quarta-feira, 21 de outubro de 2020

O Conhecimento dos Anjos - Jill Paton Walsh

Basta (um leitor) abrir um livro para encontrar Hamlet a preparar-se eternamente para assassinar o tio, ao passo que, do ponto de vista de Hamlet, ele cometeu o ato, morreu e jaz há todos estes séculos junto de Yorick. O leitor está a olhar muito para trás - para um tempo anterior aos grandes navios, às estradas alcatroadas e a todas as profundas cicatrizes deixadas no solo por mais que a força dos músculos; está a olhar para um tempo no eterno presente, algures nos vagarosos séculos do passado profundo.

(O leitor) Está agora a ver um grupo de homens ainda jovens, uma fila de burros, que sobem lenta e laboriosamente por um caminho na montanha, ao mesmo tempo que, muito acima deles, um outro homem desbrava terreno por entre fendas e cristas, envolto nos mantos escuros que os pastores costumam usar, descendo em direção ao mesmo destino. A subida é visível não só pela sua observação serena, mas também pelos corpos esforçados desses homens, à medida que a sua ascensão dolorosa vai prosseguindo. Estarão a subir sempre que o leitor ou qualquer outra pessoa abra este livro e o leia; contudo, para eles, essa subida é irrevogável; cada passo que dão, assim que o dão, pertence ao passado.



1. Ilha de Grandinsula. 

Um grupo de 12 homens, com burros, os “nevados”, sobe aos picos gelados, para recolher gelo, para vender nas cidades do vale.

Jaime, um jovem pastor pede-lhes ajuda para capturar uma “coisa” que anda a matar as ovelhas. Galceran e os amigos, com os 3 pastores, capturam a “coisa”: uma menina-selvagem. Juan leva-a numa jaula.

2. Os pescadores Miguel e Lázaro salvam um náufrago que nadava para o Porto de Ciudad: Palinor, da cidade de Aclar, ateu, acaba na prisão da cidadela província, por ordem do prefeito.

3. Jaime veio, de San Jeronimo, pedir ao padre de Ciudad que o ajudem para impedir que a menina-selvagem morra, enjaulada por Juan, sem ser batizada. É levado ao cardeal Severo, que pede ao frade Rafal que vá com Jaime buscá-la.

4. Uma ordem da Assembleia Consistória chegou ao prefeito da cidadela provincial para transferir o ateu Palinor para Ciudad, sob escolta. 

Palinor conta aos 3 membros do Tribunal Consistório que caiu de um de 7 navios, é um príncipe, pelos seus feitos e conhecimentos de engenharia. Terá de apelar ao príncipe-cardeal para conseguir a liberdade.

5. Na estrada de Ciudad para San Jeronimo, fica o mosteiro de Galilea, local de ensino e de devoção. Severo e Beneditx estudaram ali. Beneditx escreve um tratado sobre o conhecimento dos anjos. Severo chama-o para tomar uma decisão.

6. Severo e Beneditx debatem acerca dos mistérios de uma bebé cigana por batizar, um homem ateu e uma menina-selvagem...

7. Josefa, filha de Taddeo, vai para o convento de Santa Clara: prefere isso a suportar a nova madrasta, Margalida, quase da idade dela.

8. Severo e Beneditx decidem ensinar a menina-selvagem a falar: assim irão provar que Deus existe nela também, inatamente e poderão punir o ateu Palinor

9. Batizam Amara, a menina-selvagem. Severo obriga Jaime a partir e a esquecê-la. Ele diz que não sabe se é capaz.

10. Severo e Rafal levam Amara para o mosteiro de Santa Clara: Josefa oferece-se para a alimentar.

11. Tentativas das freiras de domar Amara.

12. Um grupo de caçadores aloja-se no mosteiro e por causa dos cães Amara foge para a floresta.

13. Palinor ficará pelo menos 1 ano na Casa do Sarraceno, “prisioneiro” de Severo.

14. Ao fim de 7 dias os caçadores trazem Amara: talvez esteja grávida de dos pastores que abusaram dela depois de a apanharem por ter morto um carneiro.

