quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Gauguin - Ingo F. Walther - TASCHEN

SUGESTÃO E EXPRESSÃO

Em 1888, Gauguin deixa Paris. Theo Van Gogh fez os possíveis para o juntar ao irmão Vincent, em casa deste, levando-os a trabalhar em conjunto durante alguns meses. Os dois vão viver permanentemente em conflito e em discussões intermináveis, tentando impor a superioridade de um sobre o outro. A doença e a disforia de Van Gogh impediam Gauguin de partir. A 23 de dezembro, Van Gogh corta o lóbulo da orelha esquerda, embrulha-o num lenço e vai levá-lo a um bordel, a uma prostituta. Gauguin parte no dia seguinte. Depois desse dia, Van Gogh passou o pouco tempo que lhe restou de vida em hospícios, até 1890.

A Arlesiana, de Van Gogh

Café Noturno em Arles, de Paul Gauguin

O café de noite, de Van Gogh

Vincent Van Gogh pinta girassóis, quadro de Gauguin (1888)

Privou em Paris com os simbólicas Mallarmé e Verlaine. O quadro “Undine” aproxima-se dessa linha, mas a sua arte era considerada primitiva.
O quadro “La Belles Angèle” comprado por Degas por 450 francos ajudou a sua decisão de viajar. Ganha 9860 francos com a venda de trinta quadros num leilão do Hotel Drouot.
Os amigos dandies, mas aburguesados e amantes da vida boémia da grande cidade, apesar de por vezes lhe dizerem que partiriam com ele não quiseram acompanhá-lo. Mette, a esposa que se refugiara na Dinamarca com os 5 filhos, recusou ir, também.
A viagem ao Pacífico Sul parece mais do que uma viagem à procura de uma vida feliz, a consciência de ter de seguir um caminho que o conduza à clarificação. A sua pintura era uma missão que devia ser cumprida e cuja execução o obrigava a renunciar ao comodismo burguês.
Partiu a 4 de abril de 1891, para o Tahiti.

O ATELIER NOS TRÓPICOS EM TAITI
1891-1893

Gauguin falava à companheira Tehura da esposa, Mette, dizendo-lhe que era a mulher que surgia numa reprodução de “Olympia”, o escandaloso nu realista de Manet, colada numa parede. Foi este quadro de Manet que serviu de estímulo para que Gauguin começasse a pintar.



Uma das demonstrações mais ambiciosas dos princípios da sinestesia foi a obra “Passatempo” de Gauguin: proximidade da pintura com a música, a dança ou o teatro. Um cão juntou-se ao jovem par, composto por dois nativos. A intensidade luminosa das cores que os compõem envolve tanto as pessoas como o cão, aproxima-os. A flauta que a mulher toca e as figuras ao fundo que dançam perante um ídolo evocam associações da pintura com a música.

O país de delícias, que é representado em todas estas obras, não proporcionava a Gauguin tudo o que ele desejava. O dinheiro não aparecia. Ao fim 3 anos, regressou a Paris. Ao partir, não se despediu só da ilha, mas também da quimera de viver no cantinho mais feliz da terra.

O MAIOR PINTOR MODERNO 
1893-1895

Após um breve momento de algum sucesso, cai em desgraça e regressa aos trópicos, sem dinheiro.

O LEGADO DOS TRÓPICOS

1895-1903
Gauguin perturbava os pintores seus contemporâneos pelo seu inconformismo e pela sua diferença. Gauguin sente-se proscrito.


“Não ao trabalho” (“Elaha ohipa”) 1896

Gauguin coloca em oposição a ética europeia do homem trabalhador e a tendência dos nativos para viverem o dia a dia sem trabalhar. No fundo do quadro, vê-se o próprio pintor.

A sua nova companheira chama-se Pahura, de 14 anos. Têm um filho, Émile. 
Gaba-se de ter tido muitas mulheres a passar-lhe pela cama, além dela. Mas tinha contraído sífilis ainda em Paris.
Em 1896, apesar de doente, sem dinheiro e deprimido, pinta muitas obras-primas.

