quinta-feira, 18 de janeiro de 2024

A Costa dos Murmúrios - Lídia Jorge


https://youtu.be/hntdAH4In8k?si=mnXp2vxM_Os61jRc

A Costa dos Murmúrios - Lídia Jorge
Publicado em 1988

OS GAFANHOTOS: conto inicial (de Álvaro Sabino??) do casamento idílico de Evita com o noivo, no hotel Stella Maris, na Beira, na Costa de Moçambique, à beira do Índico. Portugal soberano e Moçambique súbdito invadido.
Muitos mortos negros no mar, avistados do terraço do Stella Maris. Pensaram que eram os senas e os changanes que se andavam a matar uns aos outros, mas não: os blacks descobriram no Porto um carregamento de álcool metílico que ia para uma tinturaria, beberam-no e morreram às dezenas (esta foi a explicação do capitão Jaime Forza Leal), entre o Chiveve e o mar. E os Dumper andavam a recolher os corpos.
Como era possível tanta estupidez?
Enquanto tudo se passava, os noivos dormiam e acordavam…
Entretanto começa uma praga de gafanhotos e sabe-se que há um branco entre os mortos. 
Chega um repórter do Hinterland ao terraço. Quer ver tudo de cima para melhor poder informar. Não o querem ali.
O noivo, alferes, oferece-se “patrioticamente” para ir levar o fotógrafo ao exterior. Morre com um tiro na cabeça. Ter-se-á suicidado. A seguir ao casamento iria lutar em Mueda.
Evita, a noiva, regressa a Portugal e o cadáver do noivo também.
(Fim do conto)

II
20 anos depois, Eva descontrai é contrária a narrativa do conto, ironicamente, a falar com um narrador não identificado, que terá sido o autor do conto. 
Relembra o Stella Maris, e como foi lá feliz nos poucos dias com o noivo. Agora já o Stella Maris está nas mãos dos moçambicanos.
O noivo chamava-se Luís Alexandre. Conheceram-se na pastelaria A Ideal das Avenidas em Lisboa quando eram estudantes.
Eva Lopo relembra os dias com o noivo na companhia do Capitão Forza Leal e a sua mulher Helena e os excessos com armas na praia a matar aves.
E relembra o general, frustrado por ser velho e estar perante a última hipótese de uma batalha a sério. Ao contrário do capitão que já tem uma cicatriz e com quem o noivo alferes anda há um ano em missão militar. E o noivo pergunta a Eva se ela gostava que ele também tivesse uma cicatriz.

Eva estará a contar ao narrador o que se terá realmente passado com ela, quando era Evita, e se terá coincidido com a breve narrativa inicial "Os gafanhotos". E parece ter anotado o que no conto estava certo e o que estava errado.

Alguém alega que os negros foram mortos por etnias diferentes para se culparem uns aos outros e aos portugueses. De facto morreram muitos por causa dos bidões roubados de álcool metílico. Mas a notícia não foi muito divulgada.

O noivo não terá concluído o curso de matemática. Eva conta que o noivo lhe contou como o capitão ganhou a cicatriz num ataque na Guiné. E o noivo sentia grande fascínio pela cicatriz.

Eva conta que jantou com o capitão e Helena e esta é submissa e ele é cruel. E Eva pergunta se não seria de evitar tal derrame de sangue. Mas como é sangue negro o capitão diz que o que ela diz não tem sentido e que os louros sul-africanos é que matam como deve ser, melhor do que os portugueses têm feito em Cabo Delgado.
E o noivo tem grande fascínio pelo capitão e pelo que ele representa.

III
O QUE NÃO FOI NARRADO EM “OS GAFANHOTOS”?
Durante 10 dias morreram blacks por causa do álcool metílico. Estranhamente até o telefonista Bernardo, que nem consta que costumasse beber.
E a teatral Helena? Eva visita-a em casa dela (que pertencia a família que fugiu para Portugal) e ela diz que devem ser solidárias até à última com os dois maridos: em Cabo Delgado preveem-se 50 baixas, no mínimo.
E no dia seguinte Helena convida Eva novamente para esclarecer que Jaime Forza Leal pusera um dedo na chama de um isqueiro e disse que só o retiraria se ela jurasse que não sairia de casa enquanto ele estivesse na guerra.
E Helena diz a Eva que esta é muito triste. Mas Eva diz ao narrador que não é nada triste.

Eva ao passear na praia encontra uma garrafa com álcool metílico, mas com um rótulo de vinho. Já no bar do black tinha visto garrafas de Old Parr com o veneno. O general teria sido o autor moral daquela mortandade para acabar com a raça dos negros?
Eva fala com o jornalista e entrega-lhe a garrafa como prova do possível crime, mas nada é publicado no jornal.

IV
Um dos negros, o de Helena, aparece morto, o Mateus Rosé. Eva procura o jornalista e pede que ele investigue e divulgue, mas ele mostra-se muito reticente.
Helena mostra a Eva dezenas de fotos com atrocidades cometidas pelo capitão e pelo noivo contra os negros.

