domingo, 31 de julho de 2022

Siddhartha - Hermann Hesse

PRIMEIRA PARTE

O filho do brâmane: Siddhartha e Govinda, a pronúncia do Om, todos amam Siddhartha mas ele não é feliz e decide juntar-se aos semanas, abandona os pais e Govinda parte com ele.

Com os Samanas: Siddhartha emagrece e deixa cresce a barba, procura a anulação do Eu e busca a transcendência e o Nirvana, mas decide partir, ao fim de 3 anos, porque ainda tem muitas perguntas sem resposta, ouve falar de Buda parte com Govinda em busca dos seus ensinamentos, depois de hipnotizar um velho Samana que não os queria deixar partir.

Gautama (Buda): com o Buda aprende que não deve abdicar do Eu, antes o deve tentar compreender e enfrentar. Govinda fica com o Buda e separam-se.

Despertar: compreendeu que já não era um jovem e, sim, um homem. Uma coisa o abandonara: o desejo de ter professores e ouvir os seus ensinamentos. Nem os ensinamentos de Buda aceitara. Pensa Siddhartha: “É o Eu, cujo carácter e natureza eu desejava conhecer. Aprenderei comigo próprio, serei aluno de mim mesmo.” E Siddhartha sentiu que estava só.

SEGUNDA PARTE

Kamala: Siddhartha decidiu ouvir apenas a sua voz interior. Rejeitou a mulher que lavava roupa à beira do rio e que se lhe ofereceu. Achou bela a cortesã Kamala. Cortou a barba. Quis aprender o amor com ela. Ela aceitou beijá-lo, mas ele teria de ganhar muito dinheiro para a ter. O facto de Siddhartha saber ler e escrever e fazer poemas era muito promissor.

Entre o povo: Siddhartha foi procurar Kamaswami, o mercador, por recomendação de Kamala. Ficou como seu hóspede, a trabalhar com ele. Quando Kamala o convidava, aprendia a beijar e a acariciar. Aprendeu com ela que não se pode ter prazer sem o dar. Siddhartha agradava a todos e sabia escutar todos e ocupava o pensamento com os jogos humanos. Mas sentia que a verdadeira vida passava por ele e não lhe tocava.

Uma vez, disse a Kamala:  “Dentro de ti existe uma serenidade e um santuário aos quais te podes recolher em qualquer altura, para seres tu mesma, exatamente como acontece comigo. Poucas pessoas têm essa faculdade e, todavia, todos a podiam ter.”

Ela disse-lhe, sobre o amor: “Não me tens realmente amor… não amas ninguém.” E ele respondeu: “Sou como tu. Também não podes amar, pois de contrário não praticarias o amor como uma arte. Talvez as pessoas como nós não possam amar. As pessoas vulgares podem… é esse o seu segredo.”

Samsara: Siddhartha vivia a vida do mundo sem no entanto lhe pertencer. Saboreara a riqueza, a paixão e o poder, mas durante muito tempo permanecera samana no coração. A vida de Siddhartha era sempre orientada pela arte de pensar, esperar e jejuar. As pessoas do mundo, as pessoas vulgares, continuavam a ser-lhe estranhas, como ele lhes era estranho.

Assim como a roda do oleiro, uma vez posta em movimento, continua a girar durante muito tempo, e depois gira devagarinho antes de parar, assim a roda do ascetismo, do pensamento e do discernimento continuou a girar durante muito tempo na alma de Siddhartha. E ainda girava, mas lentamente, hesitantemente, quase a parar.

A fadiga apossou-se de Siddhartha como um véu. Todo aquele mundo de pessoas como Kamaswami não passará de um jogo para ele. Não tinha abandonado o pai, Govinda e Gautama para se tornar um Kamaswami. Abandonou tudo e partiu. Kamala estava grávida.

Junto do rio: desejou apaixonadamente o esquecimento, estar em paz, morrer. Mas o Om ressurgiu na sua mente, proveniente da árvore e do rio.

Reencontrou Govinda, agora um dos monges discípulos de Gautama, o Buda. E voltou a sentir que amava tudo e todos. E que voltara a saber jejuar, esperar e pensar. 

“Em rapaz andei ocupado com deuses e sacrifícios; em jovem, com ascetismo, com pensar e meditar; depois descobri maravilhado os ensinamentos do grande Buda; parti e fui aprender os prazeres do amor com Kamala e dos negócios com Kamaswami; e agora abandonei tudo para voltar a ouvir o Om que comecei a ouvir em rapaz.”

