sábado, 26 de fevereiro de 2022

O evangelho segundo Jesus Cristo - José Saramago

 O Evangelho segundo Jesus Cristo

O quadro da Crucificação: Jesus, o bom e o mau ladrões, Maria, José e a loura Maria Madalena, os soldados romanos, José de Arimateia (rico comerciante, membro do Sinédrio, magistrado que simpatizava com as ideias de Jesus, possivelmente seu discípulo secreto, encarregado por Pilatos do cadáver de Jesus) e o homem do balde com água e vinagre com uma esponja, que ao contrário foque se afirma, quis matar a sede aos crucificados.

José, em Nazaré, a frincha da porta por entra a luz da antemanhã, Maria e a fecundação matinal!

Um anjo aparece à porta de Maria disfarçado de pedinte e ela dá-lhe comida e diz que é um anjo quando ela vê que ele tem roupas ricas e na mão um punhado de terra que começa a brilhar. José conta tudo aos anciãos e eles enviam três emissários (Abiatar, Dotaim e Zaquias) interrogar Maria e enterrar a terra que brilha.

Maria terá 16 anos e é filha de Joaquim e Ana, pais bastante idosos já. Os soldados romanos obrigam José a ir à sua terra, Belém, recensear-se, a seguir à Páscoa. O vizinho Ananias e a esposa Chua tomarão conta da casa de José. Este já construiu um catre para Maria.

A caminho de Belém. O velho Simeão pergunta a José o que acontecerá se o seu filho ou filha nascer depois da data do recenseamento. José responde que será isso que Deus quer: que os romanos não saibam que existe. José vê um homem alto a caminhar no grupo das mulheres, ao lado de Maria. Seria o anjo (Gabriel)?

Em Jerusalém, depois de passarem por Ramalah. Maria sente em si uma dor sentida pelo bebé. José pensou chamar Jesus ao seu filho, convencido de que será um rapaz. Como já não tem família em Belém, José não sabe onde vai Maria ter o bebé. Ninguém os recebe e Maria acaba por parir num estábulo, amparada por uma escrava, Zelomi. Três pastores trazem leite, queijo e pão. O último diz que cozeu o pão com o fogo que há dentro da terra: Maria percebeu então quem ele era.

Jesus é circuncidado. José trabalha uma semana. Preparam o regresso à Nazaré. Antes, o sacrifício de duas rolas, pelo nascimento de Jesus. Herodes cruel, que mata filhos e esposas, sonha que nasce um Messias.

José, na obra, ouve três soldados de Herodes (não Romanos) falarem da matança que vão fazer de crianças de Belém com menos de três anos e corre (levantando a túnica) para salvar Jesus, perdendo assim a semanada que iria receber pelo seu trabalho. Na gruta está tudo bem. Em Belém ouvem-se os gritos das mães. O anjo aparece a Maria quando ela está sozinha na gruta e revela-lhe o crime que José cometeu, por egoísmo: não avisar as mães de Belém da ameaça que ouviu aos três soldados e preocupar-se apenas com Jesus. Quando partem a fugir para a Galileia, de manhã, a escrava Zelomi vai à gruta e constata que desta morte livrou-se Jesus.

José não dorme, com remorsos. Ele e Maria tiveram outros filhos, talvez para compensar as 30 e tal crianças mandadas matar por Herodes: Tiago, Lídia, José, Judas, Simão, Lídia, Justo, Samuel.

P141 “do que está para suceder não alcançamos mais do que uns pressentimentos, umas intuições, como no caso deste evangelho, que não estaria a ser escrito se não fossem aqueles avisos extraordinários, indiciadores, talvez, de um destino maior que simples vida.”

Ananias, vizinho de José, vai juntar-se a Judas Galileu que há três anos luta contra os ocupantes romanos. Abandona a mulher Chua.

Jesus tem 12 anos, aprendeu a Tora. Não entende os pesadelos do pai.

