quarta-feira, 31 de agosto de 2022

Sábado - Ian McEwan


15 de fevereiro de 2003

UM

Henry Perowne, cirurgião, casado com Rosalind, advogada. Vivem ainda apaixonados. Vivem em Londres, numa praça que dá para a Charlotte Street.

Tem 2 assistentes: Sally Madden e Rodney Browne. O anestesista com quem trabalha, Jay Strauss, tem um assistente, Gita Syal. Heathrow é a empregada de limpeza do hospital.

É pai de Theo, 18 anos, músico de blues, e de Daisy, poetisa.

Acorda a meio da noite e vai à janela, onde observa um avião a arder a descer para Heathrow.

Nas notícias, ouvidas por Henry e pelos filhos, diz-se que é um Tupolev russo, de carga, que acabou por aterrar sem vítimas.

A mãe dele está num lar. Era nadadora.

Conheceu Rosalind quando ela tinha 19 anos: ela teve um tumor benigno na glândula pituitária que quase a cegou e ele acompanhou a operação do dr. Whaley. Ela era filha do famoso poeta John Grammaticus e de Marianne, que morrera há 3 anos, num acidente.

Rosalind vai buscar o pai ao fim do dia. Daisy chega de Paris às sete. Irá publicar o primeiro livro de poemas.

DOIS

A caminho do squash, um carro bate no de Henry: Baxter, o condutor, dá-lhe um murro para o obrigar a assumir a culpa que não tem e Henry diz-lhe que ele tem uma doença degenerativa e consegue fugir dali.

No squash: o anestesista Strauss tem 5 filhos, dois com a segunda mulher. Jogam com grande intensidade. Strauss ganha depois de ter questionado uma anterior jogada que dava a vitória a Henry.

Continua a desloca dos manifestantes contra a intervenção americana no Iraque para derrubar Saddam.

TRÊS 

O avô de Theo e de Daisy terá influenciado a descoberta do talento de ambos. Grammaticus teve várias mulheres a seguir a enviuvar.

Vai chegar hoje, tal com Daisy.

Henry visita a mãe Lily que está com Alzheimer num lar. A seguir vai ouvir, maravilhado com a música, um ensaio do filho.

QUATRO

Henry e Daisy discutem amigavelmente sobre a invasão do Iraque. Chegam Theo e Grammaticus.

Quando chega Rosalind, entram com ela Baxter e um amigo bandido a ameaçar toda a família. Henry promete a Baxter que o trata. Baxter obriga Daisy a despir-se e a declamar um poema dela. Elsa está grávida de 4 ou 5 meses.

Baxter esmurra e parte o nariz a Grammaticus.

Theo e Henry conseguem dominar Baxter, e atirá-lo escadas a baixo, depois de o outro bandido ter fugido. O episódio acaba bem. Baxter vai para o hospital.

Quando estão todos a festejar, Jay telefona a a Henry a pedir-lhe que o vá ajudar numa operação delicada a um homem que caiu das escadas.

CINCO

A operação corre bem. Ao sair, Henry passa pela cama da jovem Andrea, de 14 anos que também foi operada ao cérebro, no dia anterior. Ela está encantada com Rodney, o médico assistente de Henry. Sobe e vai aos cuidados intensivos ver Baxter, que dorme.



………



É uma ilusão acreditar que ele próprio tem um papel activo na história. 


Será que pensa que está a fazer algum contributo quando está a ver noticiários ou deitado de costas no sofá aos domingos à tarde a ler mais colunas de opinião cheias de certezas não fundamentadas, ou longos artigos sobre o que está realmente por detrás disto ou daquilo, ou sobre o que irá certamente acontecer a seguir, previsões esquecidas assim que acabam de ser lidas, muito antes de os acontecimentos as negarem? 


Contra ou a favor da guerra contra o terrorismo ou da guerra do Iraque? 


A favor da deposição de um tirano odioso e da sua família criminosa, a favor de mais inspeção às armas, da abertura das prisões onde os presos são torturados, da localização das valas comuns, da esperança de liberdade e prosperidade e do aviso a outros déspotas?


Ou contra o bombardeamento de alvos civis, o aparecimento inevitável de refugiados e da fome, as acções internacionais ilegais, a ira dos países árabes e o engrossar das fileiras da Al-Qaeda?


Seja como for, tudo vai dar a uma espécie de consenso, uma ortodoxia atenta, uma certa subjugação. 


Será que pensa que a sua ambivalência - se é disso que se trata - o desculpa do conformismo geral?


domingo, 28 de agosto de 2022

Antes de conocernos - Julian Barnes


Tras quince años de implacable matrimonio con Barbara, Graham Hendrick, un historiador y profesor universitario, conoce a Ann, se enamora y, después de unos meses de relaciones clandestinas, abandona esposa, hija, coche e hipoteca, y se marcha a vivir con la mujer que le ha hecho recuperar el placer de vivir. Graham se divorciará de la furiosa Barbara, se casará con Ann, y serán felices para siempre y comerán perdices hasta el día aciago en que sorprende a su nueva esposa cometiendo adulterio en la pantalla. Pues Ann no ha nacido, como desearía Graham y desean todos los enamorados, en el instante preciso en que se conocieron. La joven tiene un pasado en el que ha sido actriz, y ha interpretado pequeños papeles en numerosas películas. Y Graham se dedicará a rastrearlas minuciosamente, y a verlas compulsivamente, pues, como historiador que es, sabe que el pasado, y sus testimonios, importan. Aunque él, más que en una «investigación histórica», se ha embarcado en un delirio de celos  retrospectivos propio de la más desesperada  y divertida­ historia de 
amour fou.

TRES TRAJES Y UN VIOLÍN

Graham Hendrick viu Ann, a sua segunda mulher, a cometer adultério.

1977, 22 de abril: conheceram-se: o escritor Jack Lupton apresentou-os.

Graham era casado há 15 anos com Bárbara e pai de Alice.

Seis meses depois de iniciarem o caso, Graham fica a dormir em casa de Ann e quando chega a casa de manhã conta tudo a Bárbara. Sai de casa. Vive seis meses mais com Ann no apartamento dela e depois vão viver para uma nova casa.

1978, final do verão: Graham e Bárbara divorciam-se. Casa-se com Ann.

IN FRAGANTI

1981 Graham e Alice, por sugestão maliciosa de Bárbara, vão ao cinema ver um filme em que Ann entrou num excerto mau. Ann deixou de ser atriz, ao fim de oito anos, alguns meses antes de conhecer Graham. Começou a trabalhar para a Redman and Gilks, empresa de roupa, como chefe de compras. Viajava muito.

