PRIMEIRA PARTE
O filho do brâmane: Siddhartha e Govinda, a pronúncia do Om, todos amam Siddhartha mas ele não é feliz e decide juntar-se aos semanas, abandona os pais e Govinda parte com ele.
Com os Samanas: Siddhartha emagrece e deixa cresce a barba, procura a anulação do Eu e busca a transcendência e o Nirvana, mas decide partir, ao fim de 3 anos, porque ainda tem muitas perguntas sem resposta, ouve falar de Buda parte com Govinda em busca dos seus ensinamentos, depois de hipnotizar um velho Samana que não os queria deixar partir.
Gautama (Buda): com o Buda aprende que não deve abdicar do Eu, antes o deve tentar compreender e enfrentar. Govinda fica com o Buda e separam-se.
Despertar: compreendeu que já não era um jovem e, sim, um homem. Uma coisa o abandonara: o desejo de ter professores e ouvir os seus ensinamentos. Nem os ensinamentos de Buda aceitara. Pensa Siddhartha: “É o Eu, cujo carácter e natureza eu desejava conhecer. Aprenderei comigo próprio, serei aluno de mim mesmo.” E Siddhartha sentiu que estava só.
SEGUNDA PARTE
Kamala: Siddhartha decidiu ouvir apenas a sua voz interior. Rejeitou a mulher que lavava roupa à beira do rio e que se lhe ofereceu. Achou bela a cortesã Kamala. Cortou a barba. Quis aprender o amor com ela. Ela aceitou beijá-lo, mas ele teria de ganhar muito dinheiro para a ter. O facto de Siddhartha saber ler e escrever e fazer poemas era muito promissor.
Entre o povo: Siddhartha foi procurar Kamaswami, o mercador, por recomendação de Kamala. Ficou como seu hóspede, a trabalhar com ele. Quando Kamala o convidava, aprendia a beijar e a acariciar. Aprendeu com ela que não se pode ter prazer sem o dar. Siddhartha agradava a todos e sabia escutar todos e ocupava o pensamento com os jogos humanos. Mas sentia que a verdadeira vida passava por ele e não lhe tocava.
Uma vez, disse a Kamala: “Dentro de ti existe uma serenidade e um santuário aos quais te podes recolher em qualquer altura, para seres tu mesma, exatamente como acontece comigo. Poucas pessoas têm essa faculdade e, todavia, todos a podiam ter.”
Ela disse-lhe, sobre o amor: “Não me tens realmente amor… não amas ninguém.” E ele respondeu: “Sou como tu. Também não podes amar, pois de contrário não praticarias o amor como uma arte. Talvez as pessoas como nós não possam amar. As pessoas vulgares podem… é esse o seu segredo.”
Samsara: Siddhartha vivia a vida do mundo sem no entanto lhe pertencer. Saboreara a riqueza, a paixão e o poder, mas durante muito tempo permanecera samana no coração. A vida de Siddhartha era sempre orientada pela arte de pensar, esperar e jejuar. As pessoas do mundo, as pessoas vulgares, continuavam a ser-lhe estranhas, como ele lhes era estranho.
Assim como a roda do oleiro, uma vez posta em movimento, continua a girar durante muito tempo, e depois gira devagarinho antes de parar, assim a roda do ascetismo, do pensamento e do discernimento continuou a girar durante muito tempo na alma de Siddhartha. E ainda girava, mas lentamente, hesitantemente, quase a parar.
A fadiga apossou-se de Siddhartha como um véu. Todo aquele mundo de pessoas como Kamaswami não passará de um jogo para ele. Não tinha abandonado o pai, Govinda e Gautama para se tornar um Kamaswami. Abandonou tudo e partiu. Kamala estava grávida.
Junto do rio: desejou apaixonadamente o esquecimento, estar em paz, morrer. Mas o Om ressurgiu na sua mente, proveniente da árvore e do rio.
Reencontrou Govinda, agora um dos monges discípulos de Gautama, o Buda. E voltou a sentir que amava tudo e todos. E que voltara a saber jejuar, esperar e pensar.
