A lenda do Cavaleiro da Dinamarca conta a história, que aconteceu há centenas de anos, no século XVI, de um nobre dinamarquês que vivia naquele frio e gélido país do Norte da Europa.
Vivia numa casa numa clareira rodeada de bétulas. Em frente da casa havia o maior Pinheiro da floresta.
A maior festa e a mais desejada era o Natal. Terminada a ceia, contavam-se histórias nórdicas e religiosas
Numa dessas noites de Natal, o Cavaleiro, reunido com toda a sua família à volta da lareira, anunciou que tinha decidido partir em peregrinação até Jerusalém, na Terra Santa, para passar o Natal seguinte na gruta ondeJesus nasceu.
A longa viagem, que começaria na primavera, não permitiria ao Cavaleiro passar o Natal seguinte em família, mas prometeu que, realizada a viagem, voltaria, dali a dois anos, a tempo da noite de Natal
VIAGEM DE IDA
O Cavaleiro partiu de barco e chegou muito antes do Natal à Palestina.
Depois seguiu com outros peregrinos para Jerusalém.
Chegado a Jerusalém, rezou no Monte do Calvário e no Jardim das Oliveiras, banhou-se nas margens do rio Jordão e passou a noite de Natal na gruta de Belém, felicíssimo, a rezar e a chorar, emocionado.
Demorou-se cerca de dois meses na Palestina.
Em fins de fevereiro partiu para Jafa, com outros peregrinos. Entre eles, havia um mercador de Veneza com quem fez amizade.
Só partiram em meados de março.
Houve uma enorme e perigosa tempestades o cavaleiro pensou que ia morrer. Mas cinco dias depois a tempestade acalmou.
Conseguiu chegar a Ravena, no sul de Itália. O mercador convidou-o para ir conhecer Veneza, uma das cidades mais poderosas daquela época, à beira do mar Adriático.
VENEZA
O Cavaleiro ficou hospedado, durante algum tempo, no palácio do mercador em Veneza.
O Cavaleiro deliciou-se com a Praça de São Marcos e com os muitos monumentos da linda cidade e com as mercadorias mais exóticas de todo o mundo que por ali passavam.
Passearam de gôndola, nos canais, e visitaram igrejas e monumentos. Viveram dias de festa e fartos jantares.
JACOPO ORSO, VANINA E GUIDOBALDO
Um dia, num jantar entre amigos, o Cavaleiro viu um palácio e perguntou de quem era.
O mercador contou a história de Jacopo Orso e da sua pupila Vanina, com quem o tutor queria casar um dos seus familiares, Arrigo, um homem velho e sem encantos.
Quis no entanto o destino que Vanina se apaixonasse, numa noite de lua cheia, por Guidobaldo, um capitão de um navio. Este, que passava de gôndola, vendo, durante algum tempo, Vanina pentear o seu longo cabelo dourado na varanda, elogiou-lhe a beleza. Em agradecimento, Vanina atirou-lhe o seu pente de marfim e ele no dia seguinte veio oferecer-lhe um de ouro.
Mais tarde, fugiram juntos num navio, rumo à felicidade.
NORTE DE ITÁLIA
Passados alguns dias, o Cavaleiro decidiu partir e o mercador ofereceu-lhe um cavalo que o levou pelo Norte de Itália. Visitou Ferrara, Bolonha.
FLORENÇA, A CIDADE DO CONHECIMENTO
Em maio, o cavaleiro alojou-se em Florença antes de se dirigir a Génova.
Admirou a arquitetura e arte.
EM CASA DO BANQUEIRO AVERARDO
Ficou hospedado em casa do banqueiro Averardo, com uma biblioteca enorme e maravilhosos quadros.
Ao jantar ouviu homens sábios a falar sobre a astronomia, pintura, arte.
GIOTTO
Ouviu Filippo a contar as maravilhosas histórias do pintor Giotto e do seu mestre Cimabue, o primeiro pintor de Itália: este descobriu os desenhos nas rochas pintadas por Giotto, um pastor de 12 anos, e levou-o para Florença para o ensinar.