As legiões romanas andam de aldeia em aldeia da Judeia e da Galileia a crucificar os suspeitos inimigos. José recebe um recado de Ananias: está ferido em Séforis, a dez quilómetros de Nazaré, e José pode avisar Chua para ele herdar o que era dele. José decide ir resgatar Ananias. Roubam-lhe o burro, depois de decidir resgatar um jovem que sobreviveu ao lado do moribundo Ananias. Acaba por ser crucificado, com 33 anos. Séforis é queimada pelos romanos.

Jesus herdou as sandálias, a família e o pesadelo de José: a culpa pela morte dos inocentes, há 12 anos.

Jesus parte para Jerusalém. O anjo, durante a noite vem buscar a planta que 12 anos antes havia plantado com a terra iridescente numa tigela. Cheio de fome, roubado por dois ladrões, Jesus recebe pão, leite e uma tigela de um fariseu bondoso que se vai sem esperar agradecimento.

Interpelação dos escribas e anciãos: sobre se Deus quer que os judeus aguentem o domínio dos romanos, se não devemos amar os estrangeiros como aos nossos compatriotas e, pergunta Jesus, sobre a culpa que os filhos herdam dos pais e que nós come como um lobo.

Jesus visita o túmulo das 25 crianças mortas há 14 anos, ninguém sabe porquê. Encontra a velha escrava sua parteira Zelomi que o leva a visitar a cova onde nasceu.

Quem é o Pastor tão estranho que renega o Deus que cria a vítima e cria o assassino? Que não reza como os crentes? Que tem 5 vezes a idade de Jesus e conhece todos os seus pensamentos?

Jesus é pastor do rebanho do Pastor (será o anjo, será o Diabo?).

Jesus vai ao templo, mas como não consegue sacrificar um cordeiro pascal, por ser do seu rebanho, pede esmola e apesar de não lhe darem dinheiro suficiente um velho fariseu dá-lhe um cordeiro. Jesus também nao consegue matar este e vai embora com ele para o integrar no rebanho do Pastor. 

Há um encontro doloroso com a mãe e os irmãos e despede-se deles. 

O cordeiro transforma-se com o tempo em ovelha. Um dia, tem ele 18 anos, esta foge e Jesus procura-a no deserto. Encontra-a, nu, numa clareira e Deus está à espera dele, sob a forma de nuvem, e exige-lhe que a sacrifique. Assim se dá a união entre Deus e Jesus.

Jesus pergunta a Deus se o Pastor é um anjo ou o diabo e Deus diz-lhe que é alguém que conhece, mas “para Deus não há anjos nem costas”.

«Quando Jesus chegou ao campo, Pastor olhou-o fixamente e perguntou, A ovelha, e ele respondeu, Encontrei Deus, Não te perguntei se encontraste Deus, perguntei-te se achaste a ovelha, Sacrifiquei-a, Porquê, Deus estava lá, teve de ser. Com a ponta do cajado, Pastor fez um risco no chão, fundo como rego do arado, intransponível como uma vala de fogo, depois disse, Não aprendeste nada, vai.»

E Jesus parte, com os pés em ferida, pelas margens do Jordão.

Por que é que um cordeiro que tinha sido salvo da morte veio a morrer ovelha?

Encontra Maria de Magdala e passa oito dias na sua casa. Perde a virgindade. Ela diz que mais nenhum homem entrará na sua casa. Jesus, depois de lhe contar choroso os seus pesadelos, parte para Nazaré. Está muito perto.

Jesus chega a casa e a família recebe-o, primeiro com entusiasmo e depois com desconfiança. Não acreditam que ele viu Deus. Acham que esteve com o Diabo, por causa da tigela que escolheu para substituir a que se partiu: a enterrada pelo anjo inicial.

Jesus volta a Maria de Magdala, conta-lhe que viu Deus e vive com ela até deixarem de suportar as más-línguas.  Abandonam a casa, queimam-na e vão-se dali.

O anjo apareceu a Maria a informá-la de que foi fecundada por José, mas Deus introduziu nela a semente juntamente com as de José e foi da de Deus que nasceu Jesus. Ela acredita finalmente na palavra do filho e pede a Tiago e a José que o procurem. Eles encontram-no para lá da cidade de Tiberíades, com Maria de Magdala. Jesus recusa voltar para uma família que não acreditou nele. 

