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Romance iniciador do naturalismo! O meio e a origem condicionam os atos.
Thérèse Raquin, considerada a obra inaugural do Naturalismo francês, não dispôs de uma boa recepção, sendo associado à pornografia e à depravação, o que levou o autor prefaciar a segunda edição do romance corpus deste trabalho, comentando sua estupefação, não pelo desentendimento da proposta pela população, mas, principalmente, pela incompreensão da crítica especializada, pois, na concepção do autor, seu “objetivo foi um objetivo científico antes de tudo” (2001, p. 10), uma vez que o trabalho realizado pelo escritor francês assemelha-se ao “que os cirurgiões fazem com cadáveres” (2001, p. 10), o que enfatiza o seu objetivo científico, voltado para a análise psicológica das personagens, lançando luz sobre suas características inerentemente humanas.
Thérèse Raquin é filha de um capitão francês e mãe argelina. Depois da morte da mãe, o pai leva-a para morar com a tia, Madame Raquin, e o seu filho, Camille, em Vernon. Por o filho ser tão doente, Madame Raquin adora Camille ao ponto de deixá-lo egoísta e mimado. Camille e Thérèse crescem lado a lado, e Madame Raquin casa-os, quando Thérèse faz vinte e um anos. Pouco tempo depois, Camille decide que a família deve mudar-se para Paris para que ele possa seguir a carreira de amanuense.
Thérèse Raquin e Madame Raquin estabelecem-se na Passage du Pont Neuf para apoiar Camille, enquanto ele procura por um emprego. Camille finalmente começa a trabalhar para a Orléans Railroad Company, onde encontra um amigo de infância, Laurent. Laurent visita os Raquins e torna-se amante de Thérèse.
Thérèse e Laurent conspiram e este afoga Camille quando saem num passeio de barco. Isso permite que se casem, mas a culpa impõe-se entre eles. Eles imaginam ver Camille no seu quarto todas as noites, impedindo-os de se tocarem e rapidamente se sentem a enlouquecer.
Laurent deixa de trabalhar e tenta ser um artista, mas não pode pintar uma imagem (mesmo uma paisagem), pois de alguma forma esta se assemelha ao homem morto.
Eles também têm que cuidar de Madame Raquin, que entretanto sofreu um acidente vascular cerebral. Madame Raquin sofre um segundo derrame e fica totalmente paralisada, exceto os olhos.
Durante uma noite de dominó com os amigos (uma tentativa de manter uma fachada de normalidade), ela consegue mover seu dedo com um extremo esforço de vontade para rastrear palavras sobre a mesa "Thérèse: Laurent et ont t. .." A frase completa foi destinada a ser "Thérèse Laurent et ont tué Camille" (Thérèse e Laurent mataram Camille). Neste ponto, acaba a sua força, e as palavras são interpretadas como "Thérèse e Laurent cuidam de mim muito bem".
Finalmente, Thérèse e Laurent encontram na vida insuportável em comum que levam, a vontade de matar um ao outro. No clímax do romance, os dois estão prestes a matar um ao outro, quando cada um deles percebe os planos do outro.
Cada um, em seguida, chora e reflete sobre suas vidas miseráveis. Depois de terem se abraçado uma última vez, os dois se suicidam bebendo veneno, em frente ao olhar atento da velha Madame Raquin.