domingo, 23 de abril de 2023

História de uma gaivota e de um gato que a ensinou a voar - Luís Sepúlveda


1 MAR DO NORTE

As gaivotas vão em migração e passam pela foz do rio Elba.

Kengah comenta que, ao contrário dos humanos, todas as gaivotas grasnam da mesma maneira.

O bando do Farol da Areia Vermelha desce a pique para apanhar um cardume de arenques. 120 gaivotas que se vão a outros bandos para a reunião anual na Biscaia. Kengah não ouviu o aviso de perigo porque estava dentro de água a apanhar o quarto arenque.

2 UM GATO GRANDE, PRETO E GORDO

Um rapaz vai de férias e deixa o seu gato, o Zorbas, em casa. Este tem apenas um pequeno tufo branco debaixo do queixo. Quis ir comer peixe porque estava farto do leite da mãe, foi apanhado por um pelicano que achava que ele era uma rã e foi salvo pelo garoto, que apertou o pescoço ao pássaro. 

Zorbas pensa que vai ser divertido ficar sozinho em casa durante um mês, mas não imagina o que lhe vai acontecer.

3 HAMBURGO À VISTA

Kengah foi apanhada por uma onda cheia de petróleo. Ficou coberta de negro. Irá sobreviver? O seu bando desapareceu, salvo. Com muito esforço conseguiu ao fim de muitas tentativas voar e chegar a terra, a Hamburgo. Mas ficou sem forças. Iria cair e estatelar-se?

4 O FIM DE UM VOO

Kengah caiu na varanda de Zorbas. Morreu depois de pôr um ovo. Zorbas prometeu que não o iria comer, que iria cuidar dele e que iria ensinar a gaivotinha a voar.

5 EM BUSCA DE CONSELHO

Zorbas foi a um restaurante italiano, o Cuneo, pedir conselhos ao velho gato Colonello: este foi com Zorbas miar com o gato Sabetudo.

6 UM LUGAR CURIOSO

O Sabetudo pertencia a Harry, um marinheiro que passou a ir viver em terra firme numa casa de três andares: o Bazar do Porto, onde estavam expostos milhares de objetos que ele foi recolhendo nas suas muitas viagens. Tinha um chimpanzé, o Matias, que não sabia fazer contas, e Sabetudo, um gato que leu todos os milhares de livros de Harry.

7 UM GATO QUE SABE TUDO

 O Sabetudo descobriu numa enciclopédia a solução para o problema: limpar a gaivota com benzina.

8 ZORBAS COMEÇA A CUMPRIR O PROMETIDO

Chegaram tarde: Kengah tinha morrido. Mas debaixo dela estava um ovo branco com pintinhas azuis. E o Zorbas aconselhado pelo Colonello e pelo Sabetudo deitou-se a abraçar o ovo junto à barriga para o aquecer.

9 UMA NOITE TRISTE

O Funeral miado da Kengah.

Segunda parte

1 UM GATO NO CHOCO

A gaivotinha nasceu ao fim de 20 dias. Chamou mamã a Zorbas.

2 NÃO É FÁCIL SER MAMà

Zorbas alimentou a gaivotinha com moscas. Ela adormeceu. Colonello encarregou o gato Secretário de ir buscar uma sardinha ao restaurante para a gaivotinha. Zorbas estava a cumprir a segunda promessa.

3 O PERIGO ESPREITA

Zorbas teve de esconder a gaivotinha debaixo de um vaso para o humano amigo do dono que vai tratar dele não a ver. 

Quando foi à areia fazer as necessidades, os dois gatos vadios saltaram para varanda para comer a gaivotinha. Zorbas reagiu, agrediu-os e eles fugiram. Tinha de arranjar um lugar seguro para a gaivotinha.

4 O PERIGO NÃO DESCANSA

Zorbas leva a gaivotinha para o bazar do Harry, mas lá também há perigos: as ratazanas, que Zorbas ameaça caso façam mal à gaivotinha.

5 PASSARITO OU PASSARITA?

O gato Barlavento revelou que era uma gaivotinha. Chamaram-lhe Ditosa.