Jesus faz os milagres dos peixes, salva Tiago e outros de uma tempestade no mar, faz o milagre do vinho nas bodas de Caná, onde está Maria e os irmãos de Jesus. Maria e Maria de Magdala abraçam-se. Jesus parece repudiar a mãe.

Jesus faz uma série de milagres e diz aos apóstolos que é filho de Deus.

Jesus rema até ao meio do mar, envolto em cerrado nevoeiro, e durante 40 dias conversa com Deus e com o Diabo Pastor: Deus diz-lhe o que espera dele: que morra para que Deus deixe de ser venerado por um pequeno povo de judeus e passe a dominar o mundo católico substituindo os deuses romanos e os outros deuses na fé dos homens. E que muitos outros sacrifícios e mortes (pp. 384-387) e guerras se farão em seu nome para o engrandecer, como as Cruzadas e a Inquisição. Mas o primeiro e principal passo tem de consistir no sacrifício de Jesus. E os 12 apóstolos seguem Jesus para que ele vá cumprir a sua missão.

401

Jesus e os seus iam pelos caminhos e povoados, a pregar e a fazer milagres. A anunciar a próxima chegada do reino Deus. 

Jesus e Maria de Magdala vão a Betânia, onde viviam Lázaro e Marta, irmãos de Maria Madalena. Jesus cura o mal de Lázaro. Outros doentes requerem a ajuda de Jesus.

Os discípulos começam a chegar a Betânia.

Fala-se de um novo profeta, João, que prevê a vinda do Messias. Jesus revela que o Messias será ele, conforme Deus lhe pediu. Jesus procura João, no Mar Morto, para ser batizado.

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Jesus e os 12 apóstolos avançam para Jerusalém para expulsar os vendilhões do tempo. O sumo sacerdote deixa-os partir sem castigo.

Voltam a Betânia: Lázaro morreu. Marta disse a Jesus: se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido. Jesus vai ressuscitar Lázaro, mas Maria Madalena diz: ninguém na vida teve tantos pecados que mereça morrer duas vezes.

429

João Batista é preso. Jesus avisa que Herodes provavelmente virá também à procura dele e dos seus discípulos, porque ameaçam deitá-lo abaixo do trono. João terá sido executado por ter clamado contra o incesto de Herodes com a sobrinha e cunhada Herodíades.

435

Jesus avisa os discípulos que todos eles irão morrer por causa dele, menos o apóstolo João. E que morrerão muitos no futuro por vontade de Deus. E o filho de Deus terá de morrer na cruz, acusado de querer ser o rei dos Judeus e de levantar o povo para derrubar Herodes e expulsar os romanos. Judas será o que o entregará aos romanos.

437

Os guardas do templo e os soldados de Herodes prendem Jesus. Judas enforca-se numa figueira. Pilatos ouve Jesus e este escolhe morrer na cruz, quase contra a vontade de Pilatos que parece não acreditar que dali possa vir algum perigo. No fim, Pilatos lava as mãos com água que lhe trouxeram.

443

Jesus é levado para o monte Gólgota. Carrega a cruz. Pedro, interpelado por uma mulher, negou 3 vezes ser discípulo de Jesus.

“Então Jesus, pregado na cruz, compreendeu que viera trazido ao engano como se leva o cordeiro ao sacrifício, que a sua vida fora traçada para morrer assim desde o princípio dos princípios, e, subindo-lhe à lembrança o rio de sangue e de sofrimento que do seu lado irá nascer e alagar toda a terra, clamou para o céu aberto onde Deus sorria, Homens, perdoai-lhe, porque ele não sabe o que fez. Depois, foi morrendo no meio de um sonho, estava em Nazaré e ouvia o pai, José, dizer-lhe, encolhendo os ombros e sorrindo também, Nem eu posso fazer-te todas as perguntas, nem tu podes dar-me todas as respostas.” (…)

Já não chegou a ver, posta no chão, a tigela negra para onde o seu sangue gotejava.”

terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

Diário de um killer sentimental - Luís Sepúlveda

 



Diário de um

Killer Sentimental



de Luís Sepúlveda





Por Catarina Rodrigues


Um assassino é pago para matar. Às suas vítimas chama "encomendas" e acredita que nunca vai ter um envolvimento sério com uma mulher porque isso vai contra os princípios da profissão que exerce. É esta a base da história contada no "Diário de Um Killer Sentimental" da autoria do chileno Luís Sepúlveda.
Um livro em estilo de policial, onde o "killer" se vê confrontado com o inesperado. O personagem conhece uma mulher francesa bastante mais nova que ele e acaba por se apaixonar. O seu lado sentimental fica exposto. Para além disso a curiosidade do "killer" é despertada quando lhe entregam a fotografia da próxima "encomenda". Uma situação que não é normal para quem nunca teve qualquer tipo de envolvimento com as suas vítimas.
A história é repartida entre Madrid, Istambul, Frankfurt, Paris e por fim Cidade do México, local onde a sua amada se apaixona por outro homem. Uma comunicação que apenas lhe é transmitida por fax e que por isso o deixa bastante perturbado.
Luís Sepúlveda utiliza neste livro uma linguagem que a princípio pode parecer pouco própria, mas que acaba por ser divertida. Tal como é divertido o seu relacionamento com os taxistas onde quer que seja.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

O incesto - Mário de Sá-Carneiro

O romantismo sombrio ou negro de Edgar Allan Poe meets a Montanha Mágica de Thomas Mann

Davos, Suíça 

A Dama das Camélias meets Bruges, a Morta


«Mas havia mais. Em Paris, à noite, sozinho no seu quarto, antes de adormecer, não se lhe esboçara nas trevas, defronte da imagem puríssima de Leonor, a imagem sensual de Júlia toda desnudada sobre um leito de rosas?... E a roupa íntima da desaparecida que ele beijava sofregamente?... E o episódio das Folies? Essa prostituta de carne à mostra, de seios pintados, recordara-lhe a filha... Por isso a mandara sentar-se junto dele, ah! e por isso se esfregara, ignobilmente se esfregara, sobre o seu corpo debochado!...
Infâmia. Infâmia. Tinha-se consumado há muito o incesto... durava desde a morte da filha!... O quê!? Só desde a sua morte?... E a ponta do seio a enfolar a blusa? E a noite de luar? a noite de luar!?... Agora é que compreendia — ele agora compreendia tudo.»
 



quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

Platónov - Anton Tchékhov

 


Platónov

Anna Petrovna Voïnítseva, jovem viúva de um general, de quem não gostava. Convida um grupo de amigos e ricos credores (a quem deve muito dinheiro) todos os verões para sua casa de férias de campo. É cúmplice de Platónov.
Serguei Pavlovitch Voïnítsev, filho do general Voïnítsev de um primeiro casamento. Há 3 anos que acabou o curso e podia trabalhar como professor numa universidade, mas não aceita. É um mero mestre-escola.
Sophie Égorovna Voïnitíseva, esposa recente de Serguei Voïnítsev, portanto, quase nora de Anna Petrovna, que não sabe que ela foi um antigo amor de Platónov. Reencontra-se com Platónov 5 anos depois, em casa de Anna Petrovna. Quer reavivar a chama com ele.
Mikhaïl Vassilievitch Platónov, um intelectual altivo da pequena nobreza, que se tornou professor no campo por despeito contra a sociedade. Não acabou o curso universitário. Poderia ter sido ministro, mas desistiu É um jovem que parece alegre, espontâneo, que parece amar a vida. Mas, na realidade, ele é exatamente o oposto, manipulador e cínico. Quer que os amigos se interessem por ele. Gosta de multiplicar aventuras, com Sofia, embora tenha uma esposa, Sacha, a quem considera um pouco como sua filha.  Viveu 6 meses isolado, como que a hibernar, com Sacha.
Alexandra Ivanóvna (Sacha), esposa de Platónov, filha de Ivan Ivanovitch Triletsky, com quem ralha por beber de mais. Tem já um filho de Platónov. Ela modera Platónov, é o ninho dele, a família, mas não é muito amada por ele.
Ivan Ivanovich Triletsky, coronel aposentado; sogro de Platónov;
Nikolai Ivanovich Triletsky, filho do coronel. Bajula Anna Petrovna. É um comilão. Perspetiva casar-se com a Grékova. Acha que a Grékova não suporta Platónov. É mulherengo e paga a mulheres. Acha que Sophie fala de mais. Diz-se amigo de Platónov.
Porfírii Semiónovitch Glagóliev 1, proprietário de terras vizinho de Voïnítsev. Deseja secretamente casar-se com Anna Petrovna. Irá comprar a propriedade dos Voinítsev?
Kirill Porfyrievich Glagóliev 2, filho de Porfírii. Chega de Paris, aparece na casa de Anna Petrovna e ralha com o pai, exigindo-lhe dinheiro para voltar para Paris.

