SUGESTÃO E EXPRESSÃO
Em 1888, Gauguin deixa Paris. Theo Van Gogh fez os possíveis para o juntar ao irmão Vincent, em casa deste, levando-os a trabalhar em conjunto durante alguns meses. Os dois vão viver permanentemente em conflito e em discussões intermináveis, tentando impor a superioridade de um sobre o outro. A doença e a disforia de Van Gogh impediam Gauguin de partir. A 23 de dezembro, Van Gogh corta o lóbulo da orelha esquerda, embrulha-o num lenço e vai levá-lo a um bordel, a uma prostituta. Gauguin parte no dia seguinte. Depois desse dia, Van Gogh passou o pouco tempo que lhe restou de vida em hospícios, até 1890.
A Arlesiana, de Van Gogh
Café Noturno em Arles, de Paul Gauguin
O café de noite, de Van Gogh
Vincent Van Gogh pinta girassóis, quadro de Gauguin (1888)
Privou em Paris com os simbólicas Mallarmé e Verlaine. O quadro “Undine” aproxima-se dessa linha, mas a sua arte era considerada primitiva.
O quadro “La Belles Angèle” comprado por Degas por 450 francos ajudou a sua decisão de viajar. Ganha 9860 francos com a venda de trinta quadros num leilão do Hotel Drouot.
Os amigos dandies, mas aburguesados e amantes da vida boémia da grande cidade, apesar de por vezes lhe dizerem que partiriam com ele não quiseram acompanhá-lo. Mette, a esposa que se refugiara na Dinamarca com os 5 filhos, recusou ir, também.
A viagem ao Pacífico Sul parece mais do que uma viagem à procura de uma vida feliz, a consciência de ter de seguir um caminho que o conduza à clarificação. A sua pintura era uma missão que devia ser cumprida e cuja execução o obrigava a renunciar ao comodismo burguês.
Partiu a 4 de abril de 1891, para o Tahiti.
O ATELIER NOS TRÓPICOS EM TAITI
1891-1893
Gauguin falava à companheira Tehura da esposa, Mette, dizendo-lhe que era a mulher que surgia numa reprodução de “Olympia”, o escandaloso nu realista de Manet, colada numa parede. Foi este quadro de Manet que serviu de estímulo para que Gauguin começasse a pintar.
Uma das demonstrações mais ambiciosas dos princípios da sinestesia foi a obra “Passatempo” de Gauguin: proximidade da pintura com a música, a dança ou o teatro. Um cão juntou-se ao jovem par, composto por dois nativos. A intensidade luminosa das cores que os compõem envolve tanto as pessoas como o cão, aproxima-os. A flauta que a mulher toca e as figuras ao fundo que dançam perante um ídolo evocam associações da pintura com a música.
O país de delícias, que é representado em todas estas obras, não proporcionava a Gauguin tudo o que ele desejava. O dinheiro não aparecia. Ao fim 3 anos, regressou a Paris. Ao partir, não se despediu só da ilha, mas também da quimera de viver no cantinho mais feliz da terra.
O MAIOR PINTOR MODERNO
1893-1895
Após um breve momento de algum sucesso, cai em desgraça e regressa aos trópicos, sem dinheiro.
O LEGADO DOS TRÓPICOS
1895-1903
Gauguin perturbava os pintores seus contemporâneos pelo seu inconformismo e pela sua diferença. Gauguin sente-se proscrito.
“Não ao trabalho” (“Elaha ohipa”) 1896
Gauguin coloca em oposição a ética europeia do homem trabalhador e a tendência dos nativos para viverem o dia a dia sem trabalhar. No fundo do quadro, vê-se o próprio pintor.
A sua nova companheira chama-se Pahura, de 14 anos. Têm um filho, Émile.
Gaba-se de ter tido muitas mulheres a passar-lhe pela cama, além dela. Mas tinha contraído sífilis ainda em Paris.
Em 1896, apesar de doente, sem dinheiro e deprimido, pinta muitas obras-primas.
Em 1898 tenta suicidar-se com arsénico, nas montanhas.
Em finais de 1899 Ambroise Vollard, comerciante de arte que adquirira grande parte dos quadros de Gauguin por pouco dinheiro, faz uma exposição e oferece-lhe um apoio de 2400 francos por ano, além de 200 francos por cada quadro. Gauguin recupera o ânimo e a sua capacidade artística. Mas começa a atacar e a criticar o governo colonial e é processado judicialmente.
Em 1901 muda-se para Hiva Oa nas ilhas Marquesas. Onde recuperou as amantes e foi novamente processado por incivilidade.
E aí morre, em 1903, derrotado pela civilização que, tal como o homem que observa as duas indígenas, no seu último quadro, “Contos bárbaros” (1902), não consegue entender nem preservar o primitivismo selvagem.
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