terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

O paraíso na outra esquina - Mario Vargas Llosa





https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0706200306.htm


Onde se encontra o Paraíso? Na construção de uma sociedade igualitária ou no retorno ao mundo primitivo? 

Duas Vidas: a de Flora Tristán, que põe todos os seus esforços na luta pelos direitos de mulher e dos operários, e a de Paul Gauguin, o homem que descobre a sua paixão pela pintura e abandona uma existência burguesa para viajar para o Tahiti em busca de um mundo não contaminado pelas convenções. 

Duas concepções do sexo: a de Flora, que só vê nele um instrumento de domínio masculino, e a de Gauguin, que a considera uma força vital imprescindível posta ao serviço da sua criatividade. 

O que têm em comum estas duas vidas desligadas e opostas, à parte o vínculo familiar por ser Flora a avó materna de Gauguin? 

É isto que Mário Vargas Llosa põe em relevo neste romance: o mundo de utopias que foi o século XIX. 

Um vínculo entre duas personagens que optam por modelos de vida opostos que revelam um desejo comum: alcançar um Paraíso onde seja possível a felicidade para os seres humanos.

1.Flora em Auxerre
1844, Flora Tristán, a Andaluza, quer mudar o mundo, divulga “A União Operária” aos operários e a todos os explorados, que estabeleceria os direitos de todos os trabalhadores, não só homens, mas também mulheres. Critica o padre Fortin e a religião católica.

2.O espírito do morto vigia
1891, 1892,  Gauguin, conhecido por Koke, saiu de Paris e refugiou-se em Mataiea, no Tahiti, com a muito jovem mulher Teha’amana, de quem acaba por se fartar. Sem dinheiro, decide voltar a França.

“Para pintar de verdade é preciso sacudirmos o civilizado que temos em cima e fazer sair o selvagem que temos dentro.”

“O espírito do morto vigia” (“Manao Tupapau”): quadro resultante da visão de Teha’amana aterrorizada com a escuridão, deitada, nua, a pensar que a luz do fósforo que Gauguin acendera era a aparição do espírito de um morto.


Retrato do Príncipe Atiti: em Papeete, o filho do amigo Suhas tinha morrido e Gauguin ofereceu-se para o eternizar, mas pintou-o com feições asiáticas em vez de europeias e foi expulso da casa.

1844, Bastarda e Prófuga
Dijon, Flora continua a divulgação.
Aos 16 anos, em 1821, a mãe casou-a com André Chazal, o patrão, da Oficina de Gravação e Litografia onde ela trabalhava. Um casamento sem amor, durante 4 anos, em que o marido a usava sexualmente e a engravidou, 3 vezes: Alexandre, Ernest e Aline. Quando ele se tornou violento, Flora quis fugir. Em 1825, vai para Versalhes, onde nasce Aline, para que o filho Alexandre se cure. Em 1830, Alexandre morre. Só muitos anos depois voltaria a ver o marido. Abandonou-o correndo o risco de ser presa por isso: o divórcio não era permitido...
George Sand desprezava Flora, por esta ser inculta?
Flora não recebe bom feedback de quase ninguém: nem dos líderes religiosos, nem dos antigos revolucionários jacobinos,...

4.Água misteriosa
Antes de regressar à Europa, em 1893, Gauguin conheceu Jotefa que lhe inspirou um quadro influenciado pela foto de Charles Spitz:
Pape moe | Água misteriosa

Por Jotefa terá sentido também um desejo que até desconhecia nele: por um ser humano com pénis.

5.A sombra de Charles Fourier
Lião, maio e junho de 1844
Flora e Olympia, amantes.
Flora e Éléonore Blanc, da União Operária

6.Annah, a Javanesa
Paris, outubro de 1893

Gauguin, em visita a Concarneau, perto de Pont-Aven, na Bretanha, partiu a tíbia, numa zaragata por causa de uns miúdos que atiravam pedras aos seus amigos jovens artistas e a Annah.
Annah voltou para Paris, deixando-o.
Depois de também ele voltar para Paris, regressa a Taiti.