DANTE E BEATRIZ
Ouviu também a história de Dante, o maior poeta de Itália e do amor deste por Beatriz, desde os 9 anos. Ela era a mais bela menina de Florença, de olhos verdes e cabelos louros, prematuramente falecida.
O poeta começou então uma vida de aventuras e erros.
Um dia, em abril de 1300, o poeta encontrou três animais (um leopardo, um leão e uma loba) e a sombra de Virgílio, um poeta romano morto há mais de 1000 anos, que o guiou ate ao lugar onde a irá encontrar. Passaram pelos abismos do inferno e chegaram ao Purgatório e depois ao Paraíso, onde Dante viu de novo Beatriz, num carro puxado por um ser metade leão e metade pássaro.
A “Divina Comédia” é o livro poema que Beatriz pediu a Dante que escrevesse a narrar tudo o que viu no submundo, para ensinar os homens que o mal é mau e o bem é bom.
O banqueiro convidou a Cavaleiro a ficar, mas este recusou.
GÉNOVA
Em seguida, o Cavaleiro tentou tomar um navio em Génova, mas adoeceu antes de chegar a esta cidade, por causa do sol ou da água insalubre, recolhendo-se num convento, onde esteve quase a morrer, mas foi tratado pelos monges com ervas e plantas naturais, durante um mês e meio.
É só um mês depois, já em fins de setembro, conseguiu chegar a Génova, já todos os barcos tinham partido para a Flandres.
REGRESSO A CAVALO
O Cavaleiro decidiu então retomar, a cavalo, a sua viagem de regresso, em direção ao norte, Bruges.
Atravessou os Alpes, a França e chegou à Flandres já era inverno.
ANTUÉRPIA
Em Antuérpia, foi recebido por um negociante amigo de Averardo.
Num jantar, conheceu um capitão que lhe mostrou três cofres: um com pérolas, outro com ouro, e o terceiro com pimenta, todos trazidos de uma viagem da rota dos Portugueses pela África.
A seguir o capitão narrou as suas viagens, nomeadamente nas caravelas portuguesas que desceram a costa africana, passando pelo Bojador, capitaneadas por Pêro Dias, e os encontros com os nativos negros. Contou por fim a luta de morte entre Pêro Dias e um negro e o espanto por o sangue de ambos ser da mesma cor.
Também o negociante convida o Cavaleiro a ficar e a capitanear um dos seus navios, mas este recusou.
Decidiu partir, por terra, já que o inverno impedia os barcos de navegarem.
DE NOVO NA DINAMARCA, PERTO DE CASA
No dia seguinte, o Cavaleiro, já muito atrasado, partiu a cavalo e, depois de longas semanas de sacrifício, no dia 23 de dezembro, véspera de Natal, chegou a uma povoação a poucos quilómetros da sua casa..
Aqueceu-se na casa de uns conhecidos, na floresta e, quando já estava a anoitecer, partiu com intenção de cumprir a sua promessa.
Mas o escuro e a neve, que entretanto tinham caído, apagaram todos os trilhos dos caminhos e o Cavaleiro perdeu-se naquela floresta que tinha mudado naqueles dois ano de ausência.
Conseguiu chegar a uma aldeia de lenhadores que o reconheceram e ajudaram.
Numa noite escura, onde apenas se distinguiam os olhos dos lobos e se ouvia o som de um urso que se aproximava, o Cavaleiro pediu ao urso uma trégua, naquela noite santa de Natal, e ele afastou-se. Por isso, o Cavaleiro avançou, mas, como não encontrava a casa, começou a rezar.
E viu ao longe uma claridade que pensou ser uma fogueira feita por algum lenhador.
Mais animado, prosseguiu a viagem e, ao aproximar-se, verificou que a claridade, que se tornava cada vez mais intensa, iluminava tudo à sua volta. Foi então que o Cavaleiro deparou, muito surpreendido, com a sua casa e com o grande pinheiro/abeto do seu jardim iluminado, em forma de cone, que os anjos tinham enfeitado com milhares de estrelas para lhe mostrar o caminho.
Foi assim que nasceu a tradição do pinheiro de Natal, decorado e iluminado, que a família do Cavaleiro, em memória daquela ajuda divina, passou a fazer todos os anos.
Da Dinamarca, este costume espalhou-se para o resto do mundo.