terça-feira, 27 de dezembro de 2022

PARAÍSO - Abdulrazak Gurnah


 Paraíso - Abdulrazak Gurnah - (literatura pura e dura)


Ver crítica: https://postal.pt/edicaopapel/paraiso-de-abdulrazak-gurnah%EF%BF%BC/


O JARDIM MURADO

Yusuf saiu de casa aos 12 anos. Vivia com os pais numa casa cheia de caruncho. O pai dirigia um hotel, na pequena cidade de Kawa. Aziz, o tio comerciante abastado, visitava-os de vez em quando e dava-lhe uma moeda de 10 anás. Muitos rapazes e homens da cidade trabalhavam para os alemães na construção da via férrea.

O mendigo Mohamed, viciado em liamba. Yusuf e a mãe protegem-no. Yusuf roubou uma moeda ao pai, mas era tão valiosa que a escondeu.

O pai de Yusuf teve uma primeira mulher com quem teve 2 filhos, mas ela voltou para os pais ao fim de 8 anos e ele nunca mais a viu. Ter-se-á afogado com os dois filhos?

Yusuf saiu de casa aos 12 anos para ir trabalhar na loja do tio Aziz. O pai de Yusuf deve muito dinheiro a Aziz.

Yusuf tem medo de noite dos cães que aparecem perto do local onde dorme com Khalil, o empregado do tio. Ma Ajuza, uma mulher gorda está perdida de amores por ele.

Na casa vive a mulher do tio Aziz, sempre fechada e aparentemente louca. Recebe mulheres que cuidam dela e ninguém a vê. Khalil e Yusuf vão ver o mar e jogar kipande.

O tio Aziz parte para comerciar no interior. A viagem pode durar meses. Vende contrabando aos selvagens.

Há um jardim maravilhoso ao fundo da propriedade, que Yusuf começa a frequentar às escondidas. Sai de lá quando ouve a voz da Senhora, um queixume misterioso.

A CIDADE NA MONTANHA 

Yusuf vai pela primeira vez numa viagem ao interior. Mohammed Abdalla, o capataz cruel e, dizia-se, sodomita avisou-o de que iria.

Mzee Hamdani, o velho jardineiro, deixava Yusuf tratar do jardim, à tarde.

A caravana parte de comboio e chegam a uma pequena cidade para lá de Kawa. Vão a uma loja, de Hamid Suleiman. Yusuf fica lá enquanto o resto da caravana vai até aos lagos. Maimuna, a mulher de Hamid e este encarregaram Yusuf de construir um jardim, até Aziz regressar dos lagos.

Um dia Hamid Yusuf foram na carrinha com o indiano Kalasinga visitar as aldeias das encostas das montanhas para fazer comércio lá. Acampam perto de uma cascata paradisíaca e Hamid diz que há um jardim inacessível e oculto na terra equivalente ao Éden.

Hamid teme que a parceria comercial com Aziz corra mal.

Uns dias depois de regressarem, Aziz regressa também. Correu tudo bem. Ficará Yusuf com Hamid ou voltará com Aziz?

A VIAGEM AO INTERIOR

Yusuf fica. Começa o mês do Ramadão. Tem 16 anos. Não sabe ler, não conhece o Corão e Hamid fica escandalizado e decide mandá-lo para a escola com as crianças mais novas, para que ele aprenda a ler e a ficar no bom caminho.

Yusuf começou também a aprende mecânica e inglês e muitas outras coisas com o indiano Kalasinga.

Asha, a filha adolescente de Hamid, parece apaixonada por Yusuf.

O tio Aziz leva Yusuf numa nova expedição comercial. Foi Hamid que lho pediu. Aziz serve o tio.

Mohammed Abdalla parece proteger Yusuf. O supervisor, um assassino chamado Simba Mwene, goza com a situação. 

Em Mkata, acampam e são recebidos com antipatia pelo ancião chefe. Uma mulher da aldeia é comida por um crocodilo e o ancião acha que foi a caravana de Aziz que levou o mal à aldeia. À noite, um carregador jovem é atacado na cara, por uma hiena e morre. O ancião considerou que tinha sido feita justiça.

OS PORTÕES DE FOGO

Passam pela cidade de Tayari. Yusuf sente-se cada vez mais forte e experiente. Sobem até à aldeia do sultão Chatu, pela floresta intestada de mosquitos e humidade, e são feitos prisioneiros porque um comerciante teria anteriormente enganado o sultão. Yusuf fica na tenda do sultão como refém até se decidir o regresso de Aziz sem as mercadorias. Uma rapariga, Bati, parece estar-lhe destinada pela aldeia.

Apareceu um alemão careca e barbudo com os seus guardas e obrigou Chatu a devolver a mercadoria a Aziz. Este partiu com os seus para Marimbo, para recuperar da azarada expedição. Mas em Marimbo, Aziz ficou deprimido. Tinham perdido um quarto dos homens e um quarto da mercadoria. 

Demoraram 5 meses a fazer a viagem de regresso. 

O BOSQUE DO DESEJO

De regresso, Aziz, adoentado! Pagou aos carregadores sobreviventes e a Abdalla e ficou apenas com Simba. Yusuf voltou a trabalhar ao balcão com Khalil. Este terá sido molestado por Abdalla, que o despreza, enquanto nutre grande admiração por Yusuf.

Simba e Aziz vão a casa de Hamid para recolherem vipusa, o líquido dos cornos de rinoceronte, para o irem vender a um indiano à fronteira, para Aziz recuperar estabilidade financeira.

Yusuf recomeça a cuidar do jardim de Aziz. A Senhora quer vê-lo porque se convenceu de que ele a salvará da desgraça, da doença, da feiura. Ela era uma viúva rica com quem Aziz se casou. Amina, irmã de Khalil, toma conta dela. Aziz desposou-a também.

Yusuf visita Zulheka e toca-lhe na mancha que ela tem na cara. Ela sente que ele a curará. Amina, a irmã de Khalil, parece corresponder à atração que ele sente por ela. Quer fugir com ela.

UM COÁGULO DE SANGUE 

Zulheka recebe Yusuf sozinha e dirige-se avidamente a ele. Ele foge e ela rasga-lhe a camisa por trás. Khalil diz-lhe mais tarde que ela o acusa de ater atacado e que ele tem de fugir. Ele não foge, regressa a casa. Aziz tinha voltado e pergunta-lhe o que se passou. Yusuf conta-lhe e Aziz acredita. Aziz pergunta-lhe porque foi tantas vezes ao quarto dela. Yusuf revela que foi lá para ver Amina. Aziz parece não o recriminar. Avisa-o mais tarde para ele e Khalil terem cuidado porque os alemães andam a recrutar soldados: devem fechar as portadas da lojas se os virem chegar à praça. E os alemães chegam…

“Logo após a sombra projetada pela sufi, encontrou vários montes de excrementos que os cães mordiscavam já avidamente. Desconfiados, os cães observavam-no pelo canto do olho. Deslocaram ligeiramente os corpos para proteger aquele achado do seu olhar cobiçoso. Perplexo, contemplou-os por um momento, surpreendido com aquela sórdida identificação. Os cães tinham reconhecido um comedor de merda ao deparar com ele.

Viu novamente a sua cobardia cintilar ao luar, no muco das respetivas secundinas, e recordou-se de que a vira respirar. Aquele havia sido o nascimento do primeiro terror resultante do seu abandono.”



sábado, 3 de setembro de 2022

Livro do Desassossego - Bernardo Soares (apreciação de Antonio Muñoz Molina)

El libro sin sosiego

Entre los variados aniversarios de este 2022 hay uno que no debería pasar inadvertido. Hace cuarenta años se publicó en Lisboa la primera edición del Livro do Desassossego, uno de los muchos proyectos literarios que Fernando Pessoa nunca abandonaba y nunca terminaba, y del que a su muerte quedó apenas un sobre con ese título escrito a mano, y un puñado de borradores y fragmentos dispersos, muchas veces garabateados con letra muy difícil en los reversos de cartas comerciales, en cuartillas mecanografiadas, en hojas sueltas con el membrete de un café o de una pastelería. “Fragmentos, fragmentos, fragmentos”, se había quejado Pessoa en una carta a un amigo, en 1914, en la época a la que corresponden las primeras anotaciones destinadas al libro. Aquella primera edición de 1982 era un prodigio de filología y de constancia, culminado al cabo de veinte años de trabajo en el baúl sin fondo de los manuscritos de Pessoa. En 1984, el poeta, traductor y admirable humanista que fue Ángel Crespo tradujo el libro al español, pero en vez de seguir con fidelidad la edición portuguesa estableció una distinta que aclaraba la lectura al sugerir un orden narrativo menos errático y depurar al máximo la unidad tonal de los fragmentos, vinculándolos más firmemente, en la medida de lo posible, a la voz de su personaje central, y casi único, Bernardo Soares, contable auxiliar en una empresa comercial de Lisboa.

Fue en esa edición de Ángel Crespo que publicó Seix Barral, con el retrato anguloso de Almada Negreiros en la portada, en la que muchos descubrimos la prosa del Libro del desasosiego, dejándonos llevar por esa voz que parece murmurar al oído de cada uno y que también parece estar hablando para nadie, en la soledad de una conciencia que apenas se comunica con el mundo exterior, tan enclaustrada en sí misma como el propio Bernardo Soares en su oficina de la Rua dos Douradores, en la Baixa de Lisboa, y en su habitación alquilada en un cuarto piso de esa misma calle, que para nosotros es tan real y tan imaginaria como la calle Eccless de Dublín, o como la Baker Street de Londres en la que tantos aficionados buscan en vano el 221B en el que se alojaban Sherlock Holmes y el doctor Watson.

Bernardo Soares pertenece tan integralmente a Lisboa como Leopold Bloom a Dublín o como Sherlock Holmes a Londres, como el comisario Maigret a París. Fernando Pessoa tenía una ambición literaria tan desmedida como Joyce —construir con la literatura una conciencia nacional que fuera universal a la vez— y se deleitaba leyendo ficciones policiales, y hasta en ocasiones inventándolas, pero las obras maestras con las que soñaba tan laboriosamente nunca llegaron a cuajar, por una especie de maleficio que tenía mucho que ver con su personalidad dubitativa y errante, y con su recelo íntimo hacia lo acabado, lo ya hecho, lo definitivo. Su primer biógrafo, que fue también amigo y discipulo suyo, João Gaspar Simões, recordaba con pena la ansiedad de Pessoa en sus últimos años, ya enfermo y muy gastado por el alcohol, su propósito angustiado de encontrar el tiempo y la calma necesarios para reunir y completar libros de poemas, para revisar los manuscritos y los fragmentos publicados aquí y allá del Libro del desasosiego. Pero le faltaba tiempo, lo agobiaban sus trabajos mal pagados de traductor de cartas comerciales, se le iban las tardes charlando y escuchando en silencio en su mesa habitual del Martinho da Arcada, o elaborando cartas astrales, y su dependencia del alcohol era cada vez más dañina para su salud y su entendimiento. Escribe Gaspar Simões: “Miraba fijo a las personas con ojos atentos, pero desasosegados, como quien hace un esfuerzo para ver el mundo exterior”.