V
Eva fala da noite em que o noivo é encontrado morto, mas no canal do Chiveve, no meio dos caranguejos.
Eva visita o Góis que está acamado e de baixa e este confirma as atrocidades do noivo.

VI
O jornalista fala das tragédias do Morais, que foi atropelado no dia em que ia voltar para Portugal, e da mulher do soldado Zurique, que ia morrendo no parto. A seguir leva-a a visitar as duas mulheres e os filhos, uma negra e uma branca.
Eva vai com o jornalista ao Moulin Rouge. Um outro jornalista que está com eles diz-lhe que o outro está interessado nela e que está a fazer-lhe ciúmes com uma puta bonita negra com quem sobe para um privado.
Eva sai de lá de madrugada com um gordo e vai com ele para a cama; descobre que o outro jornalista tem uma coluna onde não fala de nada sério e se chama Álvaro Sabino. Quando sai de manhã, Álvaro está à espera dela e diz-lhe que agora ela já pertence a Moçambique (desceu ao nível deles e da sua decadência).
O tenente Zurique regressa da guerra com a notícia de que as coisas não estão a correr bem, porque o inimigo se esconde, não dá luta. É só se renderam aos portugueses uma velha e uma adolescente.
Morre o pianista do Moulin Rouge, também envenenado com álcool metílico.
Mão criminosa o roubou do porto e o engarrafou. E mão criminosa o pusera no copo do pianista.
Ocorre uma gincana automóvel, uma manifestação contra a morte do pianista e contra a soberania dos turras: querem expulsá-los para o mato; outras gincanas ocorrem, partem os vidros do Stella Maris.
E o general quando regressa discursa no Stella Maris.

VII
O jornalista convida Eva para viver com ele e abandonar o Stella Maris onde corre perigo por causa das gincanas. 
Quem criou o crime não previu que matasse brancos, como o pianista.
Eva sabe que o medo obsessivo de Helena de que em Cabo Delgado o capitão morra é afinal um desejo: ela deseja que uma mina rebente sob os pés do capitão e a liberte.
O revólver que o noivo tinha terá sido dado por Helena?
Helena confessa a Eva que foi com o seu revólver que o capitão matou o homem que ela amava, um amante despachante (roleta russa: um deles estava a mais, disse o capitão) que ela denunciou, ameaçada pelo capitão.

VIII
VER PÁGINA 222: bom exemplo da qualidade da escrita!
VER PÁGINAS 223 e 224: maus exemplos exagerados de escrita
Helena convida Eva para a cama mas esta recusa, vai-se embora e vai desabafar e fazer sexo com o jornalista. E envolve-se com ele.
Mas os soldados voltam. Morreram só 35. Vêm de peito cheio convencidos de que quando os americanos perdessem a guerra no Vietnam, Portugal teria há muito vencido a guerra das suas províncias.
Mas como se vai passar à autonomia branca nas zonas em que os soldados portugueses venceram?
Luís Alex voltou também: esteve dois meses e meio num buraco escuro e agora chora. A campanha foi um bluff ao contrário do que apregoa o general! A qualquer momento o inimigo vai invadir as cidades vizinhas. Os soldados tiveram de lutar uns contra os outros para fingir qua havia guerra brava e que os portugueses estavam a ganhar.
Luís Alex está um farrapo com os nervos descontrolados. Evita quer dizer-lhe que lhe foi infiel e que o vai deixar, mas… Ele diz que se um dia ela o traísse a mataria como fez o capitão ao despachante com quem Helena o traiu.
O noivo e o capitão queimaram a caixa com as fotos e provas das crueldades que fizeram contra os negros. 
Parece saber-se do adultério de Eva. O capitão parece instigar Luís a vingar-se de Eva e do amante jornalista.
Terá sido o capitão que roubou os bidões do Porto e os engarrafou para que os black se matassem…
O jornalista fugiu para Lisboa por ter medo de ser morto por ser contra a guerra colonial e por se ter envolvido com Evita.

Três dias depois, o noivo apareceu, morto numa praia. O descapotável estava perto, estacionad.

REFERÊNCIAS:
A versão contada em Os gafanhotos não tem nada a ver com a versão de Eva.

No livro, Sabino era mulato. No filme é branco.

Onde cabiam os que não embarcavam na ilusão do bom domínio dos portugueses? 
Eva tenta distanciar-se e alcançar alguma justiça para os que sofrem barbaridades.

