quarta-feira, 30 de agosto de 2023

Mundo belo, onde estás - Sally Rooney

 

As falhas de comunicação, que aparecem como um tema transversal na sua obra, obrigam as personagens a procurar o autoconhecimento. Desta forma, mesmo que nem sempre se tornem pessoas melhores, são mais conscientes das influências que têm nas interações sociais.

Sally Rooney articula melhor do que ninguém as dificuldades e experiências inerentes ao século em que vivemos. Desde a escrita marxista à desumanização dos escritores, dá voz, através das suas personagens, a temas desconcertantes com os quais se debate constantemente e nem sempre são retratados na literatura contemporânea. Alice e Eileen procuram insaciavelmente pela beleza do mundo dentro do estado caótico em que este se encontra.



Alice e Félix encontram-se num café, vão a casa dela e despedem-se sem consumar o encontro amoroso. Conheceram-se no Tinder. Ela é escritora. Ele é armazenista, temporariamente.
Alice escreve à amiga Eileen, que vive na “chata” Dublin a dizer-lhe como está só, em Paris. Está a escrever consciente da exploração do terceiro mundo pela sociedade consumista atual.
Uma mulher, Eileen Lydon, trabalha num escritório de uma revista: é revisora de texto. 
Vai almoçar e encontra-se com Simon um colega de trabalho e antigo conhecido, com quem namorou ou se envolveu sentimentalmente. Lola a irmã dela vai casar-se com Mathew.
Eileen conheceu Alice Kelleher na universidade, aos 18 anos. Eileen envolveu-se de facto com Simon mas nunca namoraram.
Depois de se licenciar, Eileen iniciou o mestrado em Literatura Irlandesa.
Eileen namorou com Aidan. Separou-se dele no dia em que Simon ligou a dizer que Alice tinha regressado a Dublin e que tinha dado entrada num hospital psiquiátrico.
5 Eileen conta a Alice que reencontrou Aidan na rua e que sofre mais do que antes.
6 Alice encontra Félix e este convida-a para uma festa em casa dele. Ela vai. Conheceram-se pelo Tinder, mas no primeiro encontro nada aconteceu. Ele descobre que ela tem dinheiro e alguma fama. Ela conta que já teve um esgotamento e ele confessa que também esteve muito em baixo quando a mãe morreu. Ela convida-o para ir a Roma à publicação do seu mais recente livro.
7 Eileen numa sessão de leitura d epopeia da revista para que trabalha, com a colega lésbica Paula.
Eileen telefona a Simon e conta-lhe que Alice vai a Roma. A seguir fazem um telefonema erótico, com a promessa de que se esquecerão dele e que quando se reencontrarem será como se nada se tivesse passado.
8 Eileen escreve a Alice: conta que Simon namora com uma jovem mais nova que ela e pergunta quem é Félix.
9 Em Roma, Alice diz a Félix dos amigos Eileen, muito bela, muito popular na escola, ao contrário dela, e Simon, também muito belo, que trabalha como assessor político num pequeno grupo parlamentar de esquerda e religioso. Félix e Alice revelam que são bissexuais.
10 Alice escreve a Eileen a contar que não tem relação amorosa com Félix e reflete acerca do que é escrever um romance.
11 Eileen sai mais cedo da festa de anos do amigo Karach e vai a casa de Simon, dorme com ele e na manhã seguinte vão à missa.
12 Eileen conta a Alice o que se passou com Simon, a quem conhece há 15 anos.
13 No hotel, finalmente Alice e Félix fazem sexo.
14 Alice conta a Eileen que esteve com Félix e que está apanhada por ele apesar de ter medo de voltar a sofrer.
15 Simon chama Eileen para casa dele: fazem amor e ele revela que se, para arranjar namorada, tiver de abdicar da amizade de Eileen, não o fará.
17 Alice e Félix, em Dublin, de novo. Ele visita-a e fazem amor, depois de uns dias sem ele responder as mensagens dela, por não lhe apetecerem compromissos.
18 Alice escreve a Eileen de Paris depois de chegar de Londres, onde apresentou o seu mais recente livro.
19 Eileen descobre que Simon tem uma namorada, mais nova, Caroline. Terá partido do princípio de que Eileen apenas queria ser amiga dele. 
20 Eileen escreve a Alice, desabafando sobre o seu pessimismo relativamente às relações amorosas e ao seu papel no mundo, sobre o seu ceticismo relativamente à beleza e informando que Alice deve providenciar dois quartos para ela e para Simon, e não um!
21 Félix sai com os amigos e vai bêbedo ter com Alice. Fodem e ela diz que o ama. Ele questiona se ela tem muito dinheiro, se não tem amigos e diz-lhe que não a ama, mas que a deseja e que sabe que apesar disso tem consciência de que ela não se deixa dominar.
23 Casamento de Lola: Simon diz a Eileen que estará à sua espera para falarem.
24 Eileen e Simon vão num comboio a caminho de Ballina.
25 Eileen e Simon visitam Alice. Félix chega a casa desta. Passam alguns dias junto. Simon terminou tudo com Caroline e dorme com Eileen: ficarão amigos ou namorados?
27 Eileen e Simon, cada um por sua vez, confessam a Félix que depois de dormirem juntos ela disse que preferia que continuassem amigos. Estão tristes. 
Festa de anos de Danielle, amiga de Félix. Damian, irmão dele, confronta-o por ele não querer assinar a venda que herdaram da mãe. Félix não quer ficar sem a casa.
28 Eileen queixa-se de Alice ter voltado a Dublin e ter estado meses sem lho dizer. Alice diz que estava psicologicamente incapaz e esgotada e pediu a Simon para não a informar. Eileen queixa-se de a ter visitado todos os dias no hospital e quando ela saiu refugiou-se em Ballina e esteve meses sem querer que ela a visitasse; e ainda por cima quer ficar a viver ali para sempre. Alice desculpa-se com a depressão e agride verbalmente Eileen. Esta sai da cozinha e bate com a porta. Simon recrimina Alice e vai atrás de Eileen.
Félix diz a Alice que a ama e que vai ficar tudo bem entre ela e Eileen. Alice diz que ainda toma Prozac e que julgava que já estava melhor do descontrolo psiquiátrico, mas não está. Félix diz-lhe que acha que se odeia a si própria e que escolheu isolar-se e que o escolheu porque se queria mutilar.
Eileen chora no quarto e queixa-se de que ninguém a ama. Simon diz-lhe que a ama. 
Eileen desce e encontra Alice: abraçam-se.
29  os dois casais acabam bem!