Cómo no va uno a lamentar la frustración de un escritor que sabe que deja tras de sí un libro malogrado, que ha llevado consigo durante gran parte de su vida y al que sin embargo no ha sido capaz de darle la forma que merecía. “Donde hay forma hay alma”, dice telegráficamente Bernardo Soares. Pero el lector del libro, el que se ha ido habituando a él en virtud de esa propiedad adictiva que tiene a veces la literatura, el que lo ha dejado y ha vuelto a lo largo de los años, en ediciones distintas, acaba sospechando que para un libro así no había otra forma posible. Sólo al quedar malogrado alcanza su culminación. Solo esa secuencia cambiante de “fragmentos, fragmentos, fragmentos”, transmite la cualidad peculiar de lo que existe plenamente sin encontrar reposo, lo que sucede en la transmutación constante de las cosas, de los estados de ánimo, de las impresiones de la conciencia, de la vida de la ciudad, del acto mismo de escribir.

No puede haber forma definitiva para un libro así. Perfecto Cuadrado lo volvió a traducir al español para Acantilado en 2002, a partir de una nueva edición portuguesa, esta vez de Richard Zenith, que es la que yo tengo ahora, ya muy usada y subrayada, en formato de bolsillo, lo cual me permite llevarla muchas veces conmigo, ventaja crucial en esta clase de libros errantes, que se instalan tan bien en el escritorio y en la mesa de noche, pero que parecen más favorables todavía cuando uno los lleva en la mochila en sus caminatas por las mismas ciudades que describen. La traducción al inglés del propio Richard Zenith es una de las fértiles mutaciones posibles de este libro que no tuvo punto final en la vida de su autor ni parece tenerlo en su posteridad incesante. Otra edición a cargo de Jerónimo Pizarro y traducida por Antonio Sáez Delgado, la publicó Pre-Textos en 2014. El libro inacabado revive en cada traducción y en cada nueva lectura. Para quien va aprendiendo portugués, quien se esforzó primero en leerlo con la ayuda frecuente de un diccionario, el progreso en el conocimiento de la lengua va añadiendo profundidad y matices a su lectura del libro. Y a medida que uno conoce mejor el libro y la ciudad, más se da cuenta del grado de compenetración que existe entre el uno y la otra. El Libro del desasosiego exaspera muchas veces por la insistencia de Pessoa, y de Bernardo Soares, en su lejanía de las cosas y de los seres humanos, en su morbosa obsesión de sí mismo. Pero de pronto abre los ojos a la vida de la gente común en la calle o al prodigio cotidiano del relumbrar del sol en el empedrado como en un espejo después de la lluvia y toda su distancia nebulosa se convierte en una celebración de lo real.*

Montevideo - Enrique Vila-Matas (para ler)

El lugar exacto en el que irrompe el fantástico 

Estamos de nuevo ante el mejor Vila-Matas. Si no te gusta una novela como Montevideo, entonces es bastante probable que, simplesmente, no te guste la literatura!

Juan Marqués, El mundo Nacional - La leitura, 2 de setembro de 2022

La literatura no es un dios circunspecto ante el que hay que arrodillarse, extasiados, con una actitud reverencial y arrobada. La literatura es más bien un dios burlón que agradece que se le afrente un poco, que sólo está a gusto cuando alguien juega a conciencia con él. Perderle el respeto a la literatura es el mejor modo de demostrar que uno se la toma en serio, y ésta es una lección que Enrique Vila-Matas (Barcelona, 1948) asumió muy pronto de sus maestros, una pléyade de autores a los que, remotos o recientes, ha ido citando y homenajeando constantemente en sus libros.

En su nueva novela, Montevideo, el escritor lamenta « la imposibilidad de describir en el papel la intensidad sin límites de una alegría personal», pero lo cierto es que esa instintiva alegría intelectual no sólo se nota, sino que viene multiplicada por el punto de partida, tan aparentemente serio, casi trágico (pero en realidad, por supuesto, autoirónico), de su escritura.

Buena parte de la literatura contemporánea ha renunciado, sin ni siquiera darse cuenta, al deber esencial de divertir, y por ello es reconfortante que un autor como Vila-Matas, tan consagrado y tan «ecuménico», tan unánimemente aplaudido, haga del regocijo del lector su principal objetivo, sin por ello descuidar la máxima autoexigencia. Tras muchos años y varios libros en los que se había extraviado un tanto en un experimentalismo en el que ya no se reconocían plenamente su firma o su mirada, sino que llevaba la narrativa a extremos tal vez comprometidos, en Montevideo regresa de golpe a su esencia literaria, aquella que nos atrapó para siempre en los años noventa y que lo convirtió para mi generación no ya en uno de nuestros escritores preferidos, sino en un autor inaugural, alguien que, por hacer una broma con un leitmotiv del nuevo libro, no dejaba de descubrirnos puertas secretas, de obligarnos a pensar y vivir los textos de otras maneras, y de defender la autonomía radical de la literatura. Ya lo dijo el escritor en El viento ligero en Parma (Sexto Piso, 2008): «Quienes hoy en día siguen creyendo que hay que subordinar la narración a objetivos extraliterarios merecen que se les declare la guerra: guerra total contra una literatura que no confía en sí misma».

Golosamente errática, y desde su eufónico título, Montevideo (que «era una ciudad, pero también un estado de ánimo, una forma de vivir en paz fuera del convulso centro del mundo») busca una belleza extraña en la digresión, en la acumulación, en cierta improvisación lúcida. Pequeñas secuencias narrativas, a menudo meramente anecdóticas, dan lugar a otras que se van complicando y que

UNA PUERTA QUE DA A CORTÁZAR

Aunque el protagonista de ‘Montevideo’ declara no ser cortazariano en un par de momentos, es el cuento ‘La puerta condenada’ (incluido en ‘Final del juego’) lo que, tras el formidable ‘introito’ de París, revitaliza la novela y saca a su personaje del bloqueo que sufría. La obsesión por examinar la habitación 205 del hotel Cervantes de Montevideo, donde transcurre ese cuento, hace que todo se acelere, se ilumine y se eleve al cabo conforman una novela redonda, en el sentido de circular, pero sobre todo en el de impecable. El libro está lleno de observaciones, malentendidos y bromas que tal vez, en algunos casos, no van a ningún lado, pero que tienen muchísima gracia, y que, si se miran bien, contienen una enorme sabiduría que no afecta solo a la literatura, pues apuntan a un modo juguetón, creativo y distinto de afrontar la vida.

Es algo que estaba en el programa fundacional de muchas vanguardias, a las que tanto debe Vila-Matas: no se dice del arte nada que no se diga de la propia vida, y ésta es, de hecho, la principal creación: la realidad es el marco donde desplegarse o, mejor, el marco que desbordar, y así podrá surgir un modo activo, atento, insolente y crítico de vivir. La vida es la realidad cuando despierta, cuando mira alrededor para establecer, como aquí, correspondencias estimulantes y arañar significados nuevos.

Con el estilo de París no se acaba nunca y la frondosidad metaliteraria de Bartleby y compañía ( libro contra el que se arremete hasta casi el repudio en Montevideo) o El mal de Montano, más algún tema de los libros recientes, como Kassel no invita a la lógica, Vila-Matas nos devuelve a sí mismo, su mejor versión, un disparate que se va haciendo muy juicioso, un misterio que no lleva a ninguna respuesta sino a una gran celebración, y una lección literaria que insiste en que «no puede entenderse el adentro con la lógica del afuera».

Montevideo es todo un festival, el mejor Vila-Matas en mucho tiempo. Hay muchos modos de entender y de leer las cosas, pero si no te gusta una novela como ésta, si adentrándote en ella no sientes que estás accediendo al corazón de algo importante o cuando menos pertinente, no pasa nada, pero entonces es bastante probable que, simplemente, no te guste la variante más libre y desatada de la literatura.

quarta-feira, 31 de agosto de 2022

Sábado - Ian McEwan


15 de fevereiro de 2003

UM

Henry Perowne, cirurgião, casado com Rosalind, advogada. Vivem ainda apaixonados. Vivem em Londres, numa praça que dá para a Charlotte Street.

Tem 2 assistentes: Sally Madden e Rodney Browne. O anestesista com quem trabalha, Jay Strauss, tem um assistente, Gita Syal. Heathrow é a empregada de limpeza do hospital.

É pai de Theo, 18 anos, músico de blues, e de Daisy, poetisa.

Acorda a meio da noite e vai à janela, onde observa um avião a arder a descer para Heathrow.

Nas notícias, ouvidas por Henry e pelos filhos, diz-se que é um Tupolev russo, de carga, que acabou por aterrar sem vítimas.

A mãe dele está num lar. Era nadadora.

Conheceu Rosalind quando ela tinha 19 anos: ela teve um tumor benigno na glândula pituitária que quase a cegou e ele acompanhou a operação do dr. Whaley. Ela era filha do famoso poeta John Grammaticus e de Marianne, que morrera há 3 anos, num acidente.

Rosalind vai buscar o pai ao fim do dia. Daisy chega de Paris às sete. Irá publicar o primeiro livro de poemas.

DOIS

A caminho do squash, um carro bate no de Henry: Baxter, o condutor, dá-lhe um murro para o obrigar a assumir a culpa que não tem e Henry diz-lhe que ele tem uma doença degenerativa e consegue fugir dali.

No squash: o anestesista Strauss tem 5 filhos, dois com a segunda mulher. Jogam com grande intensidade. Strauss ganha depois de ter questionado uma anterior jogada que dava a vitória a Henry.

Continua a desloca dos manifestantes contra a intervenção americana no Iraque para derrubar Saddam.

TRÊS 

O avô de Theo e de Daisy terá influenciado a descoberta do talento de ambos. Grammaticus teve várias mulheres a seguir a enviuvar.

Vai chegar hoje, tal com Daisy.

Henry visita a mãe Lily que está com Alzheimer num lar. A seguir vai ouvir, maravilhado com a música, um ensaio do filho.

QUATRO

Henry e Daisy discutem amigavelmente sobre a invasão do Iraque. Chegam Theo e Grammaticus.

Quando chega Rosalind, entram com ela Baxter e um amigo bandido a ameaçar toda a família. Henry promete a Baxter que o trata. Baxter obriga Daisy a despir-se e a declamar um poema dela. Elsa está grávida de 4 ou 5 meses.

Baxter esmurra e parte o nariz a Grammaticus.

Theo e Henry conseguem dominar Baxter, e atirá-lo escadas a baixo, depois de o outro bandido ter fugido. O episódio acaba bem. Baxter vai para o hospital.

Quando estão todos a festejar, Jay telefona a a Henry a pedir-lhe que o vá ajudar numa operação delicada a um homem que caiu das escadas.

CINCO

A operação corre bem. Ao sair, Henry passa pela cama da jovem Andrea, de 14 anos que também foi operada ao cérebro, no dia anterior. Ela está encantada com Rodney, o médico assistente de Henry. Sobe e vai aos cuidados intensivos ver Baxter, que dorme.



………



É uma ilusão acreditar que ele próprio tem um papel activo na história. 


Será que pensa que está a fazer algum contributo quando está a ver noticiários ou deitado de costas no sofá aos domingos à tarde a ler mais colunas de opinião cheias de certezas não fundamentadas, ou longos artigos sobre o que está realmente por detrás disto ou daquilo, ou sobre o que irá certamente acontecer a seguir, previsões esquecidas assim que acabam de ser lidas, muito antes de os acontecimentos as negarem? 


Contra ou a favor da guerra contra o terrorismo ou da guerra do Iraque? 


A favor da deposição de um tirano odioso e da sua família criminosa, a favor de mais inspeção às armas, da abertura das prisões onde os presos são torturados, da localização das valas comuns, da esperança de liberdade e prosperidade e do aviso a outros déspotas?


Ou contra o bombardeamento de alvos civis, o aparecimento inevitável de refugiados e da fome, as acções internacionais ilegais, a ira dos países árabes e o engrossar das fileiras da Al-Qaeda?


Seja como for, tudo vai dar a uma espécie de consenso, uma ortodoxia atenta, uma certa subjugação. 