EL OSO BIZCO

Graham diz a Jack Lupton que tem ciúmes dos homens que Ann conheceu “antes de conocernos”. Especialmente dos atores com que contracenou.

Ele diz-lhe para se ligar menos a ela sentimentalmente e Graham diz que não consegue.

SANSEPOLCRO, POGGIBONSI

Ciúmes das viagens que ela fez e dos livros com dedicatórias. Ann confirma uma série de nomes mas nega ter sido amante de Jack.

MEDÍOCRES Y AVENTAJADOS

Ann combina com Jack não contar a Graham que foram amantes.

Bárbara ainda pensa em Graham, embora não lhe perdoe.

Jack vive em Hampshire, no campo, com a sua mulher, Sue.

Graham comprou uma língua de vaca e cortou-a em tiras finas.

EL LAVACOCHES

Graham começou sonhos fortes, depois de ver o filme em que Ann contracenava com Buck Skelton.

EN EL ESTERCOLERO

Depois de ver filmes em que Ann não entrava, Graham e Ann viajam pela França. Tudo parece normal, até porque não vão a nenhuma cidade onde Ann já tenha estado. Entretanto, ela fica com o período e ele fica estranho. Regressam a Londres.

LAS ARENAS FEMINIANAS

Graham justifica nunca ter levado Alice ao zoo. Ela pergunta-lhe pela primeira vez porque deixou a mãe, Bárbara.

Graham questiona ter ciúmes em retrospetiva.

Ann sente Graham cada vez mais desmotivado na relação.

Jack põe a hipótese de estar com Ann.

A VECES UN PURO

Ann organiza uma festa. Graham passa-se quando vê Jack a acariciar Ann. Ann passa-se e diz-lhe que vai comprar um frango vivo e matá-lo para lhe tirar o sangue como faziam nos bordéis e assim ela poderia ser a sua virgem.

EL SÍNDROME DE STANLEY SPENCER

Graham procura nos livros que Jack escreveu provas da infidelidade de Ann, desde 1971, até à época em que Graham conheceu Ann e durante o seu casamento com ela, incluindo o primeiro ano.

Vai almoçar com Sue. Ela sabe que Jack sempre a traiu com outras (o síndrome de Stanley Spencer). Ele diz-lhe que sabe que Jack sempre foi amante de Ann. Sue pensou que seria agradável ir para a cama com Graham, por vingança. Mas Graham está a pensar no momento em que irá confrontar Ann com a verdade que agora conhece.

EL CABALLO Y EL COCODRILO

Graham visita Jack. Irá matá-lo? Jack senta-se a escrever à máquina, depois de dizer que Graham poderá fazer parte do seu livro. Graham pegou numa faca que trouxe com ele e apunhalou-o várias vezes.

Ann, no dia seguinte, …


quarta-feira, 24 de agosto de 2022

A verdade sobre o caso Harry Quebert - Joël Dicker

 



PRIMEIRA PARTE: A DOENÇA DOS ESCRITORES

1975, 30 de agosto - Nola Kellergan, de 15 anos, desaparece numa floresta, perseguida por um homem, perto de Side Creek Lane, na cidade de Aurora, New Hampshire.

2008, outubro, 33 anos depois: o narrador, o escritor Marcus Goldman, escreve um livro de muito sucesso, que conta o que aconteceu a Nola.

No início de 2008 ainda saboreava o sucesso do primeiro livro que editou em 2007 e não conseguia ter inspiração para escrever outro. 

A editora Schmid & Hanson pressiona o seu agente, Douglas Claren.

Roy Barnaski, o diretor da editora ameaça-o porque ele tem contrato de 5 livros.

Regressado de férias na Florida, Marcus fala com o professor Harry Quebert e vai  passar uma temporada em Aurora, New Hampshire, onde ele mora.

Descobriu que o autor da obra-prima As Origens do Mal aos 34 anos se envolvera com uma rapariga de 15 anos, Nola Kellergan, em 1975.

Regressa a Nova Iorque: faltam 30 dias para acabar o prazo do contrato com a editora.

2008, junho: Descobrem o esqueleto de Nola no jardim de Harry Quebert. Será ele o assassino da adolescente? Terá provavelmente morto também Deborah Cooper, a mulher velha que telefonou à polícia a informar que Nola ia a ser perseguida na floresta, na última vez que foi vista.

Com o esqueleto estava enterrado o manuscrito de As Origens do Mal.

Harry Quebert é preso.

PASSADO: Marcus Goldman, quando andou no liceu: o falso formidável.

PRESENTE: Goldman instala-se em Goose Cove, a casa de Quebert. Faltam 15 dias para o final do contrato.

Um homem de 34 anos pode apaixonar-se por uma rapariga de 15?

PASSADO: Nola: em 1975, servia no Clark’s, o pai era pastor evangelista em Aurora. Viviam no 245 da aterrasse Avenue.

2008: Goldman vai ao Clark’s: conversa com Jenny, a dona, com Erne Pinkas, o bibliotecário, e com o chefe da polícia, Travis Dawn. 

Este conta que foi com o chefe da polícia da altura, Pratt, a casa de Deborah Cooper, por ela lhes ter telefonado e quando estavam na floresta à procura de Nola, depois de encontrarem bocados de tecido ver,elmo e cabelos louros, ouviram um tiro: estava morta; ela tinha telefonado outra vez para a polícia a dizer que Nola se tinha refugiado em casa dela. Nola tinha desaparecido de vez. A polícia viu um Chevrolet Monte Carlo suspeito. Quebert tinha um. E só tinha chegado a Aurora há 3 meses.

1975, 30 de agosto: Na noite do desaparecimento, Quebert esperava por Nola num motel, o Sea Side, no quarto 8, conforme ela lhe tinha escrito num bilhete a combinar encontrar-se com ele para partirem juntos para sempre.

1975, 3 de junho (ou 20 de maio? ver página 134): Quebert conhece Nola, à chuva, à beira-mar, na praia Grand Beach. Tinha chegado de Nova Iorque para se isolar a escrever o seu livro. Terá sido também ele um falso Formidável.

PRESENTE: 

Douglas informa Goldman que, caso escreva um livro sobre o caso Quebert, Barnaski não o processa e renegoceia o contrato.

Chegado a casa, um envelope com uma mensagem: “Volta para casa, Goldman”.

PASSADO: A IMPORTÂNCIA DE SABER CAIR

Universidade de Burrows, Massachussets, 1998-2002

Marcus Goldman era aluno de Harry e este ensinou-o a ser escritor, depois de o obrigar a enfrentar-se, no boxe… e provar que merecia o epíteto de “O formidável”.

