O Evangelho segundo Jesus Cristo
O quadro da Crucificação: Jesus, o bom e o mau ladrões, Maria, José e a loura Maria Madalena, os soldados romanos, José de Arimateia (rico comerciante, membro do Sinédrio, magistrado que simpatizava com as ideias de Jesus, possivelmente seu discípulo secreto, encarregado por Pilatos do cadáver de Jesus) e o homem do balde com água e vinagre com uma esponja, que ao contrário foque se afirma, quis matar a sede aos crucificados.
José, em Nazaré, a frincha da porta por entra a luz da antemanhã, Maria e a fecundação matinal!
Um anjo aparece à porta de Maria disfarçado de pedinte e ela dá-lhe comida e diz que é um anjo quando ela vê que ele tem roupas ricas e na mão um punhado de terra que começa a brilhar. José conta tudo aos anciãos e eles enviam três emissários (Abiatar, Dotaim e Zaquias) interrogar Maria e enterrar a terra que brilha.
Maria terá 16 anos e é filha de Joaquim e Ana, pais bastante idosos já. Os soldados romanos obrigam José a ir à sua terra, Belém, recensear-se, a seguir à Páscoa. O vizinho Ananias e a esposa Chua tomarão conta da casa de José. Este já construiu um catre para Maria.
A caminho de Belém. O velho Simeão pergunta a José o que acontecerá se o seu filho ou filha nascer depois da data do recenseamento. José responde que será isso que Deus quer: que os romanos não saibam que existe. José vê um homem alto a caminhar no grupo das mulheres, ao lado de Maria. Seria o anjo (Gabriel)?
Em Jerusalém, depois de passarem por Ramalah. Maria sente em si uma dor sentida pelo bebé. José pensou chamar Jesus ao seu filho, convencido de que será um rapaz. Como já não tem família em Belém, José não sabe onde vai Maria ter o bebé. Ninguém os recebe e Maria acaba por parir num estábulo, amparada por uma escrava, Zelomi. Três pastores trazem leite, queijo e pão. O último diz que cozeu o pão com o fogo que há dentro da terra: Maria percebeu então quem ele era.
Jesus é circuncidado. José trabalha uma semana. Preparam o regresso à Nazaré. Antes, o sacrifício de duas rolas, pelo nascimento de Jesus. Herodes cruel, que mata filhos e esposas, sonha que nasce um Messias.
José, na obra, ouve três soldados de Herodes (não Romanos) falarem da matança que vão fazer de crianças de Belém com menos de três anos e corre (levantando a túnica) para salvar Jesus, perdendo assim a semanada que iria receber pelo seu trabalho. Na gruta está tudo bem. Em Belém ouvem-se os gritos das mães. O anjo aparece a Maria quando ela está sozinha na gruta e revela-lhe o crime que José cometeu, por egoísmo: não avisar as mães de Belém da ameaça que ouviu aos três soldados e preocupar-se apenas com Jesus. Quando partem a fugir para a Galileia, de manhã, a escrava Zelomi vai à gruta e constata que desta morte livrou-se Jesus.
José não dorme, com remorsos. Ele e Maria tiveram outros filhos, talvez para compensar as 30 e tal crianças mandadas matar por Herodes: Tiago, Lídia, José, Judas, Simão, Lídia, Justo, Samuel.
P141 “do que está para suceder não alcançamos mais do que uns pressentimentos, umas intuições, como no caso deste evangelho, que não estaria a ser escrito se não fossem aqueles avisos extraordinários, indiciadores, talvez, de um destino maior que simples vida.”
Ananias, vizinho de José, vai juntar-se a Judas Galileu que há três anos luta contra os ocupantes romanos. Abandona a mulher Chua.
Jesus tem 12 anos, aprendeu a Tora. Não entende os pesadelos do pai.