Será que pensa que a sua ambivalência - se é disso que se trata - o desculpa do conformismo geral?


domingo, 28 de agosto de 2022

Antes de conocernos - Julian Barnes


Tras quince años de implacable matrimonio con Barbara, Graham Hendrick, un historiador y profesor universitario, conoce a Ann, se enamora y, después de unos meses de relaciones clandestinas, abandona esposa, hija, coche e hipoteca, y se marcha a vivir con la mujer que le ha hecho recuperar el placer de vivir. Graham se divorciará de la furiosa Barbara, se casará con Ann, y serán felices para siempre y comerán perdices hasta el día aciago en que sorprende a su nueva esposa cometiendo adulterio en la pantalla. Pues Ann no ha nacido, como desearía Graham y desean todos los enamorados, en el instante preciso en que se conocieron. La joven tiene un pasado en el que ha sido actriz, y ha interpretado pequeños papeles en numerosas películas. Y Graham se dedicará a rastrearlas minuciosamente, y a verlas compulsivamente, pues, como historiador que es, sabe que el pasado, y sus testimonios, importan. Aunque él, más que en una «investigación histórica», se ha embarcado en un delirio de celos  retrospectivos propio de la más desesperada  y divertida­ historia de 
amour fou.

TRES TRAJES Y UN VIOLÍN

Graham Hendrick viu Ann, a sua segunda mulher, a cometer adultério.

1977, 22 de abril: conheceram-se: o escritor Jack Lupton apresentou-os.

Graham era casado há 15 anos com Bárbara e pai de Alice.

Seis meses depois de iniciarem o caso, Graham fica a dormir em casa de Ann e quando chega a casa de manhã conta tudo a Bárbara. Sai de casa. Vive seis meses mais com Ann no apartamento dela e depois vão viver para uma nova casa.

1978, final do verão: Graham e Bárbara divorciam-se. Casa-se com Ann.

IN FRAGANTI

1981 Graham e Alice, por sugestão maliciosa de Bárbara, vão ao cinema ver um filme em que Ann entrou num excerto mau. Ann deixou de ser atriz, ao fim de oito anos, alguns meses antes de conhecer Graham. Começou a trabalhar para a Redman and Gilks, empresa de roupa, como chefe de compras. Viajava muito.

EL OSO BIZCO

Graham diz a Jack Lupton que tem ciúmes dos homens que Ann conheceu “antes de conocernos”. Especialmente dos atores com que contracenou.

Ele diz-lhe para se ligar menos a ela sentimentalmente e Graham diz que não consegue.

SANSEPOLCRO, POGGIBONSI

Ciúmes das viagens que ela fez e dos livros com dedicatórias. Ann confirma uma série de nomes mas nega ter sido amante de Jack.

MEDÍOCRES Y AVENTAJADOS

Ann combina com Jack não contar a Graham que foram amantes.

Bárbara ainda pensa em Graham, embora não lhe perdoe.

Jack vive em Hampshire, no campo, com a sua mulher, Sue.

Graham comprou uma língua de vaca e cortou-a em tiras finas.

EL LAVACOCHES

Graham começou sonhos fortes, depois de ver o filme em que Ann contracenava com Buck Skelton.

EN EL ESTERCOLERO

Depois de ver filmes em que Ann não entrava, Graham e Ann viajam pela França. Tudo parece normal, até porque não vão a nenhuma cidade onde Ann já tenha estado. Entretanto, ela fica com o período e ele fica estranho. Regressam a Londres.

LAS ARENAS FEMINIANAS

Graham justifica nunca ter levado Alice ao zoo. Ela pergunta-lhe pela primeira vez porque deixou a mãe, Bárbara.

Graham questiona ter ciúmes em retrospetiva.

Ann sente Graham cada vez mais desmotivado na relação.

Jack põe a hipótese de estar com Ann.

A VECES UN PURO

Ann organiza uma festa. Graham passa-se quando vê Jack a acariciar Ann. Ann passa-se e diz-lhe que vai comprar um frango vivo e matá-lo para lhe tirar o sangue como faziam nos bordéis e assim ela poderia ser a sua virgem.

EL SÍNDROME DE STANLEY SPENCER

Graham procura nos livros que Jack escreveu provas da infidelidade de Ann, desde 1971, até à época em que Graham conheceu Ann e durante o seu casamento com ela, incluindo o primeiro ano.

Vai almoçar com Sue. Ela sabe que Jack sempre a traiu com outras (o síndrome de Stanley Spencer). Ele diz-lhe que sabe que Jack sempre foi amante de Ann. Sue pensou que seria agradável ir para a cama com Graham, por vingança. Mas Graham está a pensar no momento em que irá confrontar Ann com a verdade que agora conhece.

EL CABALLO Y EL COCODRILO

Graham visita Jack. Irá matá-lo? Jack senta-se a escrever à máquina, depois de dizer que Graham poderá fazer parte do seu livro. Graham pegou numa faca que trouxe com ele e apunhalou-o várias vezes.

Ann, no dia seguinte, …


quarta-feira, 24 de agosto de 2022

A verdade sobre o caso Harry Quebert - Joël Dicker

 



PRIMEIRA PARTE: A DOENÇA DOS ESCRITORES

1975, 30 de agosto - Nola Kellergan, de 15 anos, desaparece numa floresta, perseguida por um homem, perto de Side Creek Lane, na cidade de Aurora, New Hampshire.

2008, outubro, 33 anos depois: o narrador, o escritor Marcus Goldman, escreve um livro de muito sucesso, que conta o que aconteceu a Nola.

No início de 2008 ainda saboreava o sucesso do primeiro livro que editou em 2007 e não conseguia ter inspiração para escrever outro. 

A editora Schmid & Hanson pressiona o seu agente, Douglas Claren.

Roy Barnaski, o diretor da editora ameaça-o porque ele tem contrato de 5 livros.

Regressado de férias na Florida, Marcus fala com o professor Harry Quebert e vai  passar uma temporada em Aurora, New Hampshire, onde ele mora.

Descobriu que o autor da obra-prima As Origens do Mal aos 34 anos se envolvera com uma rapariga de 15 anos, Nola Kellergan, em 1975.

Regressa a Nova Iorque: faltam 30 dias para acabar o prazo do contrato com a editora.

2008, junho: Descobrem o esqueleto de Nola no jardim de Harry Quebert. Será ele o assassino da adolescente? Terá provavelmente morto também Deborah Cooper, a mulher velha que telefonou à polícia a informar que Nola ia a ser perseguida na floresta, na última vez que foi vista.

Com o esqueleto estava enterrado o manuscrito de As Origens do Mal.

Harry Quebert é preso.

PASSADO: Marcus Goldman, quando andou no liceu: o falso formidável.

PRESENTE: Goldman instala-se em Goose Cove, a casa de Quebert. Faltam 15 dias para o final do contrato.

Um homem de 34 anos pode apaixonar-se por uma rapariga de 15?

PASSADO: Nola: em 1975, servia no Clark’s, o pai era pastor evangelista em Aurora. Viviam no 245 da aterrasse Avenue.

2008: Goldman vai ao Clark’s: conversa com Jenny, a dona, com Erne Pinkas, o bibliotecário, e com o chefe da polícia, Travis Dawn. 

Este conta que foi com o chefe da polícia da altura, Pratt, a casa de Deborah Cooper, por ela lhes ter telefonado e quando estavam na floresta à procura de Nola, depois de encontrarem bocados de tecido ver,elmo e cabelos louros, ouviram um tiro: estava morta; ela tinha telefonado outra vez para a polícia a dizer que Nola se tinha refugiado em casa dela. Nola tinha desaparecido de vez. A polícia viu um Chevrolet Monte Carlo suspeito. Quebert tinha um. E só tinha chegado a Aurora há 3 meses.

1975, 30 de agosto: Na noite do desaparecimento, Quebert esperava por Nola num motel, o Sea Side, no quarto 8, conforme ela lhe tinha escrito num bilhete a combinar encontrar-se com ele para partirem juntos para sempre.

1975, 3 de junho (ou 20 de maio? ver página 134): Quebert conhece Nola, à chuva, à beira-mar, na praia Grand Beach. Tinha chegado de Nova Iorque para se isolar a escrever o seu livro. Terá sido também ele um falso Formidável.

PRESENTE: 

Douglas informa Goldman que, caso escreva um livro sobre o caso Quebert, Barnaski não o processa e renegoceia o contrato.

Chegado a casa, um envelope com uma mensagem: “Volta para casa, Goldman”.

PASSADO: A IMPORTÂNCIA DE SABER CAIR

Universidade de Burrows, Massachussets, 1998-2002

Marcus Goldman era aluno de Harry e este ensinou-o a ser escritor, depois de o obrigar a enfrentar-se, no boxe… e provar que merecia o epíteto de “O formidável”.

Foi pela primeira vez a Goose Cove em 2000, quando já conhecia Harry há um ano e meio. Descobriu que ele não era casado.

Concluiu o curso de Literatura como melhor aluno, em 2002.

Publicou o primeiro sucesso em 2006, com 28 anos: ficou rico, conhecido e talentoso.

PRESENTE: onde tinham sido plantadas hortênsias

Sargento Perry Gahalowood investiga o caso. Assistiu à abertura do buraco e à descoberta do cadáver. Leu o livro As Origens do Mal de ponta a ponta.

2002, 30 de agosto: ano em que Quebert plantou as hortênsias, em homenagem a Nola.

PRESENTE: Goldman vai ao hotel Sea Side confirmar se Quebert lá esteve há 30 anos. Descobre que do hotel há um carreiro que leva à praia e pela praia pode chegar-se à floresta e a Aurora. Não há documentos que provem que Quebert lá esteve.

Goldman visita Harry na prisão para lhe fazer perguntas sobre Nola.

Ao regressar vê um vulto que incendeia o Corvette de Harry.

1975, 14 de junho: NOLA

Tamara Quinn era a dona do Clark’s onde Harry passava as manhãs a escrever. Nola trabalhava lá aos sábados e estava apaixonada por ele. Jenny era filha de Tamara. Tinha 24 anos e queria seduzir Harry.

Harry não consegue escrever nada: ama desesperadamente Nola e ela ama-o também.

PRESENTE: Jenny é a atual mulher de Travis Dawn, o chefe da polícia.

1975, 18 a 28 de junho: Harry e Nola estão cada vez mais apaixonados; com Jenny tenta esquecer Nola; 

1975, 4 de julho: Tamara e Robert, pais de Jenny; esta vai sair com Harry. Nola declara-se a Harry

2008, 22 de junho

Marcus visita o ex-reverendo David Kellergan. Este está ainda em choque pelas revelações sobre a morte da filha.

1975, depois do desaparecimento de Nola, Harry recebe cartas anónimas a dizer que sabem o que ele teria feito a Nola.

2008, 26 de junho

Marcus visita Nancy Hattaway, a amiga que servira de álibi a Nola para se encontrar com Harry, sem os pais saberem. Ela revela que Nola era espancada pela mãe (o pai punha a música alto para não ouvir).

E que no verão de 1975, Nola teve um caso com um homem de 40 anos, Elijah Stern, um dos homens mais ricos de New Hampshire. O motorista dele era Luther Caleb.

Tamara Quinn afirma que tem provas do caso de Harry com Nola.

1975, 5 de julho: 

Jenny diz a Nola que anda com Harry. A seguir troca cartas de amor com Harry, mas não se encontram.

Erne Pinkas sabe que Harry não é o escritor famoso que todos pensam ser.

Harry vai ao cinema com Jenny no seu Chevrolet Monte Carlo preto.