Foi pela primeira vez a Goose Cove em 2000, quando já conhecia Harry há um ano e meio. Descobriu que ele não era casado.

Concluiu o curso de Literatura como melhor aluno, em 2002.

Publicou o primeiro sucesso em 2006, com 28 anos: ficou rico, conhecido e talentoso.

PRESENTE: onde tinham sido plantadas hortênsias

Sargento Perry Gahalowood investiga o caso. Assistiu à abertura do buraco e à descoberta do cadáver. Leu o livro As Origens do Mal de ponta a ponta.

2002, 30 de agosto: ano em que Quebert plantou as hortênsias, em homenagem a Nola.

PRESENTE: Goldman vai ao hotel Sea Side confirmar se Quebert lá esteve há 30 anos. Descobre que do hotel há um carreiro que leva à praia e pela praia pode chegar-se à floresta e a Aurora. Não há documentos que provem que Quebert lá esteve.

Goldman visita Harry na prisão para lhe fazer perguntas sobre Nola.

Ao regressar vê um vulto que incendeia o Corvette de Harry.

1975, 14 de junho: NOLA

Tamara Quinn era a dona do Clark’s onde Harry passava as manhãs a escrever. Nola trabalhava lá aos sábados e estava apaixonada por ele. Jenny era filha de Tamara. Tinha 24 anos e queria seduzir Harry.

Harry não consegue escrever nada: ama desesperadamente Nola e ela ama-o também.

PRESENTE: Jenny é a atual mulher de Travis Dawn, o chefe da polícia.

1975, 18 a 28 de junho: Harry e Nola estão cada vez mais apaixonados; com Jenny tenta esquecer Nola; 

1975, 4 de julho: Tamara e Robert, pais de Jenny; esta vai sair com Harry. Nola declara-se a Harry

2008, 22 de junho

Marcus visita o ex-reverendo David Kellergan. Este está ainda em choque pelas revelações sobre a morte da filha.

1975, depois do desaparecimento de Nola, Harry recebe cartas anónimas a dizer que sabem o que ele teria feito a Nola.

2008, 26 de junho

Marcus visita Nancy Hattaway, a amiga que servira de álibi a Nola para se encontrar com Harry, sem os pais saberem. Ela revela que Nola era espancada pela mãe (o pai punha a música alto para não ouvir).

E que no verão de 1975, Nola teve um caso com um homem de 40 anos, Elijah Stern, um dos homens mais ricos de New Hampshire. O motorista dele era Luther Caleb.

Tamara Quinn afirma que tem provas do caso de Harry com Nola.

1975, 5 de julho: 

Jenny diz a Nola que anda com Harry. A seguir troca cartas de amor com Harry, mas não se encontram.

Erne Pinkas sabe que Harry não é o escritor famoso que todos pensam ser.

Harry vai ao cinema com Jenny no seu Chevrolet Monte Carlo preto.

Nola e o pai vão ao cinema. Nola vê Harry e Jenny e foge.

1975, 13 de julho: Nola tenta suicidar-se.

2008, 30 de junho: fim do prazo para Marcus Goldman entregar o livro. Marcus ouve Tamara, a mãe de Jenny:

1975, 13 de julho: como Harry faltou ao almoço com a família de Jenny e convidados, Tamara vai a casa dele e encontra um bilhete em que ele diz que ama Nola e que não suporta a ideia de ela se ter tentado suicidar.

A casa de Goose Cove pertencia a Elijah Stern e este vendeu-a a Harry.


2008, 30 de junho: Marcus envia a Barnaski as primeiras páginas do livro “O Caso Harry Quebert”

A seguir vai a casa de Elijah: este nega conhecer Nola, mas Marcus descobre um quadro dela, assinado por L. C.

1975, 19 de julho, 15 dias antes: baile de verão! Harry conhece Elijah e Luther Caleb. E ganha na tômbola uma estadia num hotel.

1975, final de julho, Harry e Nola passam alguns dias num hotel à beira-mar em Martha’s Vineyard. Ela fugiu de casa, mas disse a Harry que os pais pensavam que ela estava em casa de uma amiga. Um vulto vê-os às 4h da manhã a encontrarem-se para partir. Amam-se durante aqueles dias. (Nola seria virgem? Harry não se questiona?)

Mas Harry está sem dinheiro para continuar em Aurora

1975, 3 de agosto: Harry e Nola regressam a Aurora, ele promete-lhe que fica, mas a meio da noite foge… mas é travado por Luther Caleb: Stern soube que ele não tinha dinheiro e propôs-lhe ser o seu mecenas.

Nola foi violentada pela mãe por ter fugido.

Harry escreve avidamente o As Origens do Mal e Nola cuida dele.

Nola e Harry combinam fugir para o Canadá.

Harry descobre um segredo da mãe de Nola!

Luther Caleb abordava mulheres para as pintar, nomeadamente Jenny.

1975, 26 de setembro, Caleb morre: o seu carro foi encontrado no fundo de uma falésia.

1975 Será que também o chefe da polícia Pratt teve um caso com Nola?

Nola chupou-o uma vez e ele obrigou-a a chupá-lo uma segunda vez na floresta. É preso para averiguação.

1975, 15 de agosto: A mãe de Nola enfia-lhe a cabeça numa banheira com água gelada: quer que ela vá para o céu.

Caleb vê Harry e Nola na praia. 

Travis espanca Caleb por ele ter apertado o pulso de Jenny.

2008, 3 de julho: Goldman recebe mais um bilhete anónimo: último aviso!

Gahalowood, o polícia investigador com base nas declarações de Pratt, faz buscas em casa de Elijah. Confirma que foi Caleb que pintou o quadro de Nola, porque ela precisava de dinheiro, e que nunca se envolveu com ela.

1975, 27 de agosto: o livro de Harry estava terminado; último dia em que Harry vê Nola; ela leva um dos manuscrito do livro.


SEGUNDA PARTE: A CURA DOS ESCRITORES

2008, 7 de julho: Goldman assina o contrato com Barnaski. Roth revela que a caligrafia da mensagem encontrada no manuscrito que estava junto do cadáver não era de Harry.

2008, 9 de julho: as 50 folhas do início do livro de Goldman foram roubadas e irão ser piratearas e divulgadas.

1975, 30 de agosto: Nola desaparece e Deborah Cooper é morta.

2008, 10 de julho

Os jornais publicam excertos do início do livro de Marcus Goldman e os conhecidos de Aurora ficam escandalizados com o que ele revelou.

A casa de Goose Cove é incendiada e Harry regressa desiludido com Marcus e expulsa-o. 