segunda-feira, 21 de agosto de 2023

Um amor - Sara Mesa



Nat aluga uma casa de campo isolada, em La Escapa, perto do monte El Glauco e da aldeia de Petacas. Ali perto vive a velha Roberta e o marido e Píter, um hippie que faz vitrais, o proprietário da casa, de quem se torna amiga, sem atração sexual. Há ainda uma família de ciganos.

Abandonou o emprego de tradutora depois de ter sido apanhada a roubar um objeto de uma colega. Fica com um cão, o Cascudo, muito arisco. Traduz um livro de pequenos contos.

Aos fins de semana, numa casa perto, o Chaletito, há um casal com dois filhos pequenos. Às vezes dão festas e vêm pessoas da cidade. O marido parece exibir-se para Nat. 

Há também um alemão que lhe oferece frutas e legumes e se oferece para lhe arranjar o telhado que deixa entrar água quando chove.

Como ela não tem dinheiro ele propõe que em troca ela o deixe “entrar nela um bocado”. Ela recusa. 


Mas porque chove durante vários dias, acaba por aceitar. 

Ele depois conserta-lhe o telhado. Friamente. 

Ela, interroga-se: moralmente o que fez?

Como se ele lhe tivesse inoculado um veneno, visita-o de novo e fazem sexo, dias e dias, sem palavras e despedem-se como se aquilo fosse proibido. Ela adora. Ele também. 

Ela foi vítima de abusos em criança por um homem de 50 anos que se esfregava nela. Em que medida isso a tinha condicionado no futuro?

O alemão, Andreas, diz-lhe que não reparara nela antes e que se ela não tivesse vindo a casa dele as coisas não teriam acontecido. Ela sente-se mal por tanto acaso, que poderia fazer com que outra qualquer poderia estar ali, no seu lugar. Ele diz-lhe que isso não interessa: o que interessa é que agora estão ali, ele e ela.

Toda La Escapa sabe do envolvimento de Nat com Andreas. E os vizinhos não a convidam para a festa do fim de semana seguinte.

Devido ao silêncio e à aparente frieza de Andreas, refugiado curdo trazido pela mãe ainda bebé, Nat começa a ficar obsessivamente insegura e ciumenta.

Andreas acba por romper com ela e ela sofre.


Consciente de que perdeu Andreas, Nat sofre. Duas semanas depois, Cascudo morde e desfigura um pouco a cara da filha da vizinha grávida. Os vizinhos acusam Nat e procuram o cão para o abaterem. O cão aparece-lhe de noite e ela telefona a Píter para ele o levar para longe Píter recusa dizendo que é uma questão de justiça e de segurança.

A polícia aparece e leva o cão.





O Senhor Ventura - Miguel Torga

Diz Miguel Torga: “toda a história do meu herói é-me conhecida já, e eu conto-à aula mim próprio nas horas de melancolia. Em cada paragem não faço mais do que tentar uma pequena meditação sobre um destino que é mais coletivo do que individual.”