7.Notícias do Peru
Roanne e Saint-Etienne
Protegida com a filha Aline.
Don Mariano e Ismaelillo.
Partida para o Peru.

8.Retrato de Aline Gauguin
Punaauia, 1897

9.A Travessia
Julho de 1844
Um jornal de Lião acusou Flora de ser uma “agente secreta do Governo” enviada para percorrer o Sudoeste de França com a missão de “castrar os operários” pregando-lhes o pacifismo.
A viagem no Le Mexicano de Cabo Verde até às costas da América do Sul (quer chegar a Arequipa)
A escravatura

10.Nevermore
Punaauia, 1897
Pau’ura grávida
Te Ari Vahine (A Rainha da Beleza)
Gauguin pintou 5 quadros inspirado na gravidez

Nevermore

11
Arequipa
Flora em Marselha, relembrando Arequipa

12
Quem somos?
Na miséria, Koke tenta matar-se com arsénico no planalto de uma montanha.
Regressa à cabana de Pau’ura e do filho Émile

13
A freira Gutiérrez, em Arequipa 
Flora em Toulon 
O luxo das freiras do convento de Santa Catalina, cada uma com 4 criadas e 4 escravas
O tio Don Pío recusa dar a herança a Flora, do pai Don Mariano, por ela ser filha ilegítima 
As vivandeiras
O exército dos Imortais, filhos de boas famílias, que vão para os acampamentos com criados e escravos

14
A luta com o anjo

15
A Batalha de Cangallo
Em Nîmes, perante o insucesso da sua missão junto dos operários, que achavam que os ricos são necessários pois graças a eles há pobres no mundo que irão para o céu em vez deles.
Flora relembra a caricata batalha de Arequipa entre os generais Orbegoso e Gambarra, cujos exércitos fugiram um do outro por acharem que iam ser derrotados.
O coronel Bernardo Escudero apaixonado por Flora. Ela quase aceita casar com ele, para imitar Doña Pancha, a Marechala casada com o general Gambarra.

15
A casa do prazer
Automático, Hiva Oa, ilhas marquesas
Paul compra a jovem Vaoho, de 14 anos, e usa a ruiva Tohotama, mulher do Bruxo Haapuani, como modelo.
Está cada vez mais debilitado, no final do capítulo, depois de uma fase pujante.

17
Palavras para mudar o mundo
Montpellier, 1844
Flora relembra o marido Chazal que violou a filha Aline e tentou matá-la com um tiro. A bala nunca lhe foi retirada do peito. Ficou famosa e começou a escrever e a viajar para espalhar a sua mensagem feminista.

18
O vício tardio
Gauguin relembra que a sua vocação começou apenas em 1875, com 33 anos. Antes era um homem de sucesso na bolsa e nos investimentos. O quadro Olympia de Manet e o seu amigo Schuff (Schuffenecker) foram os estímulos.

19
A cidade-monstro
Carcassonne e Londres, cidades de miséria e exploração sexual, infantil e social em meados do século XIX
Flora amante de Olympia durante dois anos: termina a relação para se dedicar à salvação dos pobres e explorados

20
O feiticeiro de Hiva Oa
1903
A visita frustrada e a separação de Mette, a esposa dinamarquesa. O insucesso inicial e a ida para Pont-Aven.
Os dois últimos quadros?
A Irmã da caridade (Tohotama, esposa de Haapuani)
O feiticeiro de Hiva Oa (Haapuani, pintado como mahu - homem-mulher)

21
A última batalha
Bordéus 1844
Flora editara a “União Operária”, em 1843, com algum sucesso.
Morre com 41 anos, de doença prolongada.

22
Cavalos cor de rosa
1903
Gauguin 














Sem comentários:

Enviar um comentário