6 DITOSA, NA VERDADE DITOSA

A gaivota cresceu e não queria aprender a voar, queria ser um gato. Matias o chimpanzé disse-lhe que os gatos queriam que ela engordasse para a comerem. Ela chorou. Zorbas disse-lhe que não a queriam comer, que ela era uma gaivota e nunca seria um gato. E que ele tinha prometido à mãe dela que a iria ensinar a voar.

7 APRENDENDO A VOAR

Ditosa viu 3 gaivotas a voar e ouviu a história do gato Barlavento e quis aprender a voar. Sabetudo consultou a enciclopédia na letra L de Leonardo da Vinci e ensinou-a (pontos A, B, C, e D), mas ela falhou.

8 OS GATOS DECIDEM QUEBRAR O TABU

Ditosa fez 17 tentativas de levantar voo e perdeu a confiança em si mesma. E Zorbas pediu aos amigos autorização para quebrar o tabu: falar com um humano para lhe perguntar o que haveria de fazer para ensinar Ditosa a voar.

9 A ESCOLHA DO HUMANO

Rejeitados o René, o chefe de cozinha, o Harry, o marinheiro, o Carlo, o chefe dos empregados do restaurante, que percebe de desporto, o garoto dono do Zorbas, que não percebe nada de voar, escolhem o poeta, dono da gata Bubulina: ele que voa com as suas palavras e faz os leitores sentirem vontade de voar.

10 UMA GATA, UM GATO E UM POETA

Zorbas foi falar com o poeta. Como Bubulina não autorizou que ele quebrasse o tabu, Zorbas começou a miar Rock e a tocar viola com o rabo. O poeta veio e depois de acreditar que não estava a alucinar ouviu a história da gaivotinha e decidiu ajudá-la, até porque vinha aí chuva…

11 O VOO


sábado, 8 de abril de 2023

Amanhã na batalha pensa em mim - Javier Marías



O narrador assiste à morte de Marta Téllez, mulher casada, com um filho de 2 anos, cujo marido está em Londres, em viagem. Mal a conhece, encontrou-se 3 ou 4 vezes com ela e com o marido. 

Está na cama dela e ela sente-se mal. Trata-se de um encontro não muito desejado, que aconteceu e não foi rejeitado. 

Marta morre na cama, de costas para ele.

Um homem, talvez um amante de Marta, telefona e deixa uma mensagem no gravador de chamadas, ressentido por ela não lhe ter dito que estava sem o marido.

Ele sai e deixa Marta morta, com a luz acesa, e o filho a dormir no quarto ao lado. Leva a cassete do gravador de chamadas.

Durante dois dias e duas noites procura nos jornais e a vigiar à porta do prédio e a observar do exterior a luz que continua acesa. Finalmente surge o anúncio do óbito. 

Vai ao funeral. Lá estão os familiares dela: Eduardo Déan, o marido, Juan Téllez Orati, o Excelentíssimo pai, Luísa e Guilherme, os irmãos, María Fernandez Vera, a cunhada. E estava lá também uma vizinha de Marta, que já o tinha visto duas vezes, a primeira quando ela discutia ou beijava um homem de madrugada. Ela cumprimentou-o simpaticamente.

No funeral, ouve um casal, Inés e Vicente, a conversar: “Soube-se alguma coisa do tipo?”. Pela conversa percebe que Vicente era o “amante” de Marta.

Um mês depois, um amigo, Ruibérriz de Torres, a quem pediu informações sobre a família Téllez, contrata-o para ser um “negro” (escritor fantasma) e escrever os discursos do “Único”, que não andava nada satisfeito com os últimos discursos que tinha pronunciado. Torres tinha sido contratado, mas como o “Único” o queria conhecer pessoalmente e ele não era uma pessoa apresentável, o narrador acaba por ser o “negro” do “negro”, ganhando 75% para escrever os discursos e fingir que é Torres. O intermediário entre Torres e o “Único” é Juan Téllez.