“Os prazeres do mundo e as riquezas não são bons. O Om som.” 

O novo Siddhartha sentia um amor profundo por aquela água corrente e decidiu não a abandonar tão cedo.

O barqueiro: Siddhartha tornou-se hóspede e ajudante do barqueiro Vasudeva, de quem gostava por ter uma vida tão simples e por saber ouvir, como se fosse o próprio rio.

O Buda adoeceu e os monges atravessavam o rio para o ver antes de morrer. Também Kamala e o filho vieram. Kamala foi mordida por uma pequena serpente preta e morreu. 

O filho: com 11 anos era um menino mimado, habituado à boa vida. Não lhe trouxera a paz e a felicidade, porque era arrogante e provocador, não trabalhava, não respeitava os dois velhos e roubava frutos. Mas Siddhartha amava-o e preferia os desgostos e as preocupações do seu amor à felicidade e ao prazer sem o filho. Amava-o loucamente e o amor transformara-o num idiota. E o filho disse-lhe que o odiava e desprezava e desapareceu. Siddhartha inutilmente foi à cidade tentar recuperá-lo.

Om: a ferida pela perda do filho doeu durante muito tempo. Percebia agora o que era um comum mortal e os seus sofrimentos. Sentia que também está vertente teria de fazer parte da harmonia, do conhecimento da perfeição eterna do mundo e da unidade.

E as vozes todas que ouvia no rio, todos os objetivos, todas as vivências, todos os desgostos, todos os prazeres, todo o bem e todo o mal, as vozes todas juntas eram o mundo. Todas juntas eram o fluir dos acontecimentos, a música da vida. Quando Siddhartha escutava atentamente o rio, a sua canção de mil vozes; quando não dava ouvidos apenas ao riso ou à mágoa, não ligava a alma a nenhuma voz particular e a absorvia no seu Eu, mas as ouvia a todas, ao conjunto, à unidade, então o grande cântico de mil vozes consistia numa única palavra: Om - perfeição.

A partir desse momento, Siddhartha deixou de lutar contra o seu destino. No seu rosto brilhava a serenidade do saber, de quem já não se debate com conflitos de saber, de desejos, encontrou a salvação, vive em harmonia com o fluir dos acontecimentos, com o rio da vida, rendendo-se à corrente, pertencendo à unidade de todas as coisas.

E Vasudeva partiu, para a floresta definitiva, para a unidade de todas as coisas.

Govinda: apesar da sua longa idade e da sua modéstia, ainda havia desassossego no seu coração e a sua busca estava insatisfeita. Procurou Siddhartha e atravessou o rio com ele. Este diz-lhe:

“Quando alguém procura,acontece facilmente só ver a coisa que procura, ser incapaz de encontrar seja o que for, de absorver seja o que for, porque só pensa naquilo que procura, porque tem um objetivo e porque está obcecado com esse objetivo. Procurar significa ter um objetivo, mas encontrar significa ser livre, ser recetivo, não ter nenhuma meta. Tu talvez sejas uma pessoa que procura, pois ao lutares para alcançar o teu objetivo, não vês muitas coisas que estão debaixo do teu nariz.

A sabedoria não é comunicável. A sabedoria que um velho sábio tenta comunicar parece sempre ridículos. O conhecimento pode ser comunicado, mas a sabedoria não.

Quando o sábio Buda ensinou acerca do mundo, teve de o dividir em Samsara e Nirvana, em ilusão e verdade, em sofrimento e salvação.

O importante é apenas amar o mundo e não desprezá-lo, sermos capazes de ver o mundo, a nós próprios e a todos os seres com amor, admiração e respeito.


HOMO SUM: HUMANI NIHIL A ME ALIENUM PUTO (Terêncio)

Sem beijos, não se consegue pensar.

Anónimo

La senda de Aristóteles - Edith Hall

Edith Hall é uma classicista que considera que afetividade coletiva se conquista através da felicidade individual de cada cidadão.