O Massacre de Wiriyamu: 1972

O general será Kaúlza de Arriaga?
Como militar, esforça-se na reforma dos sistemas de recrutamento e de treino, preocupa-se com a modernização dos transportes aéreos militares e incentiva o Corpo de forças Pára-quedistas e a sua integração na Força Aérea. Fica conhecido principalmente pelas campanhas militares que comanda em Moçambique, durante a Guerra do Ultramar, sobretudo na grandiosa Operação Nó Górdio (1970), que resulta num enorme sucesso militar que chega a ser publicamente admitido pela FRELIMO.
Colaborador fiel de Oliveira Salazar e de Marcelo Caetano, Kaúlza teve várias funções de carácter civil e militar, como a de Chefe de Gabinete do Ministério da Defesa, de Subsecretário de Estado da Aeronáutica, de professor do Instituto de Altos Estudos Militares, Presidente da Junta de Energia Nuclear (JEN) (1967-1969), de presidente executivo da empresa de petróleos Angol SA, de comandante das forças terrestres em Moçambique. Reassume as funções de Presidente da JEN (1973-1974). Depois do 25 de Abril de 1974, cria o Movimento para a Independência e Reconstrução Nacional (MIRN) (1977), partido de extrema-direita do qual é presidente, e que é extinto a seguir as eleições legislativas de 1980.
Como escritor, escreve vários livros como a "Energia Atómica" (1948), "The Portuguese Answer" (1973), "Coragem, Tenacidade e Fé" (1973), "No Caminho das Soluções do Futuro (1977), "Estratégia Global (1988), "Maastricht - Pior ainda que o 25 de Abril?" (1992).




quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

Pulp - Charles Bukowski


Nick Belane é contratado pela Senhora Morte por 240 dólares para encontrar Celine, recomendado por John Barton.

Barton liga a Nick para o contratar para encontrar o Pardal Vermelho. Dá-lhe 100 dólares para o resto da vida, se o encontrar.

McKelvey, o caseiro de Nick quer expulsá-lo porque acabou o contrato de arrendamento. Nick dá-lhe um murro na barriga gorda e rouba-lhe o cartão de crédito.

Entrou na livraria do Red e estava lá o Celine, que saiu e meteu-se num táxi. A seguir foi à procura dele ao Musso’s.

A Morte paga um ano do contrato de arrendamento de Nick.

Nick aposta num cavalo, mas deve 475 dólares ao corretor de apostas, Tony.

Os capangas de Tony, Fante e Dante, vêm cobrar a dívida e a Morte livra Nick deles.

Jack Bass, marido de uma gaja de 25 anos, Cindy, quer que Nick prove que ela o anda a trair. Seguiu-a no dia seguinte, mas a polícia mandou-o parar por excesso de velocidade. Entrou num bar e um assaltante matou o velho barman e o colega dele. 

Em casa é visitado pelo vizinho carteiro: dá-lhe um murro e enfia-lhe um vidro na boca.

No dia seguinte segue Celine e vê que ele vai a casa de Jack Bass: entra e descobre Cindy a comprar um seguro de vida a Celine. Agride-o e foge.

Celine ameaça Belane com a polícia e este prende-o e ao capanga na casa de banho. A seguir vai atrás de Cindy.

Em casa de Cindy. Ela está a fazer com Jack Bass e este dispara contra Nick quando ele os descobre na cama. Nick foge. 

Um tal Grovers contrata Nick por causa de uma extraterrestre, Jeannie Nitro, que o persegue. Grovers tem uma funerária ou uma casa mortuária. Nick acha que Jeannie quer transferir extraterrestres para o corpo dos mortos.

No hipódromo: Celine contrata Nick para descobrir qual o verdadeiro nome da Senhora Morte.

Na casa mortuária de Grovers: Nick investiga os mortos dentro dos caixões. Tem visões e vê dentro de um caixão o seu próprio cadáver e acha que é a Jeannie que lhe provoca essas alucinações.


Vai ao psiquiatra, mas engana-se na porta? Sente que todas estas investigações são imaginação dele. 

Combina um encontro com Celine e a Senhora Morte: ao sair do bar ele Celine, que era o verdadeiro, nascido em 1894, foi atropelado e morreu.


A Jeannie vem ao seu escritório: é uma cobra estranha extraterrestre disfarçada de mulher boa. Quer contratá-lo para a causa dos demasiados habitantes do seu planeta Zaros que precisam de espaço na Terra.

Nick telefonou a Jack Bass a dizer que Celine estava morto e que não voltaria a comer Cindy. Bass pede-lhe que continue a investigar se há mais.

Seguiu Cindy e ela foi para um motel com um tal Billy, bastante jovem. Nick entrou no quarto e filmou-os a foder. Billy ameaça-o, Nick dispara mas Billy saca a bala do corpo sem lhe ter acontecido nada. A seguir dá uma coça a Nick. Mas Jeannie apareceu. Billy era o namorado extraterrestre. E ela eliminou-o. E foi-se embora avisando Nick de que ele era defensor da causa dos de Zaros. 

Nick ameaça Cindy de que se ela não se portar na linha a entrega a Jack Bass. 

Vai a um bar. A Senhora Morte e Jeannie sentam-se ao lado dele e ele apresenta-as.

Jeannie despede-se: ela e os outros extraterrestres desistiram de colonizar a Terra poluída e imoral.

Falta descobrir o Pardal Vermelho. Entra num bar e um tal Amos Redsdale vende-lhe uma morada.