As legiões romanas andam de aldeia em aldeia da Judeia e da Galileia a crucificar os suspeitos inimigos. José recebe um recado de Ananias: está ferido em Séforis, a dez quilómetros de Nazaré, e José pode avisar Chua para ele herdar o que era dele. José decide ir resgatar Ananias. Roubam-lhe o burro, depois de decidir resgatar um jovem que sobreviveu ao lado do moribundo Ananias. Acaba por ser crucificado, com 33 anos. Séforis é queimada pelos romanos.
Jesus herdou as sandálias, a família e o pesadelo de José: a culpa pela morte dos inocentes, há 12 anos.
Jesus parte para Jerusalém. O anjo, durante a noite vem buscar a planta que 12 anos antes havia plantado com a terra iridescente numa tigela. Cheio de fome, roubado por dois ladrões, Jesus recebe pão, leite e uma tigela de um fariseu bondoso que se vai sem esperar agradecimento.
Interpelação dos escribas e anciãos: sobre se Deus quer que os judeus aguentem o domínio dos romanos, se não devemos amar os estrangeiros como aos nossos compatriotas e, pergunta Jesus, sobre a culpa que os filhos herdam dos pais e que nós come como um lobo.
Jesus visita o túmulo das 25 crianças mortas há 14 anos, ninguém sabe porquê. Encontra a velha escrava sua parteira Zelomi que o leva a visitar a cova onde nasceu.
Quem é o Pastor tão estranho que renega o Deus que cria a vítima e cria o assassino? Que não reza como os crentes? Que tem 5 vezes a idade de Jesus e conhece todos os seus pensamentos?
Jesus é pastor do rebanho do Pastor (será o anjo, será o Diabo?).
Jesus vai ao templo, mas como não consegue sacrificar um cordeiro pascal, por ser do seu rebanho, pede esmola e apesar de não lhe darem dinheiro suficiente um velho fariseu dá-lhe um cordeiro. Jesus também nao consegue matar este e vai embora com ele para o integrar no rebanho do Pastor.
Há um encontro doloroso com a mãe e os irmãos e despede-se deles.
O cordeiro transforma-se com o tempo em ovelha. Um dia, tem ele 18 anos, esta foge e Jesus procura-a no deserto. Encontra-a, nu, numa clareira e Deus está à espera dele, sob a forma de nuvem, e exige-lhe que a sacrifique. Assim se dá a união entre Deus e Jesus.
Jesus pergunta a Deus se o Pastor é um anjo ou o diabo e Deus diz-lhe que é alguém que conhece, mas “para Deus não há anjos nem costas”.
«Quando Jesus chegou ao campo, Pastor olhou-o fixamente e perguntou, A ovelha, e ele respondeu, Encontrei Deus, Não te perguntei se encontraste Deus, perguntei-te se achaste a ovelha, Sacrifiquei-a, Porquê, Deus estava lá, teve de ser. Com a ponta do cajado, Pastor fez um risco no chão, fundo como rego do arado, intransponível como uma vala de fogo, depois disse, Não aprendeste nada, vai.»
E Jesus parte, com os pés em ferida, pelas margens do Jordão.
Por que é que um cordeiro que tinha sido salvo da morte veio a morrer ovelha?
Encontra Maria de Magdala e passa oito dias na sua casa. Perde a virgindade. Ela diz que mais nenhum homem entrará na sua casa. Jesus, depois de lhe contar choroso os seus pesadelos, parte para Nazaré. Está muito perto.
Jesus chega a casa e a família recebe-o, primeiro com entusiasmo e depois com desconfiança. Não acreditam que ele viu Deus. Acham que esteve com o Diabo, por causa da tigela que escolheu para substituir a que se partiu: a enterrada pelo anjo inicial.
Jesus volta a Maria de Magdala, conta-lhe que viu Deus e vive com ela até deixarem de suportar as más-línguas. Abandonam a casa, queimam-na e vão-se dali.
O anjo apareceu a Maria a informá-la de que foi fecundada por José, mas Deus introduziu nela a semente juntamente com as de José e foi da de Deus que nasceu Jesus. Ela acredita finalmente na palavra do filho e pede a Tiago e a José que o procurem. Eles encontram-no para lá da cidade de Tiberíades, com Maria de Magdala. Jesus recusa voltar para uma família que não acreditou nele.