Nola e o pai vão ao cinema. Nola vê Harry e Jenny e foge.

1975, 13 de julho: Nola tenta suicidar-se.

2008, 30 de junho: fim do prazo para Marcus Goldman entregar o livro. Marcus ouve Tamara, a mãe de Jenny:

1975, 13 de julho: como Harry faltou ao almoço com a família de Jenny e convidados, Tamara vai a casa dele e encontra um bilhete em que ele diz que ama Nola e que não suporta a ideia de ela se ter tentado suicidar.

A casa de Goose Cove pertencia a Elijah Stern e este vendeu-a a Harry.


2008, 30 de junho: Marcus envia a Barnaski as primeiras páginas do livro “O Caso Harry Quebert”

A seguir vai a casa de Elijah: este nega conhecer Nola, mas Marcus descobre um quadro dela, assinado por L. C.

1975, 19 de julho, 15 dias antes: baile de verão! Harry conhece Elijah e Luther Caleb. E ganha na tômbola uma estadia num hotel.

1975, final de julho, Harry e Nola passam alguns dias num hotel à beira-mar em Martha’s Vineyard. Ela fugiu de casa, mas disse a Harry que os pais pensavam que ela estava em casa de uma amiga. Um vulto vê-os às 4h da manhã a encontrarem-se para partir. Amam-se durante aqueles dias. (Nola seria virgem? Harry não se questiona?)

Mas Harry está sem dinheiro para continuar em Aurora

1975, 3 de agosto: Harry e Nola regressam a Aurora, ele promete-lhe que fica, mas a meio da noite foge… mas é travado por Luther Caleb: Stern soube que ele não tinha dinheiro e propôs-lhe ser o seu mecenas.

Nola foi violentada pela mãe por ter fugido.

Harry escreve avidamente o As Origens do Mal e Nola cuida dele.

Nola e Harry combinam fugir para o Canadá.

Harry descobre um segredo da mãe de Nola!

Luther Caleb abordava mulheres para as pintar, nomeadamente Jenny.

1975, 26 de setembro, Caleb morre: o seu carro foi encontrado no fundo de uma falésia.

1975 Será que também o chefe da polícia Pratt teve um caso com Nola?

Nola chupou-o uma vez e ele obrigou-a a chupá-lo uma segunda vez na floresta. É preso para averiguação.

1975, 15 de agosto: A mãe de Nola enfia-lhe a cabeça numa banheira com água gelada: quer que ela vá para o céu.

Caleb vê Harry e Nola na praia. 

Travis espanca Caleb por ele ter apertado o pulso de Jenny.

2008, 3 de julho: Goldman recebe mais um bilhete anónimo: último aviso!

Gahalowood, o polícia investigador com base nas declarações de Pratt, faz buscas em casa de Elijah. Confirma que foi Caleb que pintou o quadro de Nola, porque ela precisava de dinheiro, e que nunca se envolveu com ela.

1975, 27 de agosto: o livro de Harry estava terminado; último dia em que Harry vê Nola; ela leva um dos manuscrito do livro.


SEGUNDA PARTE: A CURA DOS ESCRITORES

2008, 7 de julho: Goldman assina o contrato com Barnaski. Roth revela que a caligrafia da mensagem encontrada no manuscrito que estava junto do cadáver não era de Harry.

2008, 9 de julho: as 50 folhas do início do livro de Goldman foram roubadas e irão ser piratearas e divulgadas.

1975, 30 de agosto: Nola desaparece e Deborah Cooper é morta.

2008, 10 de julho

Os jornais publicam excertos do início do livro de Marcus Goldman e os conhecidos de Aurora ficam escandalizados com o que ele revelou.

A casa de Goose Cove é incendiada e Harry regressa desiludido com Marcus e expulsa-o. 

O Sargento Perry Gahalowood pede-lhe que fique. Ele instala-se num hotel em Concord. Harry vai para o Sea Side, quarto 8.

1975, 31 de agosto: o pai de Caleb descobre que este se tinha demitido 3 dias antes e que era amado por Nola. Depois do dia 30, nunca mais viu o filho, até que ele morre na ravina.

2008, final de julho, Harry diz que a solução do enigma está nos livros!

1975, fim de julho: Nola vai a casa de Stern pedir trabalho para ajudar Harry a ficar em Aurora: Stern paga-lhe para ser modelo nu de Caleb. Stern é homossexual.

1975, 29 de agosto: Stern proíbe Caleb de continuar a pintar Nola, porque Caleb se apaixonou por ela e perseguia Harry. Caleb pede a demissão a Stern.

1975, setembro: O carro que caiu à ravina com Caleb era um Chevrolet Monte Carlo preto, propriedade de Stern! E estaria lá desde o dia do desaparecimento de Nola. Pratt não seguiu essa pista. Havia um saco com roupa no porta-bagagens.

2008, 22 de julho: Pratt é encontrado morto no hotel onde está instalado.

1975 Foi Robert Quinn que roubou o papel que Tamara roubou a Harry (em que descobriu que Harry amava Nola). Foi Nola que disse a Robert que Tamara tinha mostrado o papel a Pratt.

Nola pediu a Robert que roubasse o papel, porque amava Harry. Nola chupou Pratt para o chantagear e impedir que ele acusasse Harry.

Robert escreveu as cartas anónimas a Harry, depois de Nola ter desaparecido, a acusá-la de ter sido ele o criminoso.

2008 A caligrafia do bilhete é reconhecida como a de Caleb: foi ele!?

1975, dezembro: Harry, depois de Nola morrer, frequentou o psiquiatra Ashcroft, o mesmo de Tamara. Um dia, depois de vender os direitos do seu livro a uma editora por um milhão de dólares, comprou um cão, o Story, tal momo Nola desejara.

1976, 13 de outubro: Travis Dawn pede Jenny em casamento e ela aceita, resignada.

1985, julho: Harry é convidado para dar aulas na universidade de Burrows.

2008 Barnaski insiste que o livro tem de ser publicado e propõe escritores-fantasmas e cenas de sexo.

Caleb é definitivamente considerado o assassino de Nola.

Quem matou Pratt?

TERCEIRA PARTE: O PARAÍSO DOS ESCRITORES

2008, 23 de outubro: descobre-se que a verdadeira mãe de Nola morreu em 1969, no Alabama. Provavelmente era o pai que batia em Nola? Mas Nola dizia que era a mãe que a torturava.

Afinal, Harry não se alojou no quarto 8 do Sea Side Hotel. Desapareceu! Deixou um manuscrito no cacifo do ginásio de boxe: “As gaivotas de Aurora”

Gahalowood e Marcus vão ao Alabama e descobrem que foi Nola que incendiou a casa e matou a mãe e como a vê em espírito espancava-se a si própria e mergulhava a cabeça em água fria.

Confrontam o pai de Nola: descobrem que a 30 de agosto Nola recebe uma carta de Harry a acabar tudo, ao contrário do que se pensava, que ele estaria à espera dela no Sea Side Hotel.

Harry refugia-se no Canadá.

A polícia faz parar um homem num carro: é quem incendiou a casa de Harry. É Robert Quinn. O seu advogado é Benjamin Roth.

Lansdane é o chefe de Gahalowood e diz-lhe para encerrar o caso.

Há uma foto de Robert ao lado de um Chevrolet Monte Carlo preto que terá tencionado comprar em 1975. Escondeu a arma e o fio de Nola no lodo do lago. Mas não foi ele o assassino. A foto tinha a data falsificada: era de 1974.

Foi afinal Travis que matou Nola e contou a Jenny em 2008 quando o corpo apareceu. Esta incendiou a casa de Harry. Travis matou Pratt porque ele queria confessar tudo.

Afinal não foi Harry que escreveu As Origens do Mal. Escreveu As Gaivotas de Aurora. Luther Caleb foi o autor de As Origens do Mal e Harry roubou-lhe o livro. A correspondência que Nola pensara ter com Harry aconteceu com Caleb, que fingiu ser Harry a escrever. A última carta que Nola recebeu era de Caleb.

Stern contratou Caleb porque foi ele e os amigos que o desfiguraram quando eram jovens de 30 anos

Depois de chorar muito, Nola sai de casa para ir confrontar Harry, caso ele lá estivesse… 

FIM: Páginas 663 ao final…

sábado, 20 de agosto de 2022

Três Homens num barco - Jerome K. Jerome

 


Três Homens num Barco - J. K. Jerome

George, William Samuel Harris, o narrador e o cão Montmorency.

O narrador é hipocondríaco.

Decidem ir descer o rio durante uma semana.

Como fazer para dormir?

Partirão de Kingston, no sábado seguinte. Discutem se vão acampar, prevendo que poderá chover, ou se ficarão em hotéis durante o percurso.

O que levar na viagem?

Ver o conselho de vida das páginas 33 e 34.

Tudo tem os seus inconvenientes, como dizia o outro, quando lhe morreu a sogra e lhe foram apresentar a conta do funeral.

4 O que levar de comida?

Está tudo pronto para partirem na manhã seguinte.

Acordam tarde e apanham um táxi, carregadíssimos. Chegam a Kingston e embarcam para a viagem que durará 15 dias.

O intrincado labirinto de Hampton Court.

Pela eclusa de Moulsey.

Kempton Park

O narrador e a prima e a eclusa que já não existia.

10 

terça-feira, 16 de agosto de 2022

Jonathan Franzen - Correcções

 


Correções - Jonathan Franzen

ST. JUDE: Alfred Lambert e Enid, a velhice, a ansiedade, a doença de Parkinson (descoberta no dia em que a filha Denise se casou com o patrão judeu Émile) e uma carta da empresa Axon.

O FRACASSADO: Alfred e Enid vão visitar o filho Chip a Nova Iorque. Este é um escritor de guiões cinematográficos e um jornalista falhado. Tem um apartamento arrendado em Manhattan, uma namorada casada, Julia Vrais, e nada mais. A irmã Denise tem 32 anos, é divorciada de Émile e é a cozinheira chefe de um restaurante conceituado em Filadélfia. O irmão Gary é bancário e pai de 3 filhos.
Julia abandona Chip, no momento da chegada dos pais dele e de Denise.
O guião dele, intitulado Academia Púrpura, não parece ter qualidade.

A primeira namorada era a feminista Tori Timmelman. Andaram 10 anos. Aos 33, foi para o D— Colegge, em Tilton Ledge Lane, Connecticut. Andou com a colega Ruthdie, mas depois teve um caso com uma estudante do primeiro ano, Melissa Paquette (que o terá abandonado por ele ser mau amante?).

Presente: Denise está sozinha com os pais a preparar comida em casa de Chip. Alfred é reformado da companhia ferroviária da Midpac (Midland Pacific Railroad). Enid mostra-lhe a carta da Axon: querem comprar uma patente de Alfred por $5000 dólares (Electropolimerização terapêutica do gel de acetato de ferro).
Enid quer que todos vão passar o próximo Natal a St. Jude.

No dia do aniversário dos 75 anos de Alfred, Chip não lhe ligou, esqueceu-se. Foi despedido, acusado por Melissa de se ter envolvido com ela e de lhe ter escrito um trabalho para a professora Vendla O’Fallon.
Depois pediu dinheiro a Denise para se defender em tribunal e iniciou uma relação com Julia Vrais, assistente de Eden Procuro, a editora que ele contava que contratasse o seu guião. Julia casara-se com um lituano que estava agora em Vilnius.

Presente: enquanto Denise janta com os pais, Chip vai ao escritório de Eden para fazer correções no guião e para lhe dar mais qualidade. Eden confirma que não há qualquer hipótese de Julia voltar para ele. SURPRESA: Gitanas, o marido de Julia, está com Eden e contrata Chip para corrigir páginas web com info favorável economicamente à Lituânia, para captar dinheiro aos investidores americanos.