Encontro de Téllez e o narrador com o “Único” na Academia de Belas Artes. São recebidos pelo ancião Segarra. O “Único” estava a fletcherizar os cereais. Recebe-os depois, acompanhado por uma secretária nova. Téllez parece demasiado solícito. O “Único” pensa que o narrador é Torres.

O “Único” quer discursos que o humanizem, para não ser apenas lembrado pela obra, mas pela maneira de pensar.

Passa depois os dias em casa de Téllez. Um dia este convida-o para almoçar com Luisa e Déan. Conversam sobre Marta sem saberem que o narrador a conheceu e a viu morrer. Conheceram-se num cocktail uns dias antes.

Conversam sobre a tutela do miúdo: fica com Elisa porque Déan está sempre a viajar?

Téllez critica Déan por ter deixado Marta morrer sozinha.

Quando o narrador saiu de casa de Marta, trouxe o papel com o número de telefone do hotel de Londres e Téllez acusa Déan de não ter deixado o seu contacto nem a Marta nem a ninguém.

O narrador conta que foi casado 3 anos com uma tal Célia e divorciou-se há 3 anos. Era mais velho que ela 11 anos. Alguns amigos disseram-lhe, 6 meses depois, lhe que se tornou prostituta. Ele descobriu uma prostituta muito parecida que não admite ser Célia, mas sim Victoria.

Segue Luisa e relembra Victoria ou Célia! Relembra um filme que viu uma vez, em que um um rei cavaleiro numa armadura ouvia fantasmas, dos soldados e da esposa que por ele tinham morrido e sofrido, a gritar “Amanhã na batalha pensa em mim e tombe a tua espada sem fio: desespera e morre.”

Depois de ter estado com a prostituta Victoria, telefona às 3 da manhã a Célia e ele diz-lhe que não quer falar com ele. Ele vai a casa dela e entra com as antigas chaves e vê-a dormir com um vulto na obscuridade. De repente, um trovão e um relâmpago: eles acordam e ele foge sem confirmar que Victoria não é Célia.

Novamente segue Luisa. Até à Castellana: quando ela sai com Eugénio, o filho de Marta, este olha para ele e exclama “Ictor” e Luisa percebe tudo o que aconteceu e pergunta-lhe como foi capaz de deixar o miúdo sozinho, com a mãe morta! 

O narrador chama-se Victor Francés Sanz.

Quem encontrou Marta morta e o menino a ver TV junto dela foi a mulher-a-dias, na manhã seguinte. Victor não perguntou a Luisa de que morreu Marta (p. 251).

Marta tinha deixado no gravador de mensagens de Luisa o seguinte: vou encontrar-me com um tipo que conheci num cocktail e que me atrai; Eduardo está em Londres, não estou certa do que se vai passar  e estou nervosa.

Luisa diz a Victor que terá de contar sobre ele a Déan. Este quer dizer algo sobre Marta ao homem que esteve com ela pela última vez.

O mundo depende dos seus relatores. Victor acaba o discurso em casa de Téllez.

Victor e Ruibérriz vão às corridas do hipódromo: conta-lhe a noite da morte de Marta. Surgem Anita, a secretária do “Único” e uma amiga, Lili. Anita informa Victor que o “Único” não usará o discurso que ele escreveu, mas que lhe pagará na mesma. 

Anita pensa que Victor é Ruibérriz? Apostam. Ela, na quarta corrida, aposta fortemente em nome de alguém! Haverá tramóia? Elas ganham e vão embora. Eles ganham também, menos, claro, porque apostaram no mesmo cavalo que elas.

Luisa contou a Déan sobre Victor e disse a este que não tinha dito nada sobre Vicente. Aconselhou Victor a não dizer nada também quando Déan lhe ligar, por “serem surpresas a mais.”

Célia vai casar de novo.

Déan telefona a Victor e exige-lhe que falem, às onze da noite do dia seguinte em casa de Déan. Então, recrimina Victor por não o ter informado e conta-lhe que estava em Londres com uma jovem amante, enfermeira num hospital ali ao lado. Ela engravidara e iria abortar em Londres.

Victor repete (p. 303) o pensamento sobre o Bombay Brasserie (p. 31).

O que se passará no final do livro?