Escrito em 1943.
“O Senhor Ventura sai do seu Alentejo natal para se lençol a uma vida de aventuras pela China, que o levará ao desempenho das mais diversas atividades, nem sempre legais. A viagem serve-lhe também como descobrimento da amizade e do amor.”

I O narrador lembra-se das aventuras do Senhor Ventura nas sete partidas do mundo e sente-se feliz.

II Partiu do Penedono, Alentejo, para Lisboa, para ser militar.

III No quartel era o 158 e era o mais desenrascado.

IV Numa taberna é esfaqueado é morto um desconhecido. Terá sido o Senhor Ventura? 

VI Talvez por punição, apesar de absolvido, é enviado para Macau. 

VI Lá envolveu-se com a chinesita Loo e apaixonou-se pela filha do secretário do Governador, Júlia. Proibido de a ver, parte.

VII Torna-se desertor (ver excelente texto).

VII Vai para marinheiro de um barco de tráfico de ópio. 

VIII Mata um fiscal do governo. 

IX Fica melancólico, toca viola e uma semana depois era empregado numa garagem da casa Ford, em Pequim.

X Ventura conhece o Pereira, abre um restaurante com ele, batem em americanos, vão levar camiões à Mongólia, vendem armas aos chineses e o Pereira morre nos seus braços. Fica sozinho, sem terem cumprido o desejo: voltar a Portugal.


O Senhor Ventura envolve-se com Tatiana. Casam, mas Tatiana é uma libertina e nãos gosta da vida do lar. No meio de várias discussões, nas-lhes um filho: Sérgio.

Tentou enriquecer: instalou máquinas de jogo em vários locais noturnos da cidade. Tenta aprender a ler.

Mal suporta Tatiana, mas o nascimento do filho encheu-o de satisfação. Quis enriquecer mais: montou uma agência de táxis.

Morre-lhe o pai.

Vende os carros, incendeia a garagem dos táxis, recebe o dinheiro do seguro e monta uma fábrica de heroína. 

Mas é denunciado e é obrigado a partir para Portugal.

Deixou Tatiana e o filho e partiu no transiberiano.


A mãe morrera há uns meses. Arrendou o terreno do Farrobo para o semear. Durante 5 anos teve prejuízos. 

Ao quinto ano, Tatiana, que entretanto tinha tido amantes, ficou-lhe com a fortuna e enviou Sérgio para Lisboa, com 8 anos. 

Ventura matriculou-o num colégio interno em Lisboa e, com o dinheiro dos lucros da colheita de trigo no quinto ano, partiu de Penedono para Pequim. A revolta contra Tatiana moviam-no. Ninguém sabia dela e ele procurou-a.

Encontrou-a finalmente em Xunquim. Ou encontrou-o ela, num hospital onde ele apodrecia com um cancro no fígado. Ela sabia que ele a procurava e quando o soube moribundo visitou-o. Ventura morre ali na sua presença e ela sente a expiação.

O Colégio despachou Sérgio para Penedono. Tornou-se pastor como o pai.


quarta-feira, 16 de agosto de 2023

O meu pé de laranja lima - José Mauro de Vasconcelos

Zezé, irmão de Totoca, aprende com ele a atravessar a estrada Rio-São Paulo. Dindinha, a avó, o tio Edmundo, Jandira, todos ficam surpreendidos porque Zezé já sabe ler, aos 5 anos.

Zezé toma conta do irmão mais novo, Luís. Imaginam que o galinheiro é o jardim zoológico e que o arame da roupa, onde põem botões a deslizar, é o funicular.

Vão ver a casa nova: aí Zezé conhece Minguinho, o seu pé de laranja lima, que fala com ele.

Zezé receia que Luciano, o seu amigo morcego, não descubra a casa nova para onde se vai mudar. O tio Edmundo diz-lhe que não se preocupe porque os morcegos têm um bom senso de orientação.

Chega a noite de Natal: o pai está desempregado, ninguém recebe presentes e Zezé queixa-se disso e o pai ouve. Zezé com remorsos vai engraxar sapatos, recebe algum dinheiro, compra cigarros ao pai e oferece-lhos. Choram ambos!

Casa nova. Meia preta a fingir de cobra assusta a vizinha grávida de seis meses e Zezé é castigado. O tio Emundo diz a Zezé que o passarinho que canta dentro dele ê o pensamento. A escola. Zezé precisa de um uniforme e pede à mãe. A professora D. Cecília Paim não tem flores na mesa e Zezé leva-lhe uma. Zezé conta tudo a Minguinho, o seu pé de laranja lima. 

A professora adora Zezé, apesar de ter descoberto que ele roubava a flor que lhe levava frequentemente. 

