terça-feira, 27 de dezembro de 2022

PARAÍSO - Abdulrazak Gurnah


 Paraíso - Abdulrazak Gurnah - (literatura pura e dura)


Ver crítica: https://postal.pt/edicaopapel/paraiso-de-abdulrazak-gurnah%EF%BF%BC/


O JARDIM MURADO

Yusuf saiu de casa aos 12 anos. Vivia com os pais numa casa cheia de caruncho. O pai dirigia um hotel, na pequena cidade de Kawa. Aziz, o tio comerciante abastado, visitava-os de vez em quando e dava-lhe uma moeda de 10 anás. Muitos rapazes e homens da cidade trabalhavam para os alemães na construção da via férrea.

O mendigo Mohamed, viciado em liamba. Yusuf e a mãe protegem-no. Yusuf roubou uma moeda ao pai, mas era tão valiosa que a escondeu.

O pai de Yusuf teve uma primeira mulher com quem teve 2 filhos, mas ela voltou para os pais ao fim de 8 anos e ele nunca mais a viu. Ter-se-á afogado com os dois filhos?

Yusuf saiu de casa aos 12 anos para ir trabalhar na loja do tio Aziz. O pai de Yusuf deve muito dinheiro a Aziz.

Yusuf tem medo de noite dos cães que aparecem perto do local onde dorme com Khalil, o empregado do tio. Ma Ajuza, uma mulher gorda está perdida de amores por ele.

Na casa vive a mulher do tio Aziz, sempre fechada e aparentemente louca. Recebe mulheres que cuidam dela e ninguém a vê. Khalil e Yusuf vão ver o mar e jogar kipande.

O tio Aziz parte para comerciar no interior. A viagem pode durar meses. Vende contrabando aos selvagens.

Há um jardim maravilhoso ao fundo da propriedade, que Yusuf começa a frequentar às escondidas. Sai de lá quando ouve a voz da Senhora, um queixume misterioso.

A CIDADE NA MONTANHA 

Yusuf vai pela primeira vez numa viagem ao interior. Mohammed Abdalla, o capataz cruel e, dizia-se, sodomita avisou-o de que iria.

Mzee Hamdani, o velho jardineiro, deixava Yusuf tratar do jardim, à tarde.

A caravana parte de comboio e chegam a uma pequena cidade para lá de Kawa. Vão a uma loja, de Hamid Suleiman. Yusuf fica lá enquanto o resto da caravana vai até aos lagos. Maimuna, a mulher de Hamid e este encarregaram Yusuf de construir um jardim, até Aziz regressar dos lagos.

Um dia Hamid Yusuf foram na carrinha com o indiano Kalasinga visitar as aldeias das encostas das montanhas para fazer comércio lá. Acampam perto de uma cascata paradisíaca e Hamid diz que há um jardim inacessível e oculto na terra equivalente ao Éden.

Hamid teme que a parceria comercial com Aziz corra mal.

Uns dias depois de regressarem, Aziz regressa também. Correu tudo bem. Ficará Yusuf com Hamid ou voltará com Aziz?

A VIAGEM AO INTERIOR

Yusuf fica. Começa o mês do Ramadão. Tem 16 anos. Não sabe ler, não conhece o Corão e Hamid fica escandalizado e decide mandá-lo para a escola com as crianças mais novas, para que ele aprenda a ler e a ficar no bom caminho.

Yusuf começou também a aprende mecânica e inglês e muitas outras coisas com o indiano Kalasinga.

Asha, a filha adolescente de Hamid, parece apaixonada por Yusuf.

O tio Aziz leva Yusuf numa nova expedição comercial. Foi Hamid que lho pediu. Aziz serve o tio.

Mohammed Abdalla parece proteger Yusuf. O supervisor, um assassino chamado Simba Mwene, goza com a situação. 

Em Mkata, acampam e são recebidos com antipatia pelo ancião chefe. Uma mulher da aldeia é comida por um crocodilo e o ancião acha que foi a caravana de Aziz que levou o mal à aldeia. À noite, um carregador jovem é atacado na cara, por uma hiena e morre. O ancião considerou que tinha sido feita justiça.

OS PORTÕES DE FOGO

Passam pela cidade de Tayari. Yusuf sente-se cada vez mais forte e experiente. Sobem até à aldeia do sultão Chatu, pela floresta intestada de mosquitos e humidade, e são feitos prisioneiros porque um comerciante teria anteriormente enganado o sultão. Yusuf fica na tenda do sultão como refém até se decidir o regresso de Aziz sem as mercadorias. Uma rapariga, Bati, parece estar-lhe destinada pela aldeia.

Apareceu um alemão careca e barbudo com os seus guardas e obrigou Chatu a devolver a mercadoria a Aziz. Este partiu com os seus para Marimbo, para recuperar da azarada expedição. Mas em Marimbo, Aziz ficou deprimido. Tinham perdido um quarto dos homens e um quarto da mercadoria. 

Demoraram 5 meses a fazer a viagem de regresso. 

O BOSQUE DO DESEJO

De regresso, Aziz, adoentado! Pagou aos carregadores sobreviventes e a Abdalla e ficou apenas com Simba. Yusuf voltou a trabalhar ao balcão com Khalil. Este terá sido molestado por Abdalla, que o despreza, enquanto nutre grande admiração por Yusuf.

Simba e Aziz vão a casa de Hamid para recolherem vipusa, o líquido dos cornos de rinoceronte, para o irem vender a um indiano à fronteira, para Aziz recuperar estabilidade financeira.

Yusuf recomeça a cuidar do jardim de Aziz. A Senhora quer vê-lo porque se convenceu de que ele a salvará da desgraça, da doença, da feiura. Ela era uma viúva rica com quem Aziz se casou. Amina, irmã de Khalil, toma conta dela. Aziz desposou-a também.

Yusuf visita Zulheka e toca-lhe na mancha que ela tem na cara. Ela sente que ele a curará. Amina, a irmã de Khalil, parece corresponder à atração que ele sente por ela. Quer fugir com ela.

UM COÁGULO DE SANGUE 

Zulheka recebe Yusuf sozinha e dirige-se avidamente a ele. Ele foge e ela rasga-lhe a camisa por trás. Khalil diz-lhe mais tarde que ela o acusa de ater atacado e que ele tem de fugir. Ele não foge, regressa a casa. Aziz tinha voltado e pergunta-lhe o que se passou. Yusuf conta-lhe e Aziz acredita. Aziz pergunta-lhe porque foi tantas vezes ao quarto dela. Yusuf revela que foi lá para ver Amina. Aziz parece não o recriminar. Avisa-o mais tarde para ele e Khalil terem cuidado porque os alemães andam a recrutar soldados: devem fechar as portadas da lojas se os virem chegar à praça. E os alemães chegam…

“Logo após a sombra projetada pela sufi, encontrou vários montes de excrementos que os cães mordiscavam já avidamente. Desconfiados, os cães observavam-no pelo canto do olho. Deslocaram ligeiramente os corpos para proteger aquele achado do seu olhar cobiçoso. Perplexo, contemplou-os por um momento, surpreendido com aquela sórdida identificação. Os cães tinham reconhecido um comedor de merda ao deparar com ele.

Viu novamente a sua cobardia cintilar ao luar, no muco das respetivas secundinas, e recordou-se de que a vira respirar. Aquele havia sido o nascimento do primeiro terror resultante do seu abandono.”