O Sargento Perry Gahalowood pede-lhe que fique. Ele instala-se num hotel em Concord. Harry vai para o Sea Side, quarto 8.

1975, 31 de agosto: o pai de Caleb descobre que este se tinha demitido 3 dias antes e que era amado por Nola. Depois do dia 30, nunca mais viu o filho, até que ele morre na ravina.

2008, final de julho, Harry diz que a solução do enigma está nos livros!

1975, fim de julho: Nola vai a casa de Stern pedir trabalho para ajudar Harry a ficar em Aurora: Stern paga-lhe para ser modelo nu de Caleb. Stern é homossexual.

1975, 29 de agosto: Stern proíbe Caleb de continuar a pintar Nola, porque Caleb se apaixonou por ela e perseguia Harry. Caleb pede a demissão a Stern.

1975, setembro: O carro que caiu à ravina com Caleb era um Chevrolet Monte Carlo preto, propriedade de Stern! E estaria lá desde o dia do desaparecimento de Nola. Pratt não seguiu essa pista. Havia um saco com roupa no porta-bagagens.

2008, 22 de julho: Pratt é encontrado morto no hotel onde está instalado.

1975 Foi Robert Quinn que roubou o papel que Tamara roubou a Harry (em que descobriu que Harry amava Nola). Foi Nola que disse a Robert que Tamara tinha mostrado o papel a Pratt.

Nola pediu a Robert que roubasse o papel, porque amava Harry. Nola chupou Pratt para o chantagear e impedir que ele acusasse Harry.

Robert escreveu as cartas anónimas a Harry, depois de Nola ter desaparecido, a acusá-la de ter sido ele o criminoso.

2008 A caligrafia do bilhete é reconhecida como a de Caleb: foi ele!?

1975, dezembro: Harry, depois de Nola morrer, frequentou o psiquiatra Ashcroft, o mesmo de Tamara. Um dia, depois de vender os direitos do seu livro a uma editora por um milhão de dólares, comprou um cão, o Story, tal momo Nola desejara.

1976, 13 de outubro: Travis Dawn pede Jenny em casamento e ela aceita, resignada.

1985, julho: Harry é convidado para dar aulas na universidade de Burrows.

2008 Barnaski insiste que o livro tem de ser publicado e propõe escritores-fantasmas e cenas de sexo.

Caleb é definitivamente considerado o assassino de Nola.

Quem matou Pratt?

TERCEIRA PARTE: O PARAÍSO DOS ESCRITORES

2008, 23 de outubro: descobre-se que a verdadeira mãe de Nola morreu em 1969, no Alabama. Provavelmente era o pai que batia em Nola? Mas Nola dizia que era a mãe que a torturava.

Afinal, Harry não se alojou no quarto 8 do Sea Side Hotel. Desapareceu! Deixou um manuscrito no cacifo do ginásio de boxe: “As gaivotas de Aurora”

Gahalowood e Marcus vão ao Alabama e descobrem que foi Nola que incendiou a casa e matou a mãe e como a vê em espírito espancava-se a si própria e mergulhava a cabeça em água fria.

Confrontam o pai de Nola: descobrem que a 30 de agosto Nola recebe uma carta de Harry a acabar tudo, ao contrário do que se pensava, que ele estaria à espera dela no Sea Side Hotel.

Harry refugia-se no Canadá.

A polícia faz parar um homem num carro: é quem incendiou a casa de Harry. É Robert Quinn. O seu advogado é Benjamin Roth.

Lansdane é o chefe de Gahalowood e diz-lhe para encerrar o caso.

Há uma foto de Robert ao lado de um Chevrolet Monte Carlo preto que terá tencionado comprar em 1975. Escondeu a arma e o fio de Nola no lodo do lago. Mas não foi ele o assassino. A foto tinha a data falsificada: era de 1974.

Foi afinal Travis que matou Nola e contou a Jenny em 2008 quando o corpo apareceu. Esta incendiou a casa de Harry. Travis matou Pratt porque ele queria confessar tudo.

Afinal não foi Harry que escreveu As Origens do Mal. Escreveu As Gaivotas de Aurora. Luther Caleb foi o autor de As Origens do Mal e Harry roubou-lhe o livro. A correspondência que Nola pensara ter com Harry aconteceu com Caleb, que fingiu ser Harry a escrever. A última carta que Nola recebeu era de Caleb.

Stern contratou Caleb porque foi ele e os amigos que o desfiguraram quando eram jovens de 30 anos

Depois de chorar muito, Nola sai de casa para ir confrontar Harry, caso ele lá estivesse… 

FIM: Páginas 663 ao final…

sábado, 20 de agosto de 2022

Três Homens num barco - Jerome K. Jerome

 


Três Homens num Barco - J. K. Jerome

George, William Samuel Harris, o narrador e o cão Montmorency.

O narrador é hipocondríaco.

Decidem ir descer o rio durante uma semana.

Como fazer para dormir?

Partirão de Kingston, no sábado seguinte. Discutem se vão acampar, prevendo que poderá chover, ou se ficarão em hotéis durante o percurso.

O que levar na viagem?

Ver o conselho de vida das páginas 33 e 34.

Tudo tem os seus inconvenientes, como dizia o outro, quando lhe morreu a sogra e lhe foram apresentar a conta do funeral.

4 O que levar de comida?

Está tudo pronto para partirem na manhã seguinte.

Acordam tarde e apanham um táxi, carregadíssimos. Chegam a Kingston e embarcam para a viagem que durará 15 dias.

O intrincado labirinto de Hampton Court.

Pela eclusa de Moulsey.

Kempton Park

O narrador e a prima e a eclusa que já não existia.

10 

terça-feira, 16 de agosto de 2022

Jonathan Franzen - Correcções

 


Correções - Jonathan Franzen

ST. JUDE: Alfred Lambert e Enid, a velhice, a ansiedade, a doença de Parkinson (descoberta no dia em que a filha Denise se casou com o patrão judeu Émile) e uma carta da empresa Axon.

O FRACASSADO: Alfred e Enid vão visitar o filho Chip a Nova Iorque. Este é um escritor de guiões cinematográficos e um jornalista falhado. Tem um apartamento arrendado em Manhattan, uma namorada casada, Julia Vrais, e nada mais. A irmã Denise tem 32 anos, é divorciada de Émile e é a cozinheira chefe de um restaurante conceituado em Filadélfia. O irmão Gary é bancário e pai de 3 filhos.
Julia abandona Chip, no momento da chegada dos pais dele e de Denise.
O guião dele, intitulado Academia Púrpura, não parece ter qualidade.