La pregunta de qué es la felicidad desvela a la humanidad desde el origen de la filosofía, pero la clasicista Edith Hall (Birmingham, 63 años) está convencida de que Aristóteles, su “amigo” desde que lo descubrió con 20 años, nos había dejado la respuesta hace 2.400 años: no se trata de grandes principios, sino de “comprometerse con la textura de la vida”. Tras décadas como referente en literatura griega antigua e historia cultural, su pasión ahora es hacer los clásicos accesibles y demostrar que tienen la llave para desarrollar nuestro potencial. Rodeada de sus mascotas, el perro Finlay y el gato Satán, cuenta que fue un amigo quien la animó a escribir La senda de Aristóteles (Anagrama), tras haberle escuchado durante años que el filósofo de Estagira poseía las claves para “cambiar nuestra vida”. Tal es su convicción que confiesa que le gustaría dar su libro gratis a todo el mundo, si bien, de momento, se conforma con las clases magistrales que imparte abiertamente en plataformas como YouTube.

PREGUNTA. El título del libro es una declaración de intenciones: la sabiduría antigua puede cambiar nuestra vida. ¿Cuál es el hilo común de la vía aristotélica?

RESPUESTA. El complejo y extremadamente variado pensamiento de Aristóteles se puede resumir en que, si tratas de ser una buena persona, lo intentas de verdad y piensas en ello todo el tiempo, vas a ser una persona mucho más feliz y serena.

P. La felicidad es nuestra responsabilidad individual, pero en la vida moderna resulta tentador culpar a todo, menos a nosotros, de lo que nos ocurre.

R. Los jóvenes tienden cada vez más a actuar como víctimas, y ciertamente afrontan cuestiones mucho peores que mi generación, pero no van a ser felices si siempre culpan al otro, tienen que asumir la responsabilidad. Aristóteles demanda asumir que tienes un control considerable en cómo actúas y, por tanto, en las consecuencias que obtienes. Debes lidiar con las cartas que te tocaron al nacer, y aunque reconoce que, si están en tu contra, es más difícil ser feliz, aun así puedes. Lo importante es decidir qué está bajo tu control, qué no y trabajar duramente en aquello que lo esté.

P. Guerra en Europa, una pandemia… Las circunstancias nos lo ponen difícil para practicar nuestra responsabilidad de ser felices.

R. Este es uno de los aspectos en los que Aristóteles es más relevante: plantea avanzar desde la felicidad individual y cómo, si todos individualmente lo intentamos, podemos conseguirla. Empiezas a partir de esta base, pero no puedes hacerlo en solitario, solo se puede ser bueno interactuando con otros. También cree que los malos gobernantes solo florecen cuando logran desbaratar este tejido básico de decencia social, los tiranos lo odian porque hace que la gente pueda sobreponerse a ellos. Cada vez que tenemos una conversación agradable con alguien es un acto de desafío contra la tiranía.

P. Según usted, los clásicos tienen la llave para una vida plena, pero su protagonismo es marginal en la sociedad moderna. ¿A quién tenemos que convencer?

R. La manera más rápida es a quienes gestionan la educación. Las élites que dominan el mundo no quieren ciudadanos que piensen, porque los rechazaríamos. No creo que digan: “Impidamos que impartan los clásicos”, pero hay un impacto, y aunque no puedo probarlo, creo que hay una impresión genuina de que una ciudadanía ampliamente educada en materia humanista tendría la capacidad de criticar ciertos argumentos.

P. ¿Quiénes deben entonces asumir la iniciativa?

R. Aquellos en una posición segura. Esto es muy aristotélico, está en uno de los capítulos del libro, es el concepto de la omisión-comisión: puedes hacer muchísimo daño por simplemente no actuar. Si analizamos cada político, cada persona rica…, ayuda mucho para determinar a quién admirar y a quién no. Las personas con cierta influencia tienen el deber de utilizarla, y esto es exactamente lo que dice Aristóteles; de lo contrario, es omisión, no ayudar cuando puedes hacerlo sin causarte ningún daño.

P. La constante en su libro y en el pensamiento aristotélico es maximizar nuestro potencial, pero es la exigencia de ser excelentes en todo la que nos hace infelices.

R. El problema es que tratamos de hacer demasiadas cosas. Tienes que encontrar una sola que se te dé bien. Aristóteles la llamaba techne, que es de donde viene la palabra técnica, es decir, un talento a desarrollar. Creo en la especialización, vamos a ser mejores si tenemos gente increíblemente buena en lo que hace, así que yo, en la veintena, abandoné todas mis aficiones y decidí convertirme en la mejor académica posible en Grecia Antigua y también ser madre. Y es más que suficiente.

P. ¿Y es compatible?

R. Sí, Aristóteles es genial en eso, dice que, si eres muy bueno en algo, probablemente sea en aquello que más disfrutas. El placer es, por tanto, una guía muy sencilla.

