domingo, 29 de setembro de 2024

Elogio da madrasta - Mario Vargas Llosa

 


1 O aniversário da dona Lucrécia: 40 anos

Ao ir ao quarto de Alfonsito para lhe agradecer o texto que ele lhe escreveu a dizer que a adorava e que ia tirar o primeiro lugar na escola, para ela, Lucrécia vai em camisa de dormir reveladora e o menino abraça-a e beija-a antes de dormir, o que a excita. Acaba por fazer amor com o marido Rigoberto, feliz e aliviada por ser aceite pelo enteado.

2 Caudales, rei da Lídia

O narrador é Caudales (na verdade, Rigoberto) na antiga Lídia, atual Turquia, a contar como a sua Lucrécia tem a melhor garupa de todas as mulheres e como ele é potente: o escravo Atlas, por ordem dele, não a conseguiu montar; Giges comprovou que o rabo da sua escrava e amante egípcia, tão elogiada por ele, é inferior à de Lucrécia.

3 As orelhas de quarta-feira

Rigoberto tem orelhas enormes e pêlos que todas as semanas renascem: arranca-os e pensa na sua higiene pessoal e na de Lucrécia e como a ama, incluindo os seus ruídos íntimos.

4 Olhos como pirilampos 

Rigoberto está ausente por dois dias. Lucrécia na cama de manhã pensa se Alfonsito não estará a despertar para o desejo. Chama a criada Justiniana. Esta conta-lhe que o menino a espreita no banho. Ela decide tornar-se mais fria com ele. À noite ao tomar banho, Justiniana vem dizer-lhe que o menino a está de novo a espiar (no teto da casa de banho). Ela decide mostrar-se-lhe toda e demoradamente. Quando vai dormir sente-se irritada com o que fez.

5 Diana depois do banho

Lucrécia é Diana, a deusa, que com a favorita Justiniana se acariciam e e amam no bosque excitadas por saberem que Fonchito as espreita sempre.

6 As abluções do senhor Rigoberto

7 Vénus com amor e música

O Amor (Cupido) assiste ã lição de órgão do professor de música a Lucrécia e vê o efeito que ela provoca no professor, que vive num convento e irá ser padre apesar de agora sonhar com ela. A música e o Amor preparam-na para receber Rigoberto.

8 O sal das suas lágrimas

Justiniana diz a Lucrécia que o menino está a escrever uma carta onde diz. que se vai matar. Lucrécia vai ver. Fonchito diz que se ela o continuar a tratar como se não gostasse dele, que se mata. Abraçam-se e ele beija-a e apalpa-lhe um seio e ela deixa e corresponde. Quando chega Rigoberto ela está perturbada com aquilo.

9 Semelhança de humano

O narrador é o monstro da Cabeça I de Francis Bacon (um sonho, talvez, sem relação aparente com a história de Lucrécia e Rigoberto).

10 Tuberoso e sensual

Mais higiene, depilação e preparação de Rigoberto, particularmente do nariz tuberoso e sensual para antever o encontro erótico com Lucrécia.

11 Sobremesa e 12 Labirinto de amor

A propósito do Quadro de Szyslo A Caminho de Mendieta em que Alfonsito diz à madrasta que a vê lá, ela conta que fez amor várias vezes com o menino e é feliz.

13 As más palavras

Fonchito sozinho com o pai pergunta-lhe o que quer dizer orgasmo, porque a madrasta lhe tinha dito que tinha tido um orgasmo muito bom. E escreveu uma composição dedicada ao amor que sente pela madrasta: “O elogio da madrasta”. Rigoberto pergunta-lhe se o pode ler enquanto se sente a entrar num abismo. Lê o texto e pergunta abismado como pôde o miúdo inventar tanta indecência e este garante-lhe que tudo o que conta no texto aconteceu de verdade. Chega a casa a alegre Lucrécia.

14 O jovem rosado (Fra Angelico, A Anunciação)

Maria, cuja timidez é criticada pelas ousadas amigas Deborah, Judith ou Raquel, recebe a visita do belo e louro anjo que lhe diz que ela é a escolhida, a futura mãe de Jesus.

Epílogo

Justiniana questiona Fonchito: ele não sente remorsos por ter feito com que a madrasta fosse expulsa daquela casa onde todos eram tão felizes?  


sábado, 28 de setembro de 2024

Montevideu - Enrique Vila-Matas

PARIS

Narrador em Paris em fevereiro de 1974 para se converter em escritor.

Mas foi atacado pela preguiça. E durante dois anos dedicou-se ao tráfico de droga. Nos primeiros três meses foi consumidor de LSD.

O seu único livro, escrito em Melilla, intitulava-se Nepal.

Muitos anos depois escreveu uma crónica sobre aquele período: uma garagem própria.

E reflete sobre literatura…

CASCAIS



https://quatrocincoum.com.br/resenhas/literatura/o-lugar-exato-da-estranheza/



https://visao.pt/visaose7e/livros-e-discos/2023-07-19-enrique-vila-matas-na-literatura-a-linguagem-nao-e-algo-que-reproduz-a-realidade-antes-qualquer-coisa-que-a-constroi-e-desconstroi/

Há muitos escritores nos romances do catalão Enrique Vila-Matas (n. 1948), um dos mais destacados nomes da literatura espanhola das últimas décadas. Mas não há dois iguais. O de Montevideu, o seu novo romance (D. Quixote, 232 págs., €16,60), vive inquieto com as portas do quarto ao lado nos hotéis onde se instala. Como no conto de Cortázar, A Porta Condenada, há qualquer coisa de íntimo que se esconde e se revela na sensação sinistra que persegue o protagonista. E num rodopio de cidades – Paris, Cascais, Montevideu, Reiquiavique, Bogotá –, o mesmo tremor e a mesma curiosidade. Como em romances anteriores, já distinguidos com diversos prémios no seu país e não só, Vila-Matas explora as coincidências para ver a vida através da arte. E para questionar os limites da arte através da vida.