Em 1898 tenta suicidar-se com arsénico, nas montanhas.

Em finais de 1899 Ambroise Vollard, comerciante de arte que adquirira grande parte dos quadros de Gauguin por pouco dinheiro, faz uma exposição e oferece-lhe um apoio de 2400 francos por ano, além de 200 francos por cada quadro. Gauguin recupera o ânimo e a sua capacidade artística. Mas começa a atacar e a criticar o governo colonial e é processado judicialmente.

Em 1901 muda-se para Hiva Oa nas ilhas Marquesas. Onde recuperou as amantes e foi novamente processado por incivilidade. 
E aí morre, em 1903, derrotado pela civilização que, tal como o homem que observa as duas indígenas, no seu último quadro, “Contos bárbaros” (1902), não consegue entender nem preservar o primitivismo selvagem.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

O paraíso na outra esquina - Mario Vargas Llosa





https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0706200306.htm


Onde se encontra o Paraíso? Na construção de uma sociedade igualitária ou no retorno ao mundo primitivo? 

Duas Vidas: a de Flora Tristán, que põe todos os seus esforços na luta pelos direitos de mulher e dos operários, e a de Paul Gauguin, o homem que descobre a sua paixão pela pintura e abandona uma existência burguesa para viajar para o Tahiti em busca de um mundo não contaminado pelas convenções. 

Duas concepções do sexo: a de Flora, que só vê nele um instrumento de domínio masculino, e a de Gauguin, que a considera uma força vital imprescindível posta ao serviço da sua criatividade. 

O que têm em comum estas duas vidas desligadas e opostas, à parte o vínculo familiar por ser Flora a avó materna de Gauguin? 

É isto que Mário Vargas Llosa põe em relevo neste romance: o mundo de utopias que foi o século XIX. 

Um vínculo entre duas personagens que optam por modelos de vida opostos que revelam um desejo comum: alcançar um Paraíso onde seja possível a felicidade para os seres humanos.

1.Flora em Auxerre
1844, Flora Tristán, a Andaluza, quer mudar o mundo, divulga “A União Operária” aos operários e a todos os explorados, que estabeleceria os direitos de todos os trabalhadores, não só homens, mas também mulheres. Critica o padre Fortin e a religião católica.

2.O espírito do morto vigia
1891, 1892,  Gauguin, conhecido por Koke, saiu de Paris e refugiou-se em Mataiea, no Tahiti, com a muito jovem mulher Teha’amana, de quem acaba por se fartar. Sem dinheiro, decide voltar a França.

“Para pintar de verdade é preciso sacudirmos o civilizado que temos em cima e fazer sair o selvagem que temos dentro.”

“O espírito do morto vigia” (“Manao Tupapau”): quadro resultante da visão de Teha’amana aterrorizada com a escuridão, deitada, nua, a pensar que a luz do fósforo que Gauguin acendera era a aparição do espírito de um morto.


Retrato do Príncipe Atiti: em Papeete, o filho do amigo Suhas tinha morrido e Gauguin ofereceu-se para o eternizar, mas pintou-o com feições asiáticas em vez de europeias e foi expulso da casa.

1844, Bastarda e Prófuga
Dijon, Flora continua a divulgação.
Aos 16 anos, em 1821, a mãe casou-a com André Chazal, o patrão, da Oficina de Gravação e Litografia onde ela trabalhava. Um casamento sem amor, durante 4 anos, em que o marido a usava sexualmente e a engravidou, 3 vezes: Alexandre, Ernest e Aline. Quando ele se tornou violento, Flora quis fugir. Em 1825, vai para Versalhes, onde nasce Aline, para que o filho Alexandre se cure. Em 1830, Alexandre morre. Só muitos anos depois voltaria a ver o marido. Abandonou-o correndo o risco de ser presa por isso: o divórcio não era permitido...
George Sand desprezava Flora, por esta ser inculta?
Flora não recebe bom feedback de quase ninguém: nem dos líderes religiosos, nem dos antigos revolucionários jacobinos,...