Os pais de Chip partem para um cruzeiro das Nordic Pleasurelines. Denise volta a Filadélfia. Chip parte com Gitanas para Vilnius. 

QUANTO MAIS PENSAVA NO ASSUNTO MAIS FURIOSO FICAVA
Gary e o casamento instável com Caroline. O ódio de Caroline aos pais de Gary. A “depressão” de Gary. Os filhos Jonah, Caleb e Aaron. 

A Axon e Earl Eberle que querem a patente de Alfred por uma ninharia, quando ganham milhões com métodos de tratamento de doenças oncológicas e outras.

CORECKTALL
Método da Axon que renova e cura o cérebro deprimido. Gary e a irmã Denise vão assistir a uma apresentação sobre o método. Gary pensa adquirir ações da empresa e exigir muito dinheiro pela patente do pai.

NO MAR
Enid e Alfred no cruzeiro Gunnar Myrdal na costa oeste dos USA: Alfred conservador e Enid que o ama, mas que viveu sempre à espera que ele deixe de o ser. Os escrúpulos de Alfred e a sua invenção, cuja patente agora quer ser comprada pela Axon.
A amiga de Enid, Sylvia Roth, cuja filha foi morta por um assassino que vai morrer executado. O ansiolítico Aslan. A decadência de  Alfred, pelo Parkinson e pelo descontrolo da urina.

O GERADOR
Denise é chef do restaurante Mare Scuro, que Brian Callahan lhe comprou. Brian ficou rico ao vender uma patente do software Eigenmelody à W—Corporation. É casado com Robin Passafaro. Esta é irmã de Billy Passafaro, adotado, que está preso por ter agredido violentamente Rick Flamburg, presidente da W—Corporation. Billy sempre tratou Robin muito mal.
Denise trabalhou um verão, depois do liceu, na Midland Pacific, a pedido de Alfred. Perde a virgindade com Don Armour, um colega bastante mais velho, casado e pai de 3 filhos, veterano do Vietnam.
Depois, tornou-se cozinheira e chef. Teve um caso com Ed Sterling, pai de uma colega de faculdade. Depois foi trabalhar para o Café Louche e casou com o dono, Emile Berger, também com o dobro da sua idade. Quando o ultrapassou em talento, foi trabalhar para o Ardennes. Separou-se de Emile por achar que era lésbica e envolveu-se com Becker Hemerling. Discutiam muito e decidiu deixar o Ardennes e tornou-se dona do Mare Scuro.

Denise torna-se chef contratada por Brian para gerir o futuro restaurante Gerador. Curiosa por Brian lhe ter resistido, em Paris, por onde viajaram, decide conhecer Robin e as filhas dele. Robin cede à sua simpatia depois de ela lhe dizer que já não se interessa por homens.

Robin e Denise tornam-se amantes sôfregas. A carreira e a vida de ambas fica muito instável. Brian não suspeita. Acabam por de separar quando a instabilidade atinge o limite. Brian diz a Denise que provavelmente se vai separar de Robin porque ela se tornou de novo de,adiado irritável e crente.
Denise vai a Nova Iorque para se encontrar com Chip e com os pais que vão para o cruzeiro.
Brian liga-lhe e convida-a para jantarem com um grupo de famosos. O casamento dele acabou. Ele dorme em casa dela, com ela. Robin toca a campainha de manhã. Denise percebe que gosta é de Robin. Robin sai sem saber que Brian lá está.
Gary telefona a Denise a dizer que o pai caiu do andar de cima do navio para o mar. Sobreviveu.
Robin volta a entrar: descobriu que o carro de Brian estava na rua. Brian e Robin discutem no andar de cima. Quando saem, Brian diz a Denise que está despedida.

Chip tenta voltar de Vilnius, com 29000€ que recebeu de Gitanas

UM ÚLTIMO NATAL 
Gary e Denise vão passar o Natal com os pais.
Depois de ser despedida, Denise foi para nova Iorque. De volta a Filadélfia reatou a relação com a separada Robin. Tratou-a mal e separam-se antes de ela começar a tomar conta dos pais. Arthur trata-se com o Corecktall.






segunda-feira, 8 de agosto de 2022

Contos - Maria Judite de Carvalho

 

TANTA GENTE, MARIANA

Mariana casa com António que a troca por Estrela. Mariana engravida de Luís Gonzaga que vai para padre. Mariana é atropelada e perde o filho. Mariana acaba sozinha?

A VIDA E O SONHO

Adérito torna-se bancário, casa, tem filhos e passa as tardes de domingo a ver os aviões ou os barcos a partir. Partirá também ele alguma vez?

A AVÓ CÂNDIDA

A não tão tranquila avó Cândida como Clara pensava.

A MÃE

A mulher que decide ter um caso extraconjugal com Mateus Porto que quis vingar-se do marido dela por ele se ter envolvido com a mulher dele, há muitos anos.

A MENINA ARMINDA

Violada aos 14 anos, decide, aos 34 raptar um bebé.

NOITE DE NATAL

Emília, filha de Dores, mata o pai, alcoólico violento.

DESENCONTRO 

Duarte regressa de Paris todos os anos durante 15 dias e reencontra Luísa com quem namorou há 20 anos, tinha ela 17 anos.

O PASSEIO NO DOMINGO

Marcelino Ramos, para desanuviar de um casamento entediante, decide aceitar o convite do colega de escritório para se encontrarem condutas raparigas, num domingo à tarde.

AS PALAVRAS POUPADAS

Graça terá 35 anos. Vive com a criada Piedade. 

Relembra:

-o facto de ter crescido sem mãe;

-as visitas de Clotilde e de Emília (casada, mas amante de um tal Bernardo de Melo) a Leda e as conversas ouvidas por Graça;

-a descoberta, aos 14 anos, de que a madrasta Leda era amante do belo Vasco, amigo da família, primo da mãe de Graça, por quem esta estava apaixonada;

-a ida a casa de Clotilde, quando tinha 22 anos, para lhe contar que o pai era traído por Leda;

-a prisão de Vasco que ia a Tânger com amigos; quando saiu da prisão foi viver para Paris e Graça nunca mais o viu;

-a carta anónima de Graça ao pai;

-a responsabilidade dela na separação do pai e da madrasta;

-a saída de Graça de casa para se casar com Claude, que o pai desaprovou, e o fim da relação do pai com Leda “sem explicações”

-o fim da relação de Bernardo com Emilia e a tentativa de suicídio desta;

-a vida com Claude, em Paris e na Bélgica, durante 10 anos;

-a morte de Claude, há 6 meses;

A visita, no presente, de Graça:

-recebe a visita de Clotilde que lhe conta sobre Emília e Leda e que não sabe é dúvida da responsabilidade de Graça na separação do pai com Leda;

-vai receber a visita de Leda, que lhe ligou porque queria falar com ela;

-mas sai, atormentada, antes de Leda chegar.


UMA HISTÓRIA DE AMOR




Desaparecer | Clara Serra | El País 08/08/2022

Escribir es liberador, en medio de toda esta obligación de ser nosotros mismos, porque es desparramarse en otra cosa, volcarse, desintegrarse, volverse invisible, destruirse. Desaparecer.

La identidad es la nueva religión contemporánea y “ser uno mismo” su principal mandamiento. Como dice Eudald Spluga

(No seas tú mismo, 2021), la cultura de la autenticidad personal es constantemente promocionada a través de las redes, los discursos de autoayuda y la doctrina del self-encouragement que las empresas dirigen a los “empresarios de sí mismos”, es decir, a los trabajadores asalariados. Ni el arte ni la escritura sobreviven a ello. Solo hace falta darse una vuelta por internet para encontrar multitud de blogs sobre cómo “aprender a escribir de una forma personal” o cómo “descubrirse a uno mismo a través de la escritura”. En medio de todo este marketing de nosotros mismos y nuestra auténtica personalidad, se nos vende la escritura como una autoimagen más. En realidad, todo ese discurso mainstream sobre el arte, el pensamiento o la escritura como expresión de “lo personal” no es sino la conversión de todas esas cosas en mercancía, imagen, objeto estético consumible, enésima versión del solipsismo neoliberal y la mística individualista new age.

Y contra la mística barata de hoy nada mejor que una buena mística de verdad. Simone Weil es una pensadora extraña e inclasificable. Una sindicalista revolucionaria que formó parte de la Resistencia francesa y de la Columna Durruti, una platónica en el siglo XX, una activista política radical que defendió lo sagrado. Contraria a toda mistificación de la persona y lo personal, Weil defendió la humildad —que implica una aniquilación del yo— como condición para el conocimiento o el arte. “Lo sagrado, lejos de ser la persona, es lo que en un ser humano es impersonal”

(La persona y lo sagrado, 2014). Y es que la verdad o la belleza, lejos de haber sido creadas o inventadas por grandes personalidades, “habitan ese dominio de las cosas impersonales y anónimas”.

Decía Sánchez Ferlosio que “la modestia es un rasgo propio de la ciencia”, porque el que quiere conocer, al “mantenerse volcado totalmente hacia el interés por el objeto, tiende a sumirse de manera espontánea en un mayor o menor olvido de sí mismo” (Mientras no cambien los dioses

nada ha cambiado, 1987). Esa dependencia del sujeto hacia el objeto, ese someternos a otra cosa distinta de nosotros mismos, es, en el fondo, la manera de conseguir la independencia en la creación artística o en el pensamiento. Como dice Weil, “son precisamente los artistas y los escritores más inclinados a considerar su arte como la realización de su persona los que de hecho están más sometidos al gusto del público”. Solo los malos pensadores y los malos artistas aspiran a hacer solo algo personal y a hablar solo de sí mismos. Solo los mediocres y los arrogantes creen que su obra viene solo después de ellos y no existía de algún modo antes. Los buenos, como Miguel Ángel, consideran que la escultura ya estaba dentro de la piedra y que su trabajo ha sido eliminar el mármol que le sobraba.

Vivimos cada vez más atrapados en una esclavitud narcisista. Y contra ese capitalismo del yo, contra esa asfixiante obligación de producir nuestra propia autenticidad, contra ese mandato de vendernos en el mercado de los autorreflejos, el mensaje de Weil es antisistema. Defendamos el arte y el pensamiento como algo sagrado e impersonal. Y defendamos la escritura. Defendámosla como un camino no para encontrarnos, sino para perdernos. Si la escritura se sustrae en algún sentido a la lógica del consumo y la propiedad es porque escribir tiene que tener que ver con lo impropio, porque es volcarse en “lo otro”, ir más allá del yo, olvidarse de uno. Se trata justamente de querer que nada nos pertenezca una vez lo escribimos, pero también de que cuando escribimos aspiremos a que nada nos perteneciera antes de escribirlo. Las ideas verdaderas, como las obras de arte bellas, merecen ser escritas justamente porque no son nuestras, porque se pertenecen a sí mismas, porque tienen su propia objetividad, porque son independientes, porque no nos deben nada a nosotros sino nosotros a ellas. Si de algo nos libera buscar la verdad o la belleza es justamente de nosotros mismos. Y por eso escribir, si es de verdad escribir, como pensar, si es de verdad pensar, es una herida al narcisismo, una brecha en la obsesión egocéntrica del ensimismamiento, una raja en el individuo. Escribir es liberador, en medio de toda esta obligación de ser nosotros mismos, porque es desparramarse en otra cosa, volcarse, desintegrarse, volverse invisible, destruirse. Desaparecer.