A primeira namorada era a feminista Tori Timmelman. Andaram 10 anos. Aos 33, foi para o D— Colegge, em Tilton Ledge Lane, Connecticut. Andou com a colega Ruthdie, mas depois teve um caso com uma estudante do primeiro ano, Melissa Paquette (que o terá abandonado por ele ser mau amante?).

Presente: Denise está sozinha com os pais a preparar comida em casa de Chip. Alfred é reformado da companhia ferroviária da Midpac (Midland Pacific Railroad). Enid mostra-lhe a carta da Axon: querem comprar uma patente de Alfred por $5000 dólares (Electropolimerização terapêutica do gel de acetato de ferro).
Enid quer que todos vão passar o próximo Natal a St. Jude.

No dia do aniversário dos 75 anos de Alfred, Chip não lhe ligou, esqueceu-se. Foi despedido, acusado por Melissa de se ter envolvido com ela e de lhe ter escrito um trabalho para a professora Vendla O’Fallon.
Depois pediu dinheiro a Denise para se defender em tribunal e iniciou uma relação com Julia Vrais, assistente de Eden Procuro, a editora que ele contava que contratasse o seu guião. Julia casara-se com um lituano que estava agora em Vilnius.

Presente: enquanto Denise janta com os pais, Chip vai ao escritório de Eden para fazer correções no guião e para lhe dar mais qualidade. Eden confirma que não há qualquer hipótese de Julia voltar para ele. SURPRESA: Gitanas, o marido de Julia, está com Eden e contrata Chip para corrigir páginas web com info favorável economicamente à Lituânia, para captar dinheiro aos investidores americanos.

Os pais de Chip partem para um cruzeiro das Nordic Pleasurelines. Denise volta a Filadélfia. Chip parte com Gitanas para Vilnius. 

QUANTO MAIS PENSAVA NO ASSUNTO MAIS FURIOSO FICAVA
Gary e o casamento instável com Caroline. O ódio de Caroline aos pais de Gary. A “depressão” de Gary. Os filhos Jonah, Caleb e Aaron. 

A Axon e Earl Eberle que querem a patente de Alfred por uma ninharia, quando ganham milhões com métodos de tratamento de doenças oncológicas e outras.

CORECKTALL
Método da Axon que renova e cura o cérebro deprimido. Gary e a irmã Denise vão assistir a uma apresentação sobre o método. Gary pensa adquirir ações da empresa e exigir muito dinheiro pela patente do pai.

NO MAR
Enid e Alfred no cruzeiro Gunnar Myrdal na costa oeste dos USA: Alfred conservador e Enid que o ama, mas que viveu sempre à espera que ele deixe de o ser. Os escrúpulos de Alfred e a sua invenção, cuja patente agora quer ser comprada pela Axon.
A amiga de Enid, Sylvia Roth, cuja filha foi morta por um assassino que vai morrer executado. O ansiolítico Aslan. A decadência de  Alfred, pelo Parkinson e pelo descontrolo da urina.

O GERADOR
Denise é chef do restaurante Mare Scuro, que Brian Callahan lhe comprou. Brian ficou rico ao vender uma patente do software Eigenmelody à W—Corporation. É casado com Robin Passafaro. Esta é irmã de Billy Passafaro, adotado, que está preso por ter agredido violentamente Rick Flamburg, presidente da W—Corporation. Billy sempre tratou Robin muito mal.
Denise trabalhou um verão, depois do liceu, na Midland Pacific, a pedido de Alfred. Perde a virgindade com Don Armour, um colega bastante mais velho, casado e pai de 3 filhos, veterano do Vietnam.
Depois, tornou-se cozinheira e chef. Teve um caso com Ed Sterling, pai de uma colega de faculdade. Depois foi trabalhar para o Café Louche e casou com o dono, Emile Berger, também com o dobro da sua idade. Quando o ultrapassou em talento, foi trabalhar para o Ardennes. Separou-se de Emile por achar que era lésbica e envolveu-se com Becker Hemerling. Discutiam muito e decidiu deixar o Ardennes e tornou-se dona do Mare Scuro.

Denise torna-se chef contratada por Brian para gerir o futuro restaurante Gerador. Curiosa por Brian lhe ter resistido, em Paris, por onde viajaram, decide conhecer Robin e as filhas dele. Robin cede à sua simpatia depois de ela lhe dizer que já não se interessa por homens.

Robin e Denise tornam-se amantes sôfregas. A carreira e a vida de ambas fica muito instável. Brian não suspeita. Acabam por de separar quando a instabilidade atinge o limite. Brian diz a Denise que provavelmente se vai separar de Robin porque ela se tornou de novo de,adiado irritável e crente.
Denise vai a Nova Iorque para se encontrar com Chip e com os pais que vão para o cruzeiro.
Brian liga-lhe e convida-a para jantarem com um grupo de famosos. O casamento dele acabou. Ele dorme em casa dela, com ela. Robin toca a campainha de manhã. Denise percebe que gosta é de Robin. Robin sai sem saber que Brian lá está.
Gary telefona a Denise a dizer que o pai caiu do andar de cima do navio para o mar. Sobreviveu.
Robin volta a entrar: descobriu que o carro de Brian estava na rua. Brian e Robin discutem no andar de cima. Quando saem, Brian diz a Denise que está despedida.

Chip tenta voltar de Vilnius, com 29000€ que recebeu de Gitanas

UM ÚLTIMO NATAL 
Gary e Denise vão passar o Natal com os pais.
Depois de ser despedida, Denise foi para nova Iorque. De volta a Filadélfia reatou a relação com a separada Robin. Tratou-a mal e separam-se antes de ela começar a tomar conta dos pais. Arthur trata-se com o Corecktall.






segunda-feira, 8 de agosto de 2022

Contos - Maria Judite de Carvalho

 

TANTA GENTE, MARIANA

Mariana casa com António que a troca por Estrela. Mariana engravida de Luís Gonzaga que vai para padre. Mariana é atropelada e perde o filho. Mariana acaba sozinha?

A VIDA E O SONHO

Adérito torna-se bancário, casa, tem filhos e passa as tardes de domingo a ver os aviões ou os barcos a partir. Partirá também ele alguma vez?

A AVÓ CÂNDIDA

A não tão tranquila avó Cândida como Clara pensava.

A MÃE

A mulher que decide ter um caso extraconjugal com Mateus Porto que quis vingar-se do marido dela por ele se ter envolvido com a mulher dele, há muitos anos.

A MENINA ARMINDA

Violada aos 14 anos, decide, aos 34 raptar um bebé.

NOITE DE NATAL

Emília, filha de Dores, mata o pai, alcoólico violento.