4.Água misteriosa
Antes de regressar à Europa, em 1893, Gauguin conheceu Jotefa que lhe inspirou um quadro influenciado pela foto de Charles Spitz:
Pape moe | Água misteriosa

Por Jotefa terá sentido também um desejo que até desconhecia nele: por um ser humano com pénis.

5.A sombra de Charles Fourier
Lião, maio e junho de 1844
Flora e Olympia, amantes.
Flora e Éléonore Blanc, da União Operária

6.Annah, a Javanesa
Paris, outubro de 1893

Gauguin, em visita a Concarneau, perto de Pont-Aven, na Bretanha, partiu a tíbia, numa zaragata por causa de uns miúdos que atiravam pedras aos seus amigos jovens artistas e a Annah.
Annah voltou para Paris, deixando-o.
Depois de também ele voltar para Paris, regressa a Taiti.

7.Notícias do Peru
Roanne e Saint-Etienne
Protegida com a filha Aline.
Don Mariano e Ismaelillo.
Partida para o Peru.

8.Retrato de Aline Gauguin
Punaauia, 1897

9.A Travessia
Julho de 1844
Um jornal de Lião acusou Flora de ser uma “agente secreta do Governo” enviada para percorrer o Sudoeste de França com a missão de “castrar os operários” pregando-lhes o pacifismo.
A viagem no Le Mexicano de Cabo Verde até às costas da América do Sul (quer chegar a Arequipa)
A escravatura

10.Nevermore
Punaauia, 1897
Pau’ura grávida
Te Ari Vahine (A Rainha da Beleza)
Gauguin pintou 5 quadros inspirado na gravidez

Nevermore

11
Arequipa
Flora em Marselha, relembrando Arequipa

12
Quem somos?
Na miséria, Koke tenta matar-se com arsénico no planalto de uma montanha.
Regressa à cabana de Pau’ura e do filho Émile

13
A freira Gutiérrez, em Arequipa 
Flora em Toulon 
O luxo das freiras do convento de Santa Catalina, cada uma com 4 criadas e 4 escravas
O tio Don Pío recusa dar a herança a Flora, do pai Don Mariano, por ela ser filha ilegítima 
As vivandeiras
O exército dos Imortais, filhos de boas famílias, que vão para os acampamentos com criados e escravos

14
A luta com o anjo

15
A Batalha de Cangallo
Em Nîmes, perante o insucesso da sua missão junto dos operários, que achavam que os ricos são necessários pois graças a eles há pobres no mundo que irão para o céu em vez deles.
Flora relembra a caricata batalha de Arequipa entre os generais Orbegoso e Gambarra, cujos exércitos fugiram um do outro por acharem que iam ser derrotados.
O coronel Bernardo Escudero apaixonado por Flora. Ela quase aceita casar com ele, para imitar Doña Pancha, a Marechala casada com o general Gambarra.

15
A casa do prazer
Automático, Hiva Oa, ilhas marquesas
Paul compra a jovem Vaoho, de 14 anos, e usa a ruiva Tohotama, mulher do Bruxo Haapuani, como modelo.
Está cada vez mais debilitado, no final do capítulo, depois de uma fase pujante.

17
Palavras para mudar o mundo
Montpellier, 1844
Flora relembra o marido Chazal que violou a filha Aline e tentou matá-la com um tiro. A bala nunca lhe foi retirada do peito. Ficou famosa e começou a escrever e a viajar para espalhar a sua mensagem feminista.

18
O vício tardio
Gauguin relembra que a sua vocação começou apenas em 1875, com 33 anos. Antes era um homem de sucesso na bolsa e nos investimentos. O quadro Olympia de Manet e o seu amigo Schuff (Schuffenecker) foram os estímulos.

19
A cidade-monstro
Carcassonne e Londres, cidades de miséria e exploração sexual, infantil e social em meados do século XIX
Flora amante de Olympia durante dois anos: termina a relação para se dedicar à salvação dos pobres e explorados

20
O feiticeiro de Hiva Oa
1903
A visita frustrada e a separação de Mette, a esposa dinamarquesa. O insucesso inicial e a ida para Pont-Aven.
Os dois últimos quadros?
A Irmã da caridade (Tohotama, esposa de Haapuani)
O feiticeiro de Hiva Oa (Haapuani, pintado como mahu - homem-mulher)

21
A última batalha
Bordéus 1844
Flora editara a “União Operária”, em 1843, com algum sucesso.
Morre com 41 anos, de doença prolongada.