Zezé falta às aulas à terça-feira e faz dupla de cantor com Ariovaldo, nas ruas.

Zezé tenta apanhar o carro do português, mas este apanha-o e puxa-lhe as orelhas.

Zezé está de castigo no jardim com o Minguinho. Tenta roubar mangas do jardim da vizinha e espeta um vidro no pé. Larga tanto sangue que tem de pedir ajuda a Glória. No dia seguinte, sem ninguém da família descobrir que está ferido, vai aos para a escola. O Português passa, tem pena dele, leva-o à farmácia e suturam-no e põem-lhe um penso. O Português passa a ser a sua pessoa preferida.

Zezé continua a fazer travessuras, mas o Portuga continua a gostar dele.

Zezé apanha uma surra da irmã mais velha e de Totoca (chamou-lhe puta por ela ter rasgado o papel de seda que tanto lhe tinha custado arranjar para fazer um balão) e outra do pai, que o deixou quase morto.

A mãe consola-o. Durante vários dias não vai à escola.

O portuga leva Zezé a pescar debaixo de uma árvore, a rainha Carlota, consola-o e promete que o vai proteger como um filho.

Mas o comboio Mangaratiba matou o Portuga.

E Zezé convalesceu.

E o pai de Zezé arranjou emprego noutra cidade, longe de Minguinho, o pé de laranja lima.

quinta-feira, 10 de agosto de 2023

2666 - Roberto Bolaño

 


2666 - Roberto Bolaño

A PARTE DOS CRÍTICOS

Jean-Claude Pelletier leitor e primeiro tradutor de Benno von Archimboldi,  para francês, aos 23 anos. Catedrático de alemão em Paris, em 1986.

Piero Morini, traduziu Archimboldi, para italiano, em 1988. Já havia algumas traduções em Itália, de outros. Morini dava aula de alemão na Universidade de Turim, em 1991, quando a esclerose múltipla o confinou a uma cadeira de rodas.

Espinoza forma-se em filologia espanhola e em filologia alemã. Nunca traduziu Archimboldi, mas a sua tese de doutoramento foi sobre ele.

Liz Norton leu Archimboldi em 1988 em Berlim e 5 meses depois leu outro já em Inglaterra. Dá aulas de literatura alemã numa Universidade de Londres.

P, M, E e N encontraram-se em 1944 num congresso de literatura alemã em Bremen.


Regressados a casa, P e E estão apaixonados por N.

Em 1995, reencontram-se em Amsterdam. Conheceram um escritor suavo que lhes contou a visita de Archimboldi, com 29 anos, à aldeia onde exerceu as funções de promotor cultural e onde entre outros escritores o recebeu e num jantar ouviu com ele a narração de uma senhora de uma viagem a Buenos Aires, onde uns gaúchos de um local turístico fingiram perder 2 corridas de cavalos com o marido dela e ela não entendia porque o fizeram e Archimboldi resolveu o enigma: foi por piedade.

P e E vão visitar a Hamburgo o editor de A, chamado Schnell, mas ele não se encontrou nunca com A e diz que se limita a enviar o dinheiro dos livros para algumas moradas bancárias, na Suíça e noutros países. Uma chefe de imprensa diz que um dia o viu e que ele era muito alto. São recebidos pela Sra. Bubis, viúva do dono da editora, que conheceu A, mas que não consegue ajudá-los a encontrá-lo, atualmente. 

P visita N em Londres com alguma frequência: jantam e acabam na casa dela, na cama. No dia seguinte ele regressa a Paris.

E convida N para ir a Madrid. Ela aceita e envolvem-se também. Ela conta que é amiga/amante de P e que é divorciada e que tem alguns amigos (amantes??) mais.

E volta a convidar N. Está vai de novo a Madrid e conta que P esteve em Londres e que ela lhe contou sobre ela e E.

Morini foi o único deles convidado para um congresso em Salónica.

Em Salzburgo, os 4 conversam sobre a possibilidade de Archimboldi ser o próprio Suavo e ter sido amante da senhora que foi a Buenos Aires.

Norton contou a Morini que se envolveu com P e E.

Morini admira a jornalista mexicana que revelou as mais de 100 mulheres mortas de Sonora, ao longo dos anos.

Morini visita N em Londres. Passeia pelo Hyde Park. Ela conta-lhe a história de um jovem pintor, Edwin Johns, que começou a carreira ali perto.

Referência: um sérvio pública um artigo sobre o Marquês de Sade, que teria existido, de facto. Por associação. Refere-se que a última vez que Archimboldi foi visto foi em Palermo, a apanhar um avião para Rabat. Mas podia não ter sido ele.

Norton, em 1997, deseja ter férias diferentes: sem P nem E: eles vão ambos a Londres e ela informa-os dessa decisão.