DESENCONTRO 

Duarte regressa de Paris todos os anos durante 15 dias e reencontra Luísa com quem namorou há 20 anos, tinha ela 17 anos.

O PASSEIO NO DOMINGO

Marcelino Ramos, para desanuviar de um casamento entediante, decide aceitar o convite do colega de escritório para se encontrarem condutas raparigas, num domingo à tarde.

AS PALAVRAS POUPADAS

Graça terá 35 anos. Vive com a criada Piedade. 

Relembra:

-o facto de ter crescido sem mãe;

-as visitas de Clotilde e de Emília (casada, mas amante de um tal Bernardo de Melo) a Leda e as conversas ouvidas por Graça;

-a descoberta, aos 14 anos, de que a madrasta Leda era amante do belo Vasco, amigo da família, primo da mãe de Graça, por quem esta estava apaixonada;

-a ida a casa de Clotilde, quando tinha 22 anos, para lhe contar que o pai era traído por Leda;

-a prisão de Vasco que ia a Tânger com amigos; quando saiu da prisão foi viver para Paris e Graça nunca mais o viu;

-a carta anónima de Graça ao pai;

-a responsabilidade dela na separação do pai e da madrasta;

-a saída de Graça de casa para se casar com Claude, que o pai desaprovou, e o fim da relação do pai com Leda “sem explicações”

-o fim da relação de Bernardo com Emilia e a tentativa de suicídio desta;

-a vida com Claude, em Paris e na Bélgica, durante 10 anos;

-a morte de Claude, há 6 meses;

A visita, no presente, de Graça:

-recebe a visita de Clotilde que lhe conta sobre Emília e Leda e que não sabe é dúvida da responsabilidade de Graça na separação do pai com Leda;

-vai receber a visita de Leda, que lhe ligou porque queria falar com ela;

-mas sai, atormentada, antes de Leda chegar.


UMA HISTÓRIA DE AMOR




Desaparecer | Clara Serra | El País 08/08/2022

Escribir es liberador, en medio de toda esta obligación de ser nosotros mismos, porque es desparramarse en otra cosa, volcarse, desintegrarse, volverse invisible, destruirse. Desaparecer.

La identidad es la nueva religión contemporánea y “ser uno mismo” su principal mandamiento. Como dice Eudald Spluga

(No seas tú mismo, 2021), la cultura de la autenticidad personal es constantemente promocionada a través de las redes, los discursos de autoayuda y la doctrina del self-encouragement que las empresas dirigen a los “empresarios de sí mismos”, es decir, a los trabajadores asalariados. Ni el arte ni la escritura sobreviven a ello. Solo hace falta darse una vuelta por internet para encontrar multitud de blogs sobre cómo “aprender a escribir de una forma personal” o cómo “descubrirse a uno mismo a través de la escritura”. En medio de todo este marketing de nosotros mismos y nuestra auténtica personalidad, se nos vende la escritura como una autoimagen más. En realidad, todo ese discurso mainstream sobre el arte, el pensamiento o la escritura como expresión de “lo personal” no es sino la conversión de todas esas cosas en mercancía, imagen, objeto estético consumible, enésima versión del solipsismo neoliberal y la mística individualista new age.

Y contra la mística barata de hoy nada mejor que una buena mística de verdad. Simone Weil es una pensadora extraña e inclasificable. Una sindicalista revolucionaria que formó parte de la Resistencia francesa y de la Columna Durruti, una platónica en el siglo XX, una activista política radical que defendió lo sagrado. Contraria a toda mistificación de la persona y lo personal, Weil defendió la humildad —que implica una aniquilación del yo— como condición para el conocimiento o el arte. “Lo sagrado, lejos de ser la persona, es lo que en un ser humano es impersonal”

(La persona y lo sagrado, 2014). Y es que la verdad o la belleza, lejos de haber sido creadas o inventadas por grandes personalidades, “habitan ese dominio de las cosas impersonales y anónimas”.

Decía Sánchez Ferlosio que “la modestia es un rasgo propio de la ciencia”, porque el que quiere conocer, al “mantenerse volcado totalmente hacia el interés por el objeto, tiende a sumirse de manera espontánea en un mayor o menor olvido de sí mismo” (Mientras no cambien los dioses

nada ha cambiado, 1987). Esa dependencia del sujeto hacia el objeto, ese someternos a otra cosa distinta de nosotros mismos, es, en el fondo, la manera de conseguir la independencia en la creación artística o en el pensamiento. Como dice Weil, “son precisamente los artistas y los escritores más inclinados a considerar su arte como la realización de su persona los que de hecho están más sometidos al gusto del público”. Solo los malos pensadores y los malos artistas aspiran a hacer solo algo personal y a hablar solo de sí mismos. Solo los mediocres y los arrogantes creen que su obra viene solo después de ellos y no existía de algún modo antes. Los buenos, como Miguel Ángel, consideran que la escultura ya estaba dentro de la piedra y que su trabajo ha sido eliminar el mármol que le sobraba.

Vivimos cada vez más atrapados en una esclavitud narcisista. Y contra ese capitalismo del yo, contra esa asfixiante obligación de producir nuestra propia autenticidad, contra ese mandato de vendernos en el mercado de los autorreflejos, el mensaje de Weil es antisistema. Defendamos el arte y el pensamiento como algo sagrado e impersonal. Y defendamos la escritura. Defendámosla como un camino no para encontrarnos, sino para perdernos. Si la escritura se sustrae en algún sentido a la lógica del consumo y la propiedad es porque escribir tiene que tener que ver con lo impropio, porque es volcarse en “lo otro”, ir más allá del yo, olvidarse de uno. Se trata justamente de querer que nada nos pertenezca una vez lo escribimos, pero también de que cuando escribimos aspiremos a que nada nos perteneciera antes de escribirlo. Las ideas verdaderas, como las obras de arte bellas, merecen ser escritas justamente porque no son nuestras, porque se pertenecen a sí mismas, porque tienen su propia objetividad, porque son independientes, porque no nos deben nada a nosotros sino nosotros a ellas. Si de algo nos libera buscar la verdad o la belleza es justamente de nosotros mismos. Y por eso escribir, si es de verdad escribir, como pensar, si es de verdad pensar, es una herida al narcisismo, una brecha en la obsesión egocéntrica del ensimismamiento, una raja en el individuo. Escribir es liberador, en medio de toda esta obligación de ser nosotros mismos, porque es desparramarse en otra cosa, volcarse, desintegrarse, volverse invisible, destruirse. Desaparecer.

