Morte por saudade: reflexão acerca da ideia de que a única plenitude possível é a plenitude suicida. Quando o narrador era jovem uma vagabunda pede uma moeda às mulheres que passa e sussurra algo; o jovem veste-se de mulher para saber o que ela sussurra “nós somos todas umas ociosas”. Na atualidade, o narrador, ainda jovem, com uma esposa bonita e inteligente e duas filhas, deambula por Lisboa, com tentação suicida; relembra o amigo de juventude, Horácio, cujo avô, corajoso aventureiro, se suicidou com um tiro na boca, e cuja família tinha um longo historial de suicidas.
À procura do duo elétrico: “Não sei lá muito bem o que me aguarda, mas, seja como for, irei até lá a rir-me” - Stubb, in Moby Dick
Rosa Schwarzer volta à vida: uma vigilante do Museu de Dusseldorf fez 50 anos, ignorada pelo marido, que a trai com a vizinha, e pelos dois filhos, sente-se atraída pelo som do tam-tam do país dos suicidas: três hipóteses de suicídio, goradas devido à pena que tem do filho Hans. No dia em que fará um almoço de aniversário, decide entrar sozinha num bar. Aí conhece um bêbedo de 30 anos, também chamado Hans, com quem conversa: conta-lhe os seus desejos suicidas, convida-o para passear pelo parque. Sentiu-se feliz. Quando voltou a casa, nem o marido nem os filhos estavam, nem sequer se tinham lembrado do almoço de aniversário. Novamente solitária. Ao jantar, revolta-se contra o marido e os filhos. No dia seguinte, no museu, engole uma cápsula de cianeto, ou de whiskey, não sabe...
A arte de desaparecer: Anatel, um escritor que se quer manter no anonimato, vai viver para a ilha de Umbertha, onde se casa com Yhma, com quem tem cinco filhos. Nesta ilha, os pesquisadores de talentos ocultos, só estão interessados em possíveis glórias nacionais e descartam os génios estrangeiros...
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