1987??
O meu tio Benn, especializado em anatomia e morfologia das plantas, “botânico de elevado nível de distinção”.
Eu próprio sou académico: professor assistente de literatura russa. Estudei russo em Paris, emigrei para os EUA e estabeleci um relacionamento com o meu tio Benn.
O meu tio era uma pessoa mágica para mim quando eu era miúdo.
A minha mudança para o Midwest foi interpretada pelo meu pai como uma rejeição. E a minha mãe abandonou-o também.
A minha mãe é voluntária médica perto de Djibuti.
O meu pai vive em França, é reformado, no bulevar de Sébastopol. Tinha uma reforma da Unesco, além de ações da firma de Pittsburgh que o contratara, nos primeiros anos, para a representar nos países francófonos do Terceiro Mundo. Teve muito sucesso com as mulheres.
Viajo imenso, mas não tanto como o meu tio. Viajo principalmente para Washington ou Nova Iorque.
O meu tio ficou viúvo há 15 anos, de Lena a sua primeira mulher. Eu tive de vir para a América por isso.
O meu único objetivo é proteger a sua vida. Tenho 30 anos e sou dependente dele.
Tenho uma filha, mas Treckie, a mãe dela, levou-a para Seattle. Nunca casei com Treckie.
Em certo sentido, o meu tio tornara-se meu pai.
O dom do meu papá tinha sido representar Eros, o que transtornara a minha mãe.
Estive em França no último natal.
Antes de casar com Matilde Layamon, o meu tio Benn teve vários relacionamentos amorosos.
Para o papá, Benn é um trapalhão, um incompetente.
Irrita o meu pai pensar que o meu francês perfeito se desperdiça nos EUA.
Abandonei Paris para viver junto do tio Benn. Ele era família para mim. Uma vez por mês voo para Seattle, a fim de ver a minha filhote, Nancy.
Tenho um outro tio, Harold Vilitzer.
Página 59:
Caroline Bunge gostaria de se casar com o meu tio Benn.
Vou com ele para Kioto
Treckie, a mãe da minha filha, é uma mulher “petite” apetitosa, inteligente, licenciada em Biologia.
A minha sogra não soube do nascimento da neta. Foi Treckie que não se quis casar e pediu transferência para Seattle.
Entretanto, o meu papá está a declinar: perde-se a conduzir e tem falhas de memória.
Fui visitar Treckie. Tinha nódoas negras nas pernas, como quando a conheci. Eu nunca tinha sido capaz de ser agressivo com ela, como ela aparentemente gostava.
Yermelov foi o meu primeiro professor de russo.
Página 75:
O tio parou em Seattle para nos reunirmos e partimos para Tóquio e Kioto.
O meu tio conhecera Caroline num hotel de jogo em Porto Rico. Ele tinha um fraco por mulheres belas e ela já o tinha sido.
Agora, ele já desistiu de se casar com Caroline Bunge e escolheu-me, eu, Kenneth Trachtenberg.
O meu tio teve um caso com a vizinha, Della Bedell. Ela foi a casa dele pedir uma lâmpada e ofereceu-se-lhe. Ele acedeu e ela quis mais nos dias seguintes mas ele ignorou-a e refugiou-se uns dias no Brasil. Quando voltou ela tinha morrido: não sabe se se aplica a ela a frase “morrem mais pessoas de mágoa do que de radiações”.
Vamos no avião. O meu tio sente-se detestável por ter abandonado Caroline no que deveria ter sido o dia do seu casamento.
Em Tóquio apanhamos o comboio-bala para Quioto. Instalámo-nos no Tawaraya Inn. Vestíamos quimonos e dormíamos no chão. Nem cadeiras, nem mesas, nem jornais, nem livros.
Mais tarde, nesse ano, visitei a minha mãe na África Oriental. Ela falou-me da juventude do meu tio, pouco feliz com as raparigas. Ela acusava-o de me desencaminhar de uma carreira de maior sucesso. Ela não tinha a mínima pista de que o seu irmão era um Cidadão da Eternidade. A minha humildade com Treckie indignava-a. Um homem como o meu pai nunca se teria atirado a uma mulher como Treckie.
Páginas 107-108:
Alguns colegas mais novos japoneses convidaram-nos para uma festa noturna numa casa de strip: jovens misses Osaka, Yokohama, Nagasaqui,..., desfilaram, em gaiolas, vestidas de teenagers estudantes e depois do strip tease, abriram os joelhos e acariciaram-se em frente às dezenas de homens executivos que seriamente as observavam. O meu tio ficou chocado.