P. La tecnología nos lleva a priorizar la gratificación instantánea. ¿Es esto un obstáculo para la prevalencia de los clásicos en la sociedad moderna?

R. El problema es que hay un efecto sedante en el bombardeo constante. Las redes sociales son ahora el opio del pueblo, y a la gente le aterra terriblemente quedarse sola con sus pensamientos, pero así no puedes tomar buenas decisiones. Lo considero especialmente tóxico para los niños, creo que afecta a su capacidad para concentrarse, pero está aquí, y tampoco puedes ser un ludita, no puedes esperar que desaparezca la tecnología, necesitamos encontrar maneras de gestionarla.

P. ¿Están los clásicos en peligro de extinción?

R. Sí. Personalmente, me siento como la custodia de la memoria de la tribu, de uno de los milenios más importantes, porque fue en el que se inventó la filosofía. Y me preocupa, pero Aristóteles me dice que solo puedo preocuparme por aquello en lo que pueda hacer algo, lo demás está fuera de mi control.

P. En el Reino Unido somos testigos del ocaso de Boris Johnson, un entusiasta de los clásicos. ¿Es su caída la historia de un héroe griego contemporáneo?

R. Su historia es como una tragedia griega, ha caído estrepitosamente, de una manera muy rápida, por un perfil psicológico particular. Tiene un defecto terrible: su incapacidad de decir la verdad, es un mentiroso patológico; todos los políticos mienten, pero en su caso parece ser la opción por defecto, se siente más seguro mintiendo. Mi definición de locura es que no te ves a ti mismo como te ven los demás, no tienes idea del impacto que causas, y él ha perdido toda conexión con cómo es percibido. Creyó que podía escapar de todo mintiendo, por haberlo hecho tantas veces; era una evidencia empírica, pero ha sido muy irresponsable, dando un ejemplo terrible de decadencia moral.

Gran­des éxi­tos de la fi­lo­so­fía… can­ta­da - Mar Padilla - El País

 Gran­des éxi­tos de la fi­lo­so­fía… can­ta­da

El anuncio de la primavera es de unos grandes almacenes, pero el aviso de la llegada del verano corre a cargo de una cervecera. Aquí, ahora y así, interpretada por Santi Balmes y Renaldo y Clara, y compuesta por Rigoberta Bandini, es la canción de su anuncio para este año. En Twitter algunos la adoran y otros la desprecian. Uno confiesa que ha llorado de emoción al escucharla, otro dice que es el mensaje que necesitaba después de estar un año opositando, y otro más tilda la canción de autoayuda de botellín. En cualquier caso, la canción habla de la urgencia de vivir el momento. En El discurso de la verdad, Parménides dice: “El ser nunca fue ni será, puesto que es ahora, uno y continuo”, algo no tan ajeno a lo que describe Bandini con un puñado de acordes.

Consideramos la filosofía como un sistema académico sofisticado solo apto para eruditos. Pero filosofar es un acto a la intemperie, que se da en cualquier situación en la que participen humanos, solos o en compañía. También en la música. En estrofas que son casi cápsulas filosóficas, el pensamiento sobre la condición humana está presente en infinidad de canciones. La campeona de todos los tiempos —detestada por tantos— es, probablemente, Dust In The Wind, de Kansas, esa que dice: “Cierro los ojos solo por un momento y el momento se ha ido / Solo somos polvo en el viento / No te aferres, nada dura para siempre”. Una azucarada lección de estoicismo, la escuela de filosofía que ayuda a vivir en el reconocimiento de la finitud y la naturaleza decadente del mundo, de lo que amamos y de nosotros mismos. Porque todo muere y cualquier logro quedará en nada.

En Ser y tiempo, Heidegger se pregunta por ese existir, ese estar ahí, arrojados en la posibilidad. Si estamos hechos de tiempo —el material más indómito, barro y cruz de los humanos—, Nina Simone se revela como la artista más genuinamente heideggeriana. En Who Knows Where The Time Goes canta: “En algún momento de tu vida tendrás ocasión de preguntarte / ¿Qué es eso que se llama tiempo? / ¿Qué hace? / y, sobre todo, ¿está vivo?”. Simone, que escribió 500 canciones, activista por los derechos civiles que abandonó Estados Unidos por el racismo, decía que la libertad era no tener miedo.