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Segundo Juan Eduardo Cirlot, um dos muitos autores que cita em Montevideu, “a porta é um convite a penetrar no mistério”. Escrever um romance também o é, no sentido de se revelar sempre uma busca, uma investigação, uma aventura?

E porque não? Foi precisamente por me ter aventurado que me permiti introduzir em Montevideu a máxima liberdade possível na escrita, fiel ao lema principal de tudo o que escrevo: “Pela liberdade, Sancho, assim como pela honra, se deve arriscar a vida.”


domingo, 8 de setembro de 2024

A vegetariana - Han Kang

O marido de Yeong-hye não suporta a ideia de ela se ter tornado vegetariana.

O pai dela bate-lhe num jantar de família em casa da irmã dela e do cunhado e ela tenta matar-se e corta o pulso.

Depois de sair do hospital o marido divorcia-se dela.

A MANCHA MONGÓLICA

O cunhado artista envolve-se com Yeong-hye numa cena sexual filmada em que ambos estão pintados com flores. Ela tem uma mancha mongólica na parte de cima de uma nádega. A irmã vai lá a casa e apanha-os a dormir juntos, pintados. Chama uma ambulância porque acha que Yeong-hye está louca.

ÁRVORES FLAMEJANTES

In-hye, irmã de Yeong-hye, visita-a uma vez por semana no hospício onde ela está há meses. Divorciou-se do marido e vive sozinha com o filho Ji-woo.

Há 3 anos que Yeong-hye decidiu tornar-se vegetariana.

Na noite em que os descobriu juntos, os paramédicos que ela chamou levaram Yeong-hye para o hospício e prenderam o marido. Foi libertado algumas semanas depois e desapareceu de cena.



quarta-feira, 4 de setembro de 2024

O luto de Elias Gro - João Tordo


 O luto de Elias Gro - João Tordo

O protagonista.

O fim de Elias Gro muito doente e o funeral.

A pequena Cecília que o protagonista atropelou de bicicleta.

Foi tudo quando ele viveu num farol numa ilha.

Foi para a ilha e para o farol levado por Heinrich.

No passado praticou boxe quase por masoquismo, para esquecer algo.

No segundo dia atropelou Cecília com a bichenta que alugou para se deslocar nos três quilómetros entre o farol e a aldeia.

Cecília está em casa de Alma e do Sr Pederson, mas não é filha deles.

No passado, o protagonista conheceu A. a mulher pintora da Vila B. que o perturbou.

O bem-humorado pai de Cecília vai ao farol pedir ao ressacado protagonista que vá pedir desculpa a Cecília por a ter atropelado.

O protagonista vai a uma missa onde o pastor é Elias Gro, o pai de Cecília. Este chama-lhe o estrangeiro e sabe que ele não tem fé. Elias fala da Casa das Águas onde viveu o escritor Lars Drosler. A casa contém as coisas do escritor, mas afundou-se no mar e Elias deseja reaver o que nela está.

Cecília exige que o protagonista a leve à escola durante uma semana.

Elias conversa na taberna com o protagonista: fala-lhe do farol onde viveu o velho faroleiro Xavier, a torre Xavier, que transmitiu a fé a Elias.

No passado, o protagonista viveu na cidade numa carreira e numa profissão dos 22 aos 40 anos, até ir viver para a ilha.

Foi com A. ao zoo, apaixonaram-se.

Vai levar Cecília à escola, na península, de ferry.

Relembra a história com A.

Encontra Elias e observam os mergulhadores que verificam o estado da casa do escritor Drosler, que se afundou.

Em casa de Elias, cujo quarto tem apenas um pequeno colchão, o narrador e Cecília leem os diários de Drosler, encontrados pelos mergulhadores na casa afundada: o corpo de Drosler desejava Marina e a alma desejava um banqueiro chamado Doe que viajava com ele. Na ilha instalou-se na casa. O faroleiro Xavier deu-lhe uma pistola porque ele dizia muitas vezes que queria matar Doe. O jovem Elias apanhava porrada do pai e refugiava-se na  casa de Drosler. Foram amigos desde os 12 anos aos 15 de Elias. 

Alma era alemã e naufragou perto da ilha com uma jovem que morreu. Foram acolhidas por Pederson que mais tarde casou com Alma.

O narrador telefona para casa de A. e responde-lhe uma gravação com a voz dela e de um homem.

Ele e ela tiveram uma filha que morreu depois de nascer e por isso se separaram e ele veio para a ilha.

Bêbedo, conduz o trator e numa descida estatela-o contra a casa de Heinrich. Este exige que ele saia do farol e se vá embora. 

Instala-se numa enseada, durante dias, a sentir a dor da perda de A. e da filha (de quem ela estaria grávida ??).

Morre o velho Norbert e o narrador instala-se lá.

Morre Elias Gro depois de doença de dias.

E Cecília? O que lhe vai acontecer a ao narrador?

“Eu continuava a abraçá-la, mas afrouxei um pouco o abraço, não muito, apenas o suficiente para não a sufocar, e fechei os olhos, soltando-a devagar, sem pressa ou sofreguidão, até encontrar a medida certa do amor.”