22
Cavalos cor de rosa
1903
Gauguin 














Love - Toni Morrison


 Love - Toni Morrison


https://lilianacosta.com/amor-2/


INTRO A ITÁLICO

Reflexão de L acerca de Silk, de Up Beach, do Cosey resort e hotel, para negros, dos cabeços de polícia que castigavam os adúlteros e os pecadores.


I.RETRATO

Espaço: Monarch Street, Silk, Flórida 

Personagens: 

Sandler Gibbons e Vida Gibbons e o neto Romen, filho da sua única filha Dolly, que era militar tal como o marido, e morreram. Vida trabalha. Sandler é reformado.

Bill Cosey, o rico e encantador proprietário que terá sido morto.

Junior Viviane, a jovem de minissaia que pergunta a Sandler onde moram as Cosey: Christine e Heed, a viúva de Bill. 


II.AMIGO

Vida tinha trabalhado no Hotel de Bill, o Cosey’s Hotel. L era a cozinheira.

Dolly nasceu em 1962, tinha Vida 17 anos. Heed aguentou o Hotel na velhice de Bill. May era a enteada, cleptomaníaca.

Quando Bill morreu foi L que restabeleceu a ordem no hotel. Mas depois despediu-se e Heed e Christine não conseguiram manter a qualidade do hotel. 

Bill tinha sido “amigo” de Sandler: convidara-o várias vezes para a pesca, no seu barco elegante e tinha-lhe oferecido um bom emprego.

Romen liberta uma rapariga que estava a ser violada numa festa pelos seis amigos dele. Passou a ser perseguido por isso.


III.DESCONHECIDO

A Colónia era um local de onde vinham os Rurais, marginais que se portavam mal nas escolas e enfrentavam os State Troopers. Júnior Vivian era uma das muitas raparigas de Colónia, filha de Vivian e de um pai ocasional, Ethan Payne Jr que ele queria conhecer.

A estudar no Distrito 10, o seu único amigo era Peter Paul Fortas, filho do gerente da fábrica de engarrafamento. 

Fugiu de Colónia com 11 anos, por causa dos maus tratos dos tios. Esteve presa por ter roubado uma boneca e passou a adolescência numa casa de correção. 

Agora estava a viver em casa das Cosey.

Reflexão de L acerca das Cosey. L trabalha no restaurante Maceo’s desde que saiu do Cosey’s, abandonando as Cosey depois de Bill morrer. L começou a trabalhar para Bill desde que tinha 14 anos. Observa Junior.


IV.BENFEITOR

As questões entre Heed e Christine.

Heed não sabe porque foi escolhida por Bill, para se casar, com 11 anos. Mas foi.

Como no testamento só se refere a “doce menina Cosey” Christine reivindica a herança que foi atribuída a Heed.

May morreu em 1976.

Christine chegou a ser quase prostituta. Fugiu do hotel Cosey, onde vivia com a mãe, May, para o bordel de Manila aos 16 anos, em 1943. 

Foi resgatada pelo primeiro-cabo Ernest Holder, com quem se casou. Depois Fruit, alguns outros casos e, por fim , o Dr. Rio que a manteve até se fartar e depois abandonou-a e ela destruiu-lhe o Cadillac. Em 1947 tinha estado já 4 vezes na prisão.

Christine considera-se a última parente de sangue viva de Bill e acha que é ela que tem direito à herança. Há vinte anos que acha isso.

L tinha 14 anos quando a primeira mulher de Bill Cosey, Júlia, morreu. Tinham um filho, Billy Boy.

Billy Boy casou com May, que se tornou uma “escrava” de trabalho para os Cosey. A princípio trata da cozinha com L e Billy Boy era o responsável pelo bar. Depois L ficou a gerir a cozinha e May fazia a contabilidade. 

Em 1935, Billy Boy morreu. 