No Natal seguinte casou com Matilda Layamon. Não sei porque o fez, se o que queria era calma e ordem.
Página 115:
Matilda era uma das muitas raparigas europeias bonitas que a minha mãe aconselhava e recebia em festas em nossa casa, em intercâmbios. Seria uma espécie de teste que ela fazia à fidelidade do meu pai ou não punha a possibilidade de ele se sentir atraído por elas?
Quando Matilda se casou com o meu tio comunicou-o à minha mãe.
A minha mãe escreveu-me da Somália a dizer que estava na altura de eu casar também, talvez com Dita Schwartz, mas era agora que o meu tio precisava mais de mim.
Fui eu que apresentei Matilda ao meu tio. Ele decidiu casar sem me dizer nada antes e eu senti-me traído. O meu tio era mais meu do que o meu pai e a minha mãe, casal fechado num círculo próprio.
O meu tio não me parece muito feliz com a ideia do casamento. Irá abandonar a vida devassa. Pediu-me para eu ficar no apartamento dele, uma vez que ia viver com Matilda no Roanoke.
A estranha mudança na vida do meu tio, enquanto noivo: passava o tempo na Parrish Place, a mansão da família de Matilda, conversas com os sogros ricos, sobre assuntos a que teria de se adaptar. Matilda é uma mulher inteligente, vivida e com uma personalidade forte. E a jactância do sogro, com revelações que o meu tio preferia não ter sabido sobre o passado revolucionário e hippie punk de Matilda.
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E a profusão de comentários do sogro a elogiar e a depreciar a filha e a apreciar o meu tio (até olhou por cima do urinol para ver a sua “ferramenta” e aprovou-a. Os dias que passou com Matilda em casa dos sogros foram penosos: Benn sentia-se fora do seu meio, um noivo desorientado.
O meu tio Benn abandonou a noiva Caroline no dia do casamento.
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O pai de Matilda encarregou Chetnik, um juiz que decidiu um processo contra o meu tio Benn, a favor do tio do meu tio, Harold Vilitzer, e que casou Benn com Matilda, de recuperar o dinheiro que o meu tio Benn perdeu para Harold Vilitzer, para pagar a restauração do Roanoke, para onde o meu tio Benn irá viver com Matilda.
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Marquei um encontro com Fishl Vilitzer, primo do meu tio Benn, um trafulha que não se dá com o pai, Harold Vilitzer. E ele explicou que o pai de Matilda, o velho Layamon, convidou Chetnik para lhe casar a filha, para que este reabra o processo da Electronic Tower é assim possa recuperar os milhões de dólares para o meu tio Benn e, por inerência, para Matilda. Além disso, o governador Stewart quer ver o velho Vilitzer na prisão para alargar o seu poder.
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Eu, com 35 anos, ia tentar zelar pelos interesses do meu tio.
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A minha relação com Dita Schwartz, complexada com a sua pele, mas mais interessante do que muitas das minhas outras mulheres, apesar de um pouco menos atraente.
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A mãe de Treckie, Tanya Sterling, propõe-me juntar-se a mim para ficarmos com a minha filha, Nancy, alegando que a mãe não a está a criar devidamente.
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Depois de o sogro o passear pelo hospital a ver velhas nas camas, parece propor ao meu tio que enfrente Vilitzer. O meu tio apenas quer “assentar com uma mulher afetuosa”.
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Pelos vistos, apesar de se terem casado, Matilda e o meu tio não parecem ser o homem e a mulher da vida um do outro: ver episódio do xerife bêbedo.
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O meu tio enfrentou Harold Vilitzer para lhe propor que ele lhe devolvesse 2000000 de dólares. O velho tentou dar-lhe um soco e recusou.
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Matilda recusou abdicar de ficar com os milhões de Harold Vilitzer que acha que o meu tio Benn tem direito. Harold ficou afetado fisicamente com o episódio. O meu tio decide ir vê-lo à Florida antes que morra, antes de ir de lua de mel para o Brasil.
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Consigo que Treckie me deixe ficar com a minha filha Nancy. Conto criá-la com Dita. Nancy tem 3 anos.
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Vilitzer morreu e foi cremado. O meu tio desistiu de ir para o Brasil e de Matilda e foi para o Pólo Norte, observar líquenes.