Jesus faz os milagres dos peixes, salva Tiago e outros de uma tempestade no mar, faz o milagre do vinho nas bodas de Caná, onde está Maria e os irmãos de Jesus. Maria e Maria de Magdala abraçam-se. Jesus parece repudiar a mãe.
Jesus faz uma série de milagres e diz aos apóstolos que é filho de Deus.
Jesus rema até ao meio do mar, envolto em cerrado nevoeiro, e durante 40 dias conversa com Deus e com o Diabo Pastor: Deus diz-lhe o que espera dele: que morra para que Deus deixe de ser venerado por um pequeno povo de judeus e passe a dominar o mundo católico substituindo os deuses romanos e os outros deuses na fé dos homens. E que muitos outros sacrifícios e mortes (pp. 384-387) e guerras se farão em seu nome para o engrandecer, como as Cruzadas e a Inquisição. Mas o primeiro e principal passo tem de consistir no sacrifício de Jesus. E os 12 apóstolos seguem Jesus para que ele vá cumprir a sua missão.
401
Jesus e os seus iam pelos caminhos e povoados, a pregar e a fazer milagres. A anunciar a próxima chegada do reino Deus.
Jesus e Maria de Magdala vão a Betânia, onde viviam Lázaro e Marta, irmãos de Maria Madalena. Jesus cura o mal de Lázaro. Outros doentes requerem a ajuda de Jesus.
Os discípulos começam a chegar a Betânia.
Fala-se de um novo profeta, João, que prevê a vinda do Messias. Jesus revela que o Messias será ele, conforme Deus lhe pediu. Jesus procura João, no Mar Morto, para ser batizado.
424
Jesus e os 12 apóstolos avançam para Jerusalém para expulsar os vendilhões do tempo. O sumo sacerdote deixa-os partir sem castigo.
Voltam a Betânia: Lázaro morreu. Marta disse a Jesus: se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido. Jesus vai ressuscitar Lázaro, mas Maria Madalena diz: ninguém na vida teve tantos pecados que mereça morrer duas vezes.
429
João Batista é preso. Jesus avisa que Herodes provavelmente virá também à procura dele e dos seus discípulos, porque ameaçam deitá-lo abaixo do trono. João terá sido executado por ter clamado contra o incesto de Herodes com a sobrinha e cunhada Herodíades.
435
Jesus avisa os discípulos que todos eles irão morrer por causa dele, menos o apóstolo João. E que morrerão muitos no futuro por vontade de Deus. E o filho de Deus terá de morrer na cruz, acusado de querer ser o rei dos Judeus e de levantar o povo para derrubar Herodes e expulsar os romanos. Judas será o que o entregará aos romanos.
437
Os guardas do templo e os soldados de Herodes prendem Jesus. Judas enforca-se numa figueira. Pilatos ouve Jesus e este escolhe morrer na cruz, quase contra a vontade de Pilatos que parece não acreditar que dali possa vir algum perigo. No fim, Pilatos lava as mãos com água que lhe trouxeram.
443
Jesus é levado para o monte Gólgota. Carrega a cruz. Pedro, interpelado por uma mulher, negou 3 vezes ser discípulo de Jesus.
“Então Jesus, pregado na cruz, compreendeu que viera trazido ao engano como se leva o cordeiro ao sacrifício, que a sua vida fora traçada para morrer assim desde o princípio dos princípios, e, subindo-lhe à lembrança o rio de sangue e de sofrimento que do seu lado irá nascer e alagar toda a terra, clamou para o céu aberto onde Deus sorria, Homens, perdoai-lhe, porque ele não sabe o que fez. Depois, foi morrendo no meio de um sonho, estava em Nazaré e ouvia o pai, José, dizer-lhe, encolhendo os ombros e sorrindo também, Nem eu posso fazer-te todas as perguntas, nem tu podes dar-me todas as respostas.” (…)
Já não chegou a ver, posta no chão, a tigela negra para onde o seu sangue gotejava.”