Em 1942 o hotel era uma grande atração turística. 

Bill, com 52 anos, casou com Heed, de 12 anos, mas ela nunca engravidou. 

May tivera uma filha de Billy Boy, Christine, que era a melhor amiga de Heed.

Christine só voltou ao hotel quando Bill morreu, em 1971. May tinha como que enlouquecido: usava um capacete militar. Heed queria internar May, mas L recusou. May herdou o hotel, mas Heed não aceitou isso. Christine revoltou-se e tentou matar Heed com uma navalha, mas foi travada por L.

Em 1975, Christine entrou na casa de Heed a reivindicar ali um espaço para tratar de May, doente.

Reflexão de L: Bill Cosey teria uma amante favorita, Celestial.


V.AMANTE

Junior e Romen fazem sexo por todo o alado, ocultamente.

Junior aos 15 anos matou o administrador da Casa de Correção, que a queria violar, e esteve presa 3 anos.

Agora idolatra o Homem Bom (o homem do quadro, Bill Cosey) e gere a relação entre ela e Christine e Heed, as duas velhas.


VI.MARIDO

Em 1945, Bill, como tinha muito dinheiro construiu a casa de Monarch Street, no alto, onde agora é Oceanside. 

Em junho de 1947, Christine aparece no Cadillac de Bill, com ele.

Em 1943, quando Heed regressou da lua de mel, Christine e a mãe tornaram-se suas inimigas e gozavam com a sua ignorância e falta de classe. Duas semanas depois, Christine partira.

Christine, com 12 anos, protegia a amiga pobre, Heed. E brincava com ela, eram as melhores amigas uma da outra. Depois Heed casou-se com o avô de Christine e esta foi para um colégio interno até aos 16 anos. 

Quando voltou, em 1947, com dezasseis anos, gozou com os erros gramaticais de Heed e esta revoltou-se e foi castigada por Bill. Quando regressaram de um passeio, ela May e Bill, Heed tentara pegar fogo ao quarto de Christine. Christine teve de partir novamente e foi aí que foi para o Manila.


VII.GUARDIÃO

Bill esperou que Heed tivesse o período para a levar de lua de mel.

Junior e Ramon.


VIII.PAI

Christine deixou o marido Ernie porque ele a traiu. Conheceu Fruit e passou 9 anos com ele.

Ainda casada, Heed teve um caso com Knox Sinclair, um hóspede da idade dela, de quem engravidou, mas o bebé nasceu morto.

Junior vai com Heed ao hotel para falsificarem um testamento num livro de ementas. Christine aparece de repente e Heed dirige-se a ela, mas Junior puxa a carpete ela cai num buraco, para o piso de baixo. Christine desce a correr para agarrar Heed nos braços. Junior vai-se embora no carro e deixa-as ali. Na Monarch Street, fode com Ramon e mostra-lhe o testamento onde terá escrito e conta-lhe que deixou as duas velhas no hotel


IX.FANTASMA

Romen salta da cama, pega no carro sem ouvir Junior e vai ao hotel. 

Chega junto de Heed e Christine. Estas tinham estado a falar do passado: amavam-se aos doze anos e o casamento de Heed com Bill destruiu-as. 

Ramon leva Christine para casa. Heed está morta. Em casa, Christine diz a Ramon para prender Junior num quarto e para levar Heed à morgue.

Na reflexão final, L confessa que, embora trabalhasse para Bill Cosey e muito o admirasse, isso não a impediu de o assassinar e de adulterar o seu testamento a favor das mulheres de 1 Monarch Street, já que Cosey nada lhes deixava: deixava a sua herança a Cellestial, uma das suas jovens amantes, a preferida de Cosey.



terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Amada - Toni Morrison

 Beloved - Toni Morrison

A Medeia escrava!

124 - Casa em Bluestone Road, Cincinatti, Ohio, onde vive Sethe com a filha Denver

Baby Suggs - sogra de Sethe, que viva com os filhos, como escravos bem tratados dos Garner; o filho Halle comprou a liberdade dela e ela foi viver sozinha para a Sweet Home; 

Halle entretanto comprou Sethe aos Garner, proprietários da Sweet Home e casou com ela (Sethe tinha 14 anos).