Defender esa desaparición es revolucionario. Porque es revolucionario, en los tiempos en los que todo es espejo, todo es imagen, todo está en venta, todo tiene precio, defender que, en realidad, no todo lo tiene. Que no tienen razón los publicistas del régimen, los coachers y los mercaderes. Que la libertad no es buscarnos a nosotros mismos para vendernos a nosotros mismos, sino someternos, en un acto de libertad, a cosas que tienen valor en sí mismas. Que, como dice Weil, “nada inferior a esas cosas es digno de inspiración a los hombres y mujeres que aceptan morir”.

quinta-feira, 4 de agosto de 2022

A vida e o sonho - Maria Judite de Carvalho



Podia ter sido caixeiro-viajante, maquinista de comboios ou marinheiro. Não era porém nenhuma dessas coisas porque nós não fazemos, somos construídos pelas circunstâncias. O pai, naturalmente à força de muitos pedidos, conseguira que logo aos treze anos o metessem numa casa bancária importante onde lhe tinham dado uma farda cinzenta e um lugar de futuro. "Menino, então esse cheque?", "Menino, leve esta letra ao senhor Silva!", "Então, menino?", “Meni-i-no!”. Ele afadigava-se, muito zeloso, já sério, ansioso por cumprir, e sem compreender ainda que o seu desembaraço e o seu zelo começavam já a enleá-lo todo naquela engrenagem de que nunca mais saberia libertar-se. À noite, em casa, devorava os livros de Emílio Salgari que um colega, Mais abandonado do que ele, lhe ia emprestando. Outras vezes folheava um velho atlas roído e vomitado já por várias guerras, que o pai comprava em tempos num alfarrabista. Mas o que podiam significar para o Adérito as linhas das fronteiras? A ele bastavam-lhe aquelas vastas extensões azuis, aquelas cidades de nomes exóticos que lia (mal) em voz alta, para se ouvir, quase com volúpia.

Depois os anos tinham passado quase sem ele dar por que passavam, cheios de dias longos, todos iguais, sem interesse. Começou a atender ao balcão, teve secretária própria com pasta e com esponja (era um lugar de futuro), conheceu mulheres – poucas – , casou. Era agora ele quem chamava “Menino! Menino!” E sentia sempre ao fazê-lo, como que um aperto na garganta, uma espécie que ele próprio não saberia explicar e também de culpa, principalmente de culpa para com aqueles rapazinhos sérios, ativos, muitos zelosos.
Pensava raramente (para ir até o fundo das coisas?), mas às vezes achava-se a dizer a si próprio que não tinha nascido para aquilo e que talvez ainda estivesse a tempo de fugir. Mas de quê? Para onde? Gostava do seu trabalho. Gostaria de fato? A verdade é que não sabia fazer outro. Números, números, dias, meses, anos de números, anos terrivelmente abstratos para ele e concretos, estava bem de ver para muitas outras pessoas. Não tinha nascido para aquilo, era possível. Mas quem nasce para o que é? – reflita a querer consolar-se. Era um homem plácido, habituado a suportar as contrariedades da vida. Um homem para quem os prazeres não eram muito fortes nem os desgostos muito intoleráveis. Um homem metódico, com sonhos impossíveis mas nenhumas ambições.
Vestia todos os domingos o seu melhor fato, punha a gravata do dia dos anos e saía para o futebol. A mulher também se preparava e ia à casa da mãe. Às vezes saiam juntos, só se despediam ao fim da rua, beijavam-se sem dar por isso. Era um costume antigo que tanto um como o outro sempre tinham achado natural aquele de se separarem ao domingo à tarde. Tão natural e imutável como irem ao sábado à noite ao cinema do bairro ver uma fita qualquer, a que andasse ao sábado à noite, e irem ao domingo à missa das onze a São Domingo.
Às vezes, ao jantar, a mulher perguntava-lhe:
-Correu mal, o jogo?
O Adérito respondia-lhe que assim assim ou então que não tinha prestado. E corava sempre ao de leve porque era um homem a quem toda a mentira desagradava. Se mentia era só por sentir que a mulher compreendia mais facilmente as mentiras que lhe dizia do que as verdades que pudesse dizer-lhe. Não conseguia imaginar - e muitas vezes tinha pensado nisso - qual seria a reação dela se lhe onde passava, há quantos anos, as tardes de domingo. Todas. Quer chovesse, quer fizesse sol. Não o acreditava talvez, as mulheres têm sempre dificuldade em crer nas coisas simples, transparentes. Sim, ela nunca acreditaria que ele fosse para os cais ver os barcos que partiam ou então para o aeroporto olhar os aviões que deixavam a terra. Um dia tinha falado ao Costa, seu colega do Banco, dessa sua predileção e o Costa tinha sorrido um pequeno ar superior. Se o Costa não podia compreendê-lo, como havia a mulher, uma pobre rapariga oca... O Costa ainda tinha perguntado:
-Mas que interesse é que pode ter ti essa gente que vai de avião ou de barco?
E isso é que era estranho. O Adérito não ia ao aeroporto nem aos cais para ver as pessoas que partiam. Também não ia ver o barco nem o avião. Era mais complexo.
Nem ele próprio sabia – era um homem simples que procurava nesses momentos, sem dúvida os mais felizes, os mais cheios, os mais completos da sua existência sem vida. Era tudo e não era nada ao mesmo tempo. O cheiro forte, levemente podre daquela água próxima, escura, já misteriosa, o ar salgado a bater na pele, as vozes enervadas, as corridas, os gritos, uma ou outra lágrima, aquelas palavras de aventura calma, organizada, a encherem todo o campo. Vi partir com destino a Karachi...Ou, com destino ao Brasil...ou para Nova Iorque...Depois, e isso era maior do que tudo, o grande pássaro a rugir, a arrastar-se pelo chão, depois a rasgar o espaço ou então o barco enorme a correr quieto como o tempo sobre as ondas ligeiras do rio quase oceano.
Às vezes deixava-se ficar até o barco desaparecer. Experimentava uma espécie de angústia, qualquer coisa como se alguém muito querido se tivesse ido embora para sempre. Mas não era bem isso. O que ele sentia era uma grande dor por essa pessoa, ele próprio, ter ficado.
Punha-se então a caminhar ao longo dos cais e havia sempre homens muito sujos ou talvez queimados de sol, ele não sabia, que tiravam ou punham fardos em navios de carga que tinham chegado ou iam partir. Homens com caras de aventura. Homens. Às vezes parava a olhar para os barcos, pequenos e de ar antigo, que a água apodrecera, sempre em movimento e sempre parados, presos com cordas grossas a postes de ferro. Presos para não irem água fora. Presos como ele.
Regressava sempre à casa melancólico. Via a mesa posta para o jantar, o abajur encamado, a estatueta do rapaz a comer cerejas (as cerejas balouçavam quando ele entrava) a própria mulher já gorda e amolecida da idade, com outros olhos, os olhos novos de alguém que regressou de longe e caiu de repente, sem preparação, na vida quotidiana, na vida antiga, na vida que estava à sua espera, na ‘sua’ vida afinal.
A mulher perguntava enquanto servia a sopa:
-Correu mal, o jogo?
Ele corava.
-Assim assim. E a tua mãe, como está?
Às vezes, à noite, chovia. Os pingos batiam com força na vidraça, o vento varria a rua toda. Ela deixava cair o trabalho no solo, enrolava-se mais no xale porque era muito friorenta.
-Sabe bem estar em casa, dizia.- Sabe onde eu me sentia feliz? Na África...
Ele sorria ao de leve, ia até à estante, abria o Robinson Crusoé ou um livro qualquer de Júlio Verne, tantas vezes lido que já lhe sabia passagens de cor.
Na manhã seguinte voltava ao Banco e somava e multiplicava e dividia. “Menino!”, “Então, menino?” Mas tinha um ar culpado e os garotos não o respeitavam. Era sempre ele o último a ser servido.
Certo dia um dos diretores chamou-o, fê-lo sentar numa daquelas poltronas de cabedal verde que até então ele só conhecia de vista. Era um homem gordo, muito aromático, sorridente, com brilhantes nos dedos. Olhou para o Adérito com intensidade, como se quisesse ler-lhe os pensamentos.
-Sabe por que o mandei chamar?
Mas o Adérito não sabia. Também não tinha pensamentos. Estava sentado na borda da poltrona e tinha as mãos sobre os joelhos unidos, respeitosamente unidos. Esperava.
O diretor pôs-se a falar. Que a direção reconhecia o seu valor, a sua dedicação à casa, o seu amor ao trabalho. Como já devia ter ouvido, o Banco ia ter uma sucursal em Lourenço Marques. O caso era que a direção tinha pensado nele, Adérito, para a dirigir, enfim, para gerir. Seria, claro, aumentado. Atrevia-se mesmo a assegurar-lhe que teria um aumento considerável... Considerável... Enfim, uma situação muitíssimo vantajosa. Sem falar no prestígio. Mas que pensasse, pensasse depois lhe diria se aceitava ou não.
O Adérito não pensou, ou melhor, pensou muito pouco. Também não falou daquilo à mulher porque ela não saberia compreende a resolução que tinha tomado, ainda o diretor lhe estava a expor o caso. Sempre sonhara ser uma senhora, coitada. Uma senhora como ela era capaz de ambicionar. Com muitos chapéus, muitos vestidos e muitos bolos para oferecer às visitas. Mulher dum gerente numa cidade colonial... Nunca lhe perdoaria a recusa, claro. Falou ao diretor na saúde da mulher, no seu próprio fígado, muito sensível. Tudo mentira, naturalmente. Por que então, por quê? Nem ele próprio sabia. E daí talvez, pensando bem. Talvez porque havia pessoas que sonhavam e viviam ao mesmo tempo, os homens negros dos barcos, os atores e as atrizes que ele via ao sábado à noite no cinema do bairro, e ele se habituara a sonhar e a viver.Talvez fosse por isso. Agora era tarde, demasiado tarde. Já não saberia viver um sonho. Sentia-se velho, horrivelmente velho e cansado, muito, muito cansado. Muito triste também.
Foi o Costa quem um dia partiu, num bonito paquete. No cais, o Adérito tinha os olhos bem abertos e sentia uma grande, uma enorme angústia. Deixou-se ficar até o barco se diluir todo no nevoeiro espesso que nessa manhã cobria o Tejo. Depois ainda deu um salto ao aeroporto a ver sair os aviões.

Maria Judite de Carvalho

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

Werther - Goethe


4 de maio de 1771: Werther partiu, abandonando o amigo, Leonor e a mãe. Está na cidade da tia, a reclamar uma herança. Passa muito tempo num jardim paradisíaco.

10 de maio: está só.

12 de maio: o prazer das fontes.

13 de maio:  tem um coração ardente.

26 de maio: está alojado em Wahlheim. Perto há uma loja com duas tílias.

30 de maio: O que ultimamente te disse com respeito à pintura pode também perfeitamente aplicar-se à poesia. Com efeito, de que se trata? De encontrar o que é verdadeiramente belo e saber exprimi-lo: é isto em verdade, dizer muito em poucas palavras. 

O emocionante camponês dedicado à viúva.

junho

Werther apaixona-se perdidamente por Carlota, que está comprometida com Alberto. Werther deseja morrer. Carlota, quando a mãe morreu, prometeu cuidar dos irmãos para sempre.

SEGUNDA PARTE

Outubro

Werther inicia a vida social para tentar esquecer o sofrimento. Conhece o embaixador, que detesta, e o conde, com quem simpatiza. Conhece a encantadora menina B, a quem fala muito sobre Carlota.

Carlota e Alberto casaram-se.