Será La Cabeza o último livro de A?

P e E visitam N 3 meses depois. Ela está em casa com um jovem: Alex Pritchard. E eles quiseram saber o que sentia ela por Pritchard. E no táxi em que seguiam sentiram que o paquistanês taxista era misógino e agrediram-no e pontapearam-no. E N disse que era melhor passarem algum tempo sem se verem. E cada um regressou a suas casa.

E passou o tempo e dedicaram-se às putas. P conheceu a puta Vanessa, casada com um marroquino. E foi com várias.

O tempo passou e esqueceram o paquistanês. Ligaram a N e foram visitá-la. Contaram-lhe que tinham ido com Morini a um manicómio suíço visitar Edwin Johns e que este tinha contado a Morini por que razão tinha cortado a mão e usava agora uma de plástico e depois Morini desapareceu uns dias sem contar o que Edwin Johns tinha revelado. E N confessa-lhes que Morini tinha estado em Londres, quando eles achavam que ele estava desaparecido e que tinha contado a N que Edwin Johns tinha cortado a mão por dinheiro.

Conhecem o jovem Alatorre protegido do mexicano El Cerdo que se encontrou com A no México: este com 80 anos ia ver Sonora?

Dieter Hallfeld diz que A vive na Grécia… ou então A é a própria Senhora Bubis.

A é de novo candidato ao Nobel (p. 149)


MÉXICO

Todos querem conhecer A. Viajaram até Sonora, sem Morini. El Cerdo apresentou-lhes o catedrático Amalfitano, especialista em A.

A teria ficado num hotel sob o nome de Hans Reuter.

N depois de falar ao telefone com M vai ao quarto de P e ao de E e leva-os aos dois para a cama.

Depois Amalfitano é muitas vezes acompanhado por um jovem, filho de Guerra, numa relação socrática. 

Visitam um circo para tentar saber de A junto de um ilusionista chamado Doktor Koenig que na realidade se chama Andy López, que não conheceu A.

No dia seguinte, N diz que vai regressar a Londres. Nenhum deles teve vontade de fazer amor, depois da ménage à trois. P e E ficam em Santa Teresa.

E visita Rebeca, uma rapariga vendedora de tapetes que ele tinha conhecido e com quem conversara muito. Está nitidamente interessado nela. N escreveu duas cartas iguais a P e a E a explicar porque se foi embora: em Santa Teresa refletiu muito sobre si e a sua existência, relembrou a infância e sentiu-se deprimida e foi. Em Londres descobriu uma exposição de Edwin Jones, o pintor sem mão, que a encantou, e descobriu que ele tinha morrido. P passava os dias no hotel, a ler A.

E a narrativa tripla vai-se alternando!! E vai para a cama com Rebeca. P lê. N visita Morini e acaba por dormir com ele. Em Santa Teresa, P e E têm a certeza de que não vão encontrar A.


A PARTE DE ÓSCAR AMALFITANO

Amalfitano é chileno, tem 50 anos, e vive há uma semana em Santa Teresa com a filha Rosa, espanhola, de 17 anos. Um ano depois de Rosa nascer, a mãe, Lola, abandonou-os. Foi para San Sebastian com uma amiga lésbica, Inma, para ir ter com um poeta que estava no manicómio de Mondragon, que tinha conhecido e amado numa festa selvagem antes de conhecer Amalfitano. Ai conhecera também o jovem de 18 anos, Jordi, homossexual.

Em Mondragon, o poeta não a reconheceu. Ela ficou nas redondezas, enquanto Inma foi a Madrid, recolher dinheiro. Lola ficou numa pensão e acabou por ser expulsa de lá. Foi viver para um cemitério, onde tinha feito sexo com um camionista, Larrazábal, que gostava de fazer sexo com mulheres em cemitérios. A loucura é contagiosa, pensa Amalfitano. Depois esteve 5 anos sem saber nada de Lola. Depois escreveu-lhe de Paris: tinha tido um filho, Benoit, e era empregada de limpeza de escritórios. Dois anos depois apareceu sozinha em Barcelona e procurou Amalfitano. Este dava aulas e Filosofia na Universidade Autónoma de Barcelona. Lola tinha sida, viu a filha e voltou para França, para morrer junto do filhote, Benoit. 

Foi a professora Silvia Pérez que o convenceu a sair de Barcelona, depois de o contrato terminar, e vir para Santa Teresa. Não simpatizou com o decano da U, Augusto Guerra. Mas o filho deste, de 25 anos, Marco António, simpatizou com Amalfitano e levou-o duas vezes a beber mescal. (p300)

Marco António costuma ir à noite para os bares mais rascas de Santa Teresa fingir-se rojo (gay) em busca de (madrizas) pancadaria!


