Vai Cândido em busca de Cunegundes, da comprovação de que para todo o efeito há uma causa, de que este é o melhor dos mundos de que tudo o que acontece é porque tem um objectivo positivo.
Como na BD, nas aventuras de Cândido, o ingénuo, o puro, ninguém morre apesar de quase todas as personagens terem sido mortas ou estropiadas ao longo da obra.
Amigo de filósofos e de criados, Cândido não advoga ideais religiosos, políticos ou mesmo nacionalistas.
Na obra, qualquer das personagens sofreu horrores mais terríveis do que as outras. Com uma extrema facilidade passa das situações mais favoráveis (El Dorado) para as piores (forca), perde e acha riquezas e amigos.
Voltaire ridiculariza reis, nações, clérigos, judeus, muçulmanos, papas, bispos, etc.
Cândido, atingido o final, alcança um dos seus objectivos: encontra Cunegundes. No entanto, esta está feia, abatida, degradada e sem o interesse que motivou o herói e o arrancou do El Dorado, onde poderia ter acabado, apesar do tédio. Casa com ela e ficam a viver numa quinta, com os dois filósofos, criados fiéis e antigos, um frade que se transformou em turco e uma velha sem uma nádega.
O efeito atingido por todas as causas da obra pareceu-lhes, a princípio, vão porque se sentiram entediados e com saudades das aventuras (ou desventuras) ou causas. Afinal, em conclusão, este não se revelou o melhor dos mundos. E só o ideal do trabalho, árduo e alienante, os livrou do tédio.
Cândido ou o Optimismo
Voltaire