“Em rapaz andei ocupado com deuses e sacrifícios; em jovem, com ascetismo, com pensar e meditar; depois descobri maravilhado os ensinamentos do grande Buda; parti e fui aprender os prazeres do amor com Kamala e dos negócios com Kamaswami; e agora abandonei tudo para voltar a ouvir o Om que comecei a ouvir em rapaz.”
“Os prazeres do mundo e as riquezas não são bons. O Om som.”
O novo Siddhartha sentia um amor profundo por aquela água corrente e decidiu não a abandonar tão cedo.
O barqueiro: Siddhartha tornou-se hóspede e ajudante do barqueiro Vasudeva, de quem gostava por ter uma vida tão simples e por saber ouvir, como se fosse o próprio rio.
O Buda adoeceu e os monges atravessavam o rio para o ver antes de morrer. Também Kamala e o filho vieram. Kamala foi mordida por uma pequena serpente preta e morreu.
O filho: com 11 anos era um menino mimado, habituado à boa vida. Não lhe trouxera a paz e a felicidade, porque era arrogante e provocador, não trabalhava, não respeitava os dois velhos e roubava frutos. Mas Siddhartha amava-o e preferia os desgostos e as preocupações do seu amor à felicidade e ao prazer sem o filho. Amava-o loucamente e o amor transformara-o num idiota. E o filho disse-lhe que o odiava e desprezava e desapareceu. Siddhartha inutilmente foi à cidade tentar recuperá-lo.
Om: a ferida pela perda do filho doeu durante muito tempo. Percebia agora o que era um comum mortal e os seus sofrimentos. Sentia que também está vertente teria de fazer parte da harmonia, do conhecimento da perfeição eterna do mundo e da unidade.
E as vozes todas que ouvia no rio, todos os objetivos, todas as vivências, todos os desgostos, todos os prazeres, todo o bem e todo o mal, as vozes todas juntas eram o mundo. Todas juntas eram o fluir dos acontecimentos, a música da vida. Quando Siddhartha escutava atentamente o rio, a sua canção de mil vozes; quando não dava ouvidos apenas ao riso ou à mágoa, não ligava a alma a nenhuma voz particular e a absorvia no seu Eu, mas as ouvia a todas, ao conjunto, à unidade, então o grande cântico de mil vozes consistia numa única palavra: Om - perfeição.
A partir desse momento, Siddhartha deixou de lutar contra o seu destino. No seu rosto brilhava a serenidade do saber, de quem já não se debate com conflitos de saber, de desejos, encontrou a salvação, vive em harmonia com o fluir dos acontecimentos, com o rio da vida, rendendo-se à corrente, pertencendo à unidade de todas as coisas.
E Vasudeva partiu, para a floresta definitiva, para a unidade de todas as coisas.
Govinda: apesar da sua longa idade e da sua modéstia, ainda havia desassossego no seu coração e a sua busca estava insatisfeita. Procurou Siddhartha e atravessou o rio com ele. Este diz-lhe:
“Quando alguém procura,acontece facilmente só ver a coisa que procura, ser incapaz de encontrar seja o que for, de absorver seja o que for, porque só pensa naquilo que procura, porque tem um objetivo e porque está obcecado com esse objetivo. Procurar significa ter um objetivo, mas encontrar significa ser livre, ser recetivo, não ter nenhuma meta. Tu talvez sejas uma pessoa que procura, pois ao lutares para alcançar o teu objetivo, não vês muitas coisas que estão debaixo do teu nariz.
A sabedoria não é comunicável. A sabedoria que um velho sábio tenta comunicar parece sempre ridículos. O conhecimento pode ser comunicado, mas a sabedoria não.
Quando o sábio Buda ensinou acerca do mundo, teve de o dividir em Samsara e Nirvana, em ilusão e verdade, em sofrimento e salvação.
O importante é apenas amar o mundo e não desprezá-lo, sermos capazes de ver o mundo, a nós próprios e a todos os seres com amor, admiração e respeito.
HOMO SUM: HUMANI NIHIL A ME ALIENUM PUTO (Terêncio)
Sem beijos, não se consegue pensar.
Anónimo