Guérassim Kuzmitch Pétrin, proprietário de terras vizinho. Interessa-lhe que Glagóliev case com Anna Petrovna, para ver se ela lhe paga uma dívida contraída pelo defunto general. 
Pavel Petrovich Scherbuk, vizinho proprietário de terras, alferes de Guerra reformado. Queixa-se da velha mulher e do amante ruivo dela que o quererão matar. Gosta de Sophie; andou com Serguei, o marido dela, ao colo. Também é credor de Anna.

Maria Efimovna Grékova, rapariga de 20 anos. O filho de Trilévsky quererá casar com ela. Platónov goza com ela e Sacha exige que ele peça desculpa. Mais tarde, Platónov beija-a, por estar bêbedo e ela chama-lhe invulgar patife.

Abram Abrámovitch Vengueróvitch, 1 judeu rico.
Issak Abrámovitch Vengueróvitch 2, judeu filho de Abram, despreza Platónov por o achar um parasita e por ele gozar com o pai ao vivo.
Timofeï Gordéïevitch Bugrov, rico comerciante. Empresta dinheiro a Trilétski filho. Compra letras a Voinítsev e fica cada vez mais credor.

Ossip, rapaz de 30 anos, ladrão de cavalos, assassino, passa os invernos na prisão. Despreza Abram Vengueróvitch. Platónov satiriza-o. Abram contrata-o para aleijar Platónov.
Marko, moço de recados de um velho juiz
Servos dos Voinítsev: Vassili, Iákov, Kátia ...

X
Trilétski afirma a Platónov que a Grékova não é parva, mas sim uma vítima.
Vengueróvitch 1 encarrega Ossip de dar uma tareia a Platónov
XI
Trilévski fala mal, com aparente cumplicidade com Platónov, dos Voinítsev (especialmente da  frieza de Sophie) e dos Vengueróvitch, cujo dinheiro "financia" esta  festa. E da generala Anna Petrovna.
XII
Glagóliev 2 diz que o  pai quer casar com a generala. Mas ele próprio parece interessado e acha que ela pode interessar-se pelo dinheiro dele.
XIII
Anna Petróvna acha muita piada a Platónov. Estão embriagados. 
Ele diz-lhe que também a ama, com um amor muito superior àquele que ela lhe propõe.
Se fosse capaz de lhe mentir, já há muito que seria seu amante.
XIV
Anna Petrovna diz a Glagóliev 1 que recusa casar com ele.
XV
Grékova sai da festa zangada com Trilévski por ele não a defender contra Platónov.
XVI
Glagóliev 2 parece ter ciúmes do pai e diz-lhe que o estão a chamar, para ele parar de conversar com Anna.
XVII
Glagóliev 2 propõe a Anna casarem (pelo dinheiro do pai dele). Ela recusa.
XVIII
Platónov acusa Sophie de se ter deixado perder a elegância e de se ter casado mal, com um “pigmeu” cheio de dívidas.
XIX
Sophie despreza o médico Trilétski.
XX
Glagóliev 2 engana o pai: diz que seduziu Anna oferecendo-lhe dois mil rublos.
XXI
Sofia decide entregar-se a Platónov.