Ela teve uma menina (Amada) e matou-a com 2 anos, Amada, o fantasma, com a garganta cortada, em 1857, quando o professor e o xerife foram capturar a Sweet Home. Sethe, para que os filhos não voltassem a ser escravos, tentou matá-los. 

Baby Suggs morreu algum tempo depois.

Denver - filha de Sethe, agora com 10 anos

Howard e Buglar - filhos de Sethe que fugiram de casa aos 13 anos, têm agora 21 e 22 anos

Paul D, o último dos 5 homens de Sweet Home, regressa ao fim de 18 anos (os outros eram Paul A, Paul F, Halle e Rixo). Vai para a cama com Sethe e fica a viver com ela e com Denver na 124. Viveu sempre de cidade em cidade e aparentemente quer ficar ali a viver com Sethe.

Denver não o quer ali.

Foram a um parque de diversões e Sethe começou a gostar de Paul D.

Uma rapariga de 18-20 aparece à porta da casa 124. Chama-se Amada e aparece vinda da água do rio. Fica a viver com Sethe.

A mãe de Sethe foi enforcada quando Sethe era criança.

Halle pode estar vivo. Quando os rapazes brancos tiraram o leite a Sethe, ele assistiu a tudo e entrou em choque. Entretanto fugiram mas Halle desapareceu.

Denver conta a Amada a fuga de Sethe, e o nascimento de Denver, numa canoa, num rio, ajudada por Amy Denver, uma branca que andava fugida também.

A desgraça da 124 começara 28 dias depois de Sethe lá ter chegado com o bebé Denver. Antes Sethe tinha sido salva por Stamp Paid e a filha Ella, que ajudavam fugitivos e que a tinham levado até à 124. Baby Suggs recebeu-a. Já tinha recebido antes os filhos de Sethe: Buglar, Howard e a bebé Amada que Sethe tinha enviado por uma caravana de fugitivos, talvez um ano antes.

Halle tinha combinado fugir com ela mas não apareceu no local combinado e ele fugiu sozinha, gravidíssima.

Há 9 anos que a velha Baby Suggs morreu. Era uma “santa” que reunia pessoas numa clareira onde garantia que era possível atingir a “graça”, ainda que imaginada. 

Sethe decidiu visitar a clareira, com Denver e Amada.

Nove anos depois, Baby Suggs perdeu a fé na possibilidade da “graça” e a 124 fechou as portas aos visitantes. Encerrou-se e os seus habitantes viveram lá como fantasmas.

Após a morte de Baby Suggs, Howard e Buglar fugiram, aparentemente por causa do fantasma da bebé irmã de Denver.

A chegada de Paul D acalmou, mas mudou a situação.

Todos eles foram escravos, Baby Suggs durante 50 anos e viveu 10 anos livre, na 124, no norte, livre das perseguições dos brancos no sul.

Paul D faz amor com Sethe todas as manhãs ou à noite, mas parece começar a fartar-se.

Amada envolve-se também com Paul D, que passou a dormir numa casinha de pedra, no quintal. 

Paul D receia perder Sethe por não conseguir resistir a foder com Amada que o tem possuído. Tenta contar tudo a Sethe, mas não consegue e diz-lhe que quer ter um filho com ela.

Quando Sethe conta a Paul D como tudo aconteceu quando matou os filhos e esteve presa, ele não aguentou mais e abandonou a 124.

Foi Stamp Paid, o velho negro que ajudou Sethe e Denver a chegar à 124 e que acha que a bebé sobreviveu graças  às suas amoras, que mostrou a Paul D um recorte de jornal do ano em que Sethe matou a filha. E foi ele que impediu que também Denver fosse morta por Sethe, na casinha de pedra. Esse dia ficou conhecido por ele como o dia da Tristeza. Ele só lá voltou para levar o cadáver de Baby Suggs para a Clareira. Mas ela foi sepultada num cemitério mesmo ao lado de Amada.

Agora, em 1874, ...