Defender esa desaparición es revolucionario. Porque es revolucionario, en los tiempos en los que todo es espejo, todo es imagen, todo está en venta, todo tiene precio, defender que, en realidad, no todo lo tiene. Que no tienen razón los publicistas del régimen, los coachers y los mercaderes. Que la libertad no es buscarnos a nosotros mismos para vendernos a nosotros mismos, sino someternos, en un acto de libertad, a cosas que tienen valor en sí mismas. Que, como dice Weil, “nada inferior a esas cosas es digno de inspiración a los hombres y mujeres que aceptan morir”.

quinta-feira, 4 de agosto de 2022

A vida e o sonho - Maria Judite de Carvalho



Podia ter sido caixeiro-viajante, maquinista de comboios ou marinheiro. Não era porém nenhuma dessas coisas porque nós não fazemos, somos construídos pelas circunstâncias. O pai, naturalmente à força de muitos pedidos, conseguira que logo aos treze anos o metessem numa casa bancária importante onde lhe tinham dado uma farda cinzenta e um lugar de futuro. "Menino, então esse cheque?", "Menino, leve esta letra ao senhor Silva!", "Então, menino?", “Meni-i-no!”. Ele afadigava-se, muito zeloso, já sério, ansioso por cumprir, e sem compreender ainda que o seu desembaraço e o seu zelo começavam já a enleá-lo todo naquela engrenagem de que nunca mais saberia libertar-se. À noite, em casa, devorava os livros de Emílio Salgari que um colega, Mais abandonado do que ele, lhe ia emprestando. Outras vezes folheava um velho atlas roído e vomitado já por várias guerras, que o pai comprava em tempos num alfarrabista. Mas o que podiam significar para o Adérito as linhas das fronteiras? A ele bastavam-lhe aquelas vastas extensões azuis, aquelas cidades de nomes exóticos que lia (mal) em voz alta, para se ouvir, quase com volúpia.

Depois os anos tinham passado quase sem ele dar por que passavam, cheios de dias longos, todos iguais, sem interesse. Começou a atender ao balcão, teve secretária própria com pasta e com esponja (era um lugar de futuro), conheceu mulheres – poucas – , casou. Era agora ele quem chamava “Menino! Menino!” E sentia sempre ao fazê-lo, como que um aperto na garganta, uma espécie que ele próprio não saberia explicar e também de culpa, principalmente de culpa para com aqueles rapazinhos sérios, ativos, muitos zelosos.
Pensava raramente (para ir até o fundo das coisas?), mas às vezes achava-se a dizer a si próprio que não tinha nascido para aquilo e que talvez ainda estivesse a tempo de fugir. Mas de quê? Para onde? Gostava do seu trabalho. Gostaria de fato? A verdade é que não sabia fazer outro. Números, números, dias, meses, anos de números, anos terrivelmente abstratos para ele e concretos, estava bem de ver para muitas outras pessoas. Não tinha nascido para aquilo, era possível. Mas quem nasce para o que é? – reflita a querer consolar-se. Era um homem plácido, habituado a suportar as contrariedades da vida. Um homem para quem os prazeres não eram muito fortes nem os desgostos muito intoleráveis. Um homem metódico, com sonhos impossíveis mas nenhumas ambições.
Vestia todos os domingos o seu melhor fato, punha a gravata do dia dos anos e saía para o futebol. A mulher também se preparava e ia à casa da mãe. Às vezes saiam juntos, só se despediam ao fim da rua, beijavam-se sem dar por isso. Era um costume antigo que tanto um como o outro sempre tinham achado natural aquele de se separarem ao domingo à tarde. Tão natural e imutável como irem ao sábado à noite ao cinema do bairro ver uma fita qualquer, a que andasse ao sábado à noite, e irem ao domingo à missa das onze a São Domingo.
Às vezes, ao jantar, a mulher perguntava-lhe:
-Correu mal, o jogo?
O Adérito respondia-lhe que assim assim ou então que não tinha prestado. E corava sempre ao de leve porque era um homem a quem toda a mentira desagradava. Se mentia era só por sentir que a mulher compreendia mais facilmente as mentiras que lhe dizia do que as verdades que pudesse dizer-lhe. Não conseguia imaginar - e muitas vezes tinha pensado nisso - qual seria a reação dela se lhe onde passava, há quantos anos, as tardes de domingo. Todas. Quer chovesse, quer fizesse sol. Não o acreditava talvez, as mulheres têm sempre dificuldade em crer nas coisas simples, transparentes. Sim, ela nunca acreditaria que ele fosse para os cais ver os barcos que partiam ou então para o aeroporto olhar os aviões que deixavam a terra. Um dia tinha falado ao Costa, seu colega do Banco, dessa sua predileção e o Costa tinha sorrido um pequeno ar superior. Se o Costa não podia compreendê-lo, como havia a mulher, uma pobre rapariga oca... O Costa ainda tinha perguntado:
-Mas que interesse é que pode ter ti essa gente que vai de avião ou de barco?
E isso é que era estranho. O Adérito não ia ao aeroporto nem aos cais para ver as pessoas que partiam. Também não ia ver o barco nem o avião. Era mais complexo.
Nem ele próprio sabia – era um homem simples que procurava nesses momentos, sem dúvida os mais felizes, os mais cheios, os mais completos da sua existência sem vida. Era tudo e não era nada ao mesmo tempo. O cheiro forte, levemente podre daquela água próxima, escura, já misteriosa, o ar salgado a bater na pele, as vozes enervadas, as corridas, os gritos, uma ou outra lágrima, aquelas palavras de aventura calma, organizada, a encherem todo o campo. Vi partir com destino a Karachi...Ou, com destino ao Brasil...ou para Nova Iorque...Depois, e isso era maior do que tudo, o grande pássaro a rugir, a arrastar-se pelo chão, depois a rasgar o espaço ou então o barco enorme a correr quieto como o tempo sobre as ondas ligeiras do rio quase oceano.
Às vezes deixava-se ficar até o barco desaparecer. Experimentava uma espécie de angústia, qualquer coisa como se alguém muito querido se tivesse ido embora para sempre. Mas não era bem isso. O que ele sentia era uma grande dor por essa pessoa, ele próprio, ter ficado.
Punha-se então a caminhar ao longo dos cais e havia sempre homens muito sujos ou talvez queimados de sol, ele não sabia, que tiravam ou punham fardos em navios de carga que tinham chegado ou iam partir. Homens com caras de aventura. Homens. Às vezes parava a olhar para os barcos, pequenos e de ar antigo, que a água apodrecera, sempre em movimento e sempre parados, presos com cordas grossas a postes de ferro. Presos para não irem água fora. Presos como ele.
Regressava sempre à casa melancólico. Via a mesa posta para o jantar, o abajur encamado, a estatueta do rapaz a comer cerejas (as cerejas balouçavam quando ele entrava) a própria mulher já gorda e amolecida da idade, com outros olhos, os olhos novos de alguém que regressou de longe e caiu de repente, sem preparação, na vida quotidiana, na vida antiga, na vida que estava à sua espera, na ‘sua’ vida afinal.
A mulher perguntava enquanto servia a sopa:
-Correu mal, o jogo?
Ele corava.
-Assim assim. E a tua mãe, como está?
Às vezes, à noite, chovia. Os pingos batiam com força na vidraça, o vento varria a rua toda. Ela deixava cair o trabalho no solo, enrolava-se mais no xale porque era muito friorenta.
-Sabe bem estar em casa, dizia.- Sabe onde eu me sentia feliz? Na África...
Ele sorria ao de leve, ia até à estante, abria o Robinson Crusoé ou um livro qualquer de Júlio Verne, tantas vezes lido que já lhe sabia passagens de cor.
Na manhã seguinte voltava ao Banco e somava e multiplicava e dividia. “Menino!”, “Então, menino?” Mas tinha um ar culpado e os garotos não o respeitavam. Era sempre ele o último a ser servido.
Certo dia um dos diretores chamou-o, fê-lo sentar numa daquelas poltronas de cabedal verde que até então ele só conhecia de vista. Era um homem gordo, muito aromático, sorridente, com brilhantes nos dedos. Olhou para o Adérito com intensidade, como se quisesse ler-lhe os pensamentos.
-Sabe por que o mandei chamar?
Mas o Adérito não sabia. Também não tinha pensamentos. Estava sentado na borda da poltrona e tinha as mãos sobre os joelhos unidos, respeitosamente unidos. Esperava.
O diretor pôs-se a falar. Que a direção reconhecia o seu valor, a sua dedicação à casa, o seu amor ao trabalho. Como já devia ter ouvido, o Banco ia ter uma sucursal em Lourenço Marques. O caso era que a direção tinha pensado nele, Adérito, para a dirigir, enfim, para gerir. Seria, claro, aumentado. Atrevia-se mesmo a assegurar-lhe que teria um aumento considerável... Considerável... Enfim, uma situação muitíssimo vantajosa. Sem falar no prestígio. Mas que pensasse, pensasse depois lhe diria se aceitava ou não.
O Adérito não pensou, ou melhor, pensou muito pouco. Também não falou daquilo à mulher porque ela não saberia compreende a resolução que tinha tomado, ainda o diretor lhe estava a expor o caso. Sempre sonhara ser uma senhora, coitada. Uma senhora como ela era capaz de ambicionar. Com muitos chapéus, muitos vestidos e muitos bolos para oferecer às visitas. Mulher dum gerente numa cidade colonial... Nunca lhe perdoaria a recusa, claro. Falou ao diretor na saúde da mulher, no seu próprio fígado, muito sensível. Tudo mentira, naturalmente. Por que então, por quê? Nem ele próprio sabia. E daí talvez, pensando bem. Talvez porque havia pessoas que sonhavam e viviam ao mesmo tempo, os homens negros dos barcos, os atores e as atrizes que ele via ao sábado à noite no cinema do bairro, e ele se habituara a sonhar e a viver.Talvez fosse por isso. Agora era tarde, demasiado tarde. Já não saberia viver um sonho. Sentia-se velho, horrivelmente velho e cansado, muito, muito cansado. Muito triste também.
Foi o Costa quem um dia partiu, num bonito paquete. No cais, o Adérito tinha os olhos bem abertos e sentia uma grande, uma enorme angústia. Deixou-se ficar até o barco se diluir todo no nevoeiro espesso que nessa manhã cobria o Tejo. Depois ainda deu um salto ao aeroporto a ver sair os aviões.

