vestidos caros.
Um dia ela alegre diz a Ricardo que terão um fim de semana só para eles porque o marido irá viajar à Polónia. Mas a alegria é atenuada pela notícia da morte dos revolucionários no Peru, onde estaria Paúl, o amigo de Ricardo. E ela diz-lhe que eles não resultariam porque ele é um acomodado e ela quer sempre mais.
E de facto ela abandona o marido diplomata e desaparece de Paris. Este conta a Ricardo que ela fugiu com todo o ginjeira que tinha, numa conta conjunta na Suíça e que estava muito desiludido e magoado porque tinha corrido muitos riscos para a tirar do Peru.
Onde estará ela agora? Dela só tem a escova de dentes Guerlain.
3 de outubro de 1968: golpe de estado no Peru: início de uma ditadura que vai durar 12 anos.
III
LONDRES substitui Paris: o movimento hippie e as drogas, os Beatles e os Rolling Stones; Ricardo frequenta Londres e a vida e o amor livre.
O amigo hippie Juan Barreto conhece a viúva Mrs. Stubard e esta protege-o. Um sobrinho dela apresenta-o ao mundo rico dos cavalos e ele torna-se retratista de cavalos, em Newmarket, ganha bastante dinheiro e compra um pequeno pied-à-tierre em Earl’s Court, onde Ricardo fica quando vem a Londres.
A menina má é agora Mrs. Richardson: o marido é rico e ciumento.
Durante 2 felizes anos Ricardo e ela encontram-se no Russell Hotel, em Londres. Ela chega a dar a entender que o quer muito (página 133).
Juan Barreto morre com sida, doença ainda desconhecida.
A menina má viaja muito para o oriente e desaparece algum tempo. Quando reaparece, o marido terá descoberto que ela já tinha sido casada, está a divorciar-se e receia ficar sem nada e até ir para a prisão. Ricardo promete protegê-la.
IV
SALOMON TOLEDANO, o intérprete turco talentoso que se torna o amigo de Ricardo até 1979 e de que pouca gente gosta. Acusa os tradutores e os intérpretes de não deixarem obra.
1974 A menina má telefona a Ricardo a dizer que vai desaparecer porque se divorciou e ficou sem nada e receia que o primeiro marido a denuncie.
1979 Toledano parte para Tóquio: vai ser intérprete da Mitsubichi.
1980 Acaba a ditadura no Peru: Fernando Belaunde Terry é reeleito. O tio Ataúlfo vem a Paris. Ricardo tem 45 anos.
Começa a rebelião Maoista do Sendero Luminoso (PC do Peru) que vai durar 10 anos e sessenta mil mortos e desaparecidos.
Toledano escreve de Tóquio e envia cumprimentos da menina má (ver final da primeira temporada da série televisiva).
Ricardo consegue ir à Tóquio, depois de um trabalho em Seul, e de receber um telefonema dela. Toledano e a amada Mitsuko ajudam-no a encontrar-se com Kuriko, a menina má, agora companheira de um rico negociante japonês, o senhor Fukuda.
Encontram-se: ela conta que viveu num quarto exíguo, dois anos, como amante e “mula” de Fukuda (principalmente de pó afrodisíaco de corno de rinoceronte) e que agora vive com ele. Ele usa-a, não a ama, e ela sente-se viciada naquela perigosa e excitante.
Vai com Ricardo ao Château Meguru, uma casa de encontros secretos, em Tóquio, para o alegrar. Ele chora de emoção. Ela anima-o e exige sexo oral, como sempre.
Mitsuko telefona a Ricardo para se encontrarem.
Kuriko telefona logo a seguir a dizer que contou a Fukuda que estava um amigo peruano em Tóquio e ele autoriza Kuriko a servir de guia turístico a Ricardo e quer que vá jantar com eles e ao teatro.
Depois do teatro, ela leva-o para o quarto. Pela primeira vez, ela chupa Ricardo: nesse momento, Ricardo vê Fukuda na penumbra do quarto a observá-los. Ricardo diz a Kuriko e ela diz-lhe para se acalmar e continuar o que estão a fazer. Ricardo percebe que se mostrou apaixonada por ele para satisfazer Fukuda e queixa-se. Ela fica furiosa e insulta-o, diz que o odeia e chama-lhe cobarde e borra-botas. Fukuda já tinha saído. Ricardo foge, magoado e humilhado. No dia seguinte não atende uma chamada dela. Regressa a Paris. Recomeça a trabalhar sem parar para atenuar a dor. Recebe uma carta de Mitsuko: Salomon suicidou-se depois de ela lhe ter dito que não queria casar com ele.
V
Dois vizinhos novos: Simon e Elena Gravoski e o filho adotivo, Yilal, mudo.
A menina má liga 3 vezes e ele não atende. Continua magoado. Vai para a cama apenas duas vezes com uma tradutora, Astrid, em Viena.
Ricardo tem 47 anos.
Finalmente atende uma chamada dela e reencontram-se: ela esteve presa em Lagos, foi violada pela polícia e proibida de entrar no Japão, por Fukuda. Apanhou úlceras infecciosas e esteve quase a morrer. Parece muito mais velha e descuidada. Vive em Paris.
Elena consegue interná-la e é operada a uma úlcera na vagina. Ricardo paga uma clínica de repouso para ela recuperar. Ela recupera bastante mas continua com medos e fragilidades. O médico diz a Ricardo que ela não foi violada nem presa: foi escrava sexual de Fukuda e conseguiu escapar milagrosamente. Ricardo não lhe diz que sabe a verdade.
Simon e Elena partem para New Jersey, com Yilal, que recuperou a fala graças à menina má.
Posta a hipótese de se casarem para ela obter a nacionalidade francesa, ela desaparece e reaparece, depois de Ricardo quase se ter atirado ao rio. Ele bate-lhe e revela que sabe que ela foi escrava sexual de Fukuda, e ela diz que é assim que o quer, e que nunca será dele, mesmo casando.
VI
1984 março: meses do fim do governo de Belaunde Terry, o Peru segue violento, corrupto e pobre.
Ricardo, casado com a menina má, vai sozinho ao Peru. Conhece Arquímedes, adivinhador do local onde construir esporões no mar, o provável pai da menina má, Otilia, afinal. A irmã Lucy não era irmã, mas filha de uma patroa.
Ricardo regressa a Paris e a Menina má está ainda à sua espera, como uma esposa feliz. Até quando?
VII
1987 Ricardo, com 52 anos, vai morar com Marcella para Lavapiés. Conheceu-a há 3 anos, viveram um ano em Paris e estão a morar há 2 em Madrid. Era italiana, 20 anos mais nova do que ele.
A menina má (terá 50 anos) tinha-o deixado para viver com o marido de Martine, a patroa dela (no capítulo anterior, ela arranjara emprego na empresa de Martine, de organização de eventos).
Marcella era cenarista, acabou por ter sucesso com a peça Metamorfose e enamorou-se de Victor Almeda, o encenador.
A menina má reaparece em Madrid, muito magra…