A PARTE DE FATE

Edna Miller, mãe de Quincy Williams, morre. A vizinha tem um ataque cardíaco e vai pôr um pace maker.

É conhecido no trabalho por Óscar Fate. É negro e é um repórter na revista El amanecer oscuro e vai investigar o negro Barry Seaman.

O repórter Jimmy Lowell foi morto nos arredores de Chicago, talvez pelo marido da amante.

Fate vive em Nova Iorque e vai investigar em Detroit. No avião ouve a história do náufrago de um bote de pesca que foi salvo por helicópteros que vieram tentar salvar os sobreviventes de um avião que entretanto caiu na água.

Em Detroit, é recebido por Seaman: este é um autor de receitas caído em desgraça, antigo boxeador, amigo de Marius Newell, e conferencista. Fate vai assistir a uma conferência dele, numa igreja de gospel.

Fala sobre: PELIGRO: ele e Marius formaram os Panteras Negras e contribuíram muito para os direitos dos negros; talvez por isso, Marius foi morto; DINERO: cuja necessidade é muito relativa; COMIDA; ESTRELLAS;

UTILIDAD.

Depois lembra-se do negro da sua primeira crónica: um comunista chamado Antonio Jones.

A seguir foi convocado para ir ao México cobrir um combate de boxe, entre o mexicano Merolino Fernandez e o americano Count Pickett.

Em ST conhece vários jornalistas, em particular Chucho Flores que lhe apresenta Rosa Flores. Conhece também Omar Abdul, agente de Merolino. Propõe ao chefe de redação da sua revista, ficar mais uns dias, para fazer uma reportagem sobre os 200 assassinatos, mas não é autorizado.

Guadalupe Roncal, jovem jornalista mexicana contratada para investigar as 200 mortes de mulheres em Santa Teresa convida Fate para ir com ela entrevistar o principal suspeito: um americano que está preso. Fate pensa não ir.

Na Arena onde vai acontecer o combate de boxe, entre Chucho Flores, Rosa Méndez, Charly Cruz e os jornalistas desportivos, conhece Rosa Amalfitano.

Count Pickett ganha rapidamente o combate.

Fate está encantado com Rosa Amalfitano: na última noite no México vai jantar ao El Rey del Taco, com todos e ela.

Depois vão para casa de Chucho Flores e Fate acaba por resgatá-la e levá-la para o seu motel. Ela conta que anda com Chucho e que de vez em quando snifa coca. O pai dela não gosta de Chucho. Como Chucho era muito ciumento, Rosa decidiu acabar a relação com ele.

Depois Óscar Amalfitano pede a Fate que leve Rosa para os USA para que ela vá para Barcelona. Antes disso, vão com Guadalupe Roncal à prisão onde está o principal suspeito das 200 mortes: é um gigante alemão…


A PARTE DOS CRIMES

1993 Esperanza Gómez Saldaña, a primeira morta.

Muitas outras se seguiram.

O Penitente cometeu também muitos crimes contra igrejas e algumas mortes, possivelmente acidentais.

Sergio González e Juan de Dios Martinez investigaram os crimes.

A diretora do manicómio, Elvira Campos, de onde se suspeitou que fosse o Penitente, diz a Martínez que ele sofre de sacrofobia.

Elvira e Martínez envolvem-se sexualmente. Ela é 15 anos mais velha.

Pedro Negrete, chefe da polícia, contrata o jovem Epifanio para contratar Lalo Cura (Olegario Cura Expósito) para proteger a mulher de Pedro Rengifo, seu compadre, um narcotraficante.

1993: aparecem mais mulheres mortas.

Dois pistoleiros tentam matar a mulher de Pedro Rengifo e Lalo mata-os. Fica ferido num ombro. Depois é contratado para a polícia. Não sabia que Rengifo era traficante.

1994: mais mulheres mortas; em julho não morreu nenhuma, mas um tal Harry Magaña aparece a perguntar a uma puta, Elsa, onde está Miguel Montes.

Descobre onde ele mora e atira-se a ele…

Morrem mais mulheres…

A vidente Florida Almada vê as mortas e os eventos que viveram…

O jornalista Sergio González continua atento e graças à puta jovem com quem dorme, repara que muitas mulheres mortas são putas, mas quase todas são operárias.

Epifanio continua a investigar amortecedor de Estrella Ruiz Sandoval. Esta, uma semana antes de morrer frequentou uma casa de computadores gerida por uma homem muito alto, Klaus Haas, onde trabalha também um adolescente. 

1995: Epifanio prende klaus. Apesar de não haver provas contra ele, só suspeitas. Este parece enlouquecer na prisão e fala de um gigante que há de castigar todos. Mas acaba por ser líder dos prisioneiros, mesmo os mais carniceiros. Está numa cela com dois presos que são amantes: Farfán e e Gómez! Haas não entendia como se podiam sentir atraídos um pelo outro dois homens tão feios: violar mulheres e matá-las parecia-lhe mais atraente! Apetece-lhe matar os seus companheiros de cela, apesar de os sentir como miniaturas réplicas suas. 