15. Debate inútil sobre a verdade de Deus, entre Palinor e Beneditx.

16. O médico judeu Melchior e Josefa conseguem sarar Amara que esteve quase a morrer de malnutrição. Josefa adoece.

17. Debate inútil sobre a verdade de Deus, entre Palinor e Beneditx.

18. Amara cresce, aprende palavras, ganha afeição a Josefa, mas mantém uma enorme tendência para o isolamento.

19. Severo vai visitar a Casa do Sarraceno e fica deslumbrado com as águas alteradas por Palinor

20. Josefa e Amara vão à praia. Severo, Beneditx e Palinor continuam o inútil debate.

21. Grupos de pessoas vão ao convento: querem ver a menina-lobo. Jaime surge.

22. Sexo lúbrico entre Palinor, Dolca e Jofre.

23. Surge o cardeal, inquisidor Frei Dâmaso Murta.

24. Palinor instala a dúvida em Beneditx.

25. Severo e Frei Murta perguntam a Amara se havia Deus nas montanhas. Ela nega.

26. Frei Murta aguarda.

27. Jaime procura saber quem abandonou Amara nas montanhas.

28. Severo entrega Palinor a Frei .murta. Amara tinha uma irmã que matou em bebé.

29. Frei Murta leva Palinor para a prisão e exige-lhe que confesse que já acreditou em Deus para evitar ser queimado vivo.

30. Amara foge ao ver a Cruz de Cristo.

31. Rafal procura saber se existe o país de Aclar. Também Jofre procura saber isso.

32. Severo propõe a Palinor que finja que começou agora a acreditar em Deus.

33. Taddeo quer que Josefa volte para casa, porque a jovem esposa está doente. Frei Murta, Severo e um séquito voltam a interrogar Amara: está, instruída por Josefa, diz que sim, que nas montanhas havia um espírito bondoso que a salvou.

34. Palinor é torturado e cede.

35. Jaime promete cuidar de Amara e torná-la um dos “nevados”.

36. Como Palinor cedeu, Severo não o podia salvar. Beneditx angustia-se.

37. Palinor é queimado.

38. Jaime deixa Amara no cimo da montanha, numa cabana. Quando pele se vai, ela sobe, sobe,...


sábado, 17 de outubro de 2020

Novela de Xadrez - Stefan Zweig



Os passageiros de um navio que parte de Nova Iorque com destino a Buenos Aires descobrem que a bordo segue com eles o campeão do mundo de xadrez, um homem arrogante e pouco amigável. Rapidamente se forma um grupo que procura testar os seus conhecimentos de xadrez jogando com o campeão, apenas para conhecer uma clamorosa derrota. É então que um misterioso passageiro avança para os aconselhar, e o rumo dos acontecimentos se altera. Onde adquiriu ele este domínio extraordinário do jogo do xadrez, e a que custo? Nesta extraordinária novela psicológica o autor oscila, com inigualável mestria, entre um enorme suspense e uma reflexão pungente sobre o nazismo.

Austríaco de ascendência judaica, Stefan Zweig nasceu em 1881 e é um dos mais importantes autores europeus da primeira metade do século xx. Dedicou-se a quase todas as atividades literárias: foi poeta, ensaísta, dramaturgo, novelista, contista, historiador e biógrafo. A crescente influência do nacional-socialismo na Áustria e a instauração do chamado «austrofascismo», regime fundado pelo Chanceler Engelbert Dolfuss e que se baseava na ideologia fascista de Mussolini, levam-no a abandonar a Áustria. Emigra para Inglaterra acompanhado da sua secretária Lotte — com quem se virá posteriormente a casar — e torna-se cidadão inglês em 1940. Receando não ser distinguido dos alemães e julgando correr o risco de ser considerado um enemy alien, decide partir para o Brasil, obtendo ali um visto permanente. Estabelece-se em Petrópolis, onde, recatado e isolado do bulício do Rio de Janeiro, continua a trabalhar: escreve um breve ensaio sobre Montaigne, termina a autobiografia O Mundo de Ontem e redige a Novela de Xadrez como o seu derradeiro testamento literário. É aí que se suicida com a sua mulher, Lotte Zweig, a 23 de fevereiro de 1942, pouco depois de enviar o manuscrito desta Novela de Xadrez para várias editoras.

sábado, 3 de outubro de 2020

El Mal de Montano - Enrique Vila-Matas


 “Decía Walter Benjamin que en nuestro tiempo la única obra dotada de sentido - de sentido crítico también - debería ser un collage de citas, fragmentos, ecos de outras obras.” (p. 124)

O narrador é um escritor e crítico literário que visita Montano, seu filho, em Nantes, em 15/11/2000. Montano é também um escritor, que ficou bloqueado, paralisado, «ágrafo trágico», convencido de que nunca mais conseguirá escrever. Vive com Alline.