Werther cai nas más graças da corte e vai viver para casa do príncipe. 

Aí farta-se do pouco espírito do príncipe. Imagina que Alberto morre e que ainda poderá vir a casar-se com a amada Carlota.


Página 121

Carlota ausentou-se por alguns dias para ir ao encontro de Alberto. Ontem, porém, fui visitá-la. Veio ter comigo e eu beijei-lhe a mão com indizível alegria.

Um canário, que estava pousado à solta sobre um espelho, vou-lhe por cima do ombro.

-É um novo amigo! - disse ela. - Dei-o a meus irmãos. Como é mansinho, não acha? Quando lhe dou pão, bate muito as asas e dá umas bicadas com tanta graça! E também me dá beijos! Quer ver?

E ofereceu a boca à avezinha que meteu o boquinha, com meiguice, entre aqueles doces lábios, como se apreciasse as delícias daquele beijo.

-Também o há de beijar ao senhor! - disse ela, aproximando a ave da minha boca.

O bico passou dos lábios de Carlota para os meus, e a impressão das bicadas que recebi foi para mim como que a mensageira de gozos celestiais.

-Este beijo é egoísta! - disse eu. - O que ele quer é que lhe deem de comer, não lhe agradam festas a seco…

-E também come da minha boca…

E apresentou-lhe uma migalha de pão nos lábios entreabertos, nesses lábios em que sorriam todas as alegrias inocentes, todo o êxtase, todo o ardor de um amor partilhado.

Desviei o olhar. Ela não devia ter feito aquilo! Não devia inflamar-me a imaginação com aqueles quadros de venturosa inocência, nem despertar-me o coração…


domingo, 31 de julho de 2022

Siddhartha - Hermann Hesse

PRIMEIRA PARTE

O filho do brâmane: Siddhartha e Govinda, a pronúncia do Om, todos amam Siddhartha mas ele não é feliz e decide juntar-se aos semanas, abandona os pais e Govinda parte com ele.

Com os Samanas: Siddhartha emagrece e deixa cresce a barba, procura a anulação do Eu e busca a transcendência e o Nirvana, mas decide partir, ao fim de 3 anos, porque ainda tem muitas perguntas sem resposta, ouve falar de Buda parte com Govinda em busca dos seus ensinamentos, depois de hipnotizar um velho Samana que não os queria deixar partir.

Gautama (Buda): com o Buda aprende que não deve abdicar do Eu, antes o deve tentar compreender e enfrentar. Govinda fica com o Buda e separam-se.

Despertar: compreendeu que já não era um jovem e, sim, um homem. Uma coisa o abandonara: o desejo de ter professores e ouvir os seus ensinamentos. Nem os ensinamentos de Buda aceitara. Pensa Siddhartha: “É o Eu, cujo carácter e natureza eu desejava conhecer. Aprenderei comigo próprio, serei aluno de mim mesmo.” E Siddhartha sentiu que estava só.

SEGUNDA PARTE

Kamala: Siddhartha decidiu ouvir apenas a sua voz interior. Rejeitou a mulher que lavava roupa à beira do rio e que se lhe ofereceu. Achou bela a cortesã Kamala. Cortou a barba. Quis aprender o amor com ela. Ela aceitou beijá-lo, mas ele teria de ganhar muito dinheiro para a ter. O facto de Siddhartha saber ler e escrever e fazer poemas era muito promissor.

Entre o povo: Siddhartha foi procurar Kamaswami, o mercador, por recomendação de Kamala. Ficou como seu hóspede, a trabalhar com ele. Quando Kamala o convidava, aprendia a beijar e a acariciar. Aprendeu com ela que não se pode ter prazer sem o dar. Siddhartha agradava a todos e sabia escutar todos e ocupava o pensamento com os jogos humanos. Mas sentia que a verdadeira vida passava por ele e não lhe tocava.

Uma vez, disse a Kamala:  “Dentro de ti existe uma serenidade e um santuário aos quais te podes recolher em qualquer altura, para seres tu mesma, exatamente como acontece comigo. Poucas pessoas têm essa faculdade e, todavia, todos a podiam ter.”

Ela disse-lhe, sobre o amor: “Não me tens realmente amor… não amas ninguém.” E ele respondeu: “Sou como tu. Também não podes amar, pois de contrário não praticarias o amor como uma arte. Talvez as pessoas como nós não possam amar. As pessoas vulgares podem… é esse o seu segredo.”

Samsara: Siddhartha vivia a vida do mundo sem no entanto lhe pertencer. Saboreara a riqueza, a paixão e o poder, mas durante muito tempo permanecera samana no coração. A vida de Siddhartha era sempre orientada pela arte de pensar, esperar e jejuar. As pessoas do mundo, as pessoas vulgares, continuavam a ser-lhe estranhas, como ele lhes era estranho.

Assim como a roda do oleiro, uma vez posta em movimento, continua a girar durante muito tempo, e depois gira devagarinho antes de parar, assim a roda do ascetismo, do pensamento e do discernimento continuou a girar durante muito tempo na alma de Siddhartha. E ainda girava, mas lentamente, hesitantemente, quase a parar.

A fadiga apossou-se de Siddhartha como um véu. Todo aquele mundo de pessoas como Kamaswami não passará de um jogo para ele. Não tinha abandonado o pai, Govinda e Gautama para se tornar um Kamaswami. Abandonou tudo e partiu. Kamala estava grávida.

Junto do rio: desejou apaixonadamente o esquecimento, estar em paz, morrer. Mas o Om ressurgiu na sua mente, proveniente da árvore e do rio.

Reencontrou Govinda, agora um dos monges discípulos de Gautama, o Buda. E voltou a sentir que amava tudo e todos. E que voltara a saber jejuar, esperar e pensar. 

“Em rapaz andei ocupado com deuses e sacrifícios; em jovem, com ascetismo, com pensar e meditar; depois descobri maravilhado os ensinamentos do grande Buda; parti e fui aprender os prazeres do amor com Kamala e dos negócios com Kamaswami; e agora abandonei tudo para voltar a ouvir o Om que comecei a ouvir em rapaz.”

“Os prazeres do mundo e as riquezas não são bons. O Om som.” 

O novo Siddhartha sentia um amor profundo por aquela água corrente e decidiu não a abandonar tão cedo.

O barqueiro: Siddhartha tornou-se hóspede e ajudante do barqueiro Vasudeva, de quem gostava por ter uma vida tão simples e por saber ouvir, como se fosse o próprio rio.

O Buda adoeceu e os monges atravessavam o rio para o ver antes de morrer. Também Kamala e o filho vieram. Kamala foi mordida por uma pequena serpente preta e morreu. 

O filho: com 11 anos era um menino mimado, habituado à boa vida. Não lhe trouxera a paz e a felicidade, porque era arrogante e provocador, não trabalhava, não respeitava os dois velhos e roubava frutos. Mas Siddhartha amava-o e preferia os desgostos e as preocupações do seu amor à felicidade e ao prazer sem o filho. Amava-o loucamente e o amor transformara-o num idiota. E o filho disse-lhe que o odiava e desprezava e desapareceu. Siddhartha inutilmente foi à cidade tentar recuperá-lo.

Om: a ferida pela perda do filho doeu durante muito tempo. Percebia agora o que era um comum mortal e os seus sofrimentos. Sentia que também está vertente teria de fazer parte da harmonia, do conhecimento da perfeição eterna do mundo e da unidade.

E as vozes todas que ouvia no rio, todos os objetivos, todas as vivências, todos os desgostos, todos os prazeres, todo o bem e todo o mal, as vozes todas juntas eram o mundo. Todas juntas eram o fluir dos acontecimentos, a música da vida. Quando Siddhartha escutava atentamente o rio, a sua canção de mil vozes; quando não dava ouvidos apenas ao riso ou à mágoa, não ligava a alma a nenhuma voz particular e a absorvia no seu Eu, mas as ouvia a todas, ao conjunto, à unidade, então o grande cântico de mil vozes consistia numa única palavra: Om - perfeição.

A partir desse momento, Siddhartha deixou de lutar contra o seu destino. No seu rosto brilhava a serenidade do saber, de quem já não se debate com conflitos de saber, de desejos, encontrou a salvação, vive em harmonia com o fluir dos acontecimentos, com o rio da vida, rendendo-se à corrente, pertencendo à unidade de todas as coisas.

E Vasudeva partiu, para a floresta definitiva, para a unidade de todas as coisas.

Govinda: apesar da sua longa idade e da sua modéstia, ainda havia desassossego no seu coração e a sua busca estava insatisfeita. Procurou Siddhartha e atravessou o rio com ele. Este diz-lhe:

“Quando alguém procura,acontece facilmente só ver a coisa que procura, ser incapaz de encontrar seja o que for, de absorver seja o que for, porque só pensa naquilo que procura, porque tem um objetivo e porque está obcecado com esse objetivo. Procurar significa ter um objetivo, mas encontrar significa ser livre, ser recetivo, não ter nenhuma meta. Tu talvez sejas uma pessoa que procura, pois ao lutares para alcançar o teu objetivo, não vês muitas coisas que estão debaixo do teu nariz.

A sabedoria não é comunicável. A sabedoria que um velho sábio tenta comunicar parece sempre ridículos. O conhecimento pode ser comunicado, mas a sabedoria não.

Quando o sábio Buda ensinou acerca do mundo, teve de o dividir em Samsara e Nirvana, em ilusão e verdade, em sofrimento e salvação.

O importante é apenas amar o mundo e não desprezá-lo, sermos capazes de ver o mundo, a nós próprios e a todos os seres com amor, admiração e respeito.


HOMO SUM: HUMANI NIHIL A ME ALIENUM PUTO (Terêncio)

Sem beijos, não se consegue pensar.

Anónimo

La senda de Aristóteles - Edith Hall

Edith Hall é uma classicista que considera que afetividade coletiva se conquista através da felicidade individual de cada cidadão.

La pregunta de qué es la felicidad desvela a la humanidad desde el origen de la filosofía, pero la clasicista Edith Hall (Birmingham, 63 años) está convencida de que Aristóteles, su “amigo” desde que lo descubrió con 20 años, nos había dejado la respuesta hace 2.400 años: no se trata de grandes principios, sino de “comprometerse con la textura de la vida”. Tras décadas como referente en literatura griega antigua e historia cultural, su pasión ahora es hacer los clásicos accesibles y demostrar que tienen la llave para desarrollar nuestro potencial. Rodeada de sus mascotas, el perro Finlay y el gato Satán, cuenta que fue un amigo quien la animó a escribir La senda de Aristóteles (Anagrama), tras haberle escuchado durante años que el filósofo de Estagira poseía las claves para “cambiar nuestra vida”. Tal es su convicción que confiesa que le gustaría dar su libro gratis a todo el mundo, si bien, de momento, se conforma con las clases magistrales que imparte abiertamente en plataformas como YouTube.

PREGUNTA. El título del libro es una declaración de intenciones: la sabiduría antigua puede cambiar nuestra vida. ¿Cuál es el hilo común de la vía aristotélica?

RESPUESTA. El complejo y extremadamente variado pensamiento de Aristóteles se puede resumir en que, si tratas de ser una buena persona, lo intentas de verdad y piensas en ello todo el tiempo, vas a ser una persona mucho más feliz y serena.

P. La felicidad es nuestra responsabilidad individual, pero en la vida moderna resulta tentador culpar a todo, menos a nosotros, de lo que nos ocurre.