Haas parece controlar todos os presos e toda a prisão.

Na conferência de imprensa negou tudo e acusou a polícia de ter forçado a confissão mas que nunca confessou nada nem assume nada. A advogada de Haas entrega um papel com um número de telefone a Sergio González. Este liga e atende Haas: este diz que os presos sabem que não foi ele que cometeu os crimes, que alguém na prisão lhes deu a certeza disso.

Enrique Hernández, narco que controla a entrada da droga no México, parece ter influenciado a conferência de imprensa com Haas.

Mais mortes. Um dos assassinos, Chimal, que pertencia a um gangue dos Caciques, foi preso com dois amigos por terem matado Linda Vázquez. Haas viu Ayala, um preso novo cruel, capar e enfiar pus no cu de Chimal e de um dos Caciques.

Mais mortes. Em janeiro de 1997, a polícia prende vários jovens do gangue los Bisontes, nomeadamente um irmão de um preso amigo de Haas, El Tequila, acusados de várias mortes de mulheres: José Refugio de las Heras, presidente municipal declara encerrado o caso do assassino em série, atribuído a Haas. A partir de agora os crimes que ocorram serão considerados normais.

Em 1972, Mike e Clarissa Epstein fizeram o primeiro snuff filme, na Argentina.

PP724 a 740: genealogia de Lalo, filho, neto, bisneto,… de María Exposito, sucessivamente violadas.

Morre Michele Sanchez García. A mãe dela diz a Sérgio González que a vidente Florita Almada sabe quem anda a matar: viu-lhes as caras.

Sergio entrevista Haas.

Haas é visitado pelo alcaide e pelo narcotraficante Enriquito Hernández: este diz que está a tratar de tudo.

Yolanda Palacio é a chefe do Departamento de Delitos Sexuais de Santa Teresa. Apesar dos milhares de violações de melhores, trabalha sozinha.

Sergio procura Florita Almada  nos estúdios do Canal 7 de Hermosillo, do programa de Reinaldo. Mas ela nada parece saber, afinal.

Em julho de 1997, o presidente municipal José Refugio de las Heras, convida um antigo FBI para ajudar a investigação.

Haas faz uma conferência de imprensa e diz o nome do assassino: Antonio Uribe e o primo Daniel Iturbe (que ninguém conhece), filhos de proprietários de camiões de transporte.

A deputada Azucena Esquivel Plata procura Sergio González e leva-o a casa dela: pergunta-lhe se conhece Kelly Roberta Parker, ou Luz Maria, filha do Arquiteto Ribera. Kelly desapareceu no aeroporto de Santa Teresa depois de organizar uma festa para o banqueiro Salazar, conhecido por lavar dinheiro de o cartel da droga de Santa Teresa e Sonora.

A jornalista Mary-Sue Bravo investiga em Sonoita o desaparecimento de Hernandez Mercado, o único jornalista de La Raza que publicou uma notícia sobre a declaração de Haas sobre os Uribe.

O investigador Loya, que conhecia Kelly, disse a Azucena que as festas que Kelly organizava eram de alta prostituição, para Salazar e para um tal Conrado Padilla. Depois passou a contratar só putitas mexicanas, mais baratas, para as festas de Salazar, Estanislao Campuzano, Muñoz Otero, Fabio Izquierdo.

Mais mortes de raparigas.


A PARTE DE ARCHIMBOLDI

Hans Reiter, filho de uma vesga e de um coxo. Passou os anos da guerra com Hugo Halder, sobrinho rico de um barão, numa mansão onde a mãe de Hans trabalhava como empregada de limpeza. Ajudava-o a roubar pequenos valores da mansão para pagar dívidas de jogo. Hugo convenceu-o a ler o Parsifal. De vez em quando até ia a filha do barão com amigos para fazer festas.

Em 1936, Hans foi para Berlim e começou a trabalhar como vigilante numa fábrica de armas. 

Em 1939, entrou para o regimento hipomóvel de infantaria. Media 1,90m.

Esteve na Polónia e na Roménia, onde encontrou a filha do barão, a prima de Hugo, como baronesa Von Zumpe a ser possuída por Entrescu, um General romeno da SS, no castelo do drácula.

Volta a casa duas vezes, a sua irmã Lotte tem 10 anos. Vai a Berlim mas uma rapariga, Ingeborg Bauer, de uma família que vive na casa de Hugo, acaba por lhe dizer que este estará a viver em Paris.