A conselho de Montano, o narrador tinha lido «Prosa de la frontera propia», novela de Julio Arward, que ele considera ser um duplo de Justo Navarro. O protagonista é Cosme Badía.

Montano pensa que a memória de Júlio Arward se infiltrou nele e que, através dela tem também acesso à memória de Justo Navarro; esta confusão de duplos impede-o de ser original, daí a paralisia literária.

Montano considera que Justo Navarro já foi um duplo do narrador, o seu próprio pai.


O narrador sofre do mal oposto: não consegue desligar-se da literatura e da sua mania de contextualizar a vida literariamente. Vive em Barcelona, casado com Rosa. Visitar o filho acabou por se revelar pior.


Montano deixou de conseguir escrever depois de publicar um livro sobre escritores que deixaram de escrever, como, por exemplo, Jacques Vaché.


Montano é filho da primeira esposa do narrador, María, já falecida.

Rosa critica o narrador por causa da sua obsessão.

Entretanto, o narrador concentra-se menos em si e mais na responsabilidade de lutar contra a morte da literatura. 

Decide ser a memória do conto de Montano. Quer também concentrar-se no tema do que é a essência da literatura.

Será que a literatura irá acabar um dia?


Na ilha do Pico. Rosa faz um documentário sobre os baleeiros. O narrador e o seu amigo Tongoy passeiam: este tem 74 anos, é muito feio, chama-se verdadeiramente Felipe Kertesz.

Estará Tongoy apaixonado po Rosa?

Vão visitar o Teixeira, antigo literato, atual professor de riso...

Na manhã seguinte Rosa descobre que o narrador continua a investigar o mal de Montano e reage intempestivamente. Fodem e o narrador parece esquecer ou atenuar a sua obsessão pelo mal de Montano.

Rosa despreza os que acham que a literatura está em crise.


2.Diccionario del tímido amor a la vida


O narrador vai a Budapeste. 


Escreveu uma novela, entretanto, «El Mal de Montano», na qual inseriu alguns factos fictícios: por exemplo, Rosa não é realizadora de cinema, mas agente literária; foram ao Pico, mas de férias (para conhecerem o Peter Café Sport, no Faial, descrito no livro; o narrador não é crítico literário, mas sim escritor.


P. 125: Quando escreveu a sua primeira novela, Necrópolis Errante, a sua mãe disse-lhe que se fosse ela dar-lhe-ia o título de Teoría de Budapeste, porque não havia nela nem teorias nem qualquer referência a Budapeste.

Rosario Girondo é o nome da sua mãe, que escreveu um diário lido postumamente pelo narrador, no qual ela revelava a sua vertente poéticas e uma faceta secreta: o ódio pelo marido, pai do narrador.

O narrador assina os seus livros com este “matrónimo”.


Nesta segunda parte, vai comentar os diários de vários autores, incluindo Cesare Pavese e Fernando Pessoa / Bernardo Soares / o Livro do Desassossego.


“Escribir”, dice Lobo Antunes, “es como drogarse, se empieza por puro placer, y acabas organizando tu vida como los drogados, en torno a tu vicio. Y ésa es mi vida. Hasta cuando sufro lo vivo como un desdoblamiento: el hombre está sufriendo, y el escritor está pensando en cómo aprovechar este sufrimiento para su trabajo.”


3. Teoría de Budapeste

Num discurso em Budapeste sobre o diário pessoal como forma narrativa.


“Monsieur Tongoy, con Rosa sin poder oírnos, me dijo que de continuar yo obsesionado con la muerte de la literatura y disfrutando poco del viaje y del paisaje, se vería obligado a advertirle a Rosa que yo confundía lo que escribía con la realidad y que me creía don Quijote en las Azores.”


O narrador considera que a sua mulher Rosa tem um caso com Tongoy.

Detesta as histórias de amor a que os escritores recorrem para agradar aos leitores.

A teoría de Budapeste assenta na ideia de que enquanto discursa, Rosa e Tongoy estão juntos na cama.


Como dice Magris: “Kafka sabía perfectamente que la literatura le alejaba del territorio de la muerte y le permitía comprender la vida, pero dejándole fuera.”.

...y cualquiera que haya leído a Kafka, conoce perfectamente “cuánta angustia excesiva por nada” (que decía Pessoa) hay en la literatura.


4. Diario de um hombre engañado

Tongoy será o próprio narrador?


5. La salvación del espíritu

O narrador vai a um encontro de escritores, no cimo da montanha de Matz, na Suíça.