R. Los jóvenes tienden cada vez más a actuar como víctimas, y ciertamente afrontan cuestiones mucho peores que mi generación, pero no van a ser felices si siempre culpan al otro, tienen que asumir la responsabilidad. Aristóteles demanda asumir que tienes un control considerable en cómo actúas y, por tanto, en las consecuencias que obtienes. Debes lidiar con las cartas que te tocaron al nacer, y aunque reconoce que, si están en tu contra, es más difícil ser feliz, aun así puedes. Lo importante es decidir qué está bajo tu control, qué no y trabajar duramente en aquello que lo esté.

P. Guerra en Europa, una pandemia… Las circunstancias nos lo ponen difícil para practicar nuestra responsabilidad de ser felices.

R. Este es uno de los aspectos en los que Aristóteles es más relevante: plantea avanzar desde la felicidad individual y cómo, si todos individualmente lo intentamos, podemos conseguirla. Empiezas a partir de esta base, pero no puedes hacerlo en solitario, solo se puede ser bueno interactuando con otros. También cree que los malos gobernantes solo florecen cuando logran desbaratar este tejido básico de decencia social, los tiranos lo odian porque hace que la gente pueda sobreponerse a ellos. Cada vez que tenemos una conversación agradable con alguien es un acto de desafío contra la tiranía.

P. Según usted, los clásicos tienen la llave para una vida plena, pero su protagonismo es marginal en la sociedad moderna. ¿A quién tenemos que convencer?

R. La manera más rápida es a quienes gestionan la educación. Las élites que dominan el mundo no quieren ciudadanos que piensen, porque los rechazaríamos. No creo que digan: “Impidamos que impartan los clásicos”, pero hay un impacto, y aunque no puedo probarlo, creo que hay una impresión genuina de que una ciudadanía ampliamente educada en materia humanista tendría la capacidad de criticar ciertos argumentos.

P. ¿Quiénes deben entonces asumir la iniciativa?

R. Aquellos en una posición segura. Esto es muy aristotélico, está en uno de los capítulos del libro, es el concepto de la omisión-comisión: puedes hacer muchísimo daño por simplemente no actuar. Si analizamos cada político, cada persona rica…, ayuda mucho para determinar a quién admirar y a quién no. Las personas con cierta influencia tienen el deber de utilizarla, y esto es exactamente lo que dice Aristóteles; de lo contrario, es omisión, no ayudar cuando puedes hacerlo sin causarte ningún daño.

P. La constante en su libro y en el pensamiento aristotélico es maximizar nuestro potencial, pero es la exigencia de ser excelentes en todo la que nos hace infelices.

R. El problema es que tratamos de hacer demasiadas cosas. Tienes que encontrar una sola que se te dé bien. Aristóteles la llamaba techne, que es de donde viene la palabra técnica, es decir, un talento a desarrollar. Creo en la especialización, vamos a ser mejores si tenemos gente increíblemente buena en lo que hace, así que yo, en la veintena, abandoné todas mis aficiones y decidí convertirme en la mejor académica posible en Grecia Antigua y también ser madre. Y es más que suficiente.

P. ¿Y es compatible?

R. Sí, Aristóteles es genial en eso, dice que, si eres muy bueno en algo, probablemente sea en aquello que más disfrutas. El placer es, por tanto, una guía muy sencilla.

P. La tecnología nos lleva a priorizar la gratificación instantánea. ¿Es esto un obstáculo para la prevalencia de los clásicos en la sociedad moderna?

R. El problema es que hay un efecto sedante en el bombardeo constante. Las redes sociales son ahora el opio del pueblo, y a la gente le aterra terriblemente quedarse sola con sus pensamientos, pero así no puedes tomar buenas decisiones. Lo considero especialmente tóxico para los niños, creo que afecta a su capacidad para concentrarse, pero está aquí, y tampoco puedes ser un ludita, no puedes esperar que desaparezca la tecnología, necesitamos encontrar maneras de gestionarla.

P. ¿Están los clásicos en peligro de extinción?

R. Sí. Personalmente, me siento como la custodia de la memoria de la tribu, de uno de los milenios más importantes, porque fue en el que se inventó la filosofía. Y me preocupa, pero Aristóteles me dice que solo puedo preocuparme por aquello en lo que pueda hacer algo, lo demás está fuera de mi control.

P. En el Reino Unido somos testigos del ocaso de Boris Johnson, un entusiasta de los clásicos. ¿Es su caída la historia de un héroe griego contemporáneo?

R. Su historia es como una tragedia griega, ha caído estrepitosamente, de una manera muy rápida, por un perfil psicológico particular. Tiene un defecto terrible: su incapacidad de decir la verdad, es un mentiroso patológico; todos los políticos mienten, pero en su caso parece ser la opción por defecto, se siente más seguro mintiendo. Mi definición de locura es que no te ves a ti mismo como te ven los demás, no tienes idea del impacto que causas, y él ha perdido toda conexión con cómo es percibido. Creyó que podía escapar de todo mintiendo, por haberlo hecho tantas veces; era una evidencia empírica, pero ha sido muy irresponsable, dando un ejemplo terrible de decadencia moral.

Gran­des éxi­tos de la fi­lo­so­fía… can­ta­da - Mar Padilla - El País

 Gran­des éxi­tos de la fi­lo­so­fía… can­ta­da

El anuncio de la primavera es de unos grandes almacenes, pero el aviso de la llegada del verano corre a cargo de una cervecera. Aquí, ahora y así, interpretada por Santi Balmes y Renaldo y Clara, y compuesta por Rigoberta Bandini, es la canción de su anuncio para este año. En Twitter algunos la adoran y otros la desprecian. Uno confiesa que ha llorado de emoción al escucharla, otro dice que es el mensaje que necesitaba después de estar un año opositando, y otro más tilda la canción de autoayuda de botellín. En cualquier caso, la canción habla de la urgencia de vivir el momento. En El discurso de la verdad, Parménides dice: “El ser nunca fue ni será, puesto que es ahora, uno y continuo”, algo no tan ajeno a lo que describe Bandini con un puñado de acordes.

Consideramos la filosofía como un sistema académico sofisticado solo apto para eruditos. Pero filosofar es un acto a la intemperie, que se da en cualquier situación en la que participen humanos, solos o en compañía. También en la música. En estrofas que son casi cápsulas filosóficas, el pensamiento sobre la condición humana está presente en infinidad de canciones. La campeona de todos los tiempos —detestada por tantos— es, probablemente, Dust In The Wind, de Kansas, esa que dice: “Cierro los ojos solo por un momento y el momento se ha ido / Solo somos polvo en el viento / No te aferres, nada dura para siempre”. Una azucarada lección de estoicismo, la escuela de filosofía que ayuda a vivir en el reconocimiento de la finitud y la naturaleza decadente del mundo, de lo que amamos y de nosotros mismos. Porque todo muere y cualquier logro quedará en nada.

En Ser y tiempo, Heidegger se pregunta por ese existir, ese estar ahí, arrojados en la posibilidad. Si estamos hechos de tiempo —el material más indómito, barro y cruz de los humanos—, Nina Simone se revela como la artista más genuinamente heideggeriana. En Who Knows Where The Time Goes canta: “En algún momento de tu vida tendrás ocasión de preguntarte / ¿Qué es eso que se llama tiempo? / ¿Qué hace? / y, sobre todo, ¿está vivo?”. Simone, que escribió 500 canciones, activista por los derechos civiles que abandonó Estados Unidos por el racismo, decía que la libertad era no tener miedo.

Pero eso no es fácil. En I’d Rather Go Blind, la gran Etta James canta: “Prefiero quedarme ciega a perderte / Más que nada porque no quiero sentirme libre”. James no está sola en esa idea de abismo. Una de las claves de la filosofía de Immanuel Kant es, precisamente, el problema de la libertad, ese esfuerzo de independencia de la voluntad respecto de cuanto sea ajeno a la ley moral —no ligada a impulsos—, esa capacidad de elección por encima de nuestros deseos.

Haz lo que quieras

El libre albedrío es un clásico con el que lidiamos cada día de cada semana en cada año vivido. Un vaivén entre el interrogante y la duda que nos deja exhaustos, con ganas de tirar la toalla a veces. Pero casi todos seguimos adelante, arrollados por una fuerza extraña. No hay prueba académica alguna, pero es probable que la canción Do Anything You Wanna Do, de Eddie & The Hot Rods, haya salvado a muchos de la desolación y haya liberado a muchas mentes, porque la canción te explica que puedes hacer lo que tú consideres, esto es, lo que tú creas honestamente que debes hacer, sin atender a mandamientos impuestos por otros.

Más allá de las luchas por liberarnos de cadenas propias y ajenas,

Friedrich Engels nos advierte de que la ley de la conservación y de la transformación de la energía es la ley fundamental del movimiento, y que este —la vis viva según palabras de Gottfried Leibniz— es el rey absoluto de la naturaleza. Eso es lo que significa saoco en su origen africano: movimiento, utilizado después en el slang puertorriqueño para catalogar algo lleno de energía, rítmico y sabroso. Es ese algo que se mueve y cambia, como canta Rosalía en Saoko cuando dice: “Cuando es de noche en el cielo se vuelve de día / Ya todo eso cambió / Soy todas las cosas / Yo me transformo”.

El poder y la gloria solo son humanos, pero son muchos, casi todos invisibles, los que meditan al respecto y, como Albert Camus eligiendo entre la justicia y su madre, optan por apartar los conceptos abstractos y quedarse con la finita realidad del calor humano. Un día de 2019 Rosalía cantó en la tele Me quedo contigo y, tras fascinarse con ella, algunas miradas recordaron los años ochenta, cuando Los Chunguitos publicaron esa canción, y entonces no prestaron suficiente atención a una letra que dice: “Si me das a elegir entre tú y mis ideas / que yo sin ellas soy un hombre perdido / ¡ay amor! me quedo contigo”.

Soledad cósmica

Antonio Vega sí escuchó Me quedo contigo entonces y le gustó tanto que la tocaba en algunos conciertos. Las canciones de Vega, uno de los grandes cantantes-pensadores, están repletas de ideas-rayo que cantan, en su caso, a la soledad cósmica, como en la canción Persiguiendo sombras: “Nada me importa hoy / No sé ni dónde voy / Persiguiendo sombras / Es tal el hielo que hay aquí / Este es un frío país”, o en Escala real: “Persigo una ilusión / a donde quiera llegar / pasando sin temor / junto al vacío total”.

Vega también versionó a Joan Manuel Serrat —el grandísimo pensador músico—: cantó la extraordinaria Romance de Curro el Palmo, que narra la lucha por la vida y la lucha por el amor, y sus sucesivos naufragios. Es el arte de la existencia de una persona en siete minutos, embarcada a sabiendas que no hay puerto seguro —como bien decía Voltaire— y que empieza con “La vida y la muerte / bordada en la boca / tenía Merceditas / la del guardarropa”.

Otros compositores nombran, directa o indirectamente, a los pensadores que les han influenciado, como The Cure en Killing An Arab, basada en El extranjero, la obra de Albert Camus —donde cantan: “Estoy vivo / estoy muerto / soy Un extraño”—, o Bob Dylan en I Dreamed I Saw Saint Augustine: “He soñado que veía a san Agustín / vivo como tú y como yo / con su salvaje aliento”. Algunos llaman a Dylan El Profeta, pero el de Minnesota no es un ente ni un aparecido, sino un hombre vivo, una persona de verdad. Es un tipo de 81 años que con 32, en su canción Knockin’ On Heaven’s Door, nos señala que el camino es hacia la muerte. Un destino que nos deja pensativos y nos hace seres pensantes. Cada instante en la vida es un regalo y también una cuenta atrás. Quizá lo mejor es poner la canción I Wanna Know (Quiero saber), de Mongo Santamaria, a todo volumen y ponerse a bailar.