Maria Judite de Carvalho

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

Werther - Goethe


4 de maio de 1771: Werther partiu, abandonando o amigo, Leonor e a mãe. Está na cidade da tia, a reclamar uma herança. Passa muito tempo num jardim paradisíaco.

10 de maio: está só.

12 de maio: o prazer das fontes.

13 de maio:  tem um coração ardente.

26 de maio: está alojado em Wahlheim. Perto há uma loja com duas tílias.

30 de maio: O que ultimamente te disse com respeito à pintura pode também perfeitamente aplicar-se à poesia. Com efeito, de que se trata? De encontrar o que é verdadeiramente belo e saber exprimi-lo: é isto em verdade, dizer muito em poucas palavras. 

O emocionante camponês dedicado à viúva.

junho

Werther apaixona-se perdidamente por Carlota, que está comprometida com Alberto. Werther deseja morrer. Carlota, quando a mãe morreu, prometeu cuidar dos irmãos para sempre.

SEGUNDA PARTE

Outubro

Werther inicia a vida social para tentar esquecer o sofrimento. Conhece o embaixador, que detesta, e o conde, com quem simpatiza. Conhece a encantadora menina B, a quem fala muito sobre Carlota.

Carlota e Alberto casaram-se.

Werther cai nas más graças da corte e vai viver para casa do príncipe. 

Aí farta-se do pouco espírito do príncipe. Imagina que Alberto morre e que ainda poderá vir a casar-se com a amada Carlota.


Página 121

Carlota ausentou-se por alguns dias para ir ao encontro de Alberto. Ontem, porém, fui visitá-la. Veio ter comigo e eu beijei-lhe a mão com indizível alegria.

Um canário, que estava pousado à solta sobre um espelho, vou-lhe por cima do ombro.

-É um novo amigo! - disse ela. - Dei-o a meus irmãos. Como é mansinho, não acha? Quando lhe dou pão, bate muito as asas e dá umas bicadas com tanta graça! E também me dá beijos! Quer ver?

E ofereceu a boca à avezinha que meteu o boquinha, com meiguice, entre aqueles doces lábios, como se apreciasse as delícias daquele beijo.

-Também o há de beijar ao senhor! - disse ela, aproximando a ave da minha boca.

O bico passou dos lábios de Carlota para os meus, e a impressão das bicadas que recebi foi para mim como que a mensageira de gozos celestiais.

-Este beijo é egoísta! - disse eu. - O que ele quer é que lhe deem de comer, não lhe agradam festas a seco…

-E também come da minha boca…

E apresentou-lhe uma migalha de pão nos lábios entreabertos, nesses lábios em que sorriam todas as alegrias inocentes, todo o êxtase, todo o ardor de um amor partilhado.

Desviei o olhar. Ela não devia ter feito aquilo! Não devia inflamar-me a imaginação com aqueles quadros de venturosa inocência, nem despertar-me o coração…