Pero eso no es fácil. En I’d Rather Go Blind, la gran Etta James canta: “Prefiero quedarme ciega a perderte / Más que nada porque no quiero sentirme libre”. James no está sola en esa idea de abismo. Una de las claves de la filosofía de Immanuel Kant es, precisamente, el problema de la libertad, ese esfuerzo de independencia de la voluntad respecto de cuanto sea ajeno a la ley moral —no ligada a impulsos—, esa capacidad de elección por encima de nuestros deseos.

Haz lo que quieras

El libre albedrío es un clásico con el que lidiamos cada día de cada semana en cada año vivido. Un vaivén entre el interrogante y la duda que nos deja exhaustos, con ganas de tirar la toalla a veces. Pero casi todos seguimos adelante, arrollados por una fuerza extraña. No hay prueba académica alguna, pero es probable que la canción Do Anything You Wanna Do, de Eddie & The Hot Rods, haya salvado a muchos de la desolación y haya liberado a muchas mentes, porque la canción te explica que puedes hacer lo que tú consideres, esto es, lo que tú creas honestamente que debes hacer, sin atender a mandamientos impuestos por otros.

Más allá de las luchas por liberarnos de cadenas propias y ajenas,

Friedrich Engels nos advierte de que la ley de la conservación y de la transformación de la energía es la ley fundamental del movimiento, y que este —la vis viva según palabras de Gottfried Leibniz— es el rey absoluto de la naturaleza. Eso es lo que significa saoco en su origen africano: movimiento, utilizado después en el slang puertorriqueño para catalogar algo lleno de energía, rítmico y sabroso. Es ese algo que se mueve y cambia, como canta Rosalía en Saoko cuando dice: “Cuando es de noche en el cielo se vuelve de día / Ya todo eso cambió / Soy todas las cosas / Yo me transformo”.

El poder y la gloria solo son humanos, pero son muchos, casi todos invisibles, los que meditan al respecto y, como Albert Camus eligiendo entre la justicia y su madre, optan por apartar los conceptos abstractos y quedarse con la finita realidad del calor humano. Un día de 2019 Rosalía cantó en la tele Me quedo contigo y, tras fascinarse con ella, algunas miradas recordaron los años ochenta, cuando Los Chunguitos publicaron esa canción, y entonces no prestaron suficiente atención a una letra que dice: “Si me das a elegir entre tú y mis ideas / que yo sin ellas soy un hombre perdido / ¡ay amor! me quedo contigo”.

Soledad cósmica

Antonio Vega sí escuchó Me quedo contigo entonces y le gustó tanto que la tocaba en algunos conciertos. Las canciones de Vega, uno de los grandes cantantes-pensadores, están repletas de ideas-rayo que cantan, en su caso, a la soledad cósmica, como en la canción Persiguiendo sombras: “Nada me importa hoy / No sé ni dónde voy / Persiguiendo sombras / Es tal el hielo que hay aquí / Este es un frío país”, o en Escala real: “Persigo una ilusión / a donde quiera llegar / pasando sin temor / junto al vacío total”.

Vega también versionó a Joan Manuel Serrat —el grandísimo pensador músico—: cantó la extraordinaria Romance de Curro el Palmo, que narra la lucha por la vida y la lucha por el amor, y sus sucesivos naufragios. Es el arte de la existencia de una persona en siete minutos, embarcada a sabiendas que no hay puerto seguro —como bien decía Voltaire— y que empieza con “La vida y la muerte / bordada en la boca / tenía Merceditas / la del guardarropa”.

Otros compositores nombran, directa o indirectamente, a los pensadores que les han influenciado, como The Cure en Killing An Arab, basada en El extranjero, la obra de Albert Camus —donde cantan: “Estoy vivo / estoy muerto / soy Un extraño”—, o Bob Dylan en I Dreamed I Saw Saint Augustine: “He soñado que veía a san Agustín / vivo como tú y como yo / con su salvaje aliento”. Algunos llaman a Dylan El Profeta, pero el de Minnesota no es un ente ni un aparecido, sino un hombre vivo, una persona de verdad. Es un tipo de 81 años que con 32, en su canción Knockin’ On Heaven’s Door, nos señala que el camino es hacia la muerte. Un destino que nos deja pensativos y nos hace seres pensantes. Cada instante en la vida es un regalo y también una cuenta atrás. Quizá lo mejor es poner la canción I Wanna Know (Quiero saber), de Mongo Santamaria, a todo volumen y ponerse a bailar.