SEGUNDO QUADRO
A escola, uma clareira, o bosque, de noite, depois da festa do Ato I e do início do Ato II
Ossip é bem tratado por Sacha. Ossip está obcecado pela generala, a quem beijou, a pedido dela, à beira do rio?
II
Sacha respeita e ama ingenuamente, como esposa, Platónov.
III
«Micha» Platónov regressa bêbedo. O Glagóliev 1 terá tido um ataque provocado pelas mentiras do filho.
Platónov acha Sacha ingénua e inculta, mas gosta dela, especialmente porque ela é uma boa esposa e o atura.
IV
Monólogo de Platónov, de arrependimento pela forma como falou com Sophie.
V
Vengueróvitch, bêbedo, vem provocar Platónov: este critica-o por ser jovem e não ser idealista.
VI
Anna Petrovna vem ter com Platónov e exige-lhe que se amem sem demora, mas…

…aparece Trilétski, o pai de Sacha, a pedir que ela o deixe dormir na escola, por estar demasiado bêbado.
Anna combina que Platónov espere que Sacha adormeça e que vá ter com ela.
Ossip viu tudo e está com ciúmes: Anna diz-lhe que que dispare para o ar  quando Platónov for ter com ela, para enganar Vengueróvitch. Ossip fica desvairado de ciúmes.
Quando Platónov sai, Ossip aparece: Platónov convence-o a ir roubar a corrente de ouro de Vengueróvitch. Sacha chama Platónov para dentro. Ele diz-lhe para ir dormir e vai a caminho… mas aparece Katia, a criada de Sophie com uma carta desta a combinar um encontro amoroso às 4 da manhã. Vai a caminho de Sophie.

Ossip aparece na escola à procura de Platónov e diz a Sacha que ele foi ter com a generala. Sacha diz que se vai matar debaixo do comboio.

TERCEIRO ATO: uma sala da escola
Há 3 semanas que Platónov e Sofia se encontram. 
Ela contou tudo ao marido e pede a Platónov que fujam para a felicidade. Ele julga que ela cometeu um grande erro, porque acha que não é digno dela nem a conseguirá fazer feliz.
Combinam fugir, às 10h, no dia seguinte.
Platónov monologa, lamentando ter perdido Sacha e o filho, e a generala.
Platónov recebe uma notificação do juiz por ofensas à Grékova. Pede ao mensageiro que leve um bilhete com um pedido de desculpas e de despedida à Grékova.
Bebe.

Anna Petrovna pede-lhe que reaja, que pare de beber e oferece-lhe dinheiro para ele ir viajar um mês e se recompor. Ele diz que não pode, que vai fugir. Ela bebe e chora e diz que o ama. E vai-se. 

Entra Ossip para matar Platónov. Lutam. Sacha surge. Ossip desiste e sai. Sacha voltou porque Kólia, o filho de ambos, está doente. O irmão dela, o médico Trilétski, não ligou nada.
Sacha está quase a perdoar Platónov mas este diz-lhe que é com Sofia, uma mulher casada, que tem um caso e não com Anna Petrovna e ela vai embora.

Voinítsev vem desafiar Platónov para um duelo, mas começa a chorar e pede-lhe que a devolva. 

QUARTO ATO
Platónov desapareceu, faltou ao encontro com Sophie. Voinítsev pede a esta que fique com ele.
Ossip é morto por camponeses.
Voinítsev conta a Anna Petrovna que Sophie é amante de Platónov e que tinham combinado fugir, mas que ele desapareceu. A generala fica atónita.
Afinal a propriedade de Anna Petrovna foi comprada por Abram Abrámovitch Vengueróvitch e ela e Voinítsev terão de sair até ao Natal. Restam-lhe as minas.

Anna considera que tudo se pode resolver ainda!
Platónov aparece e diz a Sophie que acabou tudo. Aparece Trilétski a dizer que Sacha se tentou matar. Anna ralha com Platónov. Surge a Grékova a dizer que perdoa Platónov.

Como terminará Platónov e com quem?