Em 1941, a Alemanha avança para a URSS. Hans decide enfrentar o perigo, decidido a que uma bala ponha fim ao absurdo da guerra. Depois de ter sobrevivido duas vezes, é atingido: uma bala atravessa-lhe a garganta e fica mudo. Enviam-no para uma aldeia vazia, Kostekino, com outros alemães. Vive na casa de um antigo judeu, Boris Abramovitch Anski e descobre os escritos deste.

Anski foi amigo de Ivanov. Este escreveu livros de ficção científica de sucesso mas depois foi morto por desconfiarem ser trotskista.

Em 1945, Hans está prisioneiro de guerra num campo de americanos. Sammer, um alemão prisioneiro também conta-lhe o que fez a 500 judeus que lhe enviaram por engano para a sua comarca.

Hans vai para Colónia. Trabalha como porteiro de um bar. Faz sexo com algumas raparigas. Reencontra Ingeborg Bauer e leva-a para casa (vivia numa casa abandonada do tempo da guerra): tornam-se um casal.

Hans conta que estrangulou Sammer quando ele lhe contou o que fez aos judeus.

Hans é Bonno von Archimboldi! 

O senhor Bubis, que recolheu a Senhora Gottlieb, e casou com a baronesa von Zumpe, decide publicar Ludicke, o primeiro livro de A.A baronesa vai para a cama com A. e este conta-lhe que a observou na cama com Entrescu e que viu este general a ser queimado na guerra.

Bubis publicou também A Rosa Ilimitada e A Máscara de Couro e Rios da Europa. Os livros de A venderam-se muito pouco, mas Bubis fez a baronesa prometer que protegeria sempre A.

O quinto livro intitulou-se Bifurcata bifurcata.

Ingeborg fica doente e morre em Itália. Quatro anos depois, A envia a Bubis o livro A Herança. Estará em Veneza onde diz que viveu como jardineiro. Bubis envia-lhe dinheiro. A baronesa vai a Veneza e dorme come A e dá-lhe dinheiro e ele conta que reviu a família.

Bubis, antes de morrer, quatro anos depois, publica ainda São Tomás, A Cega, O Mar Negro, Letea e O vendedor de Lotarias. De Veneza, A vai para a ilha grega de Icária. Vive em várias outras ilhas e quando Bubis morre, regressa a Veneza. Com o dinheiro que a baronesa lhe leva, dos seus livros, nomeadamente do último, O Regresso, vive e compra anos depois um portátil para substituir a máquina de escrever que Bubis lhe tinha oferecido.

Depois desaparece e reaparece aqui e ali quando é visitado pela baronesa. 

Esta continuou sempre a editá-lo, mesmo sem ler os livros dele, por serem complexos. Ele foi ganhando consistência como escritor e falou-se da possibilidades nomeação para o Nobel.

Quem herdará a rica editora Bubis?

Chegamos a Lotte! Depois de o pai, o coxo, morrer a mãe casa-se com um mecânico mais novo que ela é Lotte conheceu um empregado, um tal Werner Haas. Gostava dele, mas ele pediu-a em casamento e ela disse que tinha de pensar, depois envolveu-se com um homem casado, Heinrich. Mas acabou por casar com Werner Haas. E tiveram um filho: Klaus Haas. Estão bem na vida, ficam com a oficina e investem e viajam. O filho cresce normalmente e aos 18 anos emigra para a América, onde desaparece. Werner morre e Lotte continua a garantia bastante dinheiro a viajar.

Em 1995, Lotte recebe um telegrama a informar que Klaus está preso em Santa Teresa. Contrata Ingrid, uma intérprete, e vão para o México. Visita o filho na prisão. Não acredita que ele seja o assassino das mulheres. Volta à Alemanha. Sonha e uma voz no sonho diz-lhe que é possível que Klaus seja o assassino. Volta em 1996 ao México, com Ingrid. Fala com Klaus e regressa à Alemanha. Volta em 1997, sozinha. Klaus tinha sido julgado e considerado culpado de 4 assassinatos. Em 1998, o julgamento é considerado nulo e reiniciado. Lotte percebe que a advogada Victoria Santolaya ama Klaus e está confessa que sim e que dorme com ele nas visitas da prisão.

Em 2001, já muito idosa e com problemas de saúde, volta ao México e em Hamburgo, no aeroporto, por acaso, compra o livro O Rei da Selva de um tal Benno von Archimboldi, que conta a hóstia sua infância. No México mostra o livro a Klaus que lhe diz que o quer ler. No hotel, Lotte telefona para o número da editora do livro, a Bubis, e diz que é a irmã de A. Quem falou com ela foi a muito idosa baronesa von Zumpe.

3 meses depois, A aparece a Lotte, em Paderborn, na Alemanha.


